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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Um pequeno destalhe que escapou (Carla Cristina Ferreira)

Quem aí é fã de carteirinha de Harlan Coben? Quem é fissurada nas aventuras da dupla dinâmica mais improvável que pode existir? Pois é, nós somos \o/ e por isso trazemos mais uma aventura dos carismáticos Myron e Win em “Detalhe Final” (livro 6), publicado recentemente pela Editora Arqueiro.

Nossa avaliação - 7.5
Depois dos acontecimentos do último livro, “Um Passo em Falso”, Myron resolve dar um tempo para curar as feridas e vai parar no Caribe com a jornalista e apresentadora Terese. No Caribe paradisíaco, os dois se entregam ao sexo e ignoram que a vida continua fora da ilha até que um dia nosso querido Win chega para trazer a sanidade de volta a Myron com várias notícias bombásticas: seu cliente Clu Haid foi assassinado e as provas apontam que a assassina é ninguém menos que a sócia e melhor amiga de Myron, Esperanza.

Decidido a provar a inocência de sua amiga, Myron volta à Nova York para descobrir que sua ausência não anunciada foi um erro: seus pais quase morreram de preocupação, alguns de seus clientes abandonaram a MB Representações Esportivas e, pior, indo para a TruPro, gerenciada por um gângster, arqui-inimigo de Myron e Win.

Como sempre, dando uma de detetive particular, Myron decide investigar todos os envolvidos direta ou indiretamente a Clu Haid. À medida que vai entrevistando as pessoas, vai recebendo alfinetadas pelo seu sumiço repentino: Clu estaria vivo se estivesse aqui; os clientes não teriam saído da MB Representações Esportivas e os pais não teriam passado um tremendo de um sufoco. E como ajudar quem não quer ser ajudado? É praticamente impossível arrancar qualquer informação de Esperanza!

As coisas se complicam quando nosso “detetive” recebe um envelope contendo um disquete misterioso, no qual apenas a fotografia de uma garota aparece, mas inexplicavelmente a imagem se derrete em uma poça de sangue. Quem é a garota? Existe alguma ligação entre ela e Clu?

Como sempre o sarcasmo e humor ácido da dupla estão presentes, mas Win fez falta mais uma vez; ele poderia ter aparecido mais vezes e acabou deixando saudades. O ponto alto de Windsor Horne Lockwood III pode ter sido um diálogo um tanto confuso entre ele e Myron após uma palestra motivacional (impossível não cair na risada) e a melhor cena cômica protagonizada por Myron foi deste em um bar bem alternativo paquerando uma mulher (ou não).

Coben mais uma vez nos deixa perdidos em busca do vilão. Alguém aí já acertou quem era o culpado em algum dos seus livros apenas uma vez? Pois é, nós também não; e não adianta ficar atento a todas as historinhas paralelas porque é praticamente impossível descobrir quem é o culpado aqui. Por isso é tão emocionante e angustiante aguardar as revelações finais; mas tenho que confessar que o final foi um tanto quanto decepcionante. Esperava um desfecho diferente; um que preferencialmente tivesse a intervenção de Win. :’(

Mais uma trama envolvente do mestre do suspense aprovada! Agora só falta aguardar a tradução de Darkest Fear (sem previsão), o último faltante da série Myron Bolitar a ser traduzido para o português. Lembrando que os livros 8 e 9 já foram resenhados aqui. Confira os links abaixo:

Livro 8 – “A Promessa” – publicado pela editora ARX; a editora Arqueiro não tem previsão de relançamento deste título.

Até a próxima!



segunda-feira, 16 de março de 2015

Três mulheres, três segredos... (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 9.0
Em "Até Você ser Minha" de Samantha Hayes, Claudia, Zoe e Lorraine são três mulheres muito diferentes cujas vidas se encontram por causa de crimes brutais contra grávidas e seus bebês, alguns deles terminados em morte.

Claudia vem de uma família humilde, mas se forma em Serviço Social e, em um de seus casos, encontra seu novo marido, James, recém-viúvo e pai de meninos gêmeos. Em menos de um ano da morte da esposa de James, ele e Claudia se casam e ela engravida de uma menina, depois de tantos abortos e natimortos em seus relacionamentos anteriores. 

Apesar de ser um pai exemplar quando está em casa, como marinheiro, James é ausente, quase não participa da gravidez de Claudia e da vida dos filhos por passar muito tempo no mar. Para ajudá-la a lidar com as crianças, porque Claudia se recusa a abandonar o trabalho, os dois resolvem contratar uma babá com referências muito críveis e sólidas. Encontram então Zoe Harper.

Zoe Harper vem de uma família humilde e teve uma vida relativamente difícil. Até antes de ir para a casa do casal Claudia e James, ela morava com Cecelia, que, de tão obcecada por ter um bebê, pede que Zoe tenha o bebê para ela, já que sofreu uma histerectomia. Depois de várias tentativas de inseminação, inclusive usando esperma de amigos e desconhecidos, Zoe não consegue engravidar e Cecelia praticamente enlouquece, só permanecendo funcional graças ao trabalho como Designer de Jóias. Ainda sim, sempre que as duas se encontram, Cecelia não cansa de esfregar na casa de Zoe que ela é uma mulher inútil, que não tem uma carreira e nem consegue lhe dar um bebê.

Se inicialmente Claudia e James ficam encantados com a desenvoltura de Zoe com as crianças, pouco tempo depois Claudia começa a desconfiar das atitudes esquivas de Zoe, como por exemplo não aparecer em fotos, e de suas noites insones andando de um lado para o outro em seus aposentos no sótão, logo acima de onde Claudia dorme, já que ela e o marido não podem ter relações sexuais por causa da gravidez delicada. Será que as desconfianças de Claudia têm fundamento?

Já Lorraine é uma investigadora de polícia que trabalha lado a lado com o marido Adam. Os dois têm duas filhas, Grace e Sophie, uma jovem e um adolescente, e estão passando por um momento delicado da relação, já que Adam confessou ter tido um caso de uma noite, deixando Lorraine devastada e amarga. Tentando deixar a vida pessoal de lado, os dois nem mesmo usam o mesmo sobrenome, eles assumem o caso de uma mulher assassinada a marteladas no banheiro do próprio apartamento com o ventre aberto e um bebê morto puxado do útero exposto. 

A jovem vítima, Sally-Ann, tinha um amante, um homem casado e professor universitário chamado Liam que não quis assumir o bebê e portanto um outro homem, conhecido de Sally-Ann, chamado Russ, assume a paternidade da criança e convence Sally-Ann a não fazer um aborto. Mas o caso piora quando, pouco tempo depois, outra jovem é atacada dentro do próprio apartamento, dessa vez uma viciada em drogas chamada Carla Davis, que fica entre a vida e a morte, mas não há sinais de seu bebê. Logo, os investigadores descobrem que, assim como Sally-Ann, Carla Davis tinha abandonado a ideia de um aborto e havia decidido levar a gravidez até o fim ainda que seu bebê fosse retirado dela e colocado para adoção por causa de seu histórico
com drogas.

Lorraine precisa trabalhar nesses casos densos com a infidelidade do marido pairando em sua cabeça feito uma nuvem carregada e problemas em casa com a filha mais velha, demonstrando como é difícil dividir trabalho com o pesado trabalho de mãe, que dura praticamente 24h por dia!

O livro é narrado em primeira e terceira pessoa, sendo os capítulos de Claudia e de Zoe em primeira e os capítulos de Lorraine em terceira. Inicialmente achei que poderia ser algo confuso, mas fora uma pequena confusão proposital quase no fim do livro, de resto fluiu tudo de forma muito tranquila e bem elaborada.

As histórias das mulheres vão se entrelaçando de um jeito tão legal e tão perfeitinho que, aos poucos, se você for um leitor perspicaz no gênero suspense-policial, você vai matando as charadas graças às pequenas dicas deixadas pela autora. Uma frase aqui, uma palavrinha ali e, nos 75% finais eu já tinha entendido parte do que estava acontecendo, mas não deixei de me surpreender com a parte que eu ainda não tinha desvendado.

Apesar da autora Samantha Hayes ter vários livros no mesmo estilo publicados lá fora, esse é o primeiro livro dela publicado no Brasil e, pelo visto, será o primeiro de muitos, porque vale muito a pena ler! 

Um trabalho editorialmente perfeito da Intrínseca, devo salientar, apesar de nunca conseguir me acostumar a ver "muçarela" escrito com cedilha! Novo Acordo Ortográfico, né, fazer o quê?

Boa leitura!!!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Desaparecidas, mas não esquecidas (Carla Cristina Ferreira)

Nossa avaliação - 9.0

Impossível ler um livro de Tess Gerritsen e não se impressionar com a forma simples e direta como a autora nos envolve em suas tramas. Não é diferente em “Desaparecidas”, quinto livro da série Rizzoli & Isles, que nos traz a detetive Jane Rizzoli e a Dra. Maura Isles como protagonistas.

Neste thriller conhecemos Mila, uma jovem russa de 17 anos que é convencida a ir para os Estados Unidos em busca do velho sonho americano juntamente com outras garotas. O sonho começa a tomar tons de realidade quando cruzam a fronteira do país e se veem em uma situação indesejada. As coisas se complicam quando inesperadamente Mila e outra garota testemunham um massacre e passam a fugir desesperadamente de seus perseguidores.

Meses depois, a Dra. Maura Isles, médica legista do Departamento de Polícia de Boston, encontra-se em uma situação inusitada: ouve um barulho vindo da sala refrigerada aonde os corpos aguardam para serem necropsiados ou levados para funerárias. Verificando cada um dos sacos mortuários, depara-se com uma bela jovem de pele pálida e lábios azulados, ainda não necropsiada, vítima de um afogamento, quando de repente ela abre os olhos e entra em parada respiratória.

Paralelamente, a detetive Jane Rizzoli é levada as pressas para o hospital após a sua bolsa d’água estourar em pleno testemunho ao tribunal.

Eis que o destino une duas mulheres em um mesmo local, transformando a vida das duas permanentemente.

Gerritsen surpreende novamente com uma história com um timing e clímax completamente diferente dos demais livros da série. Foi um choque descobrir nos primeiros capítulos uma ação tão eletrizante, de deixar o coração na boca, na aflição de saber o que vai acontecer; como isso vai se desenrolar. É, claro, que a surpresa foi gratificante, mas, ao mesmo tempo, senti alguns detalhes da trama bem previsíveis, tirando um pouco da emoção final nos últimos capítulos. Provavelmente por causa dessa mudança no ritmo na trama logo inicialmente.

Foi interessante ver como uma mulher como Jane encara a sua nova vida agora com um bebê em seus braços e todo o questionamento que ela faz sobre esta grande mudança. A frustração quanto ao ser melhor policial do que mãe e o desejo quase incontrolável de voltar à ação antes mesmo do bebê completar 1 mês de vida. Reflexões que são comuns às mulheres que possuem uma vida profissional ativa e que fazem de tudo para mostrar ao mundo que podem executar seu trabalho tão bem e até mesmo muitas vezes melhor do que os homens.

O medo e a insegurança de Gabriel, que teve muito mais destaque neste livro, também é um dos pontos altos do livro; principalmente as discussões que ele tem com Jane sobre o comportamento e atitudes da esposa, colocando sempre sua vida em risco sem pensar que agora além de um marido ela possui um bebê.

Foi um pouco decepcionante ver que Maura teve uma pequena participação no início do livro, mesmo esta sendo primordial para todo o desenrolar da trama. Fiquei na expectativa de ver como seria seu desdobramento com a impressa e sua declaração após o “despertar da morta” e mais ainda de um possível relacionamento com Lukas, que infelizmente, apesar de alguns flertes entre eles, não aconteceu.

Como sempre, a autora não perde a mão ao narrar a história de mulheres fortes e assim, vamos adiante com o sexto livro “O Clube Mefisto”, que, devo confessar, foi o primeiro livro que li da série, pois não sabia que se tratava de uma série. Então, resenha em breve, pessoal!

Se você ainda não leu os demais livros da série Rizzoli & Isles, confira abaixo a resenha dos volumes anteriores:

“O Cirurgião” – livro 01
“O Dominador” – livro 02
“O Pecador” – livro 03
“Dublê de Corpo” – livro 04



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Muita ação na volta da dupla dinâmica (Renata Lima)


Hoje é dia de falar dos nossos queridos Myron Bolitar e Windsor Horne Lockwood III, personagens do foférrimo Harlan Coben. 

Para recapitular um pouco, vamos voltar ao livro 1 "Quebra de Confiança", onde Myron e Win ajudam o promissor jogador de futebol americano Christian, agenciado por Bolitar, cuja noiva Kathy Culver desapareceu há quase dois anos depois de ser vítima de estupro. Mas anos depois Christian recebe um exemplar de uma revista pornô com a foto de Kathy nua em um anúncio de disque sexo. Juntos, Myron, Win e Jessica, irmã da desaparecida e affair de Bolitar, mergulham no mercado negro do sexo e reforçam a crença de que o homem, quando em grupo, pode se comportar pior do que um animal.

No livro 2, "Jogada Mortal", Valerie Simpson é assassinada no meio de uma campeonato de tênis, onde Myron está para dar suporte ao seu mais novo cliente Duane Richwood, que acaba se tornando o principal suspeito. Insatisfeito com as investigações, Myron, Win e sua assistente Esperanza (ex-lutadora de luta livre) desvendar esse mistério.

No livro 3, "Sem Deixar Rastros", Myron é convidado a voltar às quadras de basquete com o objetivo de descobrir o paradeiro de um dos jogadores famosos do time.

No livro 4, "O Preço da Vitória", Myron precisa ajudar a solucionar o sequestro do filho do casal mais comentando do mundo do golfe, Linda e Jack Coldren. Linda é a nº 1 do ranking feminino, e Jack passou os últimos 23 anos no ostracismo depois de perder um torneio que estava praticamente ganho. Seria o sequestro uma forma do filho chamar a atenção dos pais ou uma forma de forçar Jack a perder o Aberto?

E depois de tantas aventuras, foi lançado esse mês o livro 5 dessa série tão legal, o livro "Um Passo em Falso", que tem basquete, mafiosos, um desaparecimento suspeito, uma família milionária, um assassinato, intimidações e tiradas fantásticas de Myron e Win, como sempre!

Nossa Avaliação - 8.5
Quando mais novo e começando no basquete, Myron teve o apoio do treinador Horace Slaughter. Conforme Myron foi avançando e se tornando famoso os dois perderam contato. Agora, mais de uma década depois de seu último contato com Horace, Myron é encarregado da segurança da filha dele, Brenda, uma grande estrela do basquete.

Ao saber que Brenda está sendo ameaçada por telefone e seguida por carros suspeitos, Myron precisa checar a fundo a história de que ela tem problemas com o pai, desaparecido depois de agredi-la, e com a mãe, que a abandonou quando ela tinha apenas cinco anos de idade. Mas nem tudo vai ser fácil, já que Myron também é um agente esportivo e existe outra agência na jogada disposta ter Brenda como sua cliente, mesmo que seja através da intimidação e da violência.

Aos 25 anos, Brenda está longe de ser uma mocinha indefesa e talvez seja essa característica que atraia Myron, mesmo que ele ainda esteja num relacionamento a distância com Jessica, a escritora famosa. Decidida, feminina e divertida, Brenda leva Myron em uma espiral de mentiras e mistérios que envolvem até a família para a qual a mãe dela, Anitta, trabalhava quando Brenda ainda era uma criança.

É claro que, como todo livro do Coben, o quebra-cabeça é enorme e confuso e as peças demoram a se encaixar, mas quando começam a se encaixar, o leitor começa a ter essa visão do todo que é sempre muito bem pintada e extremamente interessante e não estou falando só desse livro, mas dos relacionamentos que se desenvolvem entre Myron, Win, Esperanza e Big Cindy ao longo de toda a série. E se Win quase não apareceu no livro anterior, nesse livro ele aparece com sua veia irreverente e violenta de sempre, garantindo momentos de tensão e de gargalhadas (nunca vou esquecer do Win cantando... NUNCA!). 

Outra característica dos livros do Coben é o leitor errar quem é o assassino ou o conspirador. Mais uma vez quebrei a cara nesse livro, então preciso aplaudir mais uma vez o autor e tirar meu chapéu! 

Há pequenas reclamações minhas em relação ao livro, porque eu sou chata. A primeira pode ser uma opção da editora que eu particularmente não gosto: colocar formações acadêmicas com letra minúscula. "Esperanza é formada em direito", "Ela deu duro pra se formar em direito" se repete várias vezes ao longo do livro e eu acho que Direito merecia uma letra maiúscula, assim como qualquer formação. A segunda é uma pessoa entrar em um hotel e dizer pra outra que fulana é gerente de COMIDAS e Bebidas, quando o correto é A&B ou Alimentos e Bebidas, faltou uma pesquisa por parte do tradutor e do revisor.

Pequenos detalhes à parte, agora é esperar ansiosamente pelo lançamento do The Final Detail, ainda sem título no Brasil, com previsão de lançamento no primeiro semestre de 2015! 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Protegendo os inocentes em River Falls (Renata Lima)


Hoje é dia de falar da continuação da série River Falls, uma trilogia policial de Alexis Aubenque trazida para o Brasil pelo selo Vestígio da Editora Autêntica. Se o primeiro livro "Sete Dias em River Falls" já tinha me conquistado, esse segundo se mostrou uma surpresa ainda maior, principalmente por dar destaque maior à profiler do FBI e namorada do xerife Mike Logan, Jéssica.

Nossa Avaliação - 9.0
River Falls novamente é sacudida por dois assassinatos: o primeiro de um advogado importante e rico chamado Robert Gordon, eletrocutado na banheira de sua mansão; o segundo um mendigo, jogado em um rio, cheio de hematomas. Ninguém ligaria um caso a outro se não fosse a brilhante Jessica Hurley e o detetive turrão Mike Logan.

Com uma narrativa rápida, ágil e muito interessante somos levados a dois mundos paralelos que convivem na cidade: o dos pobres e o dos ricos, mundos esses que se encontram ao mesmo tempo em que se separam. É necessário mais do que inteligência, mas sensibilidade e tato para lidar tanto com os mais pobres quanto com os mais ricos, ambos querendo mais atrapalhar do que ajudar as investigações.

Mike Logan amadureceu como xerife, mas nesse livro continua teimoso e um tanto rude no que diz respeito a se conectar com as vítimas e é aí que a incrível Jéssica se destaca. Além de inteligente, Jéssica tem o dom de compreender, de aceitar, de perceber pequenos sinas de culpa ou de inocência e, para mim, é ela quem resolve os casos, conduzindo o namorado com pequenas pistas ao longo do caminho. 

Apesar de retomar a universidade que já havia sido locação do primeiro livro, Aubenque traz uma trama muito diferente cheia de personagens cativantes e bem desenvolvidos que vão aos poucos se revelando diante do leitor de uma forma magistral. Muitas vezes eu parava para pensar o que os universitários, os mendigos e os corruptos milionários tinham em comum, mas essa resposta vai se revelando aos poucos e tudo se encaixa perfeitamente.

Em relação ao primeiro, a narrativa melhorou, os personagens evoluíram, o enredo ficou mais interessante e os personagens introduzidos foram super bem construídos! Aguardo ansiosamente a chegada do terceiro livro ao Brasil. Mais um ponto para o selo Vestígio!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Desafio Skoob Setembro: Quem você é? (Carla Cristina Ferreira)

Nossa avaliação - 8.5

Dando continuidade ao desafio do Skoob deste mês, hoje é a vez de trazer mais um livro de Tess Gerritsen: “Dublê de Corpo”, o quarto livro da série Rizzoli & Isle, publicado pela Editora Record.

Para quem pensou que a detetive Jane Rizzoli iria sair de cena por causa de sua atual condição, se engalou; Rizzoli continua tão obstinada em capturar os criminosos quanto antes. Porém, desta vez, a trama tem foco na Rainha dos Mortos, a Dra. Maura Isles, que passou a ter um pouco mais de destaque em “O Pecador” e agora retorna para desvendar um pouco do seu passado.

Maura se surpreende ao retornar de viagem e encontrar a polícia em sua rua, investigando um curioso homicídio: a vítima é idêntica à própria Rainha dos Mortos. A misteriosa ‘dublê de corpo’ acaba se confirmando sua irmã gêmea, levando Maura e Jane não apenas em busca do assassino, mas a uma torturante viagem a verdadeira origem de Maura.

Criada como filha única, mesmo descobrindo posteriormente que era adotada, Isles começa a questionar o rumo que sua vida tomou e se há alguma explicação genética para isso. Ela precisa descobrir quem ela é, mas para isso precisará descobrir uma dura verdade sobre seus pais biológicos.

A trama se complica quando, ao seguir os passos de sua falecida irmã, Maura acaba desenterrado mais do que o seu passado: duas ossadas são encontradas próximas à casa que pertencera a sua família. A situação se piora quando o responsável por tal crime não apenas cometeu outros assassinatos como ainda continua na ativa.

Foi interessante conhecer um pouco mais desta mulher de aço e supostamente inatingível e ver até que ponto o passado e as origens definem quem você é ou poderia ser. Interessante também foi acompanhar “as privações” pelas quais Jane teve que passar no seu atual estado e como em parte acabei de identificando com ela: a sensibilidade, as mudanças corporais...

Mas o mais importante foi acompanhar o desenrolar de dois crimes distintos e em como eles acabaram se conectando, embora não se perceba isso durante a leitura. Talvez o único ponto, não necessariamente negativo, mas pelo qual esperava um desfecho diferente, tenha sido com relação ao desfecho escolhido para o serial killer. Não me entendam mal, gostei do fim dado por Gerritsen, mas confesso que esperava uma participação maior, principalmente de Rizzoli, ao capturar o assassino.

Se você ainda não leu os demais livros da série Rizzoli & Isles, confira abaixo a resenha dos volumes anteriores:

“O Cirurgião” – livro 01
“O Dominador” – livro 02
“O Pecador” – livro 03


No mais, rumo ao quinto livro, pessoal! 


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Nem sempre é possível fugir do passado (Renata Lima)


Finalmente tive tempo de sentar para escrever sobre o primeiro livro da série River Falls, do francês Alexis Aubenque, publicado no Brasil pela editora que era Vertigo e virou Vestígio (e como eu já disse em outro post, eu gostava mais do nome anterior).

Nossa Avaliação - 8.5
River Falls é uma cidade pequena de Washington onde quase nada acontece, ou pelo menos assim pensava o novo xerife, Mike Logan, que trabalhava na agitada e violenta Seattle, até que um belo dia ele se depara com um crime mais do que violento, hediondo: o assassinado de duas jovens que são mutiladas. Acreditando se tratar de um serial killer, mas sem muitas provas para embasar suas suspeitas, Logan precisa recorrer à ajuda de sua ex, Jessica Hurley, psicóloga forense e profiler (tipo aquele pessoal da série Criminal Minds, sabe? A DO RO!) do FBI e consequentemente aos seus colegas.

Conhecemos paralelamente a vida de Sarah Kent, universitária dedicada que esconde um grande segredo do passado: ela era amiga das duas jovens assassinadas, mas elas tinham perdido o contato porque Sarah queria dar um rumo diferente à sua vida enquanto as outras meninas preferiam frequentar as festas e sair com vários rapazes. O problema é que esse segredo do passado pode estar ligado aos crimes e Sarah teme ser a próxima vítima.

O astuto xerife Logan precisa correr contra o tempo, negar seus sentimentos por sua ex e lidar com a ambiciosa repórter do Daily River's, Leslie Callwin, que parece ter todas as informações sigilosas sobre o caso e vive fazendo perguntas sobre detalhes que ninguém mais tem!

Na minha opinião, o livro prende do início ao fim e não pense em um livro policial comum em que é fácil descobrir tudo porque até a revelação do segredo de Sarah muitas águas vão rolar e os personagens muito bem construídos vão, aos poucos, mostrando a que vieram, principalmente o xerife Logan, com sua masculinidade aflorada (juro, que se tivesse um filme, torceria para o Hugh Jackman fazer esse papel) Jessica, compassiva, paciente, Leslie, decidida e que faz tudo por uma boa história, e Sarah, que tentou fugir de seu passado, mas, surpreendida por ele, precisa tomar decisões cruciais que a deixarão entre a vida e a morte. 

Como o título diz, o livro se passa em sete dias, o que torna a ação mais rápida e a gente não se sente enrolado em momento algum das 352 páginas. O desfecho não é de todo surpreendente, mas como parte do gênero o livro todo tem partes "não acredito"! A minha única crítica fica por conta da Sarah ter demorado muito a se tocar que os assassinatos poderiam estar ligados ao passado dela e de suas amigas, o que fica claro para o leitor desde o princípio, então não é spoiler!

Esse é o primeiro livro de uma trilogia, sendo que o segundo "Um Outono em River Falls" também já foi publicado no Brasil e o terceiro "Um Natal em River Falls" tem previsão de ser publicado até o fim do ano.

Mais um ponto positivo pra Vestígio. E, por falar nisso, devo ressaltar que por enquanto estou gostando demais dos livros dessa coleção de policial/suspense da editora. A Carla não curtiu muito "Os Sete Crimes de Roma", mas eu gostei de "Vestido de Noivo" e adorei River Falls, tanto que já estou lendo o segundo!

Vocês já leram algum?

Até a próxima!


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Personagens inverossímeis acabam com a uma boa história (Renata Lima)


Oi, gente! Como eu já falei em outro post, esse mês o Desafio das Estrelas é uma maratona de livros nacionais - no ritmo da Copa do Mundo no Brasil (embora nossa seleção canarinho não tenha ido tão bem quando a gente esperava)! Nesse ritmo, eu já li seis livros nacionais, mas um deles eu resolvi deliberadamente não resenhar por ter achado muito ruim!

Na quarta-feira, eu falei sobre "Diário da Queda"do Michel Laub e hoje eu vou falar do inverossímil "Berenice Procura" do Luiz Alfredo Garcia-Roza e do rapidinho e interessante "Feliz Ano Novo" do Rubem Fonseca!

Nossa Avaliação - 5.0
Em "Berenice Procura" um travesti é encontrado morto a facadas na praia de Copacabana. Um crime como
outro qualquer se não houvesse como testemunha um sem-teto e se o sem-teto não tivesse por testemunha um pivete, que também acaba morrendo em circunstâncias suspeitas. Tudo seria mais um crime no meio de tantos se a criança que tivesse encontrado o corpo não fosse o filho de um diplomata estrangeiro.

Curiosa e intrépida, Berenice, uma taxista de 34 anos, encafifada com o caso, começa a trocar ideias com seus passageiros. Ela é ex-mulher de Domingos, um jornalista freelance que foi um marido violento, mas que ainda permanece na vida de Berenice por conta do filho, Tiago, e da mãe de Berenice, que cisma que os dois têm que ficar juntos. E é através de Domingos e de seus outros passageiros que temos contato com o desenrolar do caso.

Ao mesmo tempo conhecemos Russo, o sem-teto que viu um homem descer para a areia da praia com o travesti e subir sozinho. Russo vive de pequenos furtos e dorme na obra que viria a ser o metrô de Copacabana por conivência de um vigia, a quem paga com bebida. Temeroso porque foi visto agachado na praia por um menor de rua, Russo tenta descobrir quem é o menor e pouco tempo depois é avisado de que o menor morreu ao cair de cabeça dentro de um bueiro. Russo precisa então descobrir quem pode estar por trás desses crimes e como ele se encaixa nessa dinâmica do acaso.

O livro tem um enredo interessante, mas não me convenceu. As atitudes de Berenice beiram o absurdo, como entrar sozinha na obra do metrô atrás de Russo depois de segui-lo por dias de táxi. Ou permitir a presença do ex-marido abusivo encarando-o de igual para igual, xingando demais e o tempo todo se autoafirmando como dona da casa, dona da própria vida, dona do próprio sustento. Cansa.

Nos 75% finais do livro, fiquei com a impressão de que o caso seria resolvido de uma forma esdrúxula ou ainda por cima não teria um final e agora, pensando com calma, se ele não tivesse final seria dez vezes melhor do que a resolução dada pelo autor. Nenhum personagem parece real e eu não consegui me conectar com o livro.

Não gostei, não me cativou, o que me decepcionou um pouco porque eu ainda quero dar continuidade à série do delegado Espinosa (a Carlinha já resenhou os dois primeiros volumes aqui!), mas como ainda tenho muitas leituras para frente, vou deixar pra ler mais de Luiz Alfredo Garcia-Roza lá pra frente!

E quem venham mais livros nacionais!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Nem tudo que parece é (Renata Lima)


Hoje eu venho com uma resenha muito especial, a primeira resenha de um livro da nossa primeira parceira, a Editora Caligo. Acho importante ressaltar que, desde o primeiro momento, o pessoal da Caligo nos deixou muito a vontade para criticar o livro, afirmando que não éramos obrigadas a elogiar o livro por causa da parceria e essa é uma política nossa: se não gostamos de algo, nós explicamos o motivo, mas por outro lado, se adoramos é tão complicado escrever uma resenha que não tenha spoiler e que não revele muito do livro, que demoramos para escrever e ficamos nos martirizando por semanas a fio.

É esse o caso de "O Sincronicídio" do autor nacional Fabio Shiva.

Nossa Avaliação - 9.0
Se “sincronicidade” são acontecimentos que se relacionam não necessariamente por relação causal e sim por relação de significado, o que seria então o “sincronicídio”?  "O Sincronicídio" é a história de assassinatos em sincronia que aparentemente não têm ligação, mas que logo descobrimos que existe sim conexão entre eles e descobrir que conexão e essa e quais os motivos cabe ao inspetor Alberto Teixeira.

Falar mais que isso pode acabar estragando a história tão bem construída, então prefiro falar sobre quão criativo é o livro, tanto no desenvolvimento da trama como na inusitada forma de numeração dos capítulos. Não há exatamente uma ordem de capitulação como conhecemos tradicionalmente: os capítulos (começa no 51 e termina no 24) representam cada um dos 64 hexagramas do I Ching. Calma, parece complicado, mas não é, principalmente porque o livro traz um enredo original, muito bem narrado – em primeira pessoa por um personagem não identificado à princípio - focado no inspetor.

Sim, o I Ching tem a ver com a história, assim como o xadrez, e eles estão ligados aos crimes. No entanto a presença dos dois não confunde nem gera estranheza, tudo é muito bem explicado e não é preciso ser um enxadrista (eu, por exemplo, não sabia NADA de xadrez até pegar o livro), nem um grande conhecedor de I Ching para entender a história em si.

A narrativa é inteligente, sagaz, instigante. As deduções do protagonista nos induzem a pensar, a participar, a sermos praticamente seus parceiros nas páginas que se sucedem de forma quase imperceptível.

Existe um quê de Harlan Coben no sentido de que as reviravoltas dão novos empuxos no suspense, sem muita embromação filosófica e divagações sem sentido – que foi o que me fez não curtir muito o livro do Luiz Alfredo Garcia-Roza "O Silêncio da Chuva" (e seu detetive Espinosa), por exemplo.

E, gente, que trabalho editorial lindo e impecável! 

Como Carla e eu conversávamos outro dia, é difícil hoje em dia ver uma editora preocupada com todo o processo editorial do livro, não apenas a parte gráfica, mas tendo aquele cuidado na revisão, na escolha da fonte e no tamanho dela, na diagramação... Aqui ficou tudo perfeitinho e ainda tem pontuação toda especial, com as jogadas de xadrez. Coisa de outro mundo, fiquei encantada!

Para comprar o livro, dê um pulo na lojinha online da Caligo!!! 



sexta-feira, 13 de junho de 2014

Álcool, cigarros e sangue no verão norueguês.(Kelly Santos)

Tenho que confessar que nunca, nem se quer uma vez, tinha ouvido falar de Jo Nesbo, o que é muito triste pois o cara é bom, até entrar na livraria aqui da minha cidade e me deparar com esse livro, que tem como capa a imagem de uma rua que parece estar sendo coberta por sangue, e que tem um nome bem sugestivo. Como eu já havia dito em uma outra resenha, às vezes me deixo levar por capas e títulos sugestivos e essa foi uma delas. Apesar do precinho salgado de R$59,90, resolvi comprar, e tive uma ótima surpresa.

Nossa avaliação - 9.0
O livro trata de um suposto assassino em série que está a solta na Noruega. Ele mata suas vítimas e depois corta um dedo de suas mãos esquerdas, alem de deixar para trás um diamante vermelho em forma de estrela que é mais conhecido como a estrela do diabo.

Tom Waaler é o chefe da investigação. Sua equipe conta com Harry Hole, o melhor investigador do departamento, mas que está passando por um período ruim: sua namorada o abandonou por conta de seu alcoolismo que começou quando sua ex-parceira foi assassinada e ninguém foi punido. Infeliz com a situação, Harry mergulhou no álcool, mas o que mais o decepciona é acreditar que Waaler tem algo a ver com a morte da ex-parceira e não conseguir provar.

Apesar do alcoolismo, da depressão, da insônia, e de todos os outros problemas que acompanham Harry, ele é um investigador muito inteligente e experiente que, apesar de suspeitar de seu novo parceiro, acaba aceitando trabalhar com ele para solucionar esse mistério e, se aproveitando da proximidade, tentar desvendar também a morte de sua antiga parceira.

Esse livro na verdade é parte de uma série sobre Harry Hole, mas esse é, na verdade, o 5º livro da série. Como tem acontecido bastante ultimamente, aqui no Brasil só foram lançados alguns volumes (como pode ser visto na foto abaixo - os volumes 3, 4, 5, 6 e 7) e em total falta de ordem. Lá fora, a série já está no 10º livro.

Com mais de 8,5 milhões de exemplares vendidos no mundo, Jo Nesbo atingiu o primeiro lugar nas listas dos mais vendidos na Inglaterra com O Leopardo o 8º livro da serie. Foi o segundo autor de língua não inglesa a atingir esta colocação. O primeiro foi Stieg Larsson.

Essa é a ordem certa dos livros, mas aqui no Brasil só temos do livro 3 até o 7.
Fiquei muito feliz e satisfeita por ter “conhecido” Jô Nesbo. A inteligência com a qual ele permeia seu livro é de deixar qualquer um de boca aberta e sedento por mais. Ao mesmo tempo em que ele apresenta Harry como um brilhante investigador, também o mostra em suas fraquezas, