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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Um livro que realmente evolui! (Renata Lima)


No primeiro livro da série "A Desconstrução de Mara Dyer", de Michelle Hodkin, conhecemos a jovem Mara Dyer. Aos 17 anos, Mara se recupera de uma tragédia que soterrou sua melhor amiga Rachel, sua colega Claire e seu namorado Jude. Como única sobrevivente e depois de dias em coma, Mara não se lembra do que houve. Para poupá-la seus pais decidem se mudar para a Flórida tentando deixar tudo para trás. A mudança, no entanto, pouco ajuda e Mara desenvolve o que ela acredita ser TEPT, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, manifestado através de alucinações visuais e auditivas e de um "dom" perigoso que ela pode estar desenvolvendo.

Nossa Avaliação - 8.5
Na Flórida, Mara conhece Noah, com quem virá a ter um relacionamento intenso e cheio de revelações que culminam no fim do primeiro livro, quando Mara tem outra revelação chocante e acaba acordando mais uma vez no hospital. 

A única coisa que ela se lembra é de ter visto Jude, o ex-namorado que ela acreditava ter morrido no desabamento do sanatório. Agora, sabendo que pode matar com a força do pensamento e que Noah tem o dom de curar as pessoas, Mara tem que fazer de tudo para não ser internada em uma espécie de casa de repouso/centro de reabilitação juvenil e, ao mesmo tempo, Mara precisa agir junto com Noah para evitar que seus irmãos e seus pais virem alvo de Jude, se é que ele está mesmo de volta, e das pessoas perigosas e inescrupulosas que aparecem em seu caminho.

Não quero revelar muito do livro com medo de soltar spoilers para quem ainda não o leu e para quem ainda pretender ler o primeiro livro da série.

Eu disse que o que eu mais tinha gostado no primeiro livro era que a história era envolvente e que as páginas passavam muito rápido. O ritmo se mantém nesse livro e acho que a autora acrescentou um ingrediente que tornou esse livro melhor do que o primeiro: a dúvida que permeia a sanidade ou a insanidade da personagem principal, o passado de Noah, o que os une e ao mesmo tempo os separa.

A revisão do livro melhorou consideravelmente. Ainda há problemas de grafia, mas graças a Deus não há frases sem sentido! Gosto muito das capas que, com certeza, deixa o leitor tão instigado que dá vontade de emendar um livro no outro. 

Infelizmente o livro três "The Retribuition of Mara Dyer" ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Eu tinha lido que seria em dezembro, mas a editora ainda não confirmou a informação! Vamos aguardar!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A Trilogia Não Pare! ganhará edição impressa pela Editora Valentina (Renata Lima)


Mais um livro lido para o Desafio das Estrelas (Maratona de Livros Nacionais). Seguindo recomendações de algumas meninas do grupo, conheci o livro "Não Pare!" da autora FML Pepper, que só depois fui descobrir que mora aqui no Rio - em Niterói - não que isso faça alguma diferença, mas achei legal saber!

Nossa Avaliação - 9.0
O livro conta a história de Nina, uma jovem que passou a vida toda se sentindo diferente, e não apenas por causa dos seus estranhos olhos reptilianos escondidos por lentes de contato especiais, mas também por conta das inúmeras viagens e mudanças que precisa fazer com a mãe. Qualquer indício de que ela passaria mais tempo em determinado lugar era logo seguido por um fato estranho, um acidente e um comportamento para lá de suspeito de sua mãe, Stela, que acabava em outra mudança de domicílio. 

Sem saber ao certo quem é seu pai e achando o comportamento da mãe cada dia mais errático, neurótico e muito suspeito, Nina se surpreende quando o que ela sempre sonhava finalmente acontece: sua mãe decide que Nova York será o destino permanente da duas e Nina fica feliz em saber que poderá criar raízes!

Agora em uma nova escola, Nina começa a estabelecer relacionamentos de amizade (com Melly) e quem sabe de algo mais, principalmente depois que o irresistível Kevin a salva em seus momentos mais difíceis. Nos últimos meses, Nina desenvolve uma espécie de "doença" cujos sintomas são tremores, calafrios e até mesmo desmaios. E como precisamos de um bad boy para completar o triângulo amoroso, logo em seguida, aparece Richard, um jovem misterioso e cheio de cicatrizes que parece irritar Nina desde o primeiro dia.

O livro basicamente se desenvolve nessa premissa acima, e falar mais é revelar spoilers, então vou dizer que de início eu demorei um pouco para pegar o ritmo e tentar entender onde tudo aquilo iria dar, principalmente porque o livro tem toques de outros livros fantásticos, apesar de NÃO é uma cópia dos mesmos: a história é original, bem escrita, o mundo criado por Pepper é interessante e bem explicado e do meio para o final a ação realmente prende, justificando mais uma vez o título do livro.

Há uma dúvida sobre quem é o mocinho e quem é o bandido, todos são maus, todos são bons, quem é na verdade o pai de Nina, por que a mãe dela vivia fugindo? O que significam todos os eventos de quase-morte, o que acontece quando Nina perde a consciência em seus ataques? Infelizmente nem tudo é respondido nesse livro, mas em uma conversa com a autora, ela afirmou que está amarrando as pontas direitinho!

A versão em e-book do livro é perfeitinha, quase sem erros, com uma capa legal, tudo certinho. A única coisa que me incomodou foi o recurso utilizado para finalizar alguns capítulos, recurso esse que antecipa a surpresa e faz com que o que vai acontecer em seguida não seja mais tão surpreendente assim porque você já se preparou para o baque. "Mal sabia ela que o encontro não aconteceria da forma que ela esperava." e coisas desse tipo não me atraem em uma leitura e acho que com as vendas do direito para publicação impressa (para a linda Editora Valentina) esse recurso deveria ser revisto e cortado.

Eu comprei o primeiro e-book na Amazon por R$2,19 e o segundo livro por R$6,61, ou seja, menos de R$10,00 pelos dois livros e para mim valeu muito a pena! É interessante notar que o primeiro livro é o mais vendido por semanas a fio e os dois já totalizam quase 4.000 livros vendidos, o que para um e-book é um número excelente, mas tenho certeza de que esse número ainda vai aumentar bastante!

Deixo aqui uma novidade: na sexta-feira (dia 25/7) teremos um post especial trazendo a entrevista exclusiva que eu fiz com a Pepper pelo Skype no dia 15. Só posso adiantar duas coisas: a Pepper é muito divertida, simpática e tem um humor nota MIL. Não percam!!!



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Cuidado com o que você deseja (Renata Lima)


Desejos tendem a nunca serem muito específicos, mas e se em determinada hora do dia toda uma comunidade fizesse um pedido individual que de repente fosse atendido e quando eles acordassem no dia seguinte tudo, ou quase tudo (e todos), estivesse diferente? Essa é a premissa de "Um Mundo Perfeito" do autor nacional Leonardo Brum, publicado pela Novo Século, já em sua segunda edição.

Nossa Avaliação - 7.0
O livro começa quando um funcionário da Central Foods, Ismael, vai fazer uma entrega em Pedra-Luz (que, se eu não me engano, também aparece no livro "O Senhor da Chuva" do André Vianco) e ao chegar não encontra ninguém. Todos os moradores parecem ter desaparecido da noite para o dia, sem levar nada, nem roupas, nem documentos. Agora, a cidade fantasma de Pedra-Luz tem um único habitante vivo: um enorme pássaro negro que ataca todos os que ousam colocar os pés na cidade.

Aos poucos o autor nos leva de volta ao tempo para explicar o que aconteceu na cidade, destacando cada um dos moradores que virão a ser importantes para a história no futuro, alternando com capítulos da época atual, onde também há uma luta sendo travada que será fundamental, ou não, para definir o destino dos personagens.

Conhecemos não só os personagens, que são muitos, mas há um certo destaque para a professora Clarice e posteriormente destaco Ismael e Zita, dois personagens que são  esquecidos no final e acabam sem um desfecho satisfatório que explique o papel deles no livro, mas também a História da ilha, de seu ilustre fundador e do tal diamante azul que será tão importante no desenrolar do livro.

Capa da 2a edição
A história é interessante e prende por vários motivos, mas acho que falha em cativar o leitor a torcer pelos personagens. A gente torce mesmo é para o livro acabar e trazer explicação para tudo, o que infelizmente não acontece. Há também um pequeno erro de continuidade quase no final do livro, que diz que a pessoa deixou o diamante em um lugar e depois diz que o diamante está com ela, mas não é esse o maior problema, então pode até passar batido.

Na verdade, meu único problema com o livro foi o final. Eu fiquei esperando que algo mais fosse complementado, senti que algumas pontas ficaram soltas, sem muita explicação, principalmente sobre as experiências da personagem principal. (Não posso falar mais para não dar spoiler!).

Para quem gosta de suspense, o livro é bom, mas não é excelente. Por fim cabe uma reflexão da melhor frase do livro, na minha opinião.
"Não existe o mundo perfeito, porque ninguém é e nem pode almejar ser perfeito. Todo mundo é igual porque todo mundo tem defeitos e qualidades, e agora o que eu mais queria era voltar a ser como antes." p. 198

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Interessante e reflexivo (Renata Lima)

Imagine dormir em um corpo e acordar no corpo de uma pessoa diferente todo dia. Imagine apenas ser, sem sexo definido, sem aparência definida, simplesmente ser você, ter a sua personalidade, mas dentro de outra pessoa, suas memórias acessando as dela, seus gostos e habilidades se mesclando, sua vida dentro de outra vida, você sendo você, mas ao mesmo tempo sendo outro. Essa é a premissa de "Todo Dia" de David Levithan, publicado aqui no Brasil pelo selo Galera Record.

Nossa Avaliação - 8.5
Não sabemos que tipo de vida A é, humano, alien, um experimento genético, invasor, parasita? A apenas é, existe, vive e ponto final. E a vida de A é uma série de outras vidas que vem de brinde com os corpos que ele ocupa há  tanto  tempo. 

O único fato sobre a vida de A é que desde que ele nasceu ele ocupa outros corpos, que têm a mesma idade dele, e nunca passa mais de um dia no mesmo corpo. Por esse motivo, A não tem sexo, altura, peso definidos. Um dia A está apaixonado por um rapaz, outro dia por uma moça, um dia ele está no corpo de um drogado, no outro de um gênio, no outro de uma cheerleader. E é assim que ele vive, dia após dia, corpo após corpo, tentando ao máximo passar despercebido, manter uma distância das atitudes de seus hospedeiros, evitando assim interferir em seus destinos, mas isso muda quando A conhece Rhiannon.

Acordando um dia no corpo de Justin, namorado de Rhiannon, se apaixona perdidamente. Normalmente ausente, desligado e não muito romântico, Justin ignora as necessidades da namorada, mas A decide que fará Rhiannon feliz por um dia e faz com que Justin seja um namorado exemplar. Mas o dia passa rápido e A acorda no dia seguinte no corpo de outra pessoa ainda pensando em Rhiannon. Ele precisa vê-la, saber se ela está bem, como Justin a está tratando e A passa a não ser mais um expectador passivo das vidas e dos corpos aos quais ocupa.

Mas essa decisão de A traz consequências e A passa a ser "perseguido" por um dos jovens cujo corpo ocupou para ir a uma festa onde sabia que Rhiannon estaria. Através de um e-mail criado para si, A passa a trocar mensagens com o rapaz "possuído" e isso pode não acabar muito bem já que o rapaz, além de não estar sozinho, começa a fazer um alarde midiático e A precisa fazer de tudo para minimizar os danos sem deixar de visitar Rhiannon, mesmo que sempre ocupando um corpo diferente.

Nunca tinha lido nada do David Levithan e agora tenho a sensação de que preciso ler todos os livros dele, inclusive "Will & Will", em parceria com John Green. Muitas pessoas reclamaram do final, ou da falta de final, do livro, mas eu sou dessas que prefiro um final em aberto, apesar de concordar que havia algo mais a ser desenvolvido ali.

Por fim, o livro leva nota 8.5 não pelo que poderia ter sido, mas pelo que é: uma bela forma de questionamento de valores tão atuais. Afinal qual é a essência do ser-humano? Como o gênero, a orientação sexual, a aparência física, a classe social influenciam as nossas vidas? É possível se apaixonar pela essência de uma pessoa sem olhar todas essas outras coisas?

Vale muito a pena ler!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Memória fragmentada (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 8.0
No livro de estreia de Michelle Hodkin, Mara Dyer é uma jovem de 17 anos que tem a vida abalada por uma tragédia. Sua melhor amiga Rachel, sua colega Claire e seu namorado recente Jude morreram soterrados no desabamento de um sanatório abandonado, ela foi a única sobrevivente.

Depois de dias em coma, Mara acorda sem se lembrar do que aconteceu, ela não sabe explicar o que ela e os outros três estavam fazendo no sanatório abandonado de madrugada e, atormentada pela perda da melhor amiga e assustada com o lapso de memória, Mara se muda para a Flórida com os pais e os irmãos, um mais velho - Daniel - e um mais novo - Joseph. Mas a mudança de ares não ajuda muito e Mara desenvolve o que ela acredita ser TEPT, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, manifestado através de alucinações visuais e auditivas. Ela também tem a sensação de estar sendo observada e seguida o tempo todo. Para piorar a sua situação, o garoto mais popular do colégio, Noah Shaw passa a ser muito simpático com Mara e por esse motivo ela passa a ser alvo da antipatia de Anna e seu fiel guarda-costas Aiden.

O que eu gostei nesse livro é que a história te envolve. Eu li as 348 páginas em três dias e fui ficando curiosa e cada vez mais querendo descobrir qual seria o final, o que tinha acontecido no sanatório, porque somente ela tinha sobrevivido, o que a cena inicial (com um tabuleiro ouija) queria dizer e por que os "fantasmas" dos amigos ficavam aparecendo para ela? Estaria Mara ficando louca ou havia alguma coisa de sobrenatural nela?

É claro que não há explicação para tudo nesse livro porque é uma trilogia, mas o que foi revelado já dá para o leitor uma parte do quebra-cabeça. Eu até acho que eu entendi algumas coisas que ainda nem foram reveladas, mas só lendo o segundo e o terceiro livro para ter certeza.

Não é um livro ótimo no sentido da palavra, mas é um livro muito bom frente aos outros young adults que tenho lido, e traz esse universo sobrenatural sem falar de anjos, nem de vampiros, nem de lobisomens, o que por si só já é um mérito da autora. Ah, e eu gosto DEMAIS das capas (veja todas as capas abaixo), talvez só a segunda poderia ser um pouco melhor.

Lançado no Brasil pela Galera Record, o livro tem um erros bobos e até duas ou três frases que não fazem o menor sentido e passaram batidas pelo copidesque e pela revisão, mas isso, apesar de chato, não prejudica a história nem a fluidez da leitura como um todo.

Assim que a editora anunciar o lançamento do segundo livro "The Evolution of Mara Dyer" ("A Evolução de Mara Dyer" em tradução livre), eu volto para falar dele. 


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Um inferno mesmo (Aline Basilio)

Nossa avaliação - 5.0


Ganhei o livro “Formaturas Infernais” de presente de aniversário da minha amiga Renata. E, vamos ver do que se trata... O livro é composto por cinco contos de diferentes autoras e todas as histórias relatam algum fato envolvendo formaturas.

“A filha da exterminadora” é o primeiro conto do livro. Escrito por Meg Cabot, nos relata a história de Mary e Lila, melhores amigas. Porém, Lila muda sua atitude quando encontra Sebatian Drake, um vampiro, por quem ela substitui o namorado Ted. Mary conhece Drake e sabe que precisa exterminá-lo, e isso será durante a formatura.

Segundo conto, da autora Lauren Myracle, permeia “A primavera dos apaixonados”, a formatura escolar em que Frankie deseja que Will a convide. O casal decide visitar uma vidente e encontram um objeto interessante: um buquê (que dá título ao conto). Esse objeto permite realizar três desejos. Quais serão os desejos de Frankie?

O terceiro conto chama-se “Madison Avery e a morte” de Kim Harrison. Nesse conto, Madison vai à formatura acompanhada de Josh, porém durante a noite encontra Seth e decide abandonar Josh, seu par bonzinho para embarcar numa carona com um cara que ela nunca viu, ou melhor, uma carona para a morte. Só em livro mesmo...

“Salada Mista” é o quarto conto escrito por Michele Jaffe. Miranda trabalha como motorista, mas também possui poderes sobrenaturais e de premonição. E, em algumas ocasiões, decide intervir e modificar o final da história. Porém, sua missão é levar Sibby até o local combinado. Mas, como sempre, acha que há algo errado e decide descobrir.

O quinto e último conto, escrito por Stephenie Meyer é “Inferno na terra”. Narra a história de uma menina que tenta destruir a felicidade dos outros alunos durante o baile de formatura, porém é impedida pelas outras pessoas.

Confesso que embora a leitura seja rápida, demorei um pouco para ler, pois as histórias não me envolveram e fiquei desestimulada. Achei muito chato e só não abandonei por pouco. Muito cansativo, exaustivo, me decepcionei L.


Não indico a leitura nem para meu pior inimigo.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Contos entediantes da Rainha do Crime (Renata Lima)


Quando a Aline sugeriu que a gente fizesse uma coluna chamada Autor do Mês, onde cada uma de nós teria que ler e resenhar um livro do mesmo autor sorteado, eu pensei logo que poderíamos ler livros de autores consagrados que não tínhamos tido tanto contato. Imediatamente sugeri Agatha Christie porque tinha lido e gostado de "O Caso dos Dez Negrinhos". 

Nossa Avaliação - 4.0
A Aline leu "Assassinato no Beco" e a Carla leu "Morte na Mesopotâmia", ambos do detetive Hercule Poroit. 

Para não ler nada nessa linha investigativa, eu escolhi um livro de contos chamado "O Cão da Morte", achando que fosse gostar mais do que ler uma história dos personagens mais famosos da autora. Mas infelizmente não foi assim!

Conhecida como A Rainha do Crime, nesse livro Agatha Christie se aventura pelo tema sobrenatural e, na minha opinião, acaba errando feio. 

O conto que dá o título ao livro, por exemplo, é um dos contos mais chatos e sem sentido do universo. Fico imaginando um conto sobre a imagem de um cão que aparece em incêndios nas mãos de Stephen King, aí sim, sairia uma obra prima, mas nas mãos de Agatha Christie o que se lê é um blablabla que acaba rispidamente, sem fazer muito sentido e sem ao menos assustar.

Um dos únicos contos sem o toque sobrenatural é o "Testemunha de acusação" sobre um jovem acusado de matar uma idosa por dinheiro. A amante dele, que seria seu álibi, se volta contra ele no tribunal e o advogado de defesa precisa se desdobrar para provar a inocência do rapaz. O conto foi adaptado em 1957 com Marlene Dietrich e Charles Laughton, como vocês podem ver ao lado. Esse conto e o conto do gato são os melhores do livro.

O fato do conto do gato ter mexido comigo não é um mérito de Agatha Christie, mas de Edgar Allan Poe, que me deixou meio com o pé atrás com os gatos pretos (só os literários, gente, nada contra gatos pretos em geral, eu amo qualquer animal), desde que li o conto dele com o mesmo título.

Eu poderia discorrer sobre cada conto, mas acho que não vale muito a pena porque todos são muito fracos e surpreendentemente superficiais. Não digo que não vou ler mais nada de Agatha Christie, porque sei que ela tem muitos livros interessantes, mas com certeza não me aventurarei novamente nos livros de contos dela se a temática for a mesma. Outros autores fazem isso com maestria, como Conan Doyle, Allan Poe, Stephen King e Joe Hill, entre outros!

Sobre o Autor do Mês:

Agatha Christie (1890-1976) foi uma romancista policial britânica, autora de mais de oitenta livros. Seus livros são os mais traduzidos de todo o planeta, encontrados em mais de 100 idiomas. Venderam mais de quatro bilhões no total, superados apenas pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare. Conhecida como "Duquesa da Morte", "Rainha do Crime", dentre outros títulos, criou os famosos personagens Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence Beresford e Parker Pyne, entre outros. Ela é a autora de oitenta romances policiais e contos, dezenove peças e seis romances escritos sob o pseudônimo Mary Westmacott.
                                                                                                                    Fonte: Wikipedia

segunda-feira, 11 de março de 2013

Adolescência com Meg Cabot (Aline Basilio)



Meu encontro com esse livro se deu por conta de minha mãe. Ela o comprou na promoção Vira-vira da Saraiva. Trata-se dos dois primeiros livros da série A Mediadora, da autora Meg Cabot, chamados respectivamente "A Terra das Sombras" e "O Arcano Nove".

Nossa Avaliação - 7.5
No primeiro livro da série, "A Terra das Sombras", Suzannah é uma adolescente de 16 anos, porém não é igual a todas as adolescentes que conhecemos. Ela vê gente morta desde os 2 anos de idade!

A história começa assim... Após o casamento de sua mãe, Suzannah tem que se mudar para a Califórnia e conviver com sua mãe, seu novo marido e os três filhos do seu padrasto. Passa a morar numa casa linda, porém construída há mais de 100 anos.

Ao entrar em seu quarto, Suzannah descobre que há um “morto” nele. Mas, para não assustar ninguém, ela finge não vê-lo. Então, passa a conviver com esse “morto”, chamado Jesse. Mas esse não era seu maior problema...

Além da mudança de cidade, Suzannah muda de escola, é matriculada na escola católica onde os novos irmãos estudam. Porém, ela tem uma bela surpresa: encontra o Padre Dominic, outro mediador, pessoas que falam com os mortos. (Isso mesmo, ela conversa com eles e tenta resolver seus problemas enviando o “morto” para o pós-vida).

É na escola que ela encontra Heather, uma adolescente que se suicidou após o término do namoro e que estudava na mesma escola. Padre Dominic tem tentado resolver o problema sem muito sucesso. Suzannah também não consegue convencer Heather de que ela está morta e que deve “partir”. E as tentativas de se livrar da ex-namorada do seu futuro pretendente é o que move a história.

Por se tratar de um livro mais voltado para os jovens, não me atraiu muito. Mas a vida tem dessas coisas, rs. E como não poderia deixar de ser, em breve, resenhas dos outros livros da série no blog.


quinta-feira, 7 de março de 2013

Conheça A Floresta de Mãos e Dentes (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 7.0

Mary é uma jovem que vive num mundo pós-apocalíptico. Presos em uma vila protegida pelos Guardiões e comandada pela Irmandade, os moradores só podem confiar na durabilidade das cercas de metal. Os Esconjurados estão lá fora, do outro lado das cercas, espalhados pela Floresta de Mãos e Dentes, ou pelo menos é isso que todos dizem. 

O problema é que Mary sabe que isso não é verdade, ela desconfia de tudo que é dito pela Irmandade porque sua mãe lhe falava sobre o Oceano, extensões de um azul magnífico, e de uma vida livre. Mas quando a mãe, levada pela tristeza e pela loucura de encontrar o pai de Mary, há muito tempo Esconjurado, é mordida através da cerca e se transforma numa Esconjurada, Mary é renegada pelo irmão, um Guardião, e o rapaz que há pouco a havia pedido em noivado não vai buscá-la, deixando Mary à mercê da Irmandade e jogada no convento.

É dentro do convento que Mary descobre segredos e acaba cuidando do grande amor da sua vida, o irmão de seu quase-noivo Harry, chamado Travis, que está comprometido com sua melhor amiga Cass. A única chance de Mary sair do convento é aceitando o casamento de Travis e Cass e casando-se com Harry.

Disposta a tudo para poder sair dali, Mary aceita o casamento e no dia em que seria o dia mais triste de sua vida, a cerca é violada e a vila é uma carnificina só. Mas Mary pode ter descoberto a saída, ela pode guiar os sobreviventes em busca de um lugar melhor, mas para isso os sobreviventes têm que deixar a vila e entrar na Floresta de Mãos e Dentes.

O livro é bem narrado e a história realmente prende por não focar muito no óbvio (que é o romance entre Travis e Mary) e sim no todo (como sobreviver num mundo devastado quando se tem tão pouco conhecimento sobre ele? No que acreditar? Em quem acreditar? A quem seguir?). Basicamente, mas não tão genialmente, como Jogos Vorazes.

O livro tem um final um tanto aberto, então eu fui procurar no Skoob para ver se tinha continuação e achei os dois livros ao lado. O que achei estranho foi o fato das sinopses não mencionarem nenhum dos sobreviventes ou supostos sobreviventes da vila de Mary, o que deixa uma pergunta inquietante no ar: será que realmente essa série terá um fim ou é tipo "Malhação", que mudam os personagens, mas continua eternamente?

Já estou na busca dos dois livros para responder a essa pergunta e quando souber, posto por aqui!

É o primeiro livro da Editora Underworld que eu leio e no geral o livro é BBB - bom, bonito e bem-acabado, apesar de algumas escorregadelas na revisão. Fora isso, em termos editoriais, é perfeito.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

"Luminoso", segundo livro da série Riley Bloom (Renata Lima)


Para quem não conhece Alyson Nöel, vale a pena dar uma olha no post de "Para Sempre", o livro dos imortais que não são vampiros, porque esse livro é o que inicia toda a saga de Ever e apresenta a personagem Riley Bloom. Riley é a fantasminha irmã de Ever que depois tem sua própria história chamada "Série Riley Bloom", cujo primeiro livro, "Radiante", nós já resenhamos aqui.

Nossa Avaliação - 7.5
Se no primeiro livro da série, Riley nos apresenta a sua versão de céu no Aqui & Agora, no segundo volume da série, chamado "Luminoso", Riley está aproveitando as férias depois de executar bem o seu serviço do livro anterior e conseguir seu brilho como Apanhadora de Almas.

Riley, Bodhi (seu orientador) e Buttercup (o labrador fofo) deveriam estar descansando, mas eles encontram um Cão Espectral e Riley, em sua eterna teimosia, mesmo advertida várias vezes por Bodhi, decide descobrir o que o  cão está guardando. Ela chega então em um cemitério antigo onde encontra uma alma perdida.

Mas essa alma não é uma alma comum. Ela é uma alma cheia de raiva e rancor e ela pode fazer com que as pessoas voltem a momentos de humilhação, de tristeza e até mesmo de desgraça em suas vidas. Seu objetivo é capturar almas para seu mundo de dor e sofrimento. 

Riley consegue se desvencilhar daquele mundo, mas o mesmo não acontece com Bodhi e Buttercup, que são sugados para a cúpula da alma perdida. Riley agora precisa unir forças com um novo personagem, o Príncipe Kanta, que sabe tudo sobre aquela alma e está disposto a ajudar Riley a resgatar seus amigos e as outras almas presas em um ciclo vicioso de maldade e rancor.

Apesar de Riley continuar com algumas atitudes infantis, confesso que achei a menina menos chata e aos poucos parece que ela finalmente está evoluindo e amadurecendo. A preocupação dela com Bodhi e Buttercup é genuína e o jeito com o qual ela consegue, quase que por instinto, resolver os problemas das almas mostra que ela realmente é uma Apanhadora.

Desta vez o livro não foi prejudicado pela revisão e quase não notei erros! Ponto pra Intrínseca! Já peguei o livro "Terra dos Sonhos" e "Murmúrio", respectivamente o terceiro e quarto livros da série para ler!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Especial de Halloween: Autores que nos fazem tremer de medo (Renata Lima)


Hoje, dia 31/10, Halloween nos EUA e Dia do Saci no Brasil, venho com um especial de autores que nos fazem tremer de medo. Para mim, Stephen King ganha em disparado, como vocês já podem ter notado no post de "Dança da Morte", no primeiro post de contos e no segundo post de contos. Mas nos últimos anos percebeu-se um boom na literatura sobrenatural. Fantasmas, vampiros, zumbis, lobisomens, anjos e demônios invadiram as editoras e as livrarias, trazendo muita novidade e ao mesmo tempo muito mais do mesmo.

Vampiros que brilham e zumbis que amam à parte, a literatura de terror e suspense está em alta, e hoje eu trouxe para vocês 5 autores que merecem destaque e que nos dão calafrios.

Chelsea Cain começou a escrever a série da assassina Gretchen Lowell em 2004, mas o livro só foi publicado em 2007 causando um dos maiores frenesis literários em livros do gênero. A personagem é amada e odiada e a série já conta com 5 livros. (Resenha dos três primeiros aqui.)

Dean R. Koontz começou a escrever ficção científica em 1968, mas seu primeiro livro na linha de suspense/terror foi publicado nos anos 70. Contemporâneo de Stephen King (Koontz nasceu em 1945 e King em 1947), Koontz já tem - PASMEM - mais de 100 livros publicados.  Somente hoje eu percebi que nunca resenhei nada do autor para o blog, mas vou remediar isso o mais rápido possível. Dos livros do Koontz, recomendo "Velocidade", "Odd Thomas" (uma série), "Intrusos", "A Casa do Mal" e "Os caminhos escuros do coração".

Thomas Harris pode parecer um nome desconhecido, mas é só falar em Hannibal Lecter, o canibal do filme "O Silêncio dos Inocentes" que você vai identificá-lo. Também contemporâneo de Stephen King e Dean Koontz, nasceu em 1940, Harris publicou seu primeiro livro em 1975. O sucesso veio mesmo com "Dragão Vermelho", em 1981, e continuou com "O Silêncio dos Inocentes", "Hannibal" e "Hannibal, a Origem do Mal". Ainda vou ler o último, então aguardem um especial Thomas Harris!

H. P. Lovecraft nasceu em 1890 e começou a escrever terror/sobrenatural a partir de 1917. Seus livros são, como diria nosso amigo Flávio Silva, muito loucos, mas sem dúvida assustadores. "O Horror em Red Rock" e "Nas Montanhas da Loucura" me deixaram sem dormir! Vou reler pra fazer as resenhas!'

Anne Rice nasceu em 1941 e deu a luz ao maravilhoso vampiro Lestar em 1976. Carlinha e eu faremos um especial dos 10 livros das crônicas vampirescas e dos livros off-crônicas também! Sem dúvida nenhuma, os livros das crônicas vampirescas têm de tudo: suspense, terror, comédia, aventura e acima de tudo muita sensualidade. Para mim, os melhores vampiros já criados na Literatura mundial pertencem a Sra. Rice. Lestat, Armand, Louis, Marius, Pandora, Akasha são inesquecíveis! É claro que para começar, é necessário começar pelo princípio, então, leiam "Entrevista com o Vampiro", que tem uma tradução bem estranha da Clarice Lispector, mas... se vocês passarem por ele, vão AMAR os próximos.

Espero que tenham gostado das dicas!

Bom Halloween/Dia do Saci!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Um conto de fadas atual em "A Fera" (Renata Lima)


Você lembra do conto de fadas, da série de TV ou do desenho da Disney chamado "A Bela e a Fera"? Ou já ouviu esses lindos ditados que a beleza interior é o que importa, ou de que vale um exterior lindo se por dentro a alma é podre e doente? Esse é o tema principal do livro "A Fera"! Há quem diga que o livro é um conto de fadas bem atual que muito bem poderia começar como a minha resenha abaixo!

Nossa Avaliação - 8,5
Era uma vez um rapaz rico e popular chamado Kyle Kingsbury. Kyle é um rapaz prepotente, arrogante e irônico assim como todos os seus amigos e sua pseudo-namorada. O pai de Kyle é um famoso jornalista que ensinou ao filho o mantra de que "quem é bonito alcança tudo na vida", mas a relação pai-filho nunca foi boa. Kyle e o pai quase não se comunicam e o pai está sempre sem tempo para dar atenção ao filho. E é assim Kyle vive a vida: pisando nos outros, fazendo valer a sua vontade, achando que o mundo gira ao ser redor porque ele é bonito, charmoso, gostoso e atlético.

Um belo dia antes do baile em que Kyle é indicado a rei, um título que ele tem certeza absoluta de que vai ganhar, Kyle encontra Kendra: uma estudante gordinha e exótica que acha essa história de baile, rei, rainha uma verdadeira babaquice e que quem concorre a esses cargos são pessoas burras e superficiais. O problema é que Kendra se coloca publicamente contra a campanha de Kyle.

Planejando vingança, Kyle finge ser uma pessoa boa e interessante e convida Kendra para o baile que na verdade pretende ir com Sloane. No dia do baile, Magda - a governanta da casa de Kyle a quem ele trata abusivamente mal - compra uma rosa branca em vez da orquídea que Sloane queria e, depois de Sloane rejeitar a flor, Kyle encontra Lindy, que adora a rosa. Kyle dá a rosa a ela.

Quando Kendra chega ao baile, Kyle a humilha na frente de todos, mas Kendra parece estranhamente contida, como se já soubesse que tudo aquilo iria acontecer e o baile transcorre sem problemas, apesar de Kyle se sentir estranho e um tanto alterado. Ao chegar em casa, Kyle encontra Kendra, que revela-se uma bruxa e amaldiçoa Kyle: ele admirar o interior das pessoas e para isso precisa perder o que mais estima - sua beleza física - e transformar-se na fera horrorosa que existe dentro de si. Ela dá o prazo de dois anos para que Kyle encontre o amor verdadeiro.

E é assim que gradualmente Kyle vai se transformando em uma pessoa de verdade. Apesar de se isolar e viver basicamente na escuridão, Kyle descobre o que é a amizade, o  carinho de uma família - mesmo que não seja a família dele - e, ao cuidar de Lindy, o verdadeiro amor. 

Não vou contar mais porque essa é realmente a parte mais interessante do livro!

O livro em si é bem escrito e a história é envolvente. Minha única reclamação é que a capa do livro seria bem mais bonita se não fosse a fotinho do filme, que já está passando no Telecine. 

Como o livro é um young adult (jovem adulto), o filme é bem "Sessão da Tarde" e a transformação do Kyle é um tanto rápida, mas vale a pena assistir. 

No elenco tem Mary-Kate Olsen (uma das gêmeas Olsen da antiga série "Três é Demais"), Neil Patrick Harris, Vanessa Hudgens (de High School Musical), Peter Krause e o fofo Alex Pettyfer (que faz o protagonista dos livros de Pittacus Lore no filme "Eu sou o Número Quatro").

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Anjos X Demônios de André Vianco (Carla Cristina Ferreira)


Chegou a hora de mais um post sobre André Vianco. \o/

Já falamos aqui dos vampiros do Rio D’ouro no post sobre “Os Sete” e “Sétimo” e também sobre os romances sobrenaturais do autor. Agora é a vez de falarmos sobre um tema bastante frequente nos livros hoje em dia: anjos! Para quem não sabe, Vianco foi um dos primeiros autores a abordar o tema, bem antes de esse boom surgir, com o livro “O Senhor da Chuva”, publicado pela editora Novo Século em 2001.

Nossa avaliação 8.5
O livro aborda a luta entre anjos e demônios no plano astral e mostra como estes não podem interferir diretamente no nosso plano físico, estando limitados apenas a nos guardar e aconselhar da melhor maneira possível. Este aconselhamento ocorre em forma de estímulos, ou melhor, sensações, de perigo e alerta, por exemplo, influenciando assim nossos pensamentos.


Neste livro Vianco foca nos irmãos Samuel e Gregório; o primeiro é um modesto fazendeiro na cidadezinha de Belo Verde, enquanto o segundo, cheio de ambições, vive na grande São Paulo em meio a ladrões e traficantes de drogas. A vida desses irmãos muda completamente quando Gregório, preste a morrer, tem o corpo possuído pelo anjo Thal, que no plano astral também está à beira da morte.

Gregório, imbuído da bondade do anjo que carrega consigo sem saber, resolve deixar a sua vida bandida de lado e voltar para junto da família. O que ele não sabe, é quando Thal “foge” para não ser destruído pelos cães do inferno, ele na verdade quebra uma regra sagrada, permitindo que seus oponentes convoquem uma Batalha Negra depois de anos de relativa “paz”.

Apesar de não ser fã de livros de anjos, esse não tem para ninguém; talvez por se tratar de um livro onde os anjos não se relacionam carnal ou emocionalmente com os humanos, centrando-se apenas da luta entre o bem X mal e nas suas consequências, como o que acontece com cada anjo derrotado, por exemplo. Também é interessante como os papéis do bem e do mal mudam, principalmente com respeito a Samuel.

O mais bacana de livro? A grande sacada de autor? Uma nova teoria para o surgimento dos temidos (e adorados) vampiros; além de convincente. Na minha opinião, o melhor livro do autor, além de ser o primeiríssimo escrito por ele.

Gostou? Então, boa leitura!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Riley Bloom e a nova saga de Alyson Noël (Renata Lima)


Se a saga "Os Imortais" é uma saga young adult (jovem adulto), a saga Riley Bloom é infanto-juvenil. Riley Bloom é a irmã de Ever (de "Os Imortais") e tem 12 anos. Ela morreu no acidente de carro juntamente com os pais e o cão labrador Buttercup, somente Ever sobreviveu. E em "Radiante", o primeiro livro da série Riley Bloom, a irmã de Ever conta a sua pós-morte em uma espécie de céu chamado Aqui e no tempo chamado Agora. 
Nossa avaliação - 6,5
Aliás, nesse ponto, preciso falar que nunca vi um céu mais confuso e chato. Ninguém orienta ninguém, você anda a esmo e depois tem que ir para uma escola onde sua vida é analisada em um telão. Dependendo dos seus feitos, ou da falta deles, você é designado para uma posição. Pode continuar trabalhando no Aqui & Agora ou pode ir para Lá (que no caso seria a Terra). 

Riley é designada como Apanhadora de Almas e tem Bodhi como orientador. O problema é que ela acha Bodhi nojento, sujo e ensebado. Ele é um nerd que usa óculos estranhos e que tem uma aparência repulsiva, o que para ela é inaceitável, já que no Aqui você pode materializar o que quiser e se curar de todas as doenças e sujeiras físicas. Mas Bodhi permanece assim enquanto acompanha Riley em sua primeira missão na Terra: colher a alma do Garoto Radiante, que assombra um castelo na Inglaterra.

O livro pode ser considerado "bonitinho", mas Riley Bloom ficou bem mais chata do que no livro "Para Sempre", que iniciou a saga "Os Imortais". Em "Radiante" ela está extremamente reclamona, implicante, insolente e , se possível, muito infantil (tudo bem, ela tem 12 anos, morreu na fase da chatice). As gargalhadas que ela dava sozinha me dava vontade de entrar no livro e estapeá-la.

O livro também é um pouco prejudicado pela revisão; ele tem tão poucas páginas e uma linguagem tão atual não pode representar um desafio tão grande assim. Há várias palavras com letras faltando e frases como a da página 89: "Além de Buttercup e mim, não havia no quarto nenhuma entidade ligada à Terra." E depois um parágrafo inteiro cheio de vírgulas que não faz o menor sentido na página 92, fui cansando.

Recomendo para quem precisa de uma leitura leve ou para quem, como eu, estava lendo tanta coisa junta que precisava me focar em uma história só e acabá-la para que pudesse retomar as outras. O livro é fofinho para quem se interessar, já está na nossa lojinha a R$15,00. O segundo volume da série se chama "Luminoso" e já foi lançado no Brasil.


quarta-feira, 25 de julho de 2012

"Sussurro", pontapé inicial da série Hush Hush (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 8,0
Nora Grey é uma menina normal, levando uma vida normal quando conhece Patch, um jovem e misterioso aluno novo da escola. Em uma aula de biologia, o professor resolve rearrumar as duplas de estudo com a ideia de que ciência é investigação e quando você sabe tudo sobre seu colega não há muito o que investigar. É assim que Nora começa sua "amizade" com Patch.

Se você acha que já viu isso em algum lugar, não é mentira. Essa é mais ou menos a premissa de "Crepúsculo", quando Bela chega a Forks e conhece o belo, irresistível, misterioso e estranho Edward. Mas não abandone o livro no início porque a leitura vale a pena.

Descobrimos ainda no começo do livro a existência de anjos caídos que se relacionam com seres humanos gerando assim os nefilins, seres híbridos, metade humano, metade anjo. Descobrimos também que há milhares deles vivendo entre nós.

Mas Nora não sabe de nada disso e, como narradora, vai nos guiando pela história cheia de mistério, aventura, romance e muita manipulação. Aos poucos a vida de Nora se desenrola diante de nossos olhos e passamos a torcer para que o romance dessa menina, que está em uma fase pós-trauma depois que o pai foi assassinado a tiros nas ruas de Portland, e Patch, esse jovem bravo e rebelde, dê certo.

A trama vai crescendo e novos personagens vão aparecendo para nos confundir ainda mais. Mas nem tanto assim, já que praticamente no meio do livro eu já havia descoberto o "grande segredo" revelado apenas nas últimas páginas, mas tudo bem.

Becca Fitzpatrick tem talento, disso não há dúvidas. A história é consistente e não parece forçada. Depois do boom dos vampiros, houve o boom dos anjos e esse é o primeiro livro de anjos que leio depois do boom (antes só li mesmo "O Senhor da Chuva", o livro maravilhoso do André Vianco). Vamos ver se a narrativa da série Hush Hush se sustenta nos próximos livros.

A capa é realmente linda. Tem uma textura gostosa, realmente interessante. Apesar de alguns erros terem passado batido pela revisão (tem "mas" no lugar de "mais" e vice-versa, alguns parágrafos confusos e uma pontuação às vezes duvidosa) não há nada muito grave. Minha maior reclamação é o tamanho da fonte que a editora escolheu. Ler à noite era uma missão quase impossível, ler no ônibus então era desesperador. Aquelas letrinhas miúdas dançavam e eu me perdia o tempo todo. Vamos dar uma ajuda ao leitor, né, Intrínseca?

A série Hush Hush conta com 4 livros: "Sussurro", "Crescendo", "Silêncio" e "Finale". Clique nos nomes para saber mais sobre os livros. "Finale" ainda não foi publicado no Brasil.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Um livro realmente apocalíptico (Carla Cristina Ferreira)



Em 2010, a Verus Editora (adquirida pelo Grupo Editorial Record no mesmo ano) lançou o livro “A Batalha do Apocalipse: Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo” do carioca Eduardo Spohr. Isso mesmo, um livro nacional com 586 páginas, que divido em três partes narra, como o título diz, desde início dos tempos ao fim de tudo, pela perspectiva dos anjos.

Nossa Avaliação - 5.0
Um tijolo deste, de capa dura, tinha tudo para ser um ótimo livro, mas, apesar do sucesso que obteve com as vendas e divulgação (inclusive uma entrevista do autor no Programa do Jô) o livro não me agradou. É claro, que tudo é uma questão de gosto (o Flavio adorou), mas eu esperava mais e o livro acabou sendo uma grande decepção.

Ele começa bem, tem uma premissa interessante, mas que ao longo da trama vai desgastando o leitor com os vários personagens - todos anjos com nomes muito parecidos - e com as explicações da hierarquia entre eles e as camadas (ou planos) existentes entre o inferno, a terra e o céu.

O livro gira em torno do anjo renegado Ablon que foi condenado a viver na terra, entre os humanos, até o dia do juízo final e da feiticeira que não envelhece Sharima (jura? não bastava só o anjo?). A trama ocorre em alternância entre o passado e o presente, apresentando assim o momento em que Deus, cansado do esforço da construção de sua obra, cai em um sono eterno, tendo como data para o seu despertar o fim do mundo. Até lá, a humanidade é guiada pelos arcanjos e seus subordinados, os anjos.

Na concepção do autor, os sete dias da criação resumem-se em milhões de anos e ainda hoje encontramo-nos no sétimo dia e os arcanjos, com ciúme do homem, resolvem aniquilá-lo. Assim surge a explicação (pasmem) para a destruição de Atlântida, o dilúvio e a destruição da Torre de Babel.

Para impedir a destruição dos homens, alguns anjos resolvem se virar contra os arcanjos, mas acabam sendo derrotados e banidos para a terra. Eis que entra Ablon em cena, um dos renegados.

Mas a história acaba não passando de um passeio chato pelos momentos bíblicos e históricos mais relevantes, com algumas explicações meio sem pé nem cabeça, até que nos dias atuais Ablon continua sendo perseguido pelos de sua raça, até conseguir de alguma forma salvar a humanidade de seu destino mortal. Para isso ele enfrentará vários inimigos, de Lúcifer e seus guerreiros à fúria de Miguel ('filho primogênito' de Deus que deveria guiar os homens), além de um antigo rival. Contando com a ajuda dos poucos anjos que se aliaram a seu favor, ele acabará com o reinado dos seres celestiais.

Para mim toda a história se resume a um cão correndo atrás do rabo: não se chega a lugar nenhum, poucas cenas empolgam e tudo não passa de uma encheção de linguiça, isto é, em uma história que poderia ser conta em meras 300 páginas, no máximo.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

André Vianco e o sobrenatural (Carla Cristina Ferreira e Renata Lima)


Já contamos nossa história de como conhecemos os livros do André Vianco e falamos aqui sobre “Os Sete” e “Sétimo”. Assim, dando continuidade a nossa proposta inicial de falarmos uma vez por mês dos livros do autor, vamos desvendar o campo do sobrenatural, mas não de vampiros especificamente, nas obras “Sementes no Gelo”, “A Casa”, “O Caminho do Poço das Lágrimas” e “O Caso Laura”.

Todos estes livros abordam de alguma forma manifestações sobrenaturais que focam sentimentos de vingança, arrependimento ou remissão, que normalmente estão relacionados com tais experiências. Mas não pense você que são livros de terror que fazem os pelos da nuca se arrepiarem; não é nada desse tipo. Talvez o mais sinistrinho seja “Sementes no Gelo” (publicado em 2002, pela Novo Século), mas isso vai variar de leitor para leitor.
Nossa Avaliação - 7,5

Começando exatamente por este, podemos ter uma ideia do que se trata o livro, só pela capa e pelo subtítulo ‘Eles conseguiram congelar seus corpos... Não suas almas’. Basicamente a história é sobre espíritos atormentados que impedidos de reencarnar começam a se vingar nas pessoas que cruzam seu caminho.

A cena inicial talvez seja a mais forte quando um grupo de crianças adentra uma delegacia e se dirige para a cela de um preso considerado extremamente perigoso. Sem saber como, gritos apavorantes vêm da cela do preso e ao verificar o que ocorre, o policial de plantão observa pela portinhola de observação o corpo caído do prisioneiro imóvel, flagelado e rodeado pelas crianças. Ao abrir a porta, porém, as crianças haviam desaparecido. 

Paralelamente o detetive Tânio Esperança surge para ajudar uma amiga que diz ouvir vozes de crianças a chamando de mamãe; ao mesmo tempo os brutais assassinatos continuam acontecendo. Aos poucos Tânio vai ligando os pontos e percebendo uma relação entre os crimes e o caso de sua amiga: as misteriosas crianças que veem cometendo os crimes são espíritos de fetos abortados e experiências com embriões que querem vingança.

Fazendo uma mistura de espiritismo com ciência e tecnologia, Vianco conseguiu criar um conto de suspense que questiona nossos valores, crenças e consciência, pontuando a questão da reprodução humana e do aborto por meio uma história de terror light. Digo light, porque por mais impressionável que eu, Carla, seja, essa história não me fez perder o sono (quem me conhece, sabe).

Vianco conseguiu pegar um fato atual e polêmico, e transportar para as páginas de forma criativa, apesar de o final ser um pouquinho decepcionante. Sem desmerecer o trabalho do autor, acho que a história poderia ter evoluído por outros caminhos, mas talvez aí este não fosse ser um livro do Vianco.

Nossa Avaliação - 7,5
Eu diria inicialmente que "A Casa" é um livro espírita. Não espírita no sentido de ser ditado por um espírito, nem por falar de espíritos obsessores ou algo do tipo, mas por que fala do que acontece conosco quando permitirmos que perdas, fracassos, tormentos ou até mesmo problemas pequenos atingem nossa alma e passam a nos perturbar a ponto de nos tirar o sono.

A casa em questão é um lugar, diferente de "A Cabana" onde os quatro personagens principais sentam-se em um cômodo vazio, cheio de portas. Ao receber um chá das mãos da senhora Irene, a única regra para atravessar as portas é estabelecida: "quem já está morto, não pode ser avisado, para que as coisas do presente não mudem".

Uma vez na casa, os quatro personagens principais vão encarar seus erros do passados, seus medos, suas falhas morais. São eles: 
- Rosana traiu o marido e foi abandonada com as filhas pequenas. No meio de uma tentativa de suicídios, suas filhas lhe fazem uma surpresa. 
- Durante uma viagem de drogas, Leonora tem a visão da casa, mas, sem acreditar nas alucinações ela vai a uma ponte com na intenção de se jogar. Um homem aparece e entrega-lhe um cartãozinho com o endereço da casa, onde está escrito "o alivio para o coração esta aqui". 
- Ismael é o dono de uma boate, rapaz bem-sucedido que teve uma discussão com o pai que morreu no mesmo dia. Também conhece a casa depois de passar por um hospital, vítima de ataque cardíaco.
- Hélio tinha muitos sonhos e aspirações para sua filha, mas quando ela nasce, é um bebê frágil e doente. Ele então começa a beber compulsivamente, ignorando o serzinho que está sempre tentando chamar sua atenção. Eventualmente, a filha morre e a mulher o abandona e Hélio descobre o crápula que foi com as duas, recorrendo à casa para tentar se redimir.

O livro é bom, sensível, faz com que a gente reflita nossas ações e reações, mas não é o melhor livro do Vianco. Mas deixa a pergunta: o que você faria se pudesse voltar atrás e mudar alguma coisa que fez na vida? Você abriria a porta, correndo o risco de mudar seu presente ou deixaria tudo como está?

Nossa Avaliação - 7,0
"O Caminho do Poço das Lágrimas" segue a mesma linha de "A Casa", mas com uma narração que é quase uma fábula e foge um pouco da linha narrativa dos romances.

O livro conta a história de Jonas, um pai que acorda no meio do nada e vê-se perdido em um caminho tortuoso e desconhecido, com os dois filhos Bosco (o caçula) e Ingrid. Eles sabem que precisam então seguir o Caminho do Poço das Lágrimas, tendo em mente a única advertência feita a eles: é perigoso desviar-se do caminho de pedras. 

Mergulhamos com essa família em um mundo estranho, misterioso, poético, cheio de cantigas de ninar e tentamos descobrir os segredos do caminho enigmático. Há lindas (e obscuras) ilustrações de Lese Pierre, que passam esperança, agonia, desespero como nunca vi em desenhos simples.

O problema do livro é que do meio para o final ele fica previsível. Foi fácil descobrir qual seria o fim, mas isso pode ser porque a gente lê muito e para o final trazer algum impacto fica mais difícil.

Nossa Avaliação - 7,0
Imagina a nossa surpresa quando nos deparamos com “O Caso Laura” e vimos que havia sido publicado pela Rocco (isso em 2011). Na mesma hora resolvemos comprar o livro e eu, Carla, fui a primeira a desbravar as páginas sobre Laura, uma restauradora que vive atormentada pelo passado e pela atual situação do pai, que está hospitalizado.

Marcel, um detetive particular, acaba sendo contratado por um homem misterioso para seguir Laura e descobrir quem é o homem com quem ela vem se encontrando. A princípio Marcel não acha nada de suspeito até seguir o suspeito: todo dia na mesma hora o homem entra por uma porta simples de uma casa (mais para uma quitinete) muito humilde, mas nunca o vê saindo. Para aguçar mais a sua curiosidade, ele percebe que outras pessoas também passam pela porta e não saem mais. Uma delas tem oito, ou melhor, um símbolo do infinito tatuado. 

Outras histórias paralelas vão surgindo, mas não demora muito já dá para sacar qual é a proposta do autor. Apesar de se tratar de uma história de solidão e superação, tudo leva a um lugar comum e até certo ponto a um clichê. Infelizmente, não há nada de excepcional em “O Caso Laura” a não ser uma pequena participação de um personagem de “O Senhor da Chuva” (que falaremos em outro post). 

É um pouco difícil falar sobre o livro sem entregar a história de mão-beijada. Tão difícil que o próprio Vianco teve dificuldade de explicar isso para o Jô Soares em uma entrevista ao programa do gordo, com o objetivo de divulgar seu novo trabalho. 

Para variar (na verdade acho que já virou marcar registrada do autor) os erros de português persistem, mas com uma menor recorrência no “Caso Laura”. Talvez porque tenham mudado a equipe de revisão com a mudança para a Rocco?

Por falar em Rocco, a explicação para essa ‘troca’ de editora você confere no vídeo de divulgação do próprio autor abaixo:


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Duas dicas de terror (Renata Lima)


Hoje trago para vocês dois livros de terror (alguns chamam de horror, mas pra mim tanto faz) que li no ano passado. Um é bom, o outro é ótimo! Comprei os livros no mesmo dia. O primeiro basicamente porque gostei da capa e segundo porque, apesar da capa horrenda, gostei do resumo da contracapa e do pedacinho da história na orelha.

Nossa avaliação - 6.5
Frank Peretti e Ted Dekker são grandes autores na linha sobrenatural que resolveram unir forças e escrever um thriller de terror desenvolvido basicamente dentro de uma casa bizarra com apenas 9 personagens chamado "Fim de Jogo". 

Todos são forçados a participar de um jogo dentro da casa e o jogo em questão tem apenas três regras afixadas em uma lata: “Bem vindo à minha casa, 1ª Deus veio até minha casa e eu o matei. 2ª Vou matar qualquer um que entrar em minha casa, como matei Deus. 3ª Se vocês me oferecerem um corpo, deixarei dois escaparem. O jogo termina ao amanhecer.”

Como todo livro ou filme bom, alguns personagens só servem pra gente ter raiva deles. Mas esse livro bate o recorde! Os dois casais que entram na casa ficam na dúvida: seguir as regras ou buscar uma saída custe o que custar? É então que os mocinhos descem até o porão e a minha desorientação começou.

Aparentemente o porão é um mundo à parte, cômodos aparecem e desaparecem, pessoas aparecem e desaparecem, há uma fumaça preta (quase aquela fumacinha de Lost, sabe?), barulhos ensurdecedores, uma criança fantasma e o assassino que "brota" das paredes. Foi nesse ponto que eu comecei a me perguntar se era a história de um psicopata assassino ou um thriller de terror sobrenatural. 

O livro é bom, a narrativa é ágil e interessante, mas do meio para o final parece que os autores perdem o fôlego e tudo começa a ficar estranho no sentido de bizarro e não estranho no sentido de dar medo. E não vou falar muito do final porque ele é realmente r i d í c u l o, na minha humilde opinião, dando um encerramento um tanto quanto Chico Xavier em uma história que tinha tudo para ser ótima.

É claro que tem gente que AMOU o livro. Li resenhas que falavam que o livro era ótimo e que dava muito medo, mas... pode ser que essas pessoas não tenham lido muitos livros de terror.

Para quem quer saber do que se trata e realmente não está muito interessado em ler o livro depois dessa resenha um tanto tendenciosa minha, sugiro o filme "Jogos de um Psicopata" com roteiro dos dois autores e de Rob Green, afinal de contas, você só vai perder 1h30min de vida e não quase três dias (tempo que eu levei pra ler o livro) assistindo a um filme que é tão confuso quanto o livro, mas tem a vantagem de não demorar tanto pra acabar.



Nossa avaliação - 8.5
Se "Fim de Jogo" me decepcionou bastante, não posso dizer o mesmo de "As Ruínas" de Scott Smith. Alguém já tinha elogiado muito outro livro do mesmo autor chamado "Um plano simples", mas eu não li e, como não o conhecia, comecei a ler sem muitas expectativas e me peguei completamente envolvida pela narrativa e pelo cenário paradisíaco de Cancún para onde dois casais americanos viajam de férias.

Conhecem então um rapaz alemão cujo irmão desapareceu há alguns dias em uma expedição arqueológica e resolvem seguir com o jovem atrás do irmão dele juntamente com um guia que não fala quase nada de inglês, adentrando então a floresta mexicana.

Mesmo alertado pelos moradores locais sobre os perigos e mistérios do local, os jovens chegam às antigas ruínas e o que encontram são nativos que os prendem lá.   Mas o problema real ainda está por vir: as ruínas são habitadas por uma força estranha que está por todos os lados e eles precisam pensar rápido para tentar sobreviver à natureza. 

O que chama a atenção é que essa poderia muito bem ser uma história de Stephen King. Uma viagem normal, com pessoas normais vira um pesadelo e essas pessoas até então normais vão desenvolvendo habilidades (não estou falando de poderes sobrenaturais, mas de força, de superação) que até então nem elas mesmas sabiam que tinham.

Como todo bom livro de terror, "As Ruínas" foi adaptado em um filme homônimo com cenas muito atenuadas para que a classificação etária não fosse maior do que 14 anos, por isso, aos fãs de terror, como eu, recomendo MUITO a leitura desse livro tanto para quem viu quanto para quem ainda não viu o filme!

sábado, 14 de abril de 2012

Trilogia Wake (Carla Cristina Ferreira e Renata Lima)


Recentemente, lemos os livros Wake, Fade, Gone (respectivamente "Despertar", "Desvanecer", "Desaparecer"), de Lisa McMann. Conhecidos como a trilogia Wake, todos foram muito bem recebidos nos Estados Unidos e aqui também, mas para falar a verdade os livros deixam muito a desejar.

Wake, publicado em 2008, é o primeiro livro de Lisa McMann, uma americana de 43 anos, mãe de dois filhos que vive no Arizona. Fade foi publicado em 2009 e Gone em 2010. Em 2011, McMann lançou (pasmem) três livros: The Unwanteds (uma nova série), Cryer's Cross e Dear Bully. Em 2012, lançou The Unwanteds: Island of Silence e Dead To You; em 2013, lancará Crash.

Na trilogia Wake, Lisa McMann teve uma ótima ideia que poderia ter se aprofundada e desenvolvida de mil maneiras diferentes e muito mais interessantes, mas a impressão que temos é de que ela se perdeu pelo caminho ou se deixou levar pela onda jovem e pop da literatura de hoje em dia. As capas dos livros são muito bonitas, têm um relevo interessante e realmente chamam a atenção. Basicamente são as mesmas capas americanas.

Quando eu, Carla, comecei a ler, pensei logo em Stephen King e em seu “O Apanhador de Sonhos”, mas logo vi que as duas histórias não tem nada em comum. Já eu, Renata, apostei que seria um livro interessante porque a temática era relativamente nova, longe da tríade sobrenatural anjo-lobisomem-vampiro que dominava a maioria das livrarias na época em que pegamos o livro.

Nossa avaliação - 5.5
Os livros narram a vida de Janie, que carrega a maldição de entrar nos sonhos das pessoas desde criança toda vez que alguém adormece perto dela. Isso torna-se um inconveniente porque ela não domina o "dom", ou seja, ela "apaga" por alguns minutos e é transportada para dentro do sonho da pessoa, estando na rua, na chuva, na fazenda e até no colégio ou dirigindo seu carro pelas ruas do bairro.

Até aí tudo bem, o problema é querer colocar a garota no meio de uma investigação policial chinfrim para descobrir através dos sonhos "provas" para incriminar um bandido qualquer - o que acontece em "Wake - Despertar" e "Fade - Desaparecer". Isso sem contar que todas as pessoas próximas à Janie sempre têm os mesmos sonhos, os mesmos pesadelos. Dá um tempo, né? Os nossos sonhos, pelo menos, são sempre sem pé nem cabeça, e nem sempre refletem algo que aconteceu ou um segredo que escondemos; muito menos se repetem constantemente.

Para piorar, e acabamos de verificar que não é um problema da tradução (no original também é assim), o livro é muito mal escrito. A pontuação é péssima, além de ter muito erros de digitação e concordância (alô, revisão!). Lembra muito o estilo de Clarisse Lispector, que por sinal não somos fãs: frases curtas em sequência dá nos nervos de qualquer um. Parece que a pessoa não consegue escrever orações, apenas frases simples. Isso sem mencionar o quanto os diálogos são superficiais e muitas vezes sem sentido, como se só estivessem ali preenchendo um espaço. E como tem diálogo inútil!

Outro problema é o fato de não haver continuidade na narração, os acontecimentos não estão interligados por uma linha de tempo. A ação demora a se desenvolver. Quando se narra um livro usando o tempo verbal no presente, espera-se uma coisa mais dinâmica. As datas confundem. Fazem o livro parecer um diário, mas quem escreveria um diário no presente e na terceira pessoa?

O terceiro problema é que os três livros poderiam ser condensados em apenas um, pois não há uma divisão significativa entre eles para haver essa separação; aquele momento de ápice onde o leitor fica ansiosamente esperando para saber o que vai acontecer em seguida, não existe aqui!

O ponto positivo do livro é que Janie é uma heroína possível. Tem problemas com a mãe, é pobre, tem amigos fúteis, precisa trabalhar para sustentar a casa e o vício da mãe. É um tipo de heroína diferente do que estamos acostumadas. Torcemos para que as coisas corram bem para ela, para que ela consiga controlar sua entrada e saída dos sonhos, para que não seja tão sacrificante para ela e para Cabel manterem um relacionamento.

Por falar em Cabel, teve gente que achou fantástica a parte final do livro (as 12 últimas páginas) que são narradas pela perspectiva de Cabel e não de Janie. Não tem nada de fantástico ali, a narração continua a mesma e a única diferença e ver Janie pelos olhos de Cabel e notar que ela não é tão inadequada quanto pensa.

Nossa avaliação - 5.0
Fade tem um ritmo melhor do que Wake. O namoro de Janie e Cabel continua secreto porque Cabel é visto como um drogado e foi detido no livro anterior. Eles continuam estudando e trabalhando juntos e dessa vez Janie pode ter uma chance de controlar seu dom quando descobre que Martha Stubin, uma outra apanhadora de sonhos já falecida, deixou um diário. Martha e a Capitã acabam preenchendo a lacuna que a mãe de Janie não preenche e Janie ganha duas figuras maternas.

O mistério envolvendo os professores e um aluno com sonhos violentos faz do livro bem mais interessante do que o caso das drogas do livro anterior. Mas de resto, pouca coisa muda em termos de erros, problemas de narração e concordância. E mais uma vez, Wake e Fade poderiam ser um livro só!

Nossa avaliação - 3.0
O tema principal de Gone é a decisão que Janie tem que tomar e o que o futuro lhe reserva. Ela continuará usando seu dom ou se isolará do mundo e de Cabel? Ela encontra seu pai e interagindo com ele (através dos sonhos) descobre um pouco sobre seu passado.

Se tivéssemos que fazer um gráfico da trilogia Wake, seria mais ou menos assim _/\_, talvez até pior porque a narrativa chata está ainda mais apurada. Como em Fade a história melhora um pouco, a narrativa não incomoda tanto, mas como diz o ditado, parece que Lisa McMann saved the best for last.

O mais difícil deste livro é chegar até o final dele. O livro vai acabando e a gente vai ficando cada vez mais irritado porque vê que no fim nada vai ser resolvido e o destino de Janie é realmente ingrato.

Quando Janie descobre o diário de Martha Stubin, temos a ideia (errada, diga-se de passagem) de que isso vai resolver todos os seus problemas. A impressão que tínhamos era de que ela aprenderia a controlar seu dom, de que ira usar seus poderes de forma consciente, de que ela não seria mais sugada para todo e qualquer sonho.

Lemos em algum lugar que o final da trilogia foi satisfatório. Se você chama de satisfatório um final sem pé nem cabeça, explicações muito mal feitas e muitas pontas soltas, tudo bem. E no fim, pode até ter sido satisfatório mesmo porque ler essa trilogia toda foi realmente um grande desperdício de tempo. Gostando ou não, pelo menos teve um fim.

Notícia fresca: Wake vai virar filme e Janie será interpretada por Miley-Hannah-Montana-Cyrus. Se isso é bom ou ruim, digam para gente. Cliquem aqui para saber mais notícias.

Os livros são publicados no Brasil pela Novo Século.