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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Há esperança na humanidade! (Lucyclenia Santana)

Olá queridos!

A resenha de hoje é de um daqueles LIVROS com letras maiúsculas e em negrito, que na minha visão deveriam ser lidos por todos, daqueles que tocam lá no fundo da alma e que, com certeza, irá te emocionar, assim como também me emocionou. Estamos falando de nada mais, nada menos que "Sonata em Auschwitz", de autoria da brasileirinha Luize Valente, lançado pela Editora Record. 

Nossa avaliação: 10.0

Amália é portuguesa, filha de imigrante alemão, cuja família imigrou para Portugal após a segunda guerra mundial. Conversas sobre o tema foram banidas por seu pai, que criou até inimizade com os demais membros da família devido ao seu posicionamento contra o nazismo.

A história começa a se desenrolar logo nas primeiras páginas, quando Amália chega em casa e sem querer ouve uma ligação, onde a sua bisavô Frida, já com idade centenária, procura o seu pai para tratar assuntos de família. Sabendo que o pai abomina o passado e não quer ter envolvimento com os membros da própria família, Amália, sem o conhecimento do pai, pede que sua bisavó lhe conte esse passado da família.

Dias após o encontro, Frida vem a falecer e, atendendo ao pedido da sua bisa, Amália parte para o Rio de Janeiro a procura de Adele e Haya que são peças fundamentais para o desvendamento desse passado obscuro.

"Olhar pra trás é como entrar na contramão em uma avenida movimentada".

Amo demais um grupo que me faz ler temas diversos, me dá oportunidade de conhecer novos autores e tomar conhecimento de livros magníficos que eu normalmente não leria ou não procuraria por mim mesma, então, obrigada! #DesafioDasEstrelasForever.

Sendo este meu primeiro contato com a autora, achei sensacional a maneira que ela transmitiu sua mensagem sobre um tema pesado, de forma fluida, leve e envolvente. Com certeza, vou pôr na lista outros livros dela para serem lidos em 2019, na primeira oportunidade que surgir.

Confesso que livros acerca da segunda guerra mundial, nazismo, holocausto e Hitler, são livros que me deixam com o coração na mão. Mas, este com certeza, devido a maneira em que foi abordado, de forma envolvente e riquíssimo em detalhes, com certeza entrou pra lista de favoritos de 2018.

Estou simplesmente embasbacada com a forma que a autora encontrou para transformar um assunto tão pesado, em algo tão belo, emocionante, real e palpável. Quando digo que o livro é rico em detalhes, podem acreditar, Luize nos transporta para dentro dos campos de concentração, nos faz sentir na pele o que os personagens sentiram e passaram.

O livro é narrado em primeira e terceira pessoa, flui de forma bem rápida, porém não é um livro para ser lido às pressas. Apesar de fluido, em 90% do livro me vi com um nó na garganta e as lágrimas insistiam em surgir, o que me fez pausar a leitura em diversos momentos para digerir o que estava sendo lido e sentido, recuperar o fôlego e enxugar as lágrimas. 

"Frida foi direta, sem floreios. Jogou-me o passado que voltou a atormentá-la em pesadelos noturno. Não partiria com ele. Fridedich era o filho amado de um casamento de conveniência com Hans, alto oficial do Reich que se suicidou no fim da guerra."

Espero que gostem da resenha, dividam comigo suas opiniões.

Boa leitura.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Almas quebrantadas se encontram através da Arte da Música. (Renata Lima)


Antes de começar a resenha desse livro propriamente dito, tenho que pedir desculpas a vocês por nunca ter resenhado um dos melhores romances que li na minha vida e que é da mesma autora desse livro, Brittainy C. Cherry, intitulado "O Ar que Ele Respira". Isso é quase uma falta de caráter minha e prometo resolver essa gafe logo logo!

Mas vamos ao que interessa, que é o livro de hoje "Arte & Alma", publicado pelo selo Galera Record ("O Ar que Ele Respira" é um livro mais adulto, então foi publicado pela Editora Record). 

Nossa Avaliação - 8.5
Nesse livro, conhecemos Aria Watson, de 16 anos, que é amante das artes, principalmente de arte abstrata. Apesar de seu irmão ser um dos mais populares do colégio, Aria sempre se sentia meio invisível, sem saber que isso estava prestes a mudar agora que ela está grávida e não quer revelar a ninguém, nem à sua melhor amiga, quem é o pai do bebê.

É quando está se sentindo-se incrivelmente solitária e enfrentando brigas homéricas entre os pais (a mãe decide apoiá-la, mas o pai muda completamente seu comportamento com ela e até para de falar com a própria filha, PASMEM!) que Aria conhece o novato na cidade Levi Myres, que vem do Alabama para morar com o pai a quem não vê há muitos anos.

Levi não teve uma vida muito fácil e decide morar com seu pai para fugir da mãe, que tem sérios problemas emocionais e psicológicos. Mas morar com o pai se mostra tão difícil quanto ter que lidar com as crises da mãe, já que seu pai (antes tão amoroso) revela-se um homem estúpido e muito ranzinza. Apesar disso, Levi é um rapaz divertido, lindo e comunicativo e, portanto, não encontra problemas para se encaixar na cadeia alimentar do colégio, atraindo a atenção dos mais populares, mas Levi escolhe se juntar à turma de Aria, os excluídos, principalmente depois que os professores de Música (Levi toca violino) e Artes (a turma de Aria) resolvem juntar as duas turmas e fazer pares para uma apresentação de final de ano.

Aria e Levi se tornam parceiros e, mais que isso, amigos e, mesmo depois que a escola inteira descobre a gravidez de Aria, Levi não a abandona. Existe uma conexão entre a alma desses dois que as adversidades não conseguem penetrar. O fato é que esses dois jovens perdidos e desesperançados encontram um no outro um motivo para continuar, mesmo que a vida seja difícil e que as pessoas tornem tudo ainda mais complicado. É uma relação difícil e ao mesmo tempo bonita porque é como se um virasse a tábua de salvação do outro. Sabe quando você tem problemas, mas conhece pessoas que está passando por coisas piores que você e você tenta ajudar, mesmo estando sobrecarregado? É exatamente assim.

Não sou muito de confessar essas coisas, mas em diversas partes do livro fiquei com um nó na garganta. Pela Aria e seus problemas, pelo Levi e seus problemas, pelos dois juntos e ao mesmo tempo separados, tentando lidar de forma madura com suas aflições quando os adultos, que deveriam ter uma postura mais serena e conciliatória, têm posturas absurdamente infantis e revoltantes (como o pai da Aria e o pai do Levi).

A parte cômica fica por conta do Simon, amigo da Aria, um rapaz cheio de TOCs e que, sem querer, acaba falando demais e revela para a fofoqueira de plantão a gravidez da amiga, mas não é por mal, ele só é uma pessoa muito efusiva. Gostaria que Simon e sua parceira tivessem tido mais destaque, mas entendi que havia uma história para ser desenvolvida ali e a autora não queria tirar o foco do tema principal.

No geral, apesar de ter lido duas resenhas bem negativas, gostei bastante do livro, mas confesso que fui sem muitas expectativas, porque não gostei muito do livro "A Chama Dentro de Nós", da mesma autora. Há muitas referências nerds, musicais e artísticas interessantes que aparecem quando menos a gente espera e achei que por isso houve sim uma identificação forte entre os personagens, ao contrário do que li nas resenhas a história ganha força a partir do momento em que os dois personagens principais se identificam e se compreendem respectivamente como Arte (a Aria) e Alma (o Levi).

Espero que vocês gostem do livro! Eu adorei!

Até a próxima!






sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Uma segunda chance para ser feliz! (Lucyclenia Santana)


“Pela primeira vez questionei por que estava tão motivada a demolir um mundo que podia ser muito melhor do que aquele no qual eu vivia.”


Nossa avaliação: 9.0
No livro "Uma Curva no Tempo" de Dani Atkins, publicado no Brasil pela editora Arqueiro, jovens amigos de colégio e de infância se reune para uma despedida. Eles estão prestes a irem para a faculdade e cada um seguirá seu caminho, em busca do desconhecido, de novas experiências. Eles sentem que têm a vida toda frente.

Acontece que a vida é um caixinha de surpresas e uma grande tragédia se abate sobre eles, despedaçando seus sonhos, destruindo amores e ceifando, prematuramente, uma vida.

Rachel tinha tudo o que sempre quis e sonhava com o futuro, mas ao perder seu melhor amigo, Jimmy, lhe dá a sensação de não ter mais nada além de uma enorme cicatriz no rosto e um coração partido pelo pela perda do amigo, o fim de um relacionamento e o afastamento dos amigos.  

Rachel passa a ser uma pessoa solitária e deprimida. Sua vida passa de uma forma entorpecida. Seus sonhos foram deixados para trás, seu pai está com câncer, sua carreira está na pior e, como se tudo isso já não fosse ruim o suficiente, Rachel está fugindo dos médicos para não realizar o tratamento de suas dores de cabeças constantes, ocasionadas pelo grande impacto no acidente.

Mas agora uma das suas amigas daquela turma de amigos que foi destruída está prestes a se casar e Rachel terá que reunir forças para enfrentar sua antiga cidade e rever antigos amigos. Tudo é tão difícil e dolorido, que o estresse emocional está lhe causando dores de cabeça que estão a cada dia pior, o que resulta em um apagão. A partir daqui a história toma um rumo completamente diferente e voltamos a um passado diferente.

Rachel sente que recebeu uma segunda chance: ela acorda em um leito de hospital, noiva, com uma vida bem-sucedida e de repente, Jimmy está ali do seu lado. VIVO. Seus amigos estão bem, seu pai não está com câncer e sua carreira vai muito bem. Só que Rachel insiste que nada disso faz sentindo, ela não se lembra de nada do que aconteceu após o acidente, ou melhor, ela até se lembra, mas não do jeito que realmente aconteceu.

O que vocês acham que podem ter acontecido? Como ela pode ser uma lembrança distorcida da realidade?

 “Quando é que um sonho se torna pesadelo? Sempre achei que fosse no momento em que o que é familiar de súbito se torna estranho e ameaçador; ou quando você se perde em algum lugar que pensou conhecer bem; ou ao ser invadido por um sentimento de impotência – quando sabe que está falando com clareza, mas ninguém parece ouvir. Mas meu verdadeiro pesadelo começou com o entendimento de que eu não ia acordar: que, de alguma forma, impossível e inacreditavelmente, aquilo estava mesmo acontecendo.” 

Li este livro totalmente às escuras e a primeira coisa que me chamou atenção foi a capa (como de costume), mas venhamos e convenhamos que capa linda essa, né? O livro é bem fluído, a autora conseguiu construir uma história ótima, mas o final não me surpreendeu, muito pelo contrário, me decepcionou pela obviedade.

Claro que me senti na pele da personagem, tudo o que ela passou, perder seu melhor amigo, enfrentar a doença do pai, a confusão ao acordar e todos acharem que ela estava louca. O fato é que a vida anterior de Rachel era uma vida sem propósito, que gerou uma depressão profunda, tema esse que me doeu muito, principalmente por perceber que a depressão é algo sorrateiro e que todos estamos passiveis a ela. Infelizmente tem muitas Rachel pelo mundo e muitas Rachel dentro de nós. Triste realidade.

Uma curva no tempo é narrado em primeira pessoa pela Raquel. Com uma narrativa envolvente e emocionante, a obra é bem reflexiva e que deve ser lido minunciosamente a fim de se absorver todos os detalhes e a mensagem que ele quer nos passar. O livro é recheado de detalhes, daqueles que temos que descobrir sozinhos e mexe  muito com  o emocional, o que me faz acreditar que cada um de nós terá sua experiencia particular ao se entregar à essa leitura.

Na nova realidade, onde ela é bem sucedida, Rachel é uma mulher bem diferente, que vai em busca dos seus sonhos e confesso que isso me fez torcer muito pela protagonista. Desejei com todas as forças que esta realidade fosse a "real". Foi muito boa a sensação de que a esperança ressurgia, de que o amor iria curar toda a dor que ela passou e de que o final feliz, embora sem surpresas e já revelado a mim, estava tão próximo, ou melhor, bem ao lado dela.

Não esperem um simples romance, chick-lit, até tem um pouco, mas a autora não romantizou muito os fatos, nem os dramatizou demais. Para mim, o foco principal do livro foi a realidade paralela que resgatou o sentido da vida em Rachel. E, apesar do livro não ser de cunho espiritual, ao resenhá-lo me veio a seguinte reflexão: às vezes passamos por muitas coisas nessa vida e é incrível como, por maior que seja a nossa dor, Deus tem um futuro lindo reservado para cada um de nós. Muitas vezes o final de uma história, seja, na verdade, a segunda chance que Deus nos proporciona de buscarmos nossos sonhos e objetivos, de sermos felizes. O final de uma história pode ser o começo de novas oportunidades.

Pensem nisso.

Leiam e voltem para contar suas experiencias.

Até a próxima.



quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Você é quem você é ou quem os outros querem que você seja? (Renata Lima)


Em "Tudo o que Nunca Contei", livro de estreia da americana com descendência chinesa Celeste Ng, publicado aqui no Brasil pela Intrínseca, Lydia morre no começo do livro e ninguém parece entender o motivo de um ato tão trágico.

Nossa Avaliação -  9.5
Na Ohio dos anos 70, o desenrolar da história nos mostra o retrato de uma família sino-americana quebrantada e desiludida. A mãe casou-se com o pai de origem chinesa e os filhos, Nathan, Lydia e Hanna, sempre se sentiram diferentes.

Com o desaparecimento, e a consequente descoberta de que Lydia está morta e foi encontrada em um rio, uma série de perguntas começa a surgir. O que houve com Lydia, a estrela da família, aquela com quem tudo parecia estar indo tão bem, a filha promissora, aquela em quem todos apostavam suas fichas, aquela que era tudo que seus pais não foram: popular na escola, cheia de amigos, super integrada à comunidade?

Através de uma narrativa incrível, Celeste Ng nos mostra o que nem sempre é visto: os dramas familiares, as situações de tensão, a preferência dos pais pela filha perfeita em detrimento dos outros filhos, principalmente à filha mais nova, Hannah, jogada no porão junto com tudo que é excedente, que não serve mais, que é deixado de lado.

No meio disso tudo, temos Lydia, uam jovem tentando viver sua vida, mas sempre para atender às altas expectativas que não são dela. A pressão do dia a dia, a crescente necessidade de agradar a todos, a vida controlada por regras rígidas, estudos sem fim, um futuro à vista que parece não ser o seu, mas o que querem para ela.

Apesar de ser um livro datado na década de 70, como não trazer essa história para os dias atuais? Preconceito, drama familiar, expectativas capitalistas não-atendidas, sonhos que talvez nunca se tornem realidade e uma pergunta que muitos de nós se fazem até hoje: quem sou eu?

Por fim, na minha opinião, o livro traz dois sentimentos que deveriam estar em voga hoje em dia, mas que na verdade estarmos sempre tentando resgatar em meio a tanta mesquinharia, que se chamam EMPATIA e ACEITAÇÃO. A capacidade de se conectar com o outro, de tentar enxergar os problemas do outro, de ajudá-lo, de se colocar no lugar dele e por fim de dizer que está tudo bem não ser o melhor em tudo, não ser o mais inteligente, o mais esperto, o mais bonito. Está tudo bem ser quem a gente é, com defeitos e qualidades, mas seres humanos dotados de características únicas, de opiniões individuais e em constante processo de melhoria e de aprendizado.

Recomendo demais esse livro e espero que vocês tenham a sensibilidade de tomar essa história para si, como eu fiz!

Até mais!


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Um menino sob as asas do nazista (Renata Lima)


Se você ainda não leu "O Menino do Pijama Listrado" do John Boyne, corre que ainda dá tempo! É um dos meus favoritos da vida! Por esse motivo e alguns outros, John Boyne se tornou um dos meus autores preferidos dos últimos tempos e nesse livro que vou resenhar hoje "O Menino no Alto da Montanha" só fez deixar ainda mais claro para mim porque adoro o autor.

Nossa avaliação - 90
Publicado no Brasil pela Editora Seguinte, "O Menino no Alto da Montanha" conta a história de Pierrot, que ainda muito novo perdeu os pais (a mãe francesa e o pai alemão) e foi enviado para um orfanato, perdendo contato com seu amigo judeu Anrshel. A amizade dos dois é tão bonita que eles criaram uma linguagem de sinais cheia de símbolos para se comunicarem (já que Anrshel é surdo).

Depois de passar algumas dificuldades no orfanato, Pierrot descobre que tem uma tia ainda viva e essa tia decide levá-lo do orfanato para a mansão onde trabalha como governanta, no alto de uma montanha na Alemanha e, como eu não tinha lido a sinopse, não fazia a menor ideia de que a casa em questão era a casa de campo do próprio Adolf Hitler!

No começo, Pierrot não entende muito o que está acontecendo na Alemanha e em outros locais, afinal de contas ele é apenas uma criança de 7 anos, mas ele nota comportamentos estranhos e conversas sussurradas. Ao ter seu nome francês mudado para um nome mais neutro, Pieter, e conhecendo pela primeira vez o ditador, o menino acaba caindo nas graças do homem mais temido do mundo na época. Ao se encantar com Hitler, notamos que, aos poucos, a personalidade de Pierrot realmente vai se tornando cada vez mais agressiva e ditatorial a ponto de não querer mais receber as cartas de seu grande amigo por ele ser judeu.

Ao receber seu uniforme da Juventude Hitlerista das mãos do próprio Hitler, Pierrot se torna um mini-monstro, dedurando pessoas, tratando os empregados da casa como lixo e se achando de tal forma superior que chega a ver outros amigos de Hitler como ameaça.

Ficamos divididos entre amar e odiar o pequeno Pierrot, porque, se por um lado ele chegou ali ainda uma criança e portanto foi manipulado e influenciado pelas ideias e atitudes de Hitler, por outro ele, que já havia sido humilhado pelo exército nazista, se torna uma pessoa genuinamente cruel, ainda que não tenha muita noção das consequências de suas ações.

O livro é bem curtinho (272 páginas) e traz uma mensagem bem interessante no final (que não vou contar para não dar spoiler), mas que nos faz crer que ainda que a Humanidade tenha passado por esses momentos tão sombrios, há uma luz no fim do túnel!

Vocês já leram? Deixem suas opiniões nos comentários!

Abraços!
 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Realidade ou loucura? (Lucyclenia)


Oi, gente! Hoje vim resenhar para vocês o livro "A Menina da Neve" da autora Eowyn Ivey, inspirado num conto russo muito antigo chamado "Snegurochka". Nele, conhecemos Mabel e Jack, um casal de idade que, após perderem um bebê, decidiram se mudar para o Alasca, onde vivem em uma cabana muito simples e lidam com um inverno bastante rigoroso, cujo vento congelante entra pelas frestas da madeira e traz uma escassez de alimento que é uma grande preocupação para os dois.

Nossa Avaliação - 100
Rodeados de problemas, a convivência do casal está um pouco difícil. Porém, na primeira nevasca deste inverso, em um raro momento de descontração, entre guerra de bolas de neve, eles constroem uma boneca de neve. Mabel lhe coloca um cachecol vermelho e um par de luvas.

No dia seguinte, ambos percebem que a menina de neve está destruída e os acessórios desapareceram, mas com o passar do tempo, eles notam uma menininha, loirinha, acompanhada de uma raposa vermelha, aparentemente perdida na floresta.

Quem seria capaz de deixar uma criança indefesa na floresta? Onde estão os seus pais? 

Ao analisar bem a situação, Mabel se lembra da história que seus pais lhe contavam quando era criança, na qual uma boneca de neve ganhava vida. Porém, ainda com o pé atrás, ela pergunta a um casal de amigos se eles têm conhecimento de alguma criança desaparecida e eles negam.

A cada dia que se passa a menina se aproxima ainda mais da casa, até que ela lhe revela o seu nome: Faina. Ela vai e vem sem dá explicações. Passava-se o inverno e a menina sumia, para logo na primeira nevasca, ressurgir.

Será que Faina é real ou não passa de loucura de um casal ainda de luto?

Era fantástico e impossível, mas Mabel acreditava que era real - ela e Jack a tinham feito com neve, galhos e capim congelado. A criança não apenas era um milagre, como também era criação deles. E ninguém cria vida e a abandona.

Com um leve suspense a leitura é fluida, te prende até a última página. O mistério é revelado no próprio livro, mas a autora te faz transitar entre a fantasia e a realidade com personagens simples e fáceis de idealizar, capaz de nos fazer entrar de cabeça na história e compartilhar conosco cada sentimento vivido.

Capa mais que perfeita, encaixa perfeitamente com o que nós é apresentado nas páginas.

O final? Foi e continua sendo para mim INEXPLICÁVEL, mas eu já imaginava como iria terminar só não me preparei psicologicamente para ele. Chorei horrores, uma parte de mim se foi com esse final!

Só tenho uma coisa pra dizer COMPREM ESTE LIVRO E LEIAM, VOCÊS NÃO IRÃO SE ARREPENDER. Super recomendo.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Duas irmãs criadas na floresta. (Renata Lima)


Nossa avaliação -9.0
Em "No Coração da Floresta", da autora americana Emily Murdoch, conhecemos a história comovente de duas irmãs, Carey e Jenessa. Vivendo há anos escondidas em uma cabana na floresta, supostamente para escaparem dos abusos do pai de Carey, as duas sobrevivem das comidas enlatadas que a mãe drogada traz antes de sumir por meses.

Tudo que as meninas tem é de segunda mão e Carey, a menina mais velha, uma adolescente, tem a difícil tarefa de prover suprimentos para a irmã mais nova, que não fala mais, Jenessa, por isso Carey aprende a caçar, a matar e a limpar a caça. Ela também é obrigada a manter Jenessa aquecida durante o rigoroso inverno.

Um belo dia, porém, Carey nota que a mãe se foi há muito tempo e ela e a irmã estão sobrevivendo só de feijões. É então que chegam à floresta o pai de Carey e uma assistente social trazendo com eles uma carta da mãe de Carey dizendo onde as meninas estão e abrindo mão delas. A partir daí, Carey e Jenessa passam a viver na fazendo da pai de Carey com sua nova família: a esposa dele, Melissa, e a filha de Melissa, que regula a idade com Carey.

As meninas ficam impressionadas com as facilidades da cidade, abismada com coisas que nunca tiveram, como água quente encanada, comida abundante, televisão, sorvete, roupas quentes, mas principalmente carinho e atenção. Com os abusos sofridos pelos "amigos" da mãe na floresta, Carey se surpreende com a figura paterna de Charlie, que está longe de ser o homem violento que a mãe alegava tanto que a fez acreditar.

Ao vermos esse novo mundo através dos olhos de Carey, porque ela é a narradora, vamos aos poucos nos envolvendo, nos emocionando e acima de tudo nos questionando sobre a tal "noite de estrelas brancas", um segredo entre Carey e Jenessa que as mantém unidas e que foi o motivo pelo qual Jenessa parou de falar.

O livro todo é emocionante, principalmente pelas primeiras experiências de ambas as meninas: o primeiro sorvete, o primeiro cãozinho, a primeira amiga, o primeiro amor, o primeiro pai...

Não sou muito de recomendar livros, principalmente livros dramáticos, mas esse eu recomendaria sem dúvida alguma!

Boa leitura!


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Eu te amo mesmo antes de saber que era você... (Lucyclenia)


Você que leu "Um Caso Perdido" e "Sem Esperança" não pode deixar de ler o conto "Em Busca de Cinderela", da série Hopeless, que foi lançado no dia 2 de julho aqui no Brasil! 

Nossa avaliação: 100
Aqui, a narração em primeira pessoa é feita por Daniel, o divertido protagonista melhor amigo de Holder (protagonista dos livros anteriores) que põe apelido em todos que conquistam um lugarzinho especial em seu coração.

Por um erro em seu quadro de horários, Daniel tem seu quinto tempo livre e todos os dias, neste horário, ele vai se esconder no armário do zelador. 

Em meio a um leve cochilo, uma garota chorando entra e acaba tropeçando nele, que sente uma empatia tão grande por ela que a apelida de Cinderela. Surpreendentemente os dois se envolvem romanticamente, mas se despedem sem ao menos saber o nome e a aparência um do outro.

Uma semana depois, Cinderela acaba voltando ao armário e os dois conversam e, em meio à escuridão, se descrevem fisicamente um para o outro. Em meio a uma encenação de que se amam, Daniel diz pela primeira vez um "Eu te amo" a alguém. Mas os dois continuam tentando manter suas identidades ocultas e mais uma vez eles se despedem.

Um longo ano se passa, Daniel está namorando Val, uma menina extremamente insuportável, chata e cheia de mimimis. Cansado de engolir tudo calado, ele termina o namoro e corre pra espairecer a mente com Holder e Sky. É assim que acaba conhecendo Six, a melhor amiga de Sky.

Six é exatamente o oposto de Val, e, por este motivo, assim que bate o olho nela, Daniel já se sente atraído. O fato de Holder o ter proibido de se envolver com Six também pesa na balança. Correndo o risco de estragar sua amizade com Holder, Daniel e Six saem para jantar e já começam um namoro. Rápido, né, gente?

Porém este relacionamento fofo, sem dramas e frescuras, está preste a sofrer uma reviravolta porque Daniel nunca esqueceu sua Cinderela e está prestes a descobrir quem ela é. Agora ele precisa decidir o que fazer com essa informação e como agir diante de Six!
Eu hesito, quase decidindo ir contra isso, mas uma parte ainda maior de mim quer dizer isso. Uma enorme parte de mim deseja que eu realmente tivesse vontade de dizer isso e uma pequena parte de mim pensa que eu provavelmente poderia. Eu movo minhas mãos para cima e pelo cabelo dela. 'Eu te amo', eu sussurro.
Leitura leve, simples e objetiva. Um conto de fadas bonitinho que nos faz torcer pelo final feliz do casal. Ótimo pra quem que ler um livro com uma única sentada.

Super indico.
Até a próxima.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Porque relembrar às vezes é preciso... (Lucyclenia)

Enfim, chegamos ao fim de mais uma série de abalar os corações: Métrica da Colleen Hoover! Tenho plena convicção de que quem leu os primeiros dois livros desta trilogia, "Métrica" e "Pausa" já resenhados aqui no blog pela Aline, morreu de amores pelo Will (assim como eu) e que ele em muitos momentos arrancou suspiros de todas nós, né?

Nossa avaliação: 100
Para quem ficou a se perguntar nos livros anteriores "o que deu no Will para ele fazer isso ou aquilo?" agora terá a resposta em primeira pessoa, já que agora é a nossa vez de conhecer o verdadeiro Will Cooper!

Will e Lake finalmente estão na tão esperada e desejada lua de mel e, diante do clima bem descontraído, os dois começam a conversar sobre assuntos diversos quando Lake lhe pede pra falar mais do seu passado.
Eu só quero saber tudo sobre você. Já tenho o seu futuro, agora quero conhecer o seu passado.
Will começa então a relatar sua história a partir do fim do seu relacionamento com Vaughn em uma narrativa envolvente que parece que está acontecendo agora, neste exato momento. E, nossa, como eu senti raiva dessa Vaughn! Como uma pessoa pode ser tão egoísta, gente? Ele tinha acabado de perder os pais, precisava de ajuda, de apoio e o que ela fez com ele foi cruel e desumano. Mas, como dizem por aí, há males que vem para o bem.

Seguindo seus relatos, recapitulamos os dois livros anteriores, mas a melhor parte é que, mesmo sabendo o que vai acontecer, as informações extras nos prendem à trama avaliando os acontecimentos com outros olhos, na verdade através dos olhos de Will, e passamos a entender melhor algumas de suas atitudes e posicionamentos.
(...) Não consigo distinguir o que é certo e errado quando estou perto dela porque o errado parece tão certo e o certo, tão errado.
"Essa Garota" é, na realidade, uma retrospectiva de "Métrica", mas dividido entre passado e presente. Para quem acha que não vale a pena ler o livro porque já leu o primeiro, tenha plena certeza de que você está bem enganado, principalmente porque as cenas do presente dos dois são recheadas de surpresas, só lendo mesmo para saber

O último capítulo, junto com o epílogo, nós dão um ponto final mais que satisfatório e nos revelam o porquê do título. Imperdível!
Se eu pegasse todos os poemas românticos, todos os livros, todas as músicas e todos os filmes que já li, escutei ou vi, extraísse os momentos mais empolgantes de cada um e os juntasse de alguma forma, eles não seriam nada em comparação a esse momento.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Uma verdadeira lição de vida! (Lucyclenia)


(...) Estou perdendo os meus 'ontens'. Se você me perguntasse o que eu fiz ontem, o que aconteceu, o que vi, o que senti e ouvi, eu teria muita dificuldade para fornecer detalhes. Talvez acertasse alguns palpites. Sou excelente em matéria de palpites. Mas a realidade é que eu não sei. Não me lembro de ontem, nem do ontem antes dele.
E não tenho nenhum controle sobre os 'ontens' que conservo e os que são apagados. Não há como negociar com essa doença. Não posso oferecer os nomes dos presidentes dos Estados Unidos em troca dos nomes dos meus filhos. Não posso lhe dar os nomes das capitais dos estados e conservar as lembranças do meu marido. (...)
Nossa avaliação: 100
Bom dia, leitores.

Hoje vim falar de um livro que mexeu comigo de uma forma diferente de todos os demais. Confesso que comecei a ficar com um certo medo de envelhecer e, como tenho andado muito esquecida, de ser portadora da doença tratada no livro, mesmo não tendo nenhum parente com esta patologia em questão. 

Mas vamos à resenha!

Alice é uma mulher como todas gostaríamos de ser no futuro: independente, realizada profissionalmente, com uma casa muito bem organizada, grande e bonita e é casada com John, que trabalha no setor de pesquisas cientificas na Universidade de Harvard, e juntos eles têm três filhos já crescidos e independentes: Anna, Tom e Lydia. 

Bem próximo ao seu aniversário de 50 anos, Alice começa a esquecer de coisas pequenas e simples, tipicamente corriqueiras, como onde colocou o celular e o chaveiro, essas coisas que a gente vive esquecendo de vez em quando. Poderiam ser apenas sinais de estresse e ela, mais do que ninguém, sabia disso. 

Acreditando ser apenas o corpo exigindo um pouco de descanso, Ana procura um médico sem o consentimento da família enquanto as coisas vão se agravando. Um belo dia, ela se perde nos arredores da casa onde mora há mais de dez anos, logo sendo então diagnosticada com a instalação precoce da Doença de Alzheimer.

Devo acrescentar aqui que esse livro nos faz enxergar com uma profundidade assustadora o sofrimento dos doentes de Alzheimer, tornando essa uma experiência muito rica e inesquecível, me proporcionando um conhecimento mais aprofundado da doença que eu já havia estudado em sala de aula, trazendo-nos a oportunidade de acompanhar a evolução da doença, a regressão da vida de Alice e a adaptação de seus familiares.

Lisa Genova (autora do livro) é Ph.D em neurociência e nos mostra um lado muito científico da doença (tratamentos existentes, sintomas, como afeta o cérebro, nomes de medicamentos utilizados etc). Mas se você esta pensando que por ser um livro que relata a doença ele está recheado de nomes difíceis com uma linguagem estritamente cientifica, pode ficar tranquilo, tudo nos é transmitido de forma clara, objetiva e de fácil compreensão, basicamente uma conversa médico/paciente onde ele lhe tira todas as dúvidas.

Confesso que não cheguei a chorar com o livro, mas fiquei bastante emocionada porque, apesar de ser uma história fictícia, parece ser bem real e você se sente na pele da personagem. Além do mais, quantas pessoas não conhecemos que estão padecendo dessa doença nos dias atuais. Acredito que é um desses livros que todos deveriam ler!

Para finalizar, gostaria de deixar aqui mais um trecho do livro que me chamou atenção:
Por favor, não olhem para o nosso A escarlate e nos descartem. Olhem-nos nos olhos, falem diretamente nos rosto, falem diretamente conosco. Não entrem em pânico, nem encarem nossos erros como uma ofensa pessoal, por que nós erraremos. Vamos nos repetir, pôr coisas nos lugares errados e nos perder. Esqueceremos o seu nome e o que vocês disseram há dois minutos. E também tentaremos ao máximo compensar e superar nossas perdas cognitivas. Eu os incentivo a nos capacitarem, não a nos limitarem.
À título de curiosidade, o livro foi lançado nos EUA em 2007 e tem uma edição anterior, lançada em 2009 aqui no Brasil, também pela Editora Nova Fronteira, com uma capa diferente da do filme. Essa aí do lado. 

O livro também ganhou recentemente uma adaptação (estreou em março de 2015 aqui no Brasil). Para quem se interessar, segue abaixo o trailer:


Leiam e compartilhem sua experiencia conosco.

Até a próxima!

quarta-feira, 29 de abril de 2015

O que o amanhã nos reserva? (Lucyclenia)


Acho que a maioria das pessoas entra nas livrarias sem a menor ideia do que comprar. De algum modo, os livros ficam ali, quase que por magia, desejosos que as pessoas os escolham. A pessoa certa para o livro certo. Parece que já sabem de qual vida precisam fazer parte, em qual delas podem fazer diferença ou podem ensinar uma lição, pôr um sorriso no rosto no momento preciso. Penso em livros de forma muito diferente agora.

Nossa avaliação: 10.0
Tamara Goodwin, de 16 anos, é uma garota rica, muito mimada e extremamente malcriada, acostumada a ter tudo e todos na palma da mão. Ela vivia na maior mordomia até que um dia encontrou o pai, George, um empresário conceituado, no chão do escritório de de casa onde cometera suicídio. E aí tudo vem à tona: a família estava afundada em dívidas e precisa vender tudo que tem, inclusive a casa onde moram. 

Sem teto, Tamara e sua mãe Jennifer têm que se mudar para uma casa no campo, de seu tio Arthur e Rosaleen (sua esposa), lugar esse que ela odeia desde que chega lá. Já sua mãe, em luto profundo pouco se importa com toda a situação. 
A ideia de que o luto sobrecarrega a pessoa com dor e todas as outras emoções. Me sinto assim: mais pesada, como se tivesse que me arrastar por aí, tudo é um esforço, é sombrio e é uma merda. Como se tivesse a mente continuamente cheia de pensamentos que nunca me ocorreram antes, o que me causa dor de cabeça. Mas mamãe...?
"Mamãe parece mais leve. O luto não parece nem sequer oprimi-la. Em vez disso, me dá a impressão de que se afasta e alça voo, como se a meio caminho do ar, e ninguém mais liga nem nota, e sou a única que me mantenho embaixo, segurando-a na altura dos tornozelos, e tento puxá-la de volta à terra.
Arthur, um homem de poucas palavras, trabalha o dia inteiro, quase nunca está em casa, e quando está quase não abre a boca. Rosaleen é uma maníaca por limpeza, extremamente dedicada, cozinha como se fosse alimentar um batalhão e está sempre preocupada com os outros. Mas algumas coisas estranhas acontecem, o que nos faz desconfiar desde o início que ambos escondem muitos segredos.

Tamara passa a conhecer melhor aqueles que diziam ser seus amigos e que agora lhe viram as costas e, se sentindo sozinha, ela vaga pelos arredores da casa, onde conhece Irmã Ignatius, uma freira que se tornará sua melhor amiga, e Marcus e sua biblioteca itinerante (dentro de um ônibus), o que praticamente a fará esquecer do caos que está se formando em seu redor. Mas é claro, que Tamara não estava interessada nos livros, mas no bibliotecário gatinho, atencioso e amável.
— Muito bem. — Ele riu e desligou o motor. — Vamos a outro lugar.
— Não precisa do motor ligado para ir a outro lugar?
— Não vamos dirigindo — ele disse. Transpôs o banco do motorista por cima do encosto e entrou no ônibus. — Então, vejamos... para onde iremos? — Passou o dedo pelas lombadas dos livros na seção de viagens, caminhou ao longo deles e leu em voz alta: — Paris, Chile, Roma, Argentina, México...
— México. — Escolhi, decidida, e me ajoelhei no banco para observá-lo.
— México — assentiu Marcus. — Boa escolha! — Retirou o livro da prateleira e me olhou. — E aí? Você vem? O voo já vai partir.
Sorri e saltei por cima do assento do banco. Nos sentamos no chão, lado a lado, nos fundos do ônibus, e, naquele dia, fomos ao México.
Nesta biblioteca, Tamara encontra um livro que lhe chama atenção. Era um livro fechado com um cadeado que ela só consegue abrir com a ajuda da Irmã Ignatius em que todas as páginas estão em branco, mas escondem segredos que podem ajudá-la a descobrir quem realmente é.

Sinceramente, no início o livro é bem tedioso. Tem uma leitura arrastada e desinteressante, mas com o passar das páginas a história vai te envolvendo e sem você perceber já está roendo as unhas de curiosidade. Do meio para o fim, Cecelia Ahern manteve um narrativa leve e agradável até o fim do livro.

Arriscaria dizer que esse não é somente um livro adolescente, mas também tem uma pincelada de magia que é o que te deixa vidrado, ansioso e fascinado pelo final. É o típico livro que você tem que pagar pra ver, ou, nesse caso, pra ler!

Até a próxima. 


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Casamento entre desconhecidos (Renata Lima)


Fiquei muito na dúvida se faria ou não uma resenha de "Na Praia" de Ian McEwan não porque não gostei do livro, mas porque não é um livro fácil de ser lido e menos ainda de ser compreendido porque eu pelo menos sou o tipo de leitora que gosto das coisas bem resolvidas no final e não é isso que esse livro oferece.

Nossa Avaliação - 8.5
Na Inglaterra do ano de  1962, Edward Mayhew e Florence Ponting são recém casados em sua noite de núpcias em um hotel na praia. Tanto Florence quanto Edward se mantiveram virgens em nome do amor e dos bons costumes ditados pela época. Jovens, Edward é formado em História e Florence em Música.

As diferenças entre Edward e Florence já começam a aparecer no início: os pais de Florence são abastados e o pai dela oferece um emprego a Edward. A família de Edward é humilde, sua mãe é doente mentar e seu pai professor.

Sozinhos nessa atmosfera paradisíaca, Edward e Florence não sabem exatamente o que fazer e, depois do jantar, decidem ir para a cama para acabar logo com a tão desejada (por Edward) e temida (por Florence) primeira relação sexual. 

A inexperiência do casal, seus pensamentos, desejos e lembranças são liberados para nós e, através de flashbacks, somos levados por todo o relacionamento desses dois inocentes ao longo dos anos. Todos os planos, toda a liberdade que viria com o casamento, a contenção do desejo sexual de Edward, a ojeriza ao beijo de língua de Florence, tudo é escrutinado nos mínimos detalhes pintando um quadro da tragédia que está prestes a se desenrolar.
Seu ódio atiçou o dela, e de repente ela achou ter entendido o problema deles: eram demasiado educados, demasiado embaraçados, demasiado tímidos, andavam às voltas um do outro na ponta dos pés, murmurando, sussurrando, adiando, submetendo-se. Mal se conheciam, e nunca puderam se conhecer por causa da cortina de fumaça que enevoava suas diferenças com uma quase-mudez amistosa e os cegava tanto quanto os limitava.
Apesar de saber nada acabaria bem para esse casal tão diferente, torci para que a compreensão mútua fosse determinante, para que, ainda que a noite de núpcias não acabasse bem, houvesse um futuro, uma conversa às claras que fosse esclarecer todas as agruras, todas as palavras pesadas trocadas entre os dois em um momento que deveria ser de felicidade. Ainda sim entendo a decisão do autor em manter o realismo de uma sociedade extremamente retrógrada e hipócrita exemplificando suas mudanças ao longo dos anos que se seguiram para Florence e para Edward.

Gostei muito do livro, mas como disse no começo, esperava um final bem diferente!

quarta-feira, 11 de março de 2015

Uma carta de amor para o mundo dos livros! (Lucyclenia)


Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é um mundo.

Nossa avaliação - 100
Nas primeiras páginas do livro "A Vida do Livreiro A.J. Fikry" de Gabrielle Zevin, somos apresentados ao personagem principal,  A. J. Fikry, um jovem senhor de trinta e nove anos, dono da livraria Island Books na minúscula Alice Island. 

Ele é um velho tão chato, ranzinza e impaciente, que no começo juro que criei uma certa antipatia por ele, mas depois de me aprofundar em sua história foi que entendi o porquê de seu coração tão duro. 

Quase ninguém na cidade se interessa por livros, e A.J. sempre foi visto como uma “pessoa estranha”, impressão essa que ficou ainda mais evidente com a morte de sua esposa Nic, em um acidente de carro.

Por não conseguir superar a perda da esposa, A.J. passa os dias lendo e avaliando livros enviados pelas editoras na companhia de seu vinho preferido, que bebe até perder a consciência. Tudo vai de mal a pior e piora ainda mais quando seu Tamerlane, um livro raríssimo de poemas de Edgar Allan Poe, que ele guardava com o maior cuidado para garantir a sua aposentadoria, desaparece misteriosamente logo após uma dessas noites de bebedeiras.

É interessante notar que, assim como a maioria de nós, leitores, A.J. não gosta de todos os gêneros literários e nem dá chance a novos autores, lendo sempre as mesmas coisas, mas as coisas mudam quando a representante da Editora Piterodactyl, Amelia Loman, chega e põe um fim à sua zona de conforto literária.

Amelia faz mudanças incrivelmente radicais na vida de A.J., mas ela não é responsável por tanta mudança sozinha, ela conta com a ajuda de um pequeno pacote deixado na livraria de A.J., um pequeno pacote que me aprisionou no livro, deixando-o tão mais emocionante, mais alegre, mudando não só a vida de A.J. como a vida de toda a cidade.
Você descobre tudo o que precisa saber sobre uma pessoa com a resposta desta pergunta: Qual é o seu livro preferido?
Como todos sabem, escolho os livros pelas capas. Não li nada sobre, apenas que era muito, muito bom e resolvi conferir. E, nossa, que surpresa! É só começar pra você perceber que Gabrielle Zevin escreveu esse livro para os viciados em livros como todos nós. Assim como em nossas vidas os livros estão presentes em todas as páginas dessa  simples e tão bem escrita história. É definitivamente impossível não se encantar com esta leitura tão gostosa e quando você menos espera o livro já acabou! 

Outra coisa que eu amei é que nenhum ponto aqui ficou sem nó, tudo se encaixa perfeitamente muito bem, inclusive as citações de As crônicas de Nárnia, "Orgulho e Preconceito", "Lolita" e O Senhor dos Anéis. Tudo tão lindo que nos deixa uma lição vida a ser vivida da melhor maneira possível e sempre com um sorriso no rosto. Coisas tristes e ruins acontecem, mas tudo passa, aprenda a agradecer pelos momentos maravilhosos ao lado da família e dos amigos e viva a vida plenamente!
Às vezes os livros só nos encontram no momento certo.
Super recomendo.

Até a próxima.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O poder devastador da traição! (Renata Lima)


Já dizia Carlos Drummond de Andrade: "No adultério há pelo menos três pessoas que se enganam". E o adultério - e outras cositas más - é o tema principal desse livro da Claudia Piñeiro, escritora argentina de 54 anos, publicado aqui no Brasil pela Verus Editora nesse ano de 2015.

Nossa Avaliação - 8.5
Em "Tua", Inés é uma mulher dedicada ao marido que tem um relacionamento difícil com a filha adolescente. Sempre criticando a filha, o que me irritou bastante, Inés é a típica mulher que abandonou seus sonhos em busca de uma estabilidade familiar e, depois de tantos anos vivendo à sombra do marido, ela começa a questionar o casamento, as viagens do marido, os constantes atrasos depois do trabalho. 

Inés justifica as ausências do marido garantindo que depois de tantos anos de casada, o tesão acabou - para ele pelo menos - e está certa de que Ernesto apenas trabalha demais. Porém depois de muita conjectura, Inés encontra um bilhete endereçado ao marido. No pedaço de papel há apenas um coração desenhado de batom, a frase “te amo” e uma assinatura: “Tua”. 

Cavando mais a fundo, Inés descobre que o relacionamento de seu marido com "Tua" é quase uma relação estável e uma bela noite, Ernesto recebe um telefonema e diz que tem que voltar ao trabalho para resolver alguns assuntos. Se fazendo de morta, Inés diz que compreende, mas assim que Ernesto sai ela o segue de carro e descobre que "Tua" é ninguém mais do que a secretária do marido, com quem ele tem uma discussão que tem um final surpreendente, testemunhado pela esposa traída.

A partir daí, Inés precisa decidir se ainda quer manter seu casamento e aceitar que o marido é um homem falho, mas que está disposto a mudar, ou fazê-lo sofrer e rastejar de volta para ela como uma mulher traída merece. 

No meio de todo esse drama, temos o desenrolar de um drama - na minha humilde opinião - ainda maior: o drama da filha do casal. Completamente abandonada pelos pais e contando apenas com uma amiga para passar por um momento difícil, a jovem fica ao Deus dará, sofrendo injúrias pelo telefone e tendo que tomar sozinha decisões que poderão mudar todo o seu futuro, Achei essa a parte mais humana do livro, principalmente quando Inés começa a provocar a filha, a quem não parece amar nem um pouco (afinal de contas sua gravidez foi apenas um meio para alcançar o tão esperado casamento com Ernesto).
Poderia ter falado da bagunça de seu quarto ou criticado alguma amiga dela, o que é muito fácil. Mas preferi a certeza e toquei num tema que consegue alterá-la: comida. Disse que estava muito redonda, que ultimamente eu a via comendo muito, que ela não era como eu, que como qualquer coisa e não engordo, que, se continuasse assim, ia virar uma bola, que hoje em dia os meninos rejeitam as gordinhas. Mostrei um regime que tinha marcado para ela em uma revista. Funcionou. Ela jogou a revista na minha direção, gritou “que sacana você é” e se trancou, chorando, no quarto.
O livro, apesar de bem curtinho, (ele tem apenas 140 páginas) tem ótimas reviravoltas que, apesar de não surpreenderem muito, vão delineando o caráter (ou a falta de caráter) dos personagens. Por um momento, senti pena de Inés, mas era só lembrar de como ela tratava a própria filha que essa pena ia embora! O interessante é que não existe muito essa história de mocinhos e bandidos. Todo mundo tem culpa no cartório, todos os personagens têm máculas, o que torna o livro mais verossímil.

Quem tiver a oportunidade de ler, não vai se arrepender!


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A densa e obscura alma humana em evidência (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 9.0
"Nada" é um livro que engana pela capa. O casal abraçadinho pode dar a entender que o livro é um YA um tanto triste, mas não se deixe enganar: "Nada" é um livro profundo, reflexivo com assuntos muito pesados! Não há espaço para romance nessa narrativa!

Agnes é uma menina de apenas 13 anos e narra como os alunos de sua turma e ela mesma estão impressionados com o comportamento de Pierre Anthon, que um belo dia resolveu deixar a aula dizendo que nada importava e que no mundo nada valia a pena. Desse dia em diante, o menino sobe em uma árvore e decide que sua vida vai ser um reflexo do mundo: uma vida de nada.

Ao passarem por ele diariamente, as crianças são brindadas por frases reflexivas sobre como as tarefas do dia a dia não levam a nada e sobre como levamos nossas vidas de forma mecânica, sem nos questionarmos sobre o que estamos fazendo, quem somos, por que precisamos dessas rotinas, por que precisamos passar por todas as fases da vida.

Irritada e contrariada com as constantes afirmações aparentemente sem sentido de Pierre, Agnes resolve juntar os amigos e fazer uma proposta: que tal se eles criassem algo que realmente significasse alguma coisa para provar para Pierre que existem motivos para viver, que o mundo não é vazio. A proposta é montar uma pilha com as coisas que eles mais se importam e guardá-las secretamente em um galpão abandonado.

O que começa como uma ideia brilhante vai aos poucos se transformando em uma competição perigosa onde o significado das coisas não é mais dado pela pessoa que vai depositar seu item no galpão, mas pelos colegas em si. Ou seja, outra pessoa deve escolher o que tem mais significado para você e você é obrigada a depositar aquele objeto na pilha do galpão, querendo ou não.

Ao recolher itens tão valiosos e de forma tão invasiva, os adolescentes não se questionam em momento algum o certo e o errado. Eles só querem provar para Pierre que ele está errado e ponto final, mas nunca questionam as próprias atitudes, o que gera no leitor um sentimento de indignação e, ao mesmo tempo, de pena.

Todos nós um dia nos questionamos sobre a vida que levamos, a profissão que escolhemos seguir, a família na qual nascemos. É normal. O livro traz esses e outros questionamentos de uma forma muito densa e obscura, mas vai além do questionamento: mostra de forma clara e cruel a frieza humana diante da dor e do sofrimento dos outros. Se você não tem o emocional muito forte, não leia esse livro! 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O mundo dos ricos e perfeitos (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 8.5
Em um mundo onde nem tudo que parece é, a família Sinclair do livro "Mentirosos" de E. Lockhart se destaca. Todos os anos os Sinclair se reúnem para passar o verão na ilha da família que comporta várias casas divididas entre as filhas do patriarca Harris Sinclair - sim, filhas, ele não teve nenhum filho homem.

Os primos sempre se encontram nesses verões e quando o namorado de uma das tias traz seu sobrinho, Gat, um garoto completamente diferente dos privilegiados Sinclair, os "mentirosos" ficam completos.

Através dos olhos de Cadence, vemos o amadurecer desse pequeno grupo juntamente com manipulação dos pais dos mesmos visando a herança do avô Harris e aos poucos disputando pelas casas da ilha - umas são menores, algumas filhas têm mais filhos e portanto precisariam de mais espaço, mesquinharias desse tipo.

No entanto as crianças parecem um tanto alheias aos problemas dos pais até o fatídico "verão dos quinze", onde um acidente no mar faz com que Cadence perca a memória sobre tudo que aconteceu naquele verão e tenha crises de enxaqueca. Por indicação médica, Cadence não deve voltar à ilha no ano seguinte, mas ela não deixa que sua mãe e seu pai a enrolem por mais um ano e volta para a ilha aos dezessete anos.

Em busca de suas memórias perdidas e magoada com os primos que ignoraram suas mensagens nos últimos anos, Cadence precisa se isolar, ao mesmo tempo em que sua mãe a obriga a fazer as refeições junto com a família na casa principal, onde mora o avô Harris, agora reformada e impessoal, bem diferente de como era antes.

A reviravolta na vida de Cadence é visível e não só nas alterações psicológicas, mas também na aparência. Antes loira, ela pinta os cabelos de preto, antes impetuosa e inquebrável, ela agora se sente fraca, antes saudável, ela agora se sente fraca e doente. 

O livro traz reflexões interessantes sobre o ser e o ter, sobre o que as pessoas esperam das outras, sobre admirar a pessoa pelo poder e pelo dinheiro que ela tem, sobre julgá-la de acordo com a tradição de sua família. Ser um Sinclair por si só já era um sinônimo de status, de pertencimento, de hierarquia social.

Algumas pessoas criticam a forma narrativa da autora, às vezes adicionando metáforas muito cruas e contundentes, mostrando a inteligência e a sagacidade da narradora. E mesmo que Cadence, como narradora, seja limitada, é através dos olhos dela que entendemos, aos poucos, a dinâmica entre os personagens e entre eles e a ilha.

Um livro muito interessante, reflexivo e nada cansativo. Parabéns à editora Seguinte pela publicação!

Recomendo muito!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Nunca é tarde para se arrepender e consertar os erros (Renata Lima)


Em "A Máquina de Contar Histórias" de Maurício Gomyde, publicado pelo selo Novas Páginas da editora Novo Conceito, Vinícius Becker é um autor nacional que conseguiu o impossível: viver de Literatura no Brasil. 

Nossa Avaliação - 9.0
Escritor premiado, Vinicius vive de divulgar suas obras viajando pelo Brasil - e pelo mundo - sustentando o título de autor best-seller. O problema de todas essas viagens é que Vinícius negligenciou sua esposa doente, Viviane, e suas duas filhas,  uma já adolescente, Valentina, e outra ainda criança, Vida.

Ao perder a esposa, Vinícius precisa não só reavaliar sua vida profissional, mas também reaver o respeito da filha mais velha, extremamente magoada com a ausência prolongada do pai em um momento tão delicado para um adulto, imagine para duas crianças.

Como forma de reaproximar-se das filhas e de resgatar um pouco a memória da esposa, Vinícius esquematiza uma viagem para fora do Brasil e precisa convencer a filha mais velha, extremamente decepcionada com o pai, a acompanhá-lo nessa jornada que será fundamental para consertar os alicerces dessa relação estremecida.

Essa é basicamente a história do livro, mas o que faz com que ele se destaque é a narrativa delicada e realista de Maurício Gomyde, que nos leva para dentro do seio dessa família quebrantada pela perda e pelo afastamento. Somos Vinícius em seu desejo de ser famoso e de prover a família com conforto, somos ele também em sua forma desajeitada de lidar com a doença da esposa. Somos Valentina em sua juventude perdida ao terr visto a mãe definhar dia após dia, em sua raiva do pai, em sua incapacidade de compreender um amor que não está do seu lado no fim dos seus dias. Somos Vida em sua inocência infantil, em sua incompreensão do que exatamente está acontecendo com sua família, em sua felicidade de ter o pai de volta, ainda que a mãe tenha ido para o céu viver com os anjos.

Os amantes de livros e de histórias não irão se arrepender, principalmente porque ao longo dessa jornada, Vinícius não só descobre quem são suas filhas, mas também descobre uma parte de si mesmo que ele tinha perdido ao longo dos anos.

Uma das maiores lições que eu tirei desse livro é a importância da família e que mesmo que estejamos errados, não existe tempo certo para se arrepender e tentar mudar as coisas erradas que fazemos e dizemos ao longo da nossa caminhada juntos.

Um livro singelo, interessante e de uma sensibilidade sem igual! Parabéns ao autor!

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O que o coração humano pode suportar (Lucyclenia)

‘’(...) Quando somos mães, nós... suportamos o que for preciso por nossas crianças. Você vai protegê-las. Isso vai doer em você; isso vai doer nelas. Seu trabalho é esconder que seu coração está se partindo e fazer o que elas precisam que você faça.’’

Nossa avaliação - 9.5
"Jardim de Inverno" de Kristin Hannah não é só mais um livro que fala sobre o amor em família ou a diferença e dificuldades entre pais, filhos e irmãos, e inicialmente foi isso que eu pensei! Mas é um livro que vai além, MUITO, MUITO MAIS ALÉM. Tudo ocorre dentro do casamento de Anya e Evan, que tem como filhas Meredith e Nina Whiston. 

Meredith é uma mulher sensata e bem sucedida. Tem marido e duas filhas, é conhecida como cabeça dura e consegue se virar em qualquer situação enquanto Nina é estabanada e desleixada. Apesar de ser rica e famosa, Nina visita seus pais apenas em datas especiais e sempre some sem avisar. 

Convivendo com a mãe, Anya, fria e calada, as duas mulheres culpam a mãe pela infância sofrida, pois ela nunca deu atenção para suas filhas e sempre as humilhou, mas será que as duas entendem os verdadeiros motivos por trás do comportamento da mãe?

No leito de morte de seu querido pai, as duas filhas se deparam com um pedido inusitado: o pai pede que elas se aproximem da mãe e façam com que ela termine o conto de fadas que contava para as meninas na infância. O pedido é estranho, mas vai mudar drasticamente a vida das duas irmãs e mostrar que não devemos julgar alguém, sem antes conhecer o passado.
" E talvez assim as coisas devessem ser, a forma como a vida se desdobra quando você a viveu o suficiente. Alegria e tristeza eram parte do pacote; o truque, talvez, fosse permitir-se sentir tudo, mas agarrar-se à alegria um pouquinho mais, porque nunca se sabe quando um coração forte pode desistir."
Confesso, as primeiras 100 páginas foram uma tortura para mim, a leitura estava lenta e passou pela minha cabeça abandonar o livro, mas graças á minha amiga Janyelle Mayara, que disse que da metade para frente o livro era bom, continuei lendo e comecei a me surpreender. 

O conto de fadas parece não ter sentido no começo, mas ao longo do tempo tudo vai se encaixando e o você começa a se surpreender. Comovente. Estonteante. Emocionante. Gosto de livros assim: que emocionam, contam histórias verossímeis de pessoas, de seres humanos. É incrível a capacidade de sobrevivência que todos nós temos face aos momentos de dificuldade.

A capa é magnificamente bela e transmite tudo aquilo que a história quer passar ao leitor. Parabéns à editora Novo Conceito!

Recomendo este livro para qualquer pessoa.Você deve conhecer como é a vida nas frias ruas de Leningrado e se emocionar com essa história.
"– Perder o amor é algo terrível – Mamãe disse suavemente –, mas virar as costas para ele é insuportável. Você vai passar o resto da vida repassando isso na sua cabeça. Imaginando se se afastou cedo demais ou com facilidade demais? Ou se vai algum dia amar alguém novamente com tanta profundidade?"

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Uma linda história de superação (Kelly Santos)


Esse livro é para qualquer um que já perdeu alguém amado, para quem já acordou chorando e foi para a cama da mesma forma, para quem teve que aprender que está ok em não estar bem. Sobreviver não é força, é continuar a respirar um dia de cada vez; força é aprender a viver apesar da dor.
                                                                                                       Jasinda Wilder


Nossa avaliação - 9.0
"Louco por você" é um livro para mexer com qualquer estrutura emocional e desde a dedicatória já dá pra perceber que o clima do livro é mais pesado do que os livros que estamos acostumadas a ler do gênero romance. Acredito que até mesmo a mais durona de nós (eu, por exemplo) não conseguirá chegar ao final da história sem ter derramado algumas lágrimas pelo caminho.

Imagine conhecer o amor de sua vida desde a maternidade. Imagine que ele sempre foi o seu melhor amigo, aquela pessoa que é o centro do seu universo, seu ponto de referência, parte de você. Imagine que um belo dia vocês se olham e se dão conta de que existe algo mais entre vocês: que além de melhores amigos, serão o primeiro beijo um do outro, o primeiro amor, o primeiro tudo. Imagine a alegria e o prazer de descobrir cada nova sensação ao lado de uma pessoa em quem você confia plenamente, quem você sabe que irá te amar para sempre! 

Mas e se, por um capricho do destino, a vida decide levar de você essa pessoa de uma maneira brutal? E se, para complicar ainda mais essa tormenta de sentimentos, a única pessoa capaz de ajudar você a superar esse trauma é ninguém menos que o irmão mais velho do seu namorado morto, que por sinal é tão problemático quanto você e já passou por experiências muito mais complexas e pesadas, mas que encontrou na música uma maneira de expressar seus sentimentos e lidar com as frustrações da vida?

É assim que a emocionante e comovente história de Nell se inicia. E por mais que eu tenha lido, relido, chorado e tentado imaginar viver uma situação como a dela, juro que não há como imaginar como lidaria com isso e se faria algo diferente do que ela faz na história

A jornada de ambos é comovente. Juntos, eles lentamente tentam se curar e se sentem próximos um do outro como nunca se sentiram de outras pessoas, principalmente por serem personagens imperfeitos, complexos e moldados pelas dificuldades do passado e suas próprias tragédias pessoais. Colton ensina a Nell que está tudo bem deixar a emoção e a dor fluir, está tudo bem chorar e deixar-se sentir. Eles se tornam âncora um do outro, mesmo que inicialmente isso ocorra com relutância e cautela. E então, a atração entre ambos se intensifica e eles se agarram um ao outro em busca de conforto, força, amor e paixão, desenvolvendo uma forte e intensa conexão tanto física quanto emocional. 

O livro é bem escrito e é uma bonita trágica história sobre perda, sobre como lidar com a morte, como se reerguer, como se apaixonar de novo, como se permitir amar e ser amado. Narrado principalmente pela Nell, mas também com pontos de vista de Colton, que enriquecem ainda mais a narrativa, é como se autora encontrasse a voz de cada um e conseguisse externar exatamente o que se passa dentro da cabeça de ambo.

Jasinda Wilder lida com temas pesados, como a automutilação, mas os trata com uma sensibilidade ímpar sem se estender demais nas passagens ou no tamanho do livro, nos dando tempo suficiente para que a conexão com os personagens se dê de uma forma simples e natural. E apesar de ser uma leitura emocionante, também traz momentos para suspirar e rir, assim como momentos bem quentes, de paixão, com cenas hot escritas de forma muito sensual.

Aqui no Brasil, o livro foi lançado pela editora Novo Conceito e tem 272 páginas. Não deixem de conferir!