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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Há esperança na humanidade! (Lucyclenia Santana)

Olá queridos!

A resenha de hoje é de um daqueles LIVROS com letras maiúsculas e em negrito, que na minha visão deveriam ser lidos por todos, daqueles que tocam lá no fundo da alma e que, com certeza, irá te emocionar, assim como também me emocionou. Estamos falando de nada mais, nada menos que "Sonata em Auschwitz", de autoria da brasileirinha Luize Valente, lançado pela Editora Record. 

Nossa avaliação: 10.0

Amália é portuguesa, filha de imigrante alemão, cuja família imigrou para Portugal após a segunda guerra mundial. Conversas sobre o tema foram banidas por seu pai, que criou até inimizade com os demais membros da família devido ao seu posicionamento contra o nazismo.

A história começa a se desenrolar logo nas primeiras páginas, quando Amália chega em casa e sem querer ouve uma ligação, onde a sua bisavô Frida, já com idade centenária, procura o seu pai para tratar assuntos de família. Sabendo que o pai abomina o passado e não quer ter envolvimento com os membros da própria família, Amália, sem o conhecimento do pai, pede que sua bisavó lhe conte esse passado da família.

Dias após o encontro, Frida vem a falecer e, atendendo ao pedido da sua bisa, Amália parte para o Rio de Janeiro a procura de Adele e Haya que são peças fundamentais para o desvendamento desse passado obscuro.

"Olhar pra trás é como entrar na contramão em uma avenida movimentada".

Amo demais um grupo que me faz ler temas diversos, me dá oportunidade de conhecer novos autores e tomar conhecimento de livros magníficos que eu normalmente não leria ou não procuraria por mim mesma, então, obrigada! #DesafioDasEstrelasForever.

Sendo este meu primeiro contato com a autora, achei sensacional a maneira que ela transmitiu sua mensagem sobre um tema pesado, de forma fluida, leve e envolvente. Com certeza, vou pôr na lista outros livros dela para serem lidos em 2019, na primeira oportunidade que surgir.

Confesso que livros acerca da segunda guerra mundial, nazismo, holocausto e Hitler, são livros que me deixam com o coração na mão. Mas, este com certeza, devido a maneira em que foi abordado, de forma envolvente e riquíssimo em detalhes, com certeza entrou pra lista de favoritos de 2018.

Estou simplesmente embasbacada com a forma que a autora encontrou para transformar um assunto tão pesado, em algo tão belo, emocionante, real e palpável. Quando digo que o livro é rico em detalhes, podem acreditar, Luize nos transporta para dentro dos campos de concentração, nos faz sentir na pele o que os personagens sentiram e passaram.

O livro é narrado em primeira e terceira pessoa, flui de forma bem rápida, porém não é um livro para ser lido às pressas. Apesar de fluido, em 90% do livro me vi com um nó na garganta e as lágrimas insistiam em surgir, o que me fez pausar a leitura em diversos momentos para digerir o que estava sendo lido e sentido, recuperar o fôlego e enxugar as lágrimas. 

"Frida foi direta, sem floreios. Jogou-me o passado que voltou a atormentá-la em pesadelos noturno. Não partiria com ele. Fridedich era o filho amado de um casamento de conveniência com Hans, alto oficial do Reich que se suicidou no fim da guerra."

Espero que gostem da resenha, dividam comigo suas opiniões.

Boa leitura.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Nem tudo é o que parece! (Renata Lima)


Oi, gente!

Esse é meu segundo livro da autora Shari Lapena e já posso adiantar que, apesar da narrativa da autora ser ágil e os livros serem bem-construídos, no geral a autora peca nos finais. Você pode acessar ao post do livro "O Casal que Mora ao Lado" aqui.

Nossa avaliação: 85
Nesse novo livro, "Uma Estranha em Casa", publicado aqui no Brasil pela Editora Record, a autora conta a vida do casal Krupp, Tom e Karen, que vivem vidas perfeitas até que um dia Tom chega em casa e encontra uma situação inusitada: a porta destrancada e os todos documentos e dinheiro da esposa em casa. Já passa das 21h e Karen está desaparecida e, sem saber exatamente o que fazer, Tom começa a procurar pela esposa, mas logo recebe a notícia de que Karen sofreu um acidente de carro dirigindo em alta velocidade em um local bem barra-pesada. Porém, ao acordar no hospital, Karen não se lembra do que aconteceu.

Tom e Karem são tranquilizados pelos médicos que dizem que isso é comum em casos como o dela e que normalmente a memória volta sozinha em questão de dias, ou nunca mais, e, um tanto desorientada, Karen volta para casa e passa a ser cuidada por Tom e pela vizinha solícita demais e um tanto fofoqueira, Brigid, de quem Tom não é muito fã.

Acontece que um corpo masculino é encontrado na mesma região e no mesmo dia em que Karen se acidentou, então a polícia começa a se perguntar se Karen tem algum papel no assassinato do homem desconhecido. 

Como ela demora a recuperar a memória, uma investigação é aberta e Karen passa a ser a principal suspeita para horror Tom, Brigid e da própria Karen, que afirma nunca ter visto aquele homem na vida.

Correndo risco de ser repetitiva, ressalto que o livro é bem interessante, a história é cheia de reviravoltas, segredos e mistérios bem desenvolvidos e tem o mérito de não ser muito longo (nem o livro, com menos de 300 páginas, nem os capítulos). Mas, infelizmente, a autora peca mais uma vez no final, colocando um epílogo completamente desnecessário, mudando o foco do livro e dando a entender que apesar do enredo principal estar concluído, há outra história a ser desenvolvida que pode ou não tema de mais um livro com os mesmos personagens (ainda não confirmado pela própria autora).

Fora esse pequeno-grande detalhe, o livro é bem interessante e acho que os amantes de suspense não ficarão completamente decepcionados, como eu mesma não fiquei.

Até mais!


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Mãe possessiva, namorada psicopata! (Renata Lima)


Oi, gente!

Como vocês sabem, leio praticamente de tudo, mas meus gêneros preferidos são policial, suspense e terror. Não posso ver uma promoção de livros que já vou procurar algo nesse gênero (e que não tenha e-book) para gastar meu suado dinheirinho!

Na Black Friday eu estava surfando pelas lojas e dei de cara com esse livro e com os livros do Charlie Donlea saindo a 12,00 cada. Obviamente, comprei todos. Ainda não li os do Charlie Donlea (A Garota do Lago, Deixada para Trás e Não Confie em Ninguém), mas estão na lista desse ano! Já esse, não consegui esperar e mergulhei nele no primeiro dia de 2019!

Nossa Avaliação: 90
O livro conta a história de Laura, uma mulher madura que trabalha no meio televisivo além de dedicar a vida ao filho Daniel e ao marido Howard. Apesar de Daniel estar estudando Medicina, ele e a mãe mantém um laço estreito de amizade até o dia em que Cherry entra na vida de Daniel.

