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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Ótimo suspense, mas sem grandes surpresas no final! (Renata Lima)


A sinopse do livro "A Garota no Trem" de Paula Hawkins promete um livro espetacular. Ao ler que Stephen King achou a narradora alcoólatra perfeita, fiquei curiosa e acabei colocando o livro na frente de um monte de outros da minha pilha e confesso que, apesar de um pouco decepcionada, achei o livro bem interessante, principalmente porque ao intercalar a narração entre alguns personagens, a autora conseguiu manter um crescente ritmo de tensão. 

Nossa Avaliação - 9.0
A garota no trem do título é Rachel, uma mulher que faz rotineiramente uma viagem de trem de sua cidade para o centro de Londres sempre espreitando as casas e seus moradores pela janela da composição. Ver as mesmas pessoas todos os dias fez com que Rachel criasse, em sua cabeça, uma história para elas, especialmente para Jess e Jason, um casal que mora em seu antigo bairro, em sua antiga rua. Se na cabeça de Rachel a vida de Jess e Jason é perfeita, a realidade se faz presente quando Jess aparece na varanda de casa de manhã com um outro homem e logo em seguida é dada como desaparecida.

Aos poucos notamos que Jess (que na realidade se chama Megan) não só mora na mesma rua que Rachel morava, mas que também foi babá da filha de seu ex-marido (que a traiu com a esposa atual, Anna) e tem inúmeros problemas com o marido. Megan esconde um segredo que a corrói por dentro e sua narração é uma das melhores da trama! 

Obcecada com o ex-marido e a vida que ele leva agora com Anna e a bebê, Rachel é a típica mulher que é traída e se desfaz em lamúrias, rancor e ódio. Ela virou alcoólatra há algum tempo, depois de um acontecimento enquanto ainda eram casados, e suas mentiras e negações servem apenas para esconder uma angústia crescente e a não aceitação de que a relação entre ela e o marido não tem volta. Chega a ser um tanto cansativo, mas não duvido de que existam muitas Rachels por aí.

Rachel tem agora uma nova obsessão, além de espreitar o marido: descobrir o que aconteceu com Megan e o motivo pelo qual ela teve um branco sobre o que ela mesma fez naquela noite fatídica, mesmo que isso envolva contar ao marido traído de Megan que ela estava tendo um caso com um desconhecido. Ela só lembra de ter ido até a rua do marido, de tê-lo encontrado, dos dois terem discutido e depois disso ela só se lembra de ter esbarrado em um estranho no trem e ter acordado em casa.

O livro todo é muito bem narrado, as personagens são fortes, a história é interessante, mas o desenrolar não me surpreendeu, muito pelo contrário, achei até bem previsível. Fiquei esperando uma reviravolta mirabolante, uma pegadinha, mas fechei o livro e ela não veio, então fiquei um pouco desapontada porque tudo foi tão bem desenvolvido que merecia um final "tchantchantchantchaaan".
Ainda que não tenha funcionado para mim, muitas pessoas gostaram do final, então vale a pena ler o livro pra ter uma opinião sobre o assunto. Depois é só voltar aqui e contar pra gente!

Até mais!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Desaparecidas, mas não esquecidas (Carla Cristina Ferreira)

Nossa avaliação - 9.0

Impossível ler um livro de Tess Gerritsen e não se impressionar com a forma simples e direta como a autora nos envolve em suas tramas. Não é diferente em “Desaparecidas”, quinto livro da série Rizzoli & Isles, que nos traz a detetive Jane Rizzoli e a Dra. Maura Isles como protagonistas.

Neste thriller conhecemos Mila, uma jovem russa de 17 anos que é convencida a ir para os Estados Unidos em busca do velho sonho americano juntamente com outras garotas. O sonho começa a tomar tons de realidade quando cruzam a fronteira do país e se veem em uma situação indesejada. As coisas se complicam quando inesperadamente Mila e outra garota testemunham um massacre e passam a fugir desesperadamente de seus perseguidores.

Meses depois, a Dra. Maura Isles, médica legista do Departamento de Polícia de Boston, encontra-se em uma situação inusitada: ouve um barulho vindo da sala refrigerada aonde os corpos aguardam para serem necropsiados ou levados para funerárias. Verificando cada um dos sacos mortuários, depara-se com uma bela jovem de pele pálida e lábios azulados, ainda não necropsiada, vítima de um afogamento, quando de repente ela abre os olhos e entra em parada respiratória.

Paralelamente, a detetive Jane Rizzoli é levada as pressas para o hospital após a sua bolsa d’água estourar em pleno testemunho ao tribunal.

Eis que o destino une duas mulheres em um mesmo local, transformando a vida das duas permanentemente.

Gerritsen surpreende novamente com uma história com um timing e clímax completamente diferente dos demais livros da série. Foi um choque descobrir nos primeiros capítulos uma ação tão eletrizante, de deixar o coração na boca, na aflição de saber o que vai acontecer; como isso vai se desenrolar. É, claro, que a surpresa foi gratificante, mas, ao mesmo tempo, senti alguns detalhes da trama bem previsíveis, tirando um pouco da emoção final nos últimos capítulos. Provavelmente por causa dessa mudança no ritmo na trama logo inicialmente.

Foi interessante ver como uma mulher como Jane encara a sua nova vida agora com um bebê em seus braços e todo o questionamento que ela faz sobre esta grande mudança. A frustração quanto ao ser melhor policial do que mãe e o desejo quase incontrolável de voltar à ação antes mesmo do bebê completar 1 mês de vida. Reflexões que são comuns às mulheres que possuem uma vida profissional ativa e que fazem de tudo para mostrar ao mundo que podem executar seu trabalho tão bem e até mesmo muitas vezes melhor do que os homens.

O medo e a insegurança de Gabriel, que teve muito mais destaque neste livro, também é um dos pontos altos do livro; principalmente as discussões que ele tem com Jane sobre o comportamento e atitudes da esposa, colocando sempre sua vida em risco sem pensar que agora além de um marido ela possui um bebê.

Foi um pouco decepcionante ver que Maura teve uma pequena participação no início do livro, mesmo esta sendo primordial para todo o desenrolar da trama. Fiquei na expectativa de ver como seria seu desdobramento com a impressa e sua declaração após o “despertar da morta” e mais ainda de um possível relacionamento com Lukas, que infelizmente, apesar de alguns flertes entre eles, não aconteceu.

Como sempre, a autora não perde a mão ao narrar a história de mulheres fortes e assim, vamos adiante com o sexto livro “O Clube Mefisto”, que, devo confessar, foi o primeiro livro que li da série, pois não sabia que se tratava de uma série. Então, resenha em breve, pessoal!

Se você ainda não leu os demais livros da série Rizzoli & Isles, confira abaixo a resenha dos volumes anteriores:

“O Cirurgião” – livro 01
“O Dominador” – livro 02
“O Pecador” – livro 03
“Dublê de Corpo” – livro 04



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Serial killer, viagem no tempo e vingança!!(Kelly Santos)


Nossa avaliação - 7.5
Com uma proposta diferente dos thrillers usuais, "Iluminadas" de Lauren Beukes, publicado aqui no Brasil pela Intrínseca, apresenta um panorama onde a viagem no tempo é o instrumento utilizado por um terrível serial killer para caçar suas vítimas. As coisas, separadamente, não são novidades, mas a mescla faz o livro adquirir um enredo inusitado e interessante.

Harper é um mendigo dos anos 30 que se torna um serial killer que viaja no tempo através dos “comandos” de uma casa misteriosa que ele encontra. Os comandos devem ser obedecidos já que a casa amaldiçoada quer que ele mate garotas por anos e, para ele, essas garotas aparecem com um brilho diferente, sendo assim, elas são as garotas iluminadas.

A casa o leva para conhecer suas vítimas primeiro quando elas ainda são crianças e Harper faz questão de ser lembrado de alguma maneira para que elas o reconheçam antes de morrer. E através de uma garota iluminada após a outra, em décadas diferentes, Harper vai se aprimorando na arte de matar e ficando cada vez mais cruel e excitado com as mortes. Até que ele encontra Kirby.

Kirby é a única jovem que ele tenta matar, mas não consegue e Harper não esperava que isso acontecesse e menos ainda que Kirby fosse atrás dele quatro anos depois de sua tentativa de assassinato. Para isso, ela começa sua busca se tornando estagiária em um jornal de renome para encontrar o ex repórter policial que cobriu o seu caso na época: Dan Velasquez. 

Após o caso de Kirby e tantos outros que não conseguiu resolver, Dan foi obrigado a esquecer e resolveu largar a área policial e se dedicar à parte esportiva do jornal. Mas agora os dois se unem e descobrem as evidências mais absurdas e várias semelhanças entre o ataque de Kirby com outros assassinatos que aconteceram ao longo de 60 anos. Seria isso realmente possível? Com os cálculos que ambos fizeram, o assassino seria um idoso ou deveria estar morto…

Essa premissa faz o livro parecer super empolgante, né? Uma casa amaldiçoada, viagem no tempo, um assassino improvável, um repórter e uma sobrevivente… O livro parece perfeito só de imaginar, certo?

Errado!

"Iluminadas" começa bem e tudo indica que a história vai ser daquelas que jamais nos esquecemos, mas em algum momento algo dá errado e o livro fica sem graça, confuso, um tanto quanto desnecessário e nenhum personagem foi marcante o suficiente. Dan é um bom personagem, foi o que mais gostei, mas não pode ser chamado de marcante! Além do mais, quando leio livros com essa pegada policial , uma das coisas que mais me divertem é divagar sobre o que motiva o assassino e o Harper, como um serial killer, simplesmente não tinha nenhuma motivação, ele simplesmente entra na casa e por pura influência da casa "estranha" começa a matar e aí, depois que ele mata a primeira moça, ele começa a sentir mais e mais vontade de matar.

O livro é escrito de uma forma não linear e Lauren coloca em qual ano o capítulo se passa, por isso sempre dá para saber quais são os capítulos que estarão por vir e qual será o foco deles e isso foi uma das coisas que eu gostei no livro: cada capitulo é sobre um personagem de uma época distinta.

Já uma coisa que detestei em "Iluminadas" é que muitas pontas da trama ficam soltas e não temos respostas para algumas perguntas. Isso me mata de raiva, principalmente pelo fato de achar que Lauren Beukes é uma autora que escreve super bem e que com certeza vamos ouvir falar mais dela em breve.

A nota do livro se dá pelo motivo de que, como metáfora, Lauren fala sobre como a sociedade acaba “matando” as mulheres que têm chances de mudar o futuro de outras mulheres e criar uma sociedade sem machismo, bom pelo menos foi o que eu consegui absorver dessa historia foi isso. De verdade, amei essa metáfora e dou muitos pontos positivos para a Lauren nesse quesito. No entanto, ainda que as intenções sejam boas, a autora meio que se perdeu na hora de fazer essa crítica social e esqueceu de desenvolver melhor a história.

"Iluminadas" foi lançado em 2014, e tem um total de 320 páginas. Só para constar: a capa desse livro é belíssima.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Thriller policial com cara de filme de ação dos anos 90 (Kelly Santos)

Nossa nota: 9.0
“Quando você pisa no pé de alguém acidentalmente, você oferece o próprio pé para que a outra pessoa pise nele também”.

                                                              Ditado popular ucraniano.


E se esse ditado fosse universal? E se você, pessoa de boa fé que é, visse uma pessoa sendo roubada, fosse lá tentar ajudar, deixasse o ladrão fugir e antes de ele sair correndo ele te dissesse: “Você vai pagar pelo que fez.”?

É assim que Nate, um ex-militar que voltou para casa depois de um atentado onde seu melhor amigo e toda a sua equipe morrem enquanto estava em missão no Iraque, se envolve em uma confusão de proporções épicas.

Apesar de voltar para a família, mulher e filha, os dias turbulentos no Exército fazem com que ele não consiga ter uma vida normal e o estresse pós traumático faz com que a família perfeita se desintegre. E se você acha que isso é o pior que pode acontecer, não! Nate descobre, após cinco anos, que tem uma doença terminal e acaba desistindo de viver. E é nesse estágio que encontramos pela primeira vez o personagem, no alto de um prédio a poucos minutos de pular. 

Mas a atenção de Nate é desviada quando descobre que o banco perto dele está sendo assaltado. É ai então que Nate pisa no pé de alguém. Ele dá uma de herói e usa seu treinamento militar e um pouco de sorte para matar cinco integrantes do grupo de ladrões de banco, mas deixa escapar o sexto. O problema é que Nate pisa no pé de uma quadrilha ucraniana barra pesada e apesar de não oferecer o seu pé, o próprio chefão vai atrás de Nate e puxa seu pé para ser esmagado. 

Preso dentro do quartel da quadrilha, o chefão lhe dá uma ordem: voltar no mesmo banco em que foi o herói e roubar aquilo que ele atrapalhou a quadrilha de pegar senão os ucranianos irão atrás de sua filha.

Sabe aquela receita de bolo de romance policial? Um agente aqui, dois assassinos ali, bate tudo com um toque de mistério e voilà, você tem um livro! 

Pois é, mas isso não acontece com "O Sobrevivente". 

Hurwitz não segue a tal receita de bolo e a história não se torna envolvente por causa do mistério e sim por ser narrada de forma ativa para o leitor, transformando os medos e sustos dos personagens em nossos medos e nossos sustos. Eu fiquei tensa o tempo todo em que lia o livro. A mesma coisa que acontecia quando assistia filmes de ação tipo: Duro de Matar, Velocidade Máxima, Máquina Mortífera e tantos outros.

Sempre com uma pitada de humor negro, por parte de Nate, esse thriller não tem só ação e cenas mirabolantes não, tem o drama familiar de Nate, o drama da doença, que vai enfraquecendo-o e como não poderia deixar de citar, acho que esse livro nós ensina um pouco sobre como é importante ter esperança sempre.

Gregg Hurwitz já escreveu roteiros para Jerry Bruckheimer Films, Paramount Studios, MGM, e além disso já escreveu Punisher e Foolkiller para a Marvel. Acredito que esse seja o motivo pelo qual ele incorporou um pouco de sua experiência com roteiros de ação ao livro e o resultado é termos essa sensação de estar assistindo a um filme de ação.

Lançado no Brasil em 2014 pela editora Arqueiro, as 368 páginas do livro fazem com que nós, leitores, entremos na ação! Indico até para aqueles que não curtem muito romance policial, porque acho que essa história agradará a todos!

E quando ler "O Sobrevivente" de Gregg Hurwitz não esqueça da pipoca!

Outras obras do autor também publicadas no Brasil pela Arqueiro
Aqui, temos a resenha de "Você está sendo vigiado"!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Desafio Skoob Setembro: Quem você é? (Carla Cristina Ferreira)

Nossa avaliação - 8.5

Dando continuidade ao desafio do Skoob deste mês, hoje é a vez de trazer mais um livro de Tess Gerritsen: “Dublê de Corpo”, o quarto livro da série Rizzoli & Isle, publicado pela Editora Record.

Para quem pensou que a detetive Jane Rizzoli iria sair de cena por causa de sua atual condição, se engalou; Rizzoli continua tão obstinada em capturar os criminosos quanto antes. Porém, desta vez, a trama tem foco na Rainha dos Mortos, a Dra. Maura Isles, que passou a ter um pouco mais de destaque em “O Pecador” e agora retorna para desvendar um pouco do seu passado.

Maura se surpreende ao retornar de viagem e encontrar a polícia em sua rua, investigando um curioso homicídio: a vítima é idêntica à própria Rainha dos Mortos. A misteriosa ‘dublê de corpo’ acaba se confirmando sua irmã gêmea, levando Maura e Jane não apenas em busca do assassino, mas a uma torturante viagem a verdadeira origem de Maura.

Criada como filha única, mesmo descobrindo posteriormente que era adotada, Isles começa a questionar o rumo que sua vida tomou e se há alguma explicação genética para isso. Ela precisa descobrir quem ela é, mas para isso precisará descobrir uma dura verdade sobre seus pais biológicos.

A trama se complica quando, ao seguir os passos de sua falecida irmã, Maura acaba desenterrado mais do que o seu passado: duas ossadas são encontradas próximas à casa que pertencera a sua família. A situação se piora quando o responsável por tal crime não apenas cometeu outros assassinatos como ainda continua na ativa.

Foi interessante conhecer um pouco mais desta mulher de aço e supostamente inatingível e ver até que ponto o passado e as origens definem quem você é ou poderia ser. Interessante também foi acompanhar “as privações” pelas quais Jane teve que passar no seu atual estado e como em parte acabei de identificando com ela: a sensibilidade, as mudanças corporais...

Mas o mais importante foi acompanhar o desenrolar de dois crimes distintos e em como eles acabaram se conectando, embora não se perceba isso durante a leitura. Talvez o único ponto, não necessariamente negativo, mas pelo qual esperava um desfecho diferente, tenha sido com relação ao desfecho escolhido para o serial killer. Não me entendam mal, gostei do fim dado por Gerritsen, mas confesso que esperava uma participação maior, principalmente de Rizzoli, ao capturar o assassino.

Se você ainda não leu os demais livros da série Rizzoli & Isles, confira abaixo a resenha dos volumes anteriores:

“O Cirurgião” – livro 01
“O Dominador” – livro 02
“O Pecador” – livro 03


No mais, rumo ao quinto livro, pessoal! 


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Destaque no cenário de suspense nacional (Renata Lima)


É com muita alegria que hoje trago para vocês um dos grandes nomes da literatura nacional contemporânea no gênero suspense: Raphael Montes. Como grande amante do gênero, fiquei absolutamente encantada com o livro "Dias Perfeitos" e já coloquei "Suicidas" na minha meta de leitura do mês que vem.
Nossa Avaliação - 8.0

"Dias Perfeitos" conta a história de Téo, um universitário estudante de Medicina que depois de um revés na vida vive quase recluso com a mãe cadeirante e um cão. Apesar de sua relação um tanto próxima com Gertrudes, um dos cadáveres da aula de Anatomia, Téo não tem amigos.

Empurrado para um churrasco pela mãe e a vizinha (Téo é vegetariano, diga-se de passagem), ele conhece Clarice, jovem de família rica e ausente, que escreve um road movie chamado Dias Perfeitos sobre três amigas que viajam pelo Rio de Janeiro e conhecem um gringo.

Imediadamente, Téo traça maneiras de se aproximar de Clarice, desenvolvendo um comportamento obsessivo e psicopata. Ele passa a segui-la, descobre quem são seus amigos, onde ela mora, onde estuda, até que um dia ajuda Clarice na rua. Mediante o questionamento dela sobre o que ele estava fazendo naquele lugar e naquela hora, ciente de que não poderia ser uma coincidência, Téo se descontrola e nocauteia Clarice, sequestrando-a em seguida. É o início de um "relacionamento" cheio de altos e baixos, muito suspense, muita psicopatia, muitos momentos "ai, meu Deus!".

A construção dos personagens é absolutamente fascinante e a escalada da psicopatia de Téo, assustadora. Narrado do ponto de vista dele, a história tem todo um tom de "eu estou ajudando a Clarice a desenvolver seu potencial", "eu estou mostrando a ela como eu posso ser bom para ela", "eu vou colocar a vida dela nos eixos". E seja no chalé de Teresópolis ou na praia deserta de Ilha Grande, que também estavam no roteiro de Clarice, roteiro esse que Téo a obriga a reescrever e desenvolver melhor, a lógica crua e por vezes ilógica de Téo é de deixar qualquer um de cabelo em pé.

Há passagens incríveis no livro e frases muito poéticas que não vou escrever aqui porque é parte do livro se encantar e descobrir essa escrita cheia de referências incríveis. É importante dizer que qualquer semelhança com o livro "Misery - Louca Obsessão" do Stephen King é mera coincidência. Clarice não é famosa, Téo não é um fanático, é só um psicopata. Não existe motivação específica além do fato de que ele está obcecado por ela. Eu diria que o livro faz mais lembrar "O Colecionador" do John Fowles do que o do Mr. King, mas também nada que pareça uma cópia, porque o desenrolar da história é bem diferente.

Confesso que fiquei um pouco decepcionada com as reviravoltas muito sem noção do final (eu ficava me perguntando "que ser humano faz uma idiotice dessa"?) e com simplicidade do fim, mas nada disso tira o mérito da criação e do desenvolvimento primorosos. 

A sinopse diz que o livro é "uma história de amor, sequestro e obsessão" e inicialmente eu não entendia como esses dois substantivos ("sequestro" e "obsessão"), carregados de significados tão pejorativos, caberiam na mesma frase com um substantivo emprenhado de sentimentos tão lindos ("amor"). Agora entendo! E se você é fã de suspense, thrillers e histórias cheias de reviravoltas, recomendo que procure entender também!

P.S.: Agora no mês de maio, Raphael Montes anunciou que seus dois livros "Suicidas" e "Dias Perfeitos" serão adaptados para o cinema. Qualquer nova informação, divulgaremos no Facebook!


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dobradinha Trilogia Grau 26 (Kelly Santos)

Nossa nota 7.5
No primeiro livro dessa série que já fiz resenha aqui  no blog, Steve Dark conseguiu matar Squeegel, um maníaco assassino que fez muitas vítimas. Mas ele não conseguiu chegar a tempo de salvar sua esposa, que estava nas mãos do bandido. No entanto, sua filha, que nasceu no cativeiro, sobreviveu e foi deixada por ele com os avós para que ele pudesse superar o trauma da morte da esposa.

Depois desse golpe do destino, Steve resolveu sair definitivamente do FBI. Deixou pra trás seus companheiros de equipe e tentou retomar a vida como pôde. Mas ele não conseguiu se desvincilhar dos velhos hábitos: no porão de sua nova casa, em Los Angeles, ele acompanha as estatísticas macabras dos crimes e mortes que acontecem na cidade.

Quando um serial killer começa a fazer vítimas, Steve Dark é contatado por uma mulher da CIA, sugerindo que pode oferecer a ele tudo o que ele precisar para acabar com esse novo criminoso e, se não tivesse tão perdido em sua própria dor, talvez Steve tivesse aceitado na hora, mas ele reluta muito, pois não quer mais viver o mesmo horror de cinco anos atrás. Só quando ele visita uma cartomante, levado pela curiosidade de entender  porque esse assassino remonta cenas de cartas de tarô, ele percebe que não adianta fugir de seu destino.

Em "A Profecia Dark", segundo livro da Trilogia Grau 26, publicado no Brasil pela Editora Record, o ex-agente do FBI lutará contra o desejo e a ética. Seu instinto, que sempre o ajudou em todos os casos que resolveu, mostrará que o melhor caminho é ir em busca de justiça por todas as pessoas indefesas que são mortas a cada minuto, mas seu dever para com seus antigos parceiros o fará pensar até que ponto ele pode ir a favor da lei, mesmo não fazendo mais parte da equipe.  

O que eu não gostei nesse livro foi o Assassino do Tarô, que na minha opinião foi muito clichê, e ao meu ver esse é o mais fraco dos três livros.

*****
PODE CONTER SPOILERS DO LIVRO ANTERIOR

Nossa nota 7.0
Este é o terceiro volume da primeira, e mais brutal, série literária interativa escrita por Anthony E. Zuiker. Para quem não está reconhecendo o nome, ele é um dos criadores de CSI, a série de TV policial de enorme sucesso. Sua série de livros, composta por "Grau 26", "Profecia Dark" e, agora, "As Revelações de Dark" mostram a luta de um agente de um grupo especial que caça psicopatas cuja maldade nunca havia sido mensurada antes. São livros com teor forte e muito violentos. O diferencial dessa série literária é que você pode acessar vídeos e outras informações no site da obra. Isso torna a obra inovadora e é muito bom, pois ajuda a visualizar situações, personagens e locações. Em todos os três livros você encontra esses códigos.
Nesse livro, o agente Steve ainda guarda as feridas físicas e emocionais das últimas investigações. No primeiro livro sua esposa é morta e no segundo sua saúde mental, ou o que restava dela, é quase totalmente destruída. Mas um mal terrível, e de proporções mundiais, surge. Um grupamento especial, a Global Alliance, precisa da ajuda de Dark. O nome da ameça: Labirinto. Seus métodos: os mais cruéis. Seu alcance: global.

Desta vez Steve Dark tem de enfrentar o perigosíssimo Labirinto. Esse novo assassino de grau 26 tomou de assalto a imprensa e o planeta, e a cada nova vítima um surto de pânico emerge. Apenas Dark poderá deter esse psicopata e para isso precisará resolver uma série de charadas e encontrar Labirinto antes que seja tarde demais.

Eu baseei minha nota, no fato de que o grau de audácia e inteligência desse assassino é altíssimo, em comparação ao assassino do segundo livro, que, pra mim, não se encaixaria no tal grau 26. Mas como desfecho de uma historia e fim de uma trilogia, que na minha opinião é incrível, acho que o livro deixou muito a desejar, ficou meio inacabado, e isso é péssimo, principalmente por ter deixado algumas pontas soltas. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O Rei da Reviravolta (Kelly Santos e Renata Lima)

Harlan Coben é um escritor de fórmula. Alguns escritores fazem livros muito diferentes uns dos outros. Outros se repetem. Harlan é um exemplo do segundo caso. Seus livros avulsos são quase sempre iguais: Crime no passado + Marido suspeito + Drama familiar.

Nossa Avaliação - 8.0
Nesse livro "Não Há Segunda Chance" não poderia ser diferente. Mas o que diferencia Coben de outros autores que seguem essa fórmula é que ele é bom nisso: ele pega uma história louca e faz com que o leitor fique interessado em saber como aquilo tudo vai acabar. O que nem sempre poderia funcionar bem, aqui funciona, e pode-se dizer que ele até se supera.

O livro conta a historia de Marc Seidman, um renomado cirurgião plástico que acorda após doze dias de coma sem ter a real noção do desastre que está sua vida. Ele escapou da morte por um fio e agora descobre que sua mulher foi assassinada e sua filha, Tara, de apenas 6 meses de idade, foi sequestrada e, como não poderia deixar de ser, ele é o principal suspeito.

Dias depois um pedido de resgate é feito e a tentativa de pagamento acaba fracassando. Marc acredita que perdeu a única chance de recuperar a filha e passa a viver atormentado por isso até que, inesperadamente, um ano e meio depois, um novo pedido é feito e desta vez ele decide adotar novas estratégias, entre elas contatar seu antigo amor, Rachel, para ajudá-lo (ela é ex agente do FBI). E é ai que tudo vira uma confusão só.

Chocantes reviravoltas após reviravoltas deixam o leitor à beira de cometer uma besteira e pular páginas para saber o fim. Não faça isso, pois o livro segue seus próprios labirintos. E ler esse thriller página após página é sentir o gosto saboroso da narrativa desse grande escritor de suspense.

Edição da ARX.
A única coisa nos deixou meio irritadas foi que Coben é exageradamente descritivo com coisas que não fariam falta alguma na historia. A Kelly acha que ele deveria exagerar menos nas reviravoltas, que são tantas que quase dá um nó no cérebro, mas a Renata acha que as reviravoltas dão o toque a mais na história e que é isso que não a torna previsível.

E no total da soma, o livro é bom, vale a pena ser lido e o final, é muito legal justamente porque não é um final esperado. Algumas pessoas não gostaram, mas nós achamos verossímil e possível. Nada elaborado demais, mas também nada que faça o leitor dizer "ah, por essa eu já esperava"!

O livro tem um total de 384 paginas, foi lançado aqui no Brasil pela editora ARX em 2007 e mais recentemente em 2010 teve uma nova edição pela editora Benvirá.

Há algum tempo era um livro bem difícil de achar, assim como "A Promessa", do mesmo autor, mas agora já pode ser encontrado em diversas lojas online, apesar do preço ainda salgado de R$43,00 em média.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Não é um conto de fadas (Kelly Santos)


A primeira coisa que tenho que ressaltar nesse livro é a capa: achei um trabalho incrível, aquele corvo, a maça meio apodrecida com esse fundo escuro, essa lua cheia e  essa árvore  morta...  o resultado é impactante.

Nossa avaliação -  9.5
A história se inicia quando Tobias Sartorius sai da cadeia após cumprir uma pena de dez anos por ter sido considerado culpado pelo assassinato de duas moças com as quais ele já havia se relacionado, apesar de sempre alegar inocência e de nenhum dos dois corpos terem sido encontrados.

Assim que sai da cadeia, ele volta direto para a casa dos pais em uma cidadezinha do interior da Alemanha, apesar de Nadja, sua amiga de infância, ter oferecido o seu apartamento para ele ficar.

Ao chegar em casa, o sentimento que o domina é de desolação. O que antes havia sido um sítio bem cuidado e limpo, onde seus pais tinham um restaurante, o Galo de Ouro, que estava sempre cheio de vizinhos e amigos, hoje está abandonado, sujo e com pilhas de lixo acumulados nos cantos.

Imediatamente Tobias associa a decadência do sitio com a sua prisão e com a rejeição que seus pais devem ter sofrido após o ocorrido. Ele sente como o ódio da cidade por ele continua vivo, e não era para menos, já que uma das moças mortas, Laura, era de uma família conhecida na cidade e ex-namorada de Tobias, e a outra moça Stephani, apesar de nova na cidade, era conhecida e amada pela comunidade, tanto que recebeu o papel de Branca de Neve na escola e pela semelhança com a princesa de conto de fadas acabou recebendo esse apelido. (Sacou como o nome do livro se explica?)

Mas como em um thriller policial nada é o que realmente parece ser, essa historia esta repleta de histórias mal contadas e segredos obscuros, segredos esses que estão ameaçados pela volta de Tobias e pela bela e diferente Amelie, que se muda para a cidadezinha após sua mãe já não ter mais condições de cuidar da filha rebelde e decide mandá-la para morar com o pai.

Amelie logo de cara fica muito interessada em saber tudo sobre a historia de Tobias, em parte pra poder espantar o tédio que sente, em parte pelo fato de se sentir imensamente atraída por Tobias, que apesar de ser mais velho e ter fama de assassino de garotas, é um homem lindo e atraente. Logo de cara Amelie encontra discrepâncias no caso contra tobias e ai é que ela fica mais interessada ainda em descobrir a verdade.

Enquanto isso Tobias e seu pai são intimidados para que saiam da cidade e a mãe de Tobias é atacada covardemente dando abertura para a entrada da dupla de detetives Bodenstein e Pia Kirchhoff. Além do ataque à mãe de Tobias, um corpo feminino é encontrado em um terreno abandonado nos arredores da cidade, no mesmo local onde ocorreram os outros assassinatos.

O livro é ótimo, a maneira que Nele Neuhaus escreve é bem fluida e apesar da quantidade de personagens, dos nomes de pessoas e lugares todos em alemão, a leitura não é cansativa e nem demorada! Também é bom ressaltar que esse livro é o QUARTO da série Bodenstein & Kirchhoff e portanto tem muita coisa sobre eles no livro, o que pode deixar o leitor meio perdido por não ter lido nada deles ainda, mas mesmo assim não atrapalha a leitura.

Infelizmente esse é o único livro da serie ( que já conta com sete livros) que foi lançado aqui no Brasil pela editora Jangada, que está de parabéns! Como eu disse antes, o livro é bonito por fora, a capa é ótima, e um toque a mais é que em todas as páginas há uma manchinha de sangue no lugar do número da pagina.

Super recomendo a leitura para quem gosta de um bom thriller policial, com reviravoltas e mistérios.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Cuidado, pecar pode ser um crime (Carla Cristina Ferreira)


Nossa avaliação - 8.0
Para aqueles que curtem um bom romance policial não podem deixar de ler os livros de Tess Gerritsen e hoje trago mais um livro da autora: “O Pecador”, terceiro livro da série Rizzoli & Isles. Já resenhei aqui os livros anteriores: “O Cirurgião” e “O Dominador”, primeiro e segundo livro respectivamente.

Não necessariamente as histórias dos três livros são interligadas, mas como os três trazem as mesmas personagens alguns fatos sobre a vida delas acabam sendo mencionados, por isso o ideal é ler na ordem (até o momento já há 9 livros publicados em português, todos pela Editora Record).

Em “O Pecador” um crime aconteceu dentro dos muros sagrados de um convento: duas freias foram brutalmente assassinadas. Agora Jane Rizzoli está encarregada de descobrir quem é o pecador juntamente com a Dra. Maura Isles. É com a ajuda da Rainha dos Mortos (como é chamada a Dra. Isles pelos seus colegas) que descobre-se durante a autópsia que uma das freias dera à luz antes de ser assassinada. A pergunta é o que houve com a criança? Quem é o pai? Seria este o assassino?

Durante o curso das investigações tanto Rizzoli quanto Isles terão que enfrentar não apenas os desafios de suas profissões, afinal outros crimes continuam ocorrendo na cidade de Boston, mas também terão que encarrar problemas de ordem mais pessoal. O passado de uma vem se mesclar com o presente da outra, o que pode influenciar seu futuro de uma delas. Duas mulheres que lutam para mostrar o quanto são capazes de executar suas funções em um mundo basicamente dominado pelos homens; ambas precisam vestir uma armadura invencível a cada vez que entram na arena.

Em comparação com os dois livros anteriores neste, pela primeira vez, vemos Jane e Maura como quase amigas, uma relação que ainda se pauta mais pelos laços trabalhistas, mas que começa a se formar; nota-se a preocupação de uma com a outra e percebe-se como cada uma vê a outra como um reflexo de si mesma: duas guerreiras, cada uma travando suas batalhas.

Confesso que senti falta do nosso serial killer Warren Hoyt e faltou um pouco de emoção, da caça pelo assassino. Em compensação, cada página valeu a pena pelo desdobramento das personagens e pelos acontecimentos que regeram suas vidas dentro da proposta de “O Pecador”.

Mais uma vez vale ressaltar que a série de TV Rizzoli & Isles passa bem longe do escopo das personagens do livro. A Jane e Maura da série são divertidas e se complementam, a primeira é brincalhona e largada, a segunda é sofisticada e uma enciclopédia ambulante (a fórmula perfeita para uma dupla televisiva de sucesso, isto é, completamente opostas). Já no livro elas são mais parecidas entre si, apesar de Jane está sempre descabelada e Maura impecável.

E a autora parece não ter planos de aposentar a dupla... Recentemente foi publicado pela Editora Record “A Garota Silenciosa” (9º livro da série), enquanto nos Estados Unidos o 10º acaba de ser lançado “Last to Die”. São eles: “Dublê de Corpo” (2007), “Desaparecidas” (2008), “Clube Mefisto” (2010), “Relíquias” (2012), “Gélido” (2013) e  “A Garota Silenciosa” (2013).


Enquanto isso, lá vou eu para o 4º livro...

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Como tudo começou (Kelly Santos)



"Kings of Cool" é uma espécie de continuação de Selvagens. Digo "espécie" porque na verdade em "Kings of Cool" o que nós temos é um "como tudo começou", as origens do negócio de Ben e Chon e também a origem dos personagens, traçando uma linha que volta até a década de 60, muito antes de Orange Country ser a badaladíssima O.C de hoje em dia, da Califórnia de meados dos anos 60 até o ano de 2005 quando a história de Ben e Chon realmente se inicia .

Nossa Avaliação - 8.5
O livro de Don Winslow alterna entre 2005, tempo presente do romance, onde vivem os protagonistas, e saltos à década de 60, 70, 80 e 90, onde acompanhamos Doc e John os precursores do tráfico de drogas na região, assim como outros personagens que se mostram fundamentais para a construção de Orange Country  e também para a formação do caráter e da personalidade de Ben, Chon e O.

Os saltos de tempo vem nos momentos perfeitos para aumentar a tensão da história e é com exímia habilidade que ele constrói a teia de relações que selará, quarenta anos depois, o destino dos três personagens principais. A forma que o escritor corta as cenas no momento preciso, ajuda a imprimir um ritmo fluído, rápido e envolvente.

Como não poderia deixar de ser, Ben e Chon se envolvem em um problema com pessoas interessadas em tirar proveito do lucrativo empreendimento Ben & Chonny's (isso mesmo, tem até Nome Fantasia). Só que dessa vez, Ben está sozinho, pois Chon ainda esta a serviço dos fuzileiros em uma missão com os SEAL (gupo de elite dos fuzileiros navais) no Afeganistão. Na tentativa de se livrar do problema sozinho, Ben acaba se afundando ainda mais e precisa recorrer ao vaidoso e ascendente agente corrupto do D.E.A. Dennis Cain. Enquanto isso no Afeganistão, Chon se fere gravemente e recebe baixa honrosa do serviço militar, enquanto em Orange Country O. procura por seu pai desconhecido.

Além do drama principal, ficamos sabendo porque e como Dennis se tornou corrupto, como Lado era antes de se tornar capataz de Elena e um pouco mais da historia da própria Elena e de seu cartel mexicano, alem, é logico, mergulharmos ainda mais nas histórias de vida do trio principal.

Por mais pop que o livro seja, "Kings of Cool" não é entretenimento vazio. Há um cinismo nos personagens e uma crítica a essa sociedade vaidosa e hiper consumista. Mas apesar de adorar conhecer um pouco mais desse trio que aprendi a amar, tenho que ser justa e admitir que o autor exagera um pouco na informalidade e que às vezes a narrativa fica meio confusa. Eu gostei muito do livro mas, não tem como, o primeiro livro "Selvagens" é bem melhor.

O livro foi lançado aqui no Brasil pela editora Intrínseca no inicio de 2013 e tem 316 paginas. O que eu achei muito legal foi que a editora optou por manter o titulo e a capa originais, o que foi um refrigério depois de tantas capas horrendas que a gente vê por aí e títulos que,  às vezes, não tem nada a ver com o livro!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Até aonde vai o poder? (Carla Cristina Ferreira)



Nossa avaliação - 7.5
Um pouco atrasada eu sei, me perdoem, mas só agora consegui ler o autor do mês de setembro, David Baldacci. Eu deveria ter resenhado “O Poder Absoluto”, publicado pela Arqueiro. Este livro não faz parte de nenhuma série e foi por isso que o escolhi para ler, pois sempre pensei em ver qual é a dele... Vai que gosto do estilo, da trama... E não é que gostei!

A trama traz o ladrão veterano Luther Whitney que após cometer assalto perfeito a uma das mais ricas mansões da Virgínia (bem pertinho de Washington e da Casa Branca) acaba se transformando na testemunha ocular de um crime. O que a princípio parece ser apenas mais um encontro extraconjugal entre a dona da casa e seu amante transforma-se em um brutal assassinato. O pior de tudo é saber que o responsável por este crime é nada mais nada menos que o presidente dos Estados Unidos.

O problema em se ter tanto poder é saber até que ponto pode-se utilizá-lo, principalmente se for em benefício próprio. Aqui Alan Richmond, o presidente, usa e abusa não apenas dos agentes do Serviço Secreto como de sua chefe de gabinete, Gloria Russell (que venhamos e convenhamos não é nenhuma santa).

A coisa sai dos trilhos quando Gloria esquece na cena do crime um objeto que possui não apenas o sangue da vítima e suas digitais quanto do presidente. Seu objetivo era guardar este objeto como carta na manga para futuramente chantagear Alan, mas o tiro sai pela culatra. A partir daí começa a brincadeira de gato e rato entre Luther e Gloria.

Em contra partida, encontramos o detetive Seth Frank, responsável por capturar o assassino, que se depara com um grande problema: seja lá quem cometeu tal crime, fez a limpa na cena do crime, inclusive extraindo uma bala da parede, deixando Seth sem pistas sobre o assassino. Também conhecemos Kate Whitney (filha de Luther) e Jack Graham que inevitavelmente acabam se envolvendo nesta trama eletrizante.


Enquanto personagens secundários viram principais e vice-versa, vamos, a cada página, acompanhando os passos de cada um deles esperando sempre uma reviravolta, um momento de revelação e sempre quando pensamos que algo de bom vai acontecer, temos uma surpresa. O livro é envolvente e consegue prender a atenção até o final. O único ponto a desejar é o epílogo que não tem o mesmo ritmo do resto do livro; é como se o desfecho se arrastasse em si mesmo. Algumas resoluções dadas para solucionar toda a questão também me pareceram forçadas, mas no final a coisa até que se fecha. No mais, um bom thriller de ação. Leria outro livro do autor sem problemas; inclusive “Toda a Verdade” (que a Aline já resenhou aqui) já está na minha lista!


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Romance policial meia bomba (Carla Cristina Ferreira)


Sobre o Autor do Mês:

Patricia Cornwell é uma escritora norte-americana de romances policiais. Patrícia Cornwell começou sua carreira como repórter policial. Como escritora, notabilizou-se pelos romances policiais que têm como personagem principal a Dra. Kay Scarpetta, médica-legista. Seus livros vêm acumulando prêmios e frequentam sistematicamente a lista dos mais vendidos.

Descendente de Harriet Beecher Stowe, Patricia teve uma infância traumática, sofreu abuso emocional pelo pai, e traumatizada com a depressão da mãe, Patricia ficou aos cuidados da Assistência Social e compreendeu logo a negligência da sociedade americana para com as vítimas de violência. Da infância traumática a uma adolescência problemática e rebelde, Cornwell enfrentou bulimia, anorexia, alcoolismo e depressão.

Seu primeiro livro, intitulado Postmortem, foi publicado em 1990, o livro foi rejeitado por sete grandes editoras, porém após a sua publicação ganhou os prêmios Edgar, Creasey, Anthony e Macavity Awards além do francês Prix du Roman d’Aventure em um único ano, e em seu primeiro livro.O sucesso foi tamanho que Patricia começou uma série de livros protagonizados pela médica-legista Kay Scarpetta.Em 1999 a personagem Kay Scarpetta venceu o Sherlock Award por Melhor Detetive.

Além de Kay Scarpetta, Cornwell também escreveu três livros protagonizados por Andy Brazil: Hornet’s Nest (1996), Southern Cross (1998), e Isle of Dogs (2001), dois livros de receitas: Scarpetta’s Winter Table (1998) e Food to Die For (2001), e um livro infantil: Life’s Little Fable (1999). Cornwell escreveu também um livro sobre Jack o estripador, Portrait of a Killer: Jack the Ripper—Case Closed (2002), onde Cornwell alimenta a hipótese de Walter Sickert ser o estripador.

As histórias realistas protagonizadas por Kay Scarpetta garantiram a Patrícia Cornwell diversos prêmios e indicações. Cornwell ganhou os prêmios Edgar, Creasey, Anthony, e Macavity além do prêmio francês Prix du roman d'aventure, e do Sherlock Award for best detective.

Fonte: Wikipedia

Nossa avaliação - 7.0
Sempre tive curiosidade de ler um livro da Patricia Cornwell é que melhor oportunidade quando ela foi sorteada para ser a autora do mês! Como eu estou um pouco enrolada com algumas leituras pendentes, acabei optando por um livro fininho dela, “Em Risco” que a Aline comprou na Bienal e eu confisquei!

A Patricia é uma das autoras de romance policial que faz parte daquela coleção lindinha que eu cobiço da Companhia das Letras e que custa uma fortuna; em média cada livro custa, 49,90. Na Bienal, a Aline comprou o livreto de 146 páginas por 9,50! Uma pechincha!

Neste romance policial conhecemos a promotora pública Monique Lamont que, inteligente e ambiciosa, cria a campanha contra o crime EM RISCO que visa solucionar crimes de “ontem, hoje e amanhã”. Seu objetivo é solucionar casos que continuam abertos, casos que há 20 anos foram arquivados porque não havia “evidências” que apontassem para o criminoso, mas agora com a nova tecnologia de investigação e produção de prova isso irá mudar.

Para colocar seu plano em prática, Monique encarrega o detetive Win Garano para solucionar a morte de uma idosa que foi brutalmente assassinada em sua residência há 20 anos. Tudo isso para que Monique, elucidado o caso, fique bem na fita e se torne a futura governadora. Porém, mal Win começar a investigar o caso, ameaças são feitas contra sua vida e a de Monique; o crime de ontem transformou-se em crime de hoje.

O que mais gostei do livro foi o desencadear rápido das ações; quando você menos espera algo acontece, porém alguns pontos ficaram meio soltos na trama como a avó de Win que diz para ele ficar atento aos números, mas, apesar de aparecer alguns números na história, em nenhum momento eles chamam atenção de Win e o rementem ao aviso da avó. Isso sem contar que a explicação para as ameaças feitas contra Monique soou insignificante, sem graça.

Em contrapartida, gostei muito da construção dos personagens, principalmente de Monique. Seria interessante ver mais da personagem, outros aspectos de sua vida após a ameaça de morte feita contra ela.

O livro é bom, mas não pode ser considerado um bestseller, mesmo tendo sido produzido um filme para TV (At Risk) em 2010 com Andie MacDowell no papel de Monique. Infelizmente, não vi o filme, mas vou tentar achar por aí. Se alguém já viu comenta aqui o que achou. J

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O poder de dominação (Carla Cristina Ferreira)


Depois de um intervalo de quase dez meses, finalmente tive o imenso prazer de ler “O Dominador”, de Tess Gerritsen (publicado pela Record), que traz de volta a detetive Jane Rizzoli.

Nossa avaliação - 9.0
A personagem aparece pela primeira vez no thriller “O Cirurgião”, que fez tanto sucesso que a autora resolveu continuar destrinchando a personagem em outros livros. A diferença deste segundo livro para o seu predecessor, é que aqui Rizzoli é a personagem central, a grande estrela, enquanto em “O Cirurgião”, seu papel é praticamente secundário, tendo um foco maior apenas nos últimos capítulos.

Em “O Dominador” temos mais um serial killer a solta, mas este novo predador sexual possui um modus operandi muito similar ao de Warren Hoyt. O problema é que o cirurgião encontra-se em uma prisão de segurança máxima, não podendo ser o responsável por esses novos crimes. Crimes no quais além das mulheres, seus respectivos companheiros também são ‘dominados’ enquanto são obrigados a assistirem ao estupro de suas parceiras.

Rizzoli parece ser a única que vê semelhanças entre os crimes do cirurgião e do dominador e seu papel na investigação acaba sendo questionado quando o misterioso agente do FBI Gabriel Dean entra em ação.

Posso dizer que este livro é muito melhor que o primeiro, sem sombra de dúvida; não há enrolação ou encheção de linguiça e o foco está 95% do tempo em Rizzoli. Para quem acompanha a série de TV Rizzoli & Isles, vai começar a perceber que os personagens da série começam a aparecer como Maura Isles, Korsak e Frost. Para dizer a verdade, o pilot da série é basicamente “O Dominador”, mas bem enxuto, é claro.

Neste livro foi possível conhecer outra Rizzoli, aquela que só se revela quando está só em sua casa, tirando a máscara de policial durona e cabeça quente.

Tess já escreveu ainda mais seis livros com Rizzoli. São eles: “O Pecador” (2006)*, “Dublê de Corpo” (2007)*, “Desaparecidas” (2008)*, “Clube Mefisto” (2010)*, “Relíquias” (2012)* e o mais recente “Gélido” (2013)*.


*Datas de publicação no Brasil, pela editora Record.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

O pesadelo que se tornou real (Carla Cristina Ferreira)


No ano passado eu tinha lido o “O Hipnotista” de Lars Kepler, pseudônimo do casal Alexandra e Alexandre Ahndoril, e no final do ano passado a Intrínseca lançou mais um livro do casal, “O Pesadelo”, e é claro que eu tinha que ler para conferir se pelo menos seria uma leitura prazerosa como o seu antecessor.

Nossa avaliação - 4.0
Em “O Pesadelo” a dupla sueca traz de volta o detetive Joona Linna que desta vez irá investigar o estranho caso de uma jovem que é encontrada morta dentro de um barco, mas a causa da morte é afogamento, apesar de suas roupas estarem completamente secas. Simultaneamente um importante funcionário do governo comete suicido. Será que os dois acontecimentos tem alguma relação? Linna acredita que sim e isso leva a uma confusão sem pé nem cabeça sobre tráfico de armas para países do Terceiro Mundo.

Apesar do primeiro livro não ter sido perfeito, foi uma leitura descontraída que serviu ao propósito de entreter, o que não acontece no segundo... A leitura do livro realmente se tornou um pesadelo, uma confusão de acontecimentos que não fazem nenhum sentido. Infelizmente, o livro é muito ruim.

Primeiro, você compra o livro esperando um thriller, uma leitura emocionante, cheia de suspense, mas isso não acontece. A história avança, chegamos na metade do livro e nada, e muito mal ao final algumas peças tentam se encaixar, mas não fazem muito sentido. Não existe um elemento surpresa, nada que te intrigue a continuar a leitura. Cheguei ao fim por pura determinação.

Um grande problema é a quantidade de personagens e de algumas cenas que poderia ser definitivamente jogadas no lixo, como o encontro de um casal perseguido com um excêntrico apresentador de TV sueco. Sem dúvida pior cena do livro! Isso sem contar cenas de boxe feminino para encher linguiça, de um ataque a uma vila africana e um caso estranhíssimo de insônia. Ah! Sem contar a encheção de linguiça com um raio de um violino.

É tanta coisa que acontece que não faz sentindo, que se fosse para enumerar tudo, não pararia mais... Foram 448 de muito lengalenga.

Outra cena que não faz sentido: Linna tendo uma crise, sei lá de quê, e desmaiando do nada e em nenhum momento explicam o que o cara tem. Isso sem contar as cenas com seu possível par romântico. Acho que um dos problemas é Linna não ter o carisma necessário para ser o mocinho e o salvador da história.


Resumindo, acho que o problema é que os autores quiseram construir uma trama grande e intricada ao estilo Stieg Larsson e acabaram se perdendo, criando uma história sem nexo e chatíssima. Uma grande decepção. Esse exemplar vai direto para o sebo!


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Hipnose é com Lars Kepler (Carla Cristina Ferreira)


Há um ano me deparei com um livro de capa chamativa, vermelha, com uma tesoura ensanguentada. Aquilo me chamou a atenção, mas ao mesmo tempo fiquei receosa por não ser muito fã de livros de suspense com assassinato e tudo mais. Isso é mais a cara da Rê.

Nossa avaliação 7.5
Quem vê a capa do livro pensa logo em um serial killer e em um grande derramamento de sangue, mas depois de ler a sinopse, resolvi dar uma chance para “O Hipnotista” de Lars Kepler (pseudônimo de Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril, um casal sueco que escreve em conjunto), publicado aqui pela Editora Intrínseca.   

A trama foca na investigação de um massacre a uma pacata família sueca que tem como sobrevivente e única testemunha o filho caçula. O detetive Joona Lima é o responsável por descobrir quem foi o louco que dilacerou suas vítimas com uma tesoura. Para isso, pedirá ajuda ao Dr. Erik Bark, renomado médico que utiliza a hipnose para tratar seus pacientes, para hipnotizar o jovem Josef Esk e assim ter uma ideia do paradeiro do assassino. O problema é que Bark jurou nunca mais hipnotizar alguém.

O livro tinha tudo para ganhar nota 8.0 com seus capítulos curtos e envolventes que nos instigam a querer saber quem é o assassino. Em uma viagem por mentes perturbadas e cheias de segredos nos deparamos com um momento de flashback e a coisa desanda; o ritmo cai,  perdendo um pouco a continuidade, mesmo sendo esse flashback essencial para o desenrolar da história.

Para manter a atenção do leitor, o autor abusa do uso de  turnning points: a história passa a ter tantas reviravoltas que chega uma hora que ficam um pouco previsíveis – apesar das pistas levarem a um suspeito, logo o descartamos, pois de ante mão já sabemos que aquele não é o nosso cara.

É um bom livro, com alguns erros, e com um tema que no fundo não acaba convencendo, pois ficamos esperando mais das sessões de hipnotismo. É claro que ninguém espera o velho clichê “você está ficando com sono; com muito sono”, mas ainda sim esperava mais. De qualquer forma vale pela distração da leitura.

“O Hipnotista” fez tanto sucesso na Suécia que já foi produzindo uma adaptação para as telinhas em 2012. Uma pena que ainda não veio para o Brasil, mas quem sabe a gente não encontra uma versão legendada em inglês ou português dando sopa por aí. J

Para quem gostou desse primeiro trabalho de Lars Kepler, saibam que já foi lançado em novembro passado “O Pesadelo” que traz mais uma vez o detetive Joona Lima e que muito em breve será resenhado por nós! Aguardem!



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Surpresa em um mistério inglês (Carla Cristina Ferreira)


Definitivamente os sebos sempre trazem boas surpresas. Dessa vez a escolha foi tomada totalmente no escuro, levando apenas em conta que o livro em questão custa em torno de R$ 50,00 nas livrarias e nós, a Renata e eu, conseguimos por R$ 20,00. Falo do romance policial “Uma Certa Justiça”, de P. D. James. 
Nossa avaliação - 7.0
Esta pérola é publicada pela Companhia das Letras, na série de romances policiais com capa estilosa e laterais coloridas, realmente não é uma encadernação barata, mas francamente R$ 50,00 desanima qualquer um. 

Se você é fã do verdadeiro romance policial, você vai adorar esse mistério de 508 páginas. O começo parece um pouco arrastado até porque logo de cara a autora nos conta quem ainda será assassinada: Venetia Aldridge, uma renomada advogada criminalista. 

Venetia é uma mulher inteligente e arrogante que dedica sua vida à advocacia, colocando tudo e todos de lado, inclusive a própria filha. Seu brilhantismo é tanto que para ela a única coisa que importar é encontrar falhas nos argumentos e provas da promotoria para assim inocentar os seus clientes. Seu trabalho é tão impecável que ela consegue livrar a cara de Ashe, um jovem rapaz que é acusando de matar a própria tia, mesmo sabendo que ele é culpado. 

Os primeiros capítulos que contam a história de Ashe, Venetia e de outros personagens que possuem fortes motivos para se livrar da advogada. Desde o início, P. D. James já nos avisa que “os assassinos não costumam alertar suas vítimas”, mas eles sempre acabam deixando pistas, por mais perfeccionistas que sejam. A tarefa de desvendar esse curioso caso fica sob a responsabilidade do inspetor da Scotland Yard, Adam Dalgliesh e sua equipe. 

Apesar de não conseguir me localizar fisicamente no cenário descrito pela autora (nunca percorri as ruas de Londres), a riqueza de detalhes nos dá uma clara visão dos locais visitados, por mais simples ou inusitados que sejam. O mesmo acontece com os personagens: a descrição de cada um e suas personalidades é notável, nos proporcionando detalhes que a princípio parecem desnecessários para o desenvolvimento da trama, mas que posteriormente serão indispensáveis. 

Acho que o melhor de tudo é o final do livro, totalmente inesperado (talvez seja um pouco decepcionante para alguns), me lembrando um pouco do estilo de Agatha Christie. O título também só é esclarecido no final e acaba deixando um gostinho de quero mais, de conhecer mais o trabalho de James, que já escreveu 25 livros, todos aclamados e premiados pela crítica britânica e americana. 

Vale a pena desvendar esse mistério! 



sábado, 5 de maio de 2012

"A Farsa", um livro que tinha tudo para dar certo (Carla Cristina Ferreira)



Renata e eu estamos sempre procurando novidades e há pouco tempo a nossa seguidora Aline Basílio me emprestou um livro que tinha tudo para ser maravilhoso, algo ao estilo ao “Código Da Vinci”, mas sem a parte histórica.
  
Nossa Avaliação - 4.0
“A Farsa” de Christopher Reich foi lançado em 2009 pela antiga editora Sextante, agora Arqueiro, e conta a história de Jonathan e Emma Ransom que ao escalarem uma montanha na Suíça são surpreendidos pelo mal tempo e por uma avalanche eminente. Na tentativa de descer o percurso o quanto antes, Emma sofre um acidente e Jonathan desce a montanha em busca de ajuda; ao retornar, entretanto, descobre o corpo de Emma em uma greta.

Arrasado com a morte da mulher, Jonathan põe de lado as suas suspeitas que tinha de traição até receber um envelope endereçado à Emma contendo tickets para retirada de bagagens em uma estação de trem. Curioso, retira as malas, mas é surpreendido por dois homens que tentam roubá-las e na tentativa de impedi-los mata um e fere gravemente o outro, só então descobrindo que eram policiais.

Buscando uma explicação para o que aconteceu, Jonathan vasculha as malas e descobre além de uma fortuna em dinheiro, documentos e a aliança de uma mulher chamada Eva Kruger. Só que a mulher elegante e sensual na foto da carteira de motorista é Emma, aumentando as suspeitas de Jonathan quanto à traição da esposa.

A situação piora ainda mais quando ele resolve seguir a pista de quem enviou as malas para Emma e se envolve em uma trama de assassinato, conspiração e atentado terrorista.

Até aqui tudo muito bem, tudo muito bom; e confesso que quando li a sinopse me empolguei bastante, mas, tirando os capítulos que narram os passos de Jonathan, a história toda é uma confusão, pulando de conspirador a conspirador, muitas vezes narrando fatos irrelevantes e obscuros. Fica difícil saber quem é o mocinho, quem é o bandido, e a quantidade de personagens e situações que não se encaixam na relevância da trama, acabam desestimulando a leitura. Isso sem contar o final óbvio.

Apesar de ter acho o livro confuso e ter penando para terminá-lo, acredito que daria um ótimo filme, caso fosse bem roteirizado.
Se alguém se interessou ou se já leu e gostou, fique sabendo que existe uma
continuação com “A Traição” (2009) e “A Vingança” (2011), ambos publicados pela Arqueiro.

No geral o livro é bem escrito e sem erros, mas o que chama mais atenção mesmo é o colorido das capas, que acaba instigando o leitor a dar uma chance aos livros.



PS: Renata pediu pra avisar que leu as 30 primeiras páginas e resolveu abandonar o livro.