Em pouco tempo, Daniel e Cherry começam a namorar e o que parece ser um relacionamento normal vai mudando de figura quando os capítulos são narrados pelo ponto de vista de Cherry, uma jovem ressentida por nunca ter tido oportunidades na vida e, principalmente, por ter sofrido preconceito por causa de sua condição social. Ela agora quer ascender socialmente e vê em Daniel uma grande oportunidade de finalmente fazer sua vida deslanchar.

Enquanto Daniel permanece alheio aos anseios da nova namorada, Laura, que ainda por cima está sendo traída pelo marido, começa a perceber coisas estranhas e Cherry. Em uma viagem para a França, ela descobre que foi o filho quem pagou a passagem da moça e que ela mentiu ao comprar uma passagem sem data de retorno, ficando assim as férias quase todas separando Laura de seu filho, com quem ela gostaria de passar mais tempo.

A partir daí o livro entra em um ritmo frenético de coincidências que culminam num acidente. E quando você acha que o acidente vai ser o fim, uma mentira faz com que o ódio entre as mulheres seja reaceso. A pergunta que não quer calar é: quem vai ganhar a disputa pela atenção de Daniel, a mãe possessiva ou a namorada psicopata?

Tenso, muito tenso!

Até a próxima!


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Uma questão de ponto de vista! (Renata Lima)


No livro "Vulgo Grace" da autora Margaret Atwood, publicado no Brasil pela Editora Rocco, somos levados à Toronto do século XIX e conhecemos Grace Marks, uma jovem que enfrenta muitas perdas e precisa se adaptar à vida sem a mãe (morta durante uma travessia de barco) e sem o pai (viciado que só pensa em dinheiro e levou toda a família à falência, obrigando a fuga de todos para um novo continente).

Nossa Avaliação - 90
Separada dos irmãos, Grace precisa trabalhar para enviar dinheiro para o pai e consegue um emprego de criada em casas de família e é em uma dessas casas que conhece Mary, outra criada, com quem faz amizade.

As duas eram inseparáveis, mas por um acaso do destino,  a tão esperta Mary cai na lábia de um conquistador barato, cede às tentações e fica grávida, morrendo logo em seguida, em decorrência de um aborto mal feito.

Pressionada pelos patrões para contar a verdade do que houve com Mary e com medo do que pode acontecer a ela se ficar ali, Grace deixa a casa de família rumo ao interior levada por Nancy, outra moça com quem já trabalhara e que agora é governanta.

Nessa casa, Grace descobre, através do capataz, que Nancy é amante do patrão. Se sentindo injustiçado e prejudicado pela mulher, o capataz começa a tramar o assassinato da governanta, mas algo dá errado e ele mata não somente a mulher, mas também seu senhor, chamado Kimmet.

Presa como cúmplice, Grace tem sua pena de morte comutada em prisão perpétua e da penitenciária é levada para o asilo na ala de criminosos violentos. De volta à penitenciária, Grace cai nas graças do reverendo, do diretor e da esposa do diretor, que acreditam em sua inocência e chamam um médico, o doutor Jordan, para avaliar a sanidade mental da jovem.

Série
O fato do livro ser inspirado num caso real arrepia. A história é muito bem contada e a gente fica o tempo todo se questionando o que se passa realmente na cabeça de Grace. Será ela uma jovem injustiçada ou uma assassina fria e calculista que matou sem motivo aparente, embora vivesse sendo maltratada pela governanta?

Os personagens são complexos e multifacetados, o que torna o livro bem interessante. É como se todos tivessem o bem e o mal dentro de si.

Dos três livros que li até agora da autora Margaret Atwood, gostei mais de "O Conto da Aia" (menos do epílogo), mas esse também é muito bom e recomendo para quem gosta de suspense!

É legal lembrar que a Netflix fez uma série baseada no livro, que também é muito boa, chamada Alias Grace (o título do livro em inglês).

Vale muito a pena conferir!

sábado, 8 de setembro de 2018

Segredos sombrios nos deixam presos ao passado. (Renata Lima)


Nossa Avaliação: 9.0
Joe é um universitário que precisa contar a história de um desconhecido para um trabalho de faculdade. Ao visitar uma casa de repouso, ele se depara com uma história e tanto: o assassino e estuprador de uma menina de 14 anos está com câncer terminal e foi liberado da prisão para viver ali seus últimos meses. Agora Joe só precisa convencer Carl a contar sua história.

Essa é a premissa do livro de estreia do advogado criminalista, Allen Eskens. "A Vida que Enterramos" ganhou o Rosebud Award de Melhor Primeiro Livro de Mistério em 2014 e foi publicado no Brasil no ano passado pela editora Intrínseca.

Ao começar a ouvir a história de Carl, Joe percebe que pode mudar as coisas e, com a ajuda de sua vizinha, Lila, decide montar o quebra-cabeças do que aconteceu tantos anos atrás ao mesmo tempo em que precisa lidar com os problemas de sua própria família: a mãe manipuladora e viciada que vive maltratando seu irmão autista.

A narrativa é fascinante. Como leitor, nos identificamos com a luta de Joe e sua necessidade de autoafirmação ao deixar a casa da mãe e toda a sua carga emocional ao mesmo tempo em que ele sente pena de deixar o irmão nas garras dela. Surpreendentemente também nos identificamos com a figura de Carl, mesmo que ele seja um assassino e estuprador, indigno de pena, há nele uma humanidade, uma fragilidade, que inicialmente achei que fosse da doença, mas depois passei a entender melhor.

É muito legal quando pegamos um livro sem a menor expectativa e ele se torna um dos favoritos do ano e nos faz procurar mais livros do mesmo autor, que infelizmente ainda não teve outros trabalhos publicados no Brasil, mas já escreveu outros três livros!

Já estou ansiosa pelos próximos!


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O desaparecimento de um bebê tira esqueletos do armário. (Renata Lima)


Olá, gente!

Hoje resolvi falar de um livro que algumas amigas leitoras me recomendaram: os livros da autora Shari Lapena. Como leitora curiosa que sou, sendo suspense o meu gênero preferido, fui logo pesquisar e descobri que a autora já tinha dois livros publicados no Brasil: "O Casal que Mora ao Lado", publicado aqui no Brasil no ano passado pela Editora Record, e "Uma Estranha em Casa", publicado esse ano e já me esperando no Kindle!

Nossa Avaliação: 9.0

Em "O Casal que Mora ao Lado", Lapena conta a história do casal Anne e Marco. Eles têm uma bebê de poucos meses e são convidados para jantar na casa dos vizinhos Cinthia e Graham. A única exigência é que eles não levem a bebê, o que inicialmente não parece um problema, já que Anne e Marco já têm uma babá para situações como estas.

O problema é que a babá tem um imprevisto e avisa em cima da hora que não poderá cuidar da pequena Cora, mas os pais decidem ir ao jantar mesmo assim, contando com a babá eletrônica, já que as casas são vizinhas, e se revezando para checar a bebê de meia em meia hora.

Apesar do jantar tenso por diversos motivos, principalmente pela insegurança de Anne quanto ao seu corpo pós-parto (ela sofreu de depressão pós-parto e toma alguns remédios) e ao fato de que a vizinha não pára de dar em cima do seu marido, a noite acaba relativamente bem e os dois voltam para casa onde notam que a porta da frente está entreaberta e a bebê não está nem no berço nem em qualquer outro local da casa.

O desespero se abate sobre a casa e a polícia, chamada assim que eles notam a ausência da criança, começa uma investigação minuciosa onde todos são suspeito, inclusive os pais.

Sem dinheiro para um provável resgate, Anne e Marco precisam recorrer aos pais de Anne e a partir daí começa um livro cheio de reviravoltas, jogos de interesses, mentiras, suposições e revelações estarrecedoras sobre o passado e o presente de todos os personagens envolvidos na trama.

Com uma escrita ágil e surpreendente, a autora cria personagens do dia a dia e vai nos guiando pela mão até um final incrível e surpreendente.

O único problema que eu vi no livro, juro, foi o epílogo. Para mim, ela queria dar aqueles sustos finais de filme de terror, mas tudo já estava tão certinho, tão amarradinho, que o epílogo só consegue desanimar e se eu tivesse que descrevê-lo em uma palavra seria sem dúvida "desnecessário". Mas o que são algumas páginas na frente de um livro inteiro de bastante tensão, certo? Recomendo!


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Brincando de forca (Carla Cristina)


Sim! Estamos de volta! E, apesar de feliz, estou receosa também, pois a minha vida (e da Renata) mudou completamente nos últimos anos e espero conseguir dar conta do recado. Afinal, o blog surgiu para falar de uma grande paixão, os livros. Mas como faz quando surge uma paixão ainda maior e que consome 90% do seu tempo? Os filhos!

Tentando colocar a leitura em dia (o que não tem sido fácil), li recentemente "O Homem de Giz", de C.J. Tudor, romance de estreia da autora e publicado aqui pela Editora Intrínseca, que conta a história de Eddie e seus amigos na pacata cidade de Anderbury no ano de 1986.

O grupo de crianças cria uma forma secreta de se comunicarem: desenhando homens de palito feitos de giz, cada um usando uma cor específica, até que bonecos feitos com giz branco (cor que nenhum deles usava) começam a aparecer, levando as crianças a descobrirem um corpo desmembrado no meio do bosque.

Nossa avaliação - 7.0
As coisas descarrilham quando ele e seus amigos recebem cartas anônimas com desenhos do homem de giz e um de seus amigos aparece morto.
Alternando passado e presente, Tudor nos leva para o ano de 2016, onde Eddie encara suas frustrações e o caminho que sua vida tomou, morando em uma casa caindo aos pedaços, com um problema de bebida, solteiro aos 40 anos, cheio de manias e sendo um professor mediano. 

O grupo e a época podem até levar o leitor a pensar em uma ambientação a la Stephen King (e em alguns momentos até sente-se um gostinho de "Conta Comigo"), mas podem ter certeza de que, apesar de se tratar de um suspense, Tudor (em minha opinião) não tenta chegar aos pés do mestre do terror e do suspense.  

A história possui certo suspense, mas nada que lhe faça perder o sono ou que lhe impeça de fechar o livro e terminar a leitura no dia seguinte (apesar de ser um livro pequeno). Existem alguns pontos soltos (quem desenhou o homem de giz na igreja, por exemplo) e o livro é previsível desde o verdadeiro vilão, até a revelação final de Eddie.

Em alguns momentos, a autora tenta adicionar uma pitada de sobrenatural que não tem exatamente o objetivo de assustar o leitor, mas talvez de apenas pô-lo em dúvida sobre até que ponto nosso subconsciente nos prega peças ou está tentando abrir nossos olhos para algo que está bem na nossa frente, mas não conseguimos ver.

Sente-se também a presença constate do medo, não do medo no sentido de levar sustos, mas medo do destino, do incontrolável e do esquecimento. Talvez este seja o aspecto mais interessante de todo o livro, o medo que há de esquecermos os pequenos detalhes, no início, insignificantes, mas que depois acabam se tornando de grande importância. O medo, não apenas de esquecermos algo, mas de esquecermos alguém e nos tornarmos nada.

Enfim, um bom passatempo para quem quer intercalar uma leitura mais densa, com algo mais “leve” e rápido de ler; até para mim!



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Decepção pura (Renata Lima)



Oi, gente! Depois de uns meses fora do ar por motivos pessoais (no meu caso e da Carla, os babies, e no caso da Lucy, a faculdade), estamos de volta com pelo menos uma postagem por semana até que tomemos novamente o fôlego e voltemos a ler vorazmente. (Que isso aconteça logo!)

Nossa Avaliação - 5.0
A resenha de hoje é do livro "A Desconhecida" de Peter Swanson, publicado aqui no Brasil pela Novo Conceito! Sabe quando você pega o livro porque a capa é legal, a sinopse parece interessante, tudo parece que vai dar certo? Foi bem isso que aconteceu comigo. Parecia que tudo estava direitinho. Parecia.


A história gira em torno do entediante George Foss, um quarentão que trabalha em uma editora, tem um relacionamento aberto com uma colega e guarda um segredo há quase 20 anos. 

E sua época de faculdade, Foss conheceu e se apaixonou por Audrey, mas quando ela não volta para a faculdade depois das férias, ele decide ir atrás dela e descobre que Audrey se matou. O problema é que a Audrey suicida não é a mesma garota com quem ele teve o curto, porém intenso, relacionamento. Então quem era mulher que ele conheceu?

Vinte anos depois, George encontra a mulher que tanto mexeu com ele simplesmente sentada em um bar. Audrey, que na verdade se chama Liana, está ali não só para encontrá-lo, mas para lhe pedir um favor e Foss, ainda apaixonado, mesmo após tantos anos, embarca em uma espiral de mentira, traição e perigo com essa mulher que um dia ela achou que conhecia.

O mair problema do livro, na minha opinião, é o personagem principal. Eu simplesmente não consigo acreditar que depois de tanta desilusão o cara ainda confia o suficiente na mulher para não só aceitar, mas também se envolver diretamente, nas picaretagens dela. Se eu tivesse que descrevê-lo em uma palavra seria "trouxa", mas acho que "trouxa" não chega nem perto do nível de idiotice desse ser.

Já desde o início ele sabe que ela roubou a identidade de uma outra pessoa e pode até tê-la matado. A dita-cuja então reaparece VINTE anos depois sabendo exatamente onde encontrá-lo e pedindo um favor um tanto "estranho" e ele nem hesita. Ele fica tão encantado por ver a louca ali na frente dele que mergulha de cabeça na "vida loca", como diria Ricky Martin, da moça arriscando não só a própria vida, mas a vida da sua nova amante.

O livro é bom, tem reviravoltas interessantes, tem personagens bem construídos, mas cada vez que alguma coisa acontecia e George Foss dava uma de Superman para salvar a pobre Liana me dava vontade de jogar o livro na parede.

E que final foi esse? Foi tão previsível e blasè que me deu vontade de "desler" o livro e apagar essa história e esse protagonista imbecil da minha vida.

Esse autor deveria ler mais livros de suspense policial. Simples assim.

Vocês já leram? Deixem um comentário pra gente!

Até a próxima!


terça-feira, 1 de março de 2016

Revisitar o passado pode ser perigoso! (Renata Lima)


No livro "A Garota Sem Passado" de Michael Kardos, Melanie é uma jovem com um passado traumático: seu pai matou sua mãe quando ela tinha apenas 3 anos de idade e desde então ela vive com os tios em uma cidade pequena sob o Programa de Proteção à Testemunha, já que sei pai, o assassino, nunca foi encontrado.

A Garota Sem Passado
Nossa Avaliação - 9.0
Até agora, Melanie viveu uma vida de privações, evitando lugares cheios, fazer perfis em redes sociais, tirar fotos e até mesmo um simples cartão de biblioteca, mas ao completar o Ensino Médio, Melanie quer fazer faculdade, quer se dedicar à sua paixão por Phillip, quer descobrir mais sobre o mundo e sobre si mesma. 

Uma gravidez inesperada faz com que Melanie questione sua criação sob a redoma de vidro de seus tios e, em um ato impulsivo e desesperado para que sua filha não tenha que viver escondida como ela, Melanie deixa sua cidade, seus tios e seu amor para trás e vai em busca de respostas sobre o assassinato da mãe e sobre o paradeiro do pai.

Para colher informações, Melanie se encontra com um jornalista que desde o assassinato até os dias atuais mantém um blog sobre o caso. Apesar de debilitado, esse jornalista fornece a Melanie informações essenciais: com quem ela deve conversar, quem pode ter informações relevantes para o caro e pequenos insights que despertam nela uma curiosidade que fala maior do que o medo.

Ao encontrar essas pessoas e policiais, Melanie não só se coloca em perigo, mas finalmente tem a chance de encerrar um capítulo enorme de sua vida e - quem sabe - ser uma garota normal novamente.

Infelizmente nada na vida de Melanie é exatamente o que parece e quanto maiores as descobertas, maior o perigo.

Um livro bem rápido de ler, muito interessante e bem escrito que alterna os pontos de vista entre os de Melanie e os de seu pai, Ramsey, o assassino. Com uma narrativa dinâmica e inteligente, Michael Kardos consegue prender nossa atenção do início ao fim e conforme vamos descobrindo o desenrolar da trama juntamente com Melanie, notamos o quão envolvido estamos com os personagens.

Uma grata surpresa, já que peguei o livro para uma maratona sem qualquer indicação!

Recomendo!

Até mais!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Ótimo suspense, mas sem grandes surpresas no final! (Renata Lima)


A sinopse do livro "A Garota no Trem" de Paula Hawkins promete um livro espetacular. Ao ler que Stephen King achou a narradora alcoólatra perfeita, fiquei curiosa e acabei colocando o livro na frente de um monte de outros da minha pilha e confesso que, apesar de um pouco decepcionada, achei o livro bem interessante, principalmente porque ao intercalar a narração entre alguns personagens, a autora conseguiu manter um crescente ritmo de tensão. 

Nossa Avaliação - 9.0
A garota no trem do título é Rachel, uma mulher que faz rotineiramente uma viagem de trem de sua cidade para o centro de Londres sempre espreitando as casas e seus moradores pela janela da composição. Ver as mesmas pessoas todos os dias fez com que Rachel criasse, em sua cabeça, uma história para elas, especialmente para Jess e Jason, um casal que mora em seu antigo bairro, em sua antiga rua. Se na cabeça de Rachel a vida de Jess e Jason é perfeita, a realidade se faz presente quando Jess aparece na varanda de casa de manhã com um outro homem e logo em seguida é dada como desaparecida.

Aos poucos notamos que Jess (que na realidade se chama Megan) não só mora na mesma rua que Rachel morava, mas que também foi babá da filha de seu ex-marido (que a traiu com a esposa atual, Anna) e tem inúmeros problemas com o marido. Megan esconde um segredo que a corrói por dentro e sua narração é uma das melhores da trama! 

Obcecada com o ex-marido e a vida que ele leva agora com Anna e a bebê, Rachel é a típica mulher que é traída e se desfaz em lamúrias, rancor e ódio. Ela virou alcoólatra há algum tempo, depois de um acontecimento enquanto ainda eram casados, e suas mentiras e negações servem apenas para esconder uma angústia crescente e a não aceitação de que a relação entre ela e o marido não tem volta. Chega a ser um tanto cansativo, mas não duvido de que existam muitas Rachels por aí.

Rachel tem agora uma nova obsessão, além de espreitar o marido: descobrir o que aconteceu com Megan e o motivo pelo qual ela teve um branco sobre o que ela mesma fez naquela noite fatídica, mesmo que isso envolva contar ao marido traído de Megan que ela estava tendo um caso com um desconhecido. Ela só lembra de ter ido até a rua do marido, de tê-lo encontrado, dos dois terem discutido e depois disso ela só se lembra de ter esbarrado em um estranho no trem e ter acordado em casa.

O livro todo é muito bem narrado, as personagens são fortes, a história é interessante, mas o desenrolar não me surpreendeu, muito pelo contrário, achei até bem previsível. Fiquei esperando uma reviravolta mirabolante, uma pegadinha, mas fechei o livro e ela não veio, então fiquei um pouco desapontada porque tudo foi tão bem desenvolvido que merecia um final "tchantchantchantchaaan".
Ainda que não tenha funcionado para mim, muitas pessoas gostaram do final, então vale a pena ler o livro pra ter uma opinião sobre o assunto. Depois é só voltar aqui e contar pra gente!

Até mais!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Decepção no Espaço (Renata Lima)


Pensa em um livro que tem um enredo interessante e tem tudo para ser bom, mas falha miseravelmente. Esse é o livro "172 horas na Lua" do norueguês Johan Harstad.

Nossa Avaliação - 4.0
É 2018 e a NASA precisa de apoio popular e financeiro para mais uma incursão à Lua. Eles resolvem então revelar que robôs montaram uma base lá, conhecida como DARLAH2 e para obter o apoio popular e financeiro que tanto necessitam, decidem fazer um sorteio mundial que escolherá três adolescentes para passar 172h ou três semanas nessa base juntamente com astronautas altamente qualificados. 

Os escolhidos são Mia, uma jovem rebelde que só quer saber de ser famosa e catapultar sua banda ao estrelato e é inscrita pelos pais, Antoine, um jovem francês que só se inscreve porque teve o coração partido pela ex-namorada e Midori, uma oriental que não se encaixa nos padrões e adora se vestir como personagens.

Passa-se 50% do livro e nada de chegarem à lua, mas algumas coisas estranhas acontecem. Desde o início o leitor é informado de que a missão é uma forma de investigarem melhor alguns fenômenos acontecidos no passado e de que por mais segura que a missão possa parecer existe um mistério rondando os participantes e os astronautas.

O livro tinha tudo para ser bem legal, mas acho que o autor se perdeu dando pistas que não fazem a menor diferença e focando em uma carta que nem aparece no final das contas. Ele ainda incluiu um personagem que está em uma casa de repouso que vem e vai sem trazer nada de novo, nada de útil. Achei uma pena.

A parte mais empolgante do livro é, sem dúvida, os 15% finais, mas aí o autor nos quebra naquele desfecho clichê que deixa você super desapontado.

Confesso que, para mim, já foi a decepção do ano que mal começou!




terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O livro que promete, mas não cumpre! (Renata Lima)


Antes de começar a resenha do livro "Coração Envenenado" vou logo dizendo que não gostei! Achei bobo, sem sentido e de uma propaganda muito enganosa que promete um suspense sobrenatural e no fim dá uma explicação bem meia-bomba pra tudo que aconteceu deixando de lado um monte de elementos adicionados anteriormente. Muito decepcionante!

Nossa Avaliação - 3.0
O livro é narrado e conta a história de Katy River, uma jovem universitária que mora com a mãe em uma cidadezinha do Reino Unido. O interessante aqui é que a mãe de Katy tem síndrome do pânico e é um tanto bipolar. Ela não sai de casa e fica no pé de Katy o tempo todo. Já Katy é uma jovem bem comum, com preocupações comuns da idade.

Um belo dia, porém, Katy está no ônibus e sente que está sendo observada. Ela se depara então com uma jovem de olhos muito verdes que a encara e é a partir daí que as coisas estranhas começam a acontecer. Onde Katy está, a garota se materializa. Na feira, na escola, na casa de seu namorado e a cada aparição a jovem começa a parecer mais e mais com a própria Katy, usando roupas bem parecidas com as dela -que são exclusivas porque ela mesma as borda - e inclusive conquistando seus amigos e namorado!

Curiosa, Katy passa a querer descobrir quem Geneviere é de verdade porque ela sente que há algo de obscuro por traz da história da jovem órfã. Ao investigar as origens de Geneviere com seu melhor amigo e vizinho, Katy se depara com pessoas que tremem ao simplesmente ouvir o nome da jovem. Quando finalmente decide confrontar Geneviere e perguntar o que ela quer e quem ela é, Katy escuta a horripilante frase: "Eu sou o pior pesadelo da sua vida!"

Com uma trama dessas, me pergunto onde foi que a autora se perdeu. Todo esse mistério, esse arrepio que a gente sente na espinha toda vez que Geneviere aparece vai sendo aos poucos jogado no lixo. Há vários furos na história, várias pistas que não levam a lugar algum e só servem para instigar nossa curiosidade. No fim, nada disso foi levado em consideração e essas pistas eram uma estrada para lugar nenhum! A proposta do livro simplesmente não faz sentido. Era como se alguém escrevesse um livro policial que no fim vira um livro de comédia! Literalmente, me senti enganada!

A nota, que fique bem claro, é porque o livro poderia ter sido muito melhor, muito mais interessante, se a autora não tivesse se perdido completamente nas explicações banais e simplórias esquecendo completamente da intrincada história que ela escreveu até 75% do livro.

Não recomendo para ninguém!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Zumbis e Humanos, quem são os piores em Woodbury? (Renata Lima)


Semana passada, falei sobre "A Queda do Governador - Parte 2" e sobre como a morte do Governador deixou o cargo de líder de Woodbury vago e esse cargo foi preenchido por Lilly, tendo Bob como seu braço direito.

Nossa Avaliação - 7.0
Em "Declínio", dessa vez escrito somente por Jay Bonansinga, sem a parceria com Robert Kirkman, vemos uma Woodbury tentando se reerguer depois dos acontecimentos na prisão. Lilly monta um Conselho com as pessoas em que mais confia e cada uma delas tem seu papel na reconstrução e limpeza da cidade.

Tudo parece tranquilo e promissor, apesar da quantidade de trabalho e dos recursos já escassos, até que novos sobreviventes aparecem, uma horda enorme de zumbis segue em direção à cidade e Bob descobre túneis subterrâneos que ligam Woodbury a vários cantos da cidade.

Todos esses fatores vão se encontrar quando Lilly e os outros decidem buscar o grupo de Reese, um dos sobreviventes que chegou à cidade com notícias de que há humanos encurralados na cidade. Utilizando os túneis encontrados por Bob, alguns estruturalmente abalados, outros sem tanto mapeamento quanto necessário.

Apesar dessa empreitada gerar novas baixas, Woodbury agora tem novos moradores, entre eles o padre Jeremiah, uma figura de liderança para o novo grupo, uma pessoa em quem Lilly pode confiar e uma pessoa a se desconfiar, de acordo co Bob, que agora se afasta dos amigos e passa a praticamente viver nos túneis.

Confesso que não gostei desse livro, principalmente porque a Lilly volta a ser uma mulher inconsequente e um tanto quanto ignorante, no sentido de não antecipar o que está por vir. Ela, como líder de Woodbury, não deveria confiar tanto assim nos recém-chegados. Confiança é algo que se conquista aos poucos e ela está tão desesperada para entregar a liderança a alguém e formar uma nova família, que entrega de bandeja seu posto tão importante. Odiei a Lilly, amei o Bob, como sempre.

Quanto à narrativa, é nítido que esse livro não é escrito da mesma forma que os livros anteriores e acho que isso se deve à ausência de Robert Kirkman. A narrativa perdeu a força, o dinamismo, fica reflexiva demais e tem hora que a alternância entre as tripas e sangue e os fatos que estão acontecendo na cidade ficam desinteressantes.

De todos os livros da série, esse é o mais fraco. Por outro lado, fiquei super curiosa com o que vai acontecer depois do desenrolar cheio de ação do fim do livro. Agora, é esperar pela tradução do próximo: Invasion, que saiu nos EUA nesse mês de outubro.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A Queda de um e a Ascensão de outra. (Renata Lima)


Como eu disse na resenha de "A Queda do Governador - Parte 1", a capa anterior e o próprio título do livro já nos dão uma ideia do que vai acontecer com a figura odiosa de Philip Blake, mais conhecido como o Governador de Woodbury. Se você ainda não leu o livro anterior, não siga adiante, essa resenha contém spoilers do livro anterior.

Nossa Avaliação - 9.0
"A Queda do Governador - Parte 2", mais uma vez escrito em parceria de Robert Kirkman com Jay Bonansinga, obviamente fala do fim do reinado de terror do Governador. O livro começa onde o anterior parou: depois da fuga dos desconhecidos. Com sede de vingança, o Governador coloca toda a cidade contra os desconhecidos, alegando que são perigosos e conhecem a localização de Woodbury, sendo assim, eles precisam desesperadamente encontrar a prisão onde os desconhecidos se abrigam e colocá-la abaixo.

Os moradores de Woodbury, inclusive Lilly, se armam até os dentes e partem para a missão, inadvertidos do que vai acontecer lá na frente, quando o tiro sai pela culatra e um monte de morte desnecessárias precisam acontecer para o povo de Woodbury cair na real de que estão seguindo um ditador louco e sádico.

Se por um lado, o Governador cai, por outro, Lilly ascende como a nova dirigente de Woodbury quando finalmente toma uma atitude que vai mudar todo o destino da cidade, pelo menos por enquanto, e ao lado do Bob, para mim um dos melhores personagens do livro, precisará reconstruir a autoestima daquele povo.

Se por um lado é muito bom ver o Governador cair, por outro fica uma vontade sádica de que a morte dele tivesse sido mais sofrida, afinal de contas o cara matou, roubou, estuprou, torturou... o que acontece com ele é muito pouco!

Quando à edição, não há muitos problemas, só umas coisinhas de revisão que não são muito expressivas. O livro todo é muito bom, muito dinâmico, com ação 90% do tempo, o que o torna um dos melhores livros da série até agora! Infelizmente não posso dizer o mesmo do livro seguinte, "Declínio", mas essa é uma história para semana que vem!


Até lá!


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Memória posta à prova! (Renata Lima)


Para quem não é assíduo no blog, logo esclareço que desde "Garota Exemplar" virei fã incondicional de Gillian Flynn e fui buscar todos os livros dela já publicados no Brasil. Foi complicado achar "Na Própria Carne" e por isso assim que saiu "Lugares Escuros", comprei logo na pré-venda! Mais uma vez, não me arrependi!

Nossa Avaliação - 9.5
Em uma trama inteligente, elaborada e muito interessante, Gillian Flynn nos apresenta à Libby Day, uma mulher de quase 30 anos que há 20 anos teve toda a família massacrada pelo próprio irmão. Ao fugir de casa por uma janela, Libby, de apenas 7 anos, foi a única sobrevivente e através de seu testemunho, seu irmão Ben Day foi julgado culpado e condenado a muitos anos de prisão.

Libby virou uma mulher esquiva e acomodada. Ela passou anos vivendo do dinheiro doado por pessoas que na época se comoveram com a sua história, mas que hoje nem lembram quem ela é ou o que ela passou. Ela também vive da renda de um livro escrito por um ghost writer, mas assinado por ela, livro este que conta a versão da história que ela mesma repetiu tantas vezes que acredita ser a única verdade.

Passando por problemas financeiros, sem dinheiro nem para pagar o aluguel, Libby é contactada por Lyle, um rapaz que a apresenta ao Kill Club, um grupo de pessoas que têm interesse por crimes hediondos e pessoas que ficaram famosas por conta desses crimes. Como Lyle lhe oferece dinheiro para aparecer em uma reunião do clube, Libby aceita e lá descobre que muitos acreditam que seu irmão Ben é inocente e que o que houve na época foi uam verdadeira caça às bruxas porque acreditava-se que Ben fosse satanista.

Inicialmente, Libby fica indignada, mas além da reunião plantar a sementinha da dúvida, ela precisa urgentemente de dinheiro e faz um acordo com os integrantes do Kill Club: ela investigará os furos do processo, encontrará pessoas que têm algo a dizer sobre os assassinatos, revisitará seu passado real e seu passado imaginado. Até que ponto ela pode confiar nas lembranças do seu eu infantil?

Alternando o presente e o passado de alguns personagens (entre eles Libby e Ben), a autora nos leva a uma jornada de redescoberta e relembrança que vai nos surpreender e nos impressionar!

Esse ano, o livro virou um filme interessante que é relativamente fiel ao livro e tem Charlize Theron como Libby Day. Bem legal.



terça-feira, 22 de setembro de 2015

Os Sete Pecados Capitais estão de volta para nos aterrorizar! (Renata Lima)


Sabe quando uma pessoa querida dá uma opinião sobre um livro que faz você deixar todos os outros livros de lado e mergulhar nele? Foi assim com o livro fresquinho do Raphael Montes chamado "O Vilarejo". A Ariane pegou o livro para cumprir o Desafio das Estrelas (que esse mês era ler um livro de um autor que estaria na Bienal do Rio) e adorou. Depois dela, outras pessoas leram e também recomendaram, e como eu já tinha lido, e amado, "Dias Perfeitos", não hesitei e não me arrependi!

Nossa Avaliação - 100
Em curtas 96 páginas que passam voando, Raphael Montes nos conta sete histórias entrelaçadas entre si que se passa em um pequeno vilarejo. As sete histórias são, na verdade, os sete pecados capitais, que foram ligados por um demonologista a sete demônios que tinham como objetivo externar o mal nos seres humanos.

Isolados por uma guerra, as histórias do vilarejo se passam no tempo da guerra ou no passado anterior a ela. Conhecemos os moradores e aos poucos somos apresentados a situações diversas onde a gula, a inveja, a soberba, a luxúria, a preguiça, a ganância e a ira vão tomando conta e minando a humanidade da pessoa "possuída".

O livro, apesar de curto, é muito bem desenvolvido, tem ilustrações incríveis (e coloridas) de Marcelo Damm e uma edição impecável! O jeito que as histórias dialogam entre si também me deixou maravilhada e com vontade de sair correndo para ler "Suicidas", o primeiro livro escrito pelo autor.

O melhor de tudo, na minha humilde opinião, é quando você chega do final do livro e solta um palavrão daqueles que querem dizer "Meu Deus do Céu, que livro ótimo!" e depois também querem dizer "Preciso pesquisar sobre isso!" Quem ler vai entender!

Fernanda Torres indicou o livro dizendo que Raphael Montes não deixa nada a dever a monstros consagrados da literatura de terror, como Stephen King. Eu diria que não é para tanto, mas que logo logo ele chega lá!

Espero que gostem!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Quando um livro não é o que parece. (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 4.0
O livro "A Febre" de Megan Abbott, lançado aqui no Brasil pela Intrínseca, afirma ser baseado em uma história real. O que aconteceu foi que algumas jovens passaram mal e manifestaram sintomas como desmaios e tonturas em Nova York depois de tomarem doses da vacina contra o vírus HPV. Obviamente, a autora pegou esse fato e o dramatizou, tentando desenvolver uma história de suspense e drama.

Na trama, jovens do Ensino Médio da Escola de Dryden passam mal dentro da escola. Algumas têm convulsões, confusão mental, desmaios e quedas. As personagens principais são Deenie, Lise e Gabby. Anteriormente um trio inseparável, as meninas se afastaram um pouco depois da adolescência e escondem segredos umas das outras e quando Lise sofre um surto em sala, todas começam a rememorar fatos ocorridos nos últimos meses, entre eles uma visita ao rio contaminado e algumas iniciações sexuais.

Quando outras meninas começam a manifestar sintomas semelhantes aos de Lise, Deenie, seu pai, o professor de química do colégio, e seu irmão, um jogador popular da escola, começam a especular os motivos dos ataques, oferecendo uma perspectiva mais ampla dos desdobramentos desses ataques - a reação dos pais, da imprensa, dos médicos.

Incitados por uma das mães, que acredita que a vacina contra HPV trouxe malefícios para a filha, os pais ficam apavorados e a comunidade de Dryden fica em polvorosa. Entretanto, algumas meninas parecem saber o que está acontecendo e em meio a muitas revelações e muitos segredos guardados, do meio para o final do livro a história vira um livro de suspense.

Infelizmente, na minha opinião, o livro não vai para lugar nenhum. Com tantos personagens, a autora escolheu dar voz a três personagens de uma mesma família! O pai de Deenie passa o tempo todo remoendo a traição da esposa, o irmão de Deenie passa o tempo todo tentando investigar quem dormiu com a melhor amiga de Deenie para elucidar um boato de que seria ele, e a própria Deenie, que deveria ter tantos segredos para revelar, fica correndo de um lado para o outro entrando e saindo do hospital, entrando e saindo de casa, tentando e não conseguindo encontrar respostas junto às amigas.

E quando você acha que tudo vai ser finalmente esclarecido, não é. Fica uma resposta meio no ar, sem muita explicação. Era a vacina, era a poluição, era uma histeria psicológica, era um esporo alienígena. Realmente, não entendi qual foi a desse livro e confesso que eu só li por causa da capa e da sinopse, que me pareceu bem interessante.

Você já leu?

Deixe aqui um comentário pra gente!

Até mais!

terça-feira, 23 de junho de 2015

A versão feminina de uma dupla dinâmica de Harlan Coben (Renata Lima)


A primeira impressão que tivemos desse livro foi de que seria um livro engraçado, leve e, claro, cheio de suspense, mistério e reviravoltas. Obviamente, Harlan Coben não nos decepciona nesses quesitos e por fim, "Que Falta Você Me Faz", cumpre o que promete, apesar de ir perdendo o fôlego aos poucos e culminar em um final um tanto rápido.

Nossa Avaliação - 9.0
O livro conta a história da policial Kat Donovan que, por causa da amiga maluquete Stacy, ingressa em um site virtual de encontros já que desde que seu noivado com o jornalista Jeff acabou tudo que ela conseguiu foram relacionamentos breves e apenas de cunho sexual. Ao passar os olhos por fotos de futuros possíveis-namorados, Kat se depara com a foto de seu ex-noivo e, depois de muito ponderar e conversar com a amiga, decide enviar uma mensagem para Jeff com uma música que faz parte da história dos dois.

O que Kat não imagina é que Jeff responda à mensagem de uma forma fria e desinteressada e, apesar de chateada com o tratamento, Kat decide deixá-lo em paz, já que o relacionamento teve um fim bem mal explicado que ainda a deixa triste e abalada só de lembrar. Ela parte então para outros encontros - engraçadíssimos, diga-se de passagem - e tenta seguir a vida e elucidar o assassinato de seu pai, também policial.

O assassino confesso de seu pai está morrendo na cadeia e ao visitá-lo pela última vez no intuito de descobrir quem foi o mandante do crime, Kat descobre que a confissão foi falsa. Ela agora precisa começar praticamente do zero, apesar de acreditar piamente que um grande e famoso mafioso está por trás do assassinato e tudo que ela precisa é recolher as provas antigas e identificar algumas digitais que não foram identificadas à época.

Ao mesmo tempo um outro caso aparece: um jovem procura Kat dizendo que sua mãe está desaparecida. O caso não é da jurisdição de Kat, mas ela fica intrigada com a veracidade das informações do jovem e passa a investigar o caso descobrindo que, apesar de não parecer um crime, já que a mãe dele foi viajar com o namorado, há muita coisa estranha a ser explicada.

O livro tem vários personagens secundários e é narrado em terceira pessoa sob o ponto de vista de vários deles, inclusive dos vilões, o que torna a narração interessante, dinâmica e ágil. Temos também menções ao querido Win, personagem dos livros que compõe a série Myron Bolitar, e, em alguns diálogos notamos que Kat e Stacy têm potencial infinito para serem as versões femininas de Myron e Win com suas tiradas engraçadas, suas conversas "nada a ver" e a veia sarcástica que as duas têm diante de tudo. É interessante notar que Stacy já teve um romance com Win, mas isso não é muito explorado no livro.

Se no começo notamos esse potencial de uma dupla dinâmica de saias, ao longo do livro esse potencial vai se perdendo e Stacy mal aparece do meio para o final. O livro adquire um tom mais sério, mais sombrio e mais investigativo, o que não é de todo ruim, mas deixa a desejar porque as partes Kat-Stacy são super engraçadas.

E como em todos os livros do Harlan Coben, quando você acha que já descobriu tudo, aparece alguém que te dá uma rasteira e diz que você é um John Snow e "não sabe de nada". E de repente uma personagem faz a diferença no livro todo e explica tudo em poucas páginas. Harlan Coben sendo Harlan Coben!

No mais, mais um trabalho caprichado da Arqueiro com pouquíssimos erros de revisão que, muitas vezes, passam batido! 

Corre pra ler!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O Mestre do Terror em mais um livro de contos! (Renata Lima)



Nesse mês de abril foi lançado pela Suma de Letras o novo livro de contos de Stephen King chamado "Escuridão Total Sem Estrelas". Como contos são mais rápidos pra ler, eu voltei a deixar para trás os livros anteriores do King que eu ainda não li (sim, sou uma Kingmaníaca de araque) e pegar logo esse e, claro, não me arrependi nem um pouco!

Para quem já está acostumado, os contos do King são contos grandes, acho que os menores estão nos dois volumes de "Pesadelos e Paisagens Noturnas", então não devem se assustar ao saberem que nas 392 páginas têm apenas 4 contos. São eles 1922, O Gigante do Volante, Extensão Justa e Um Bom Casamento.

Nossa Avaliação - 9.0
O primeiro conto, 1922, narra a história de um marido e um filho que, depois de muito discutirem, decidem assassinar a mãe do rapaz por conta de uma briga pela venda das terras dela à uma empresa de grande porte. É um conto angustiante, bem ao estilo Salem's Lot, descritivo, muito bem elaborado, que não deixa furos. Exacerba a ganância da mulher ao mesmo tempo em que também exacerba a pequenez do homem que foi capaz de envolver o próprio filho adolescente em um crime sórdido. Um dos melhores do livro!

No segundo conto, O Gigante do Volante, uma jovem escritora de livros policiais cuja personagem principal já é uma idosa é convidada para ser palestrante em uma cidadezinha do interior. Na volta para casa, Tess é indicada a pegar um desvio e se vê no meio de uma estrada deserta com madeiras cheias de pregos no meio do caminhinho. Com o pneu estourado e sem ter para onde ir, Tess é auxiliada pelo Gigante, mas ele a estupra, tenta matá-la e joga seu corpo aparentemente sem vida em um cano de esgoto junto com outros restos mortais. Viva, Tess precisa lutar para manter sua sanidade e decidir o que fazer quanto ao episódio! Um conto também angustiante que me prendeu do início ao fim, apesar do final ter deixado um pouco a desejar.

O terceiro conto do livro, Extensão Justa, conta a história de Streeter. Abatido por um câncer, Streeter encontra um homem em uma parada na estrada que diz fazer extensões. Com apenas alguns meses de vida, Streeter aceita estender sua vida, alertado de que o peso que o George, o vendedor de extensões, tirará dele precisará ir para outro lugar, o mal precisa ser passado adiante. A pergunta de George é "Há alguém que o senhor odeie, sr. Streeter?" e a resposta de Streeter surpreende: ele odeia o amigo de infância, Tom Goodhugh, que roubou sua namorada, se formou às suas custas, sempre foi mais bonito e bem sucedido que ele e tem uma família linda! Será que o mal de Streeter vai ser passado para Goodhugh? É o menor conto do livro e para mim também foi o mais decepcionante por não ter um final interessante e convincente. Não é de todo ruim, mas tirou uma estrelinha da avaliação total do livro.

O último conto se chama Um Bom Casamento, como o nome já diz, conta a história de um casal em longo casamento de mais de 27 anos. Uma noite, com os filhos já estão crescidos, morando fora de casa, Darcy, a esposa, está sozinha em casa. Seu marido Bob está em mais uma das muitas viagens à trabalho e, ao precisar buscar pilhas na garagem, o recanto masculino de Bob onde ela quase nunca pisa, Darcy descobre um compartimento escondido atrás do rodapé que revela que seu marido não é bem quem ela pensa e que há anos ela vem dividindo a vida com um monstro! Um conto de arrepiar com momentos de susto a la Psicose que mereceu uma adaptação para sair direto em DVD (a versão legendada está disponível pra baixar em alguns sites brasileiros). Claro, a versão não é completamente fiel ao livro e até adicionaram alguns personagens para aumentar o efeito dramático, mas o filme é bom e tem boas interpretações!

No geral o livro é muito bom e recomendo para as pessoas que gostam de suspense e terror, mas atenção, se você não está acostumado com a escrita do King, prepare-se para horas de agonia e desespero! Eu adoro!


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Corrupção, morte e a luta de uma mulher pela verdade! (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 8.5
Em "De volta à Escuridão" de Ana Maria Santos, publicado pela Pandorga no ano passado, Sofia é uma mulher comum, funcionária de uma empresa onde o dono, Luís Caetano, faz a linha "dividir para conquistar". Ao longo dos anos, Luís Caetano criou uma empresa sólida, baseada em fofocas de funcionários sobre colegas de trabalho, o famoso leva-e-traz, não só profissional, mas também pessoal. Ao querer prejudicar alguém, os funcionários mais antigos se reuniam e combinavam as reclamações para que o chefe humilhasse a pessoa ou a demitisse por meio de sessões públicas de bullying e assédio moral.

Ao entrar na empresa, Sofia percebe que existem números que não batem e começa uma investigação. Logo, ela se depara com valores indevidos e descobre que seu antecessor já sabia sobre os documentos e pagamentos fraudados, mas que nada fez por medo. Porém, muito ética e correta em todas as suas ações, Sofia convoca uma reunião com o dono da empresa e um diretor sem saber que essa reunião terá consequências trágicas na vida dela e de seus familiares e amigos.

Sofia é acuada pelos diretores e gerentes corruptos, humilhada pelo dono da empresa e, apesar de contar com sua equipe e seu ex-namorado, fica desesperada para provar que tudo que diz é verdade. Em meio a todo esse furacão, os corruptos mandam sequestrar a irmã de Sofia, mas um dos sequestradores se empolga e, ao tentar estuprar a jovem, acaba por matá-la.

Tendo de voltar às suas raízes, a época em que chama de "escuridão" por ter vivido com um pai ausente, bronco e machista, que dizia que lugar de mulher era em casa cuidando dos filhos e que as filhas não precisavam saber muito mais do que ler e escrever e depois dos 18 anos arrumar bons maridos que fizessem bem o papel de provedores, Sofia acha forças na outra irmã e na mãe, que sempre sonhou com as filhas na faculdade e com um trabalho digno em empresas de renome e não em casa de família sofrendo humilhações e maus tratos como ela mesma.

Para protegê-las, Sofia precisa da ajuda de um policial e de um jornalista renomado que irão apurar a fundo todas as falcatruas da Kárus, dos diretores e do próprio dono da empresa, revelando um esquema de corrupção mais intricado do que se poderia imaginar!

O interessante é que a autora não mergulha só na vida da protagonista, mas também na vida do dono corrupto e de todos os diretores envolvidos no esquema não para justificar suas ações, mas para que nós, leitores, possamos ter uma visão ampla de que nem todos entram na vida do crime por necessidade e que nem a necessidade justifica o dinheiro fácil que eles acham que precisam. Ela debate caráter, criação, ganância e inveja de forma muito eloquente!

O que eu não gostei no livro, e isso é algo muito individual e que já reclamei de outros livros, é o fato da autora ficar antecipando fatos, com frases de efeito como "mal sabia ela que o pior ainda estava por vir", "muitos fatos ainda seriam revelados", "fulano e seus comparsas seriam acuados e expostos como nunca foram", "faltavam dias para a tragédia".

No mais, um trabalho editorial muito interessante da Pandorga com poucos erros trazendo uma autora nacional que escreve como poucas! Recomendo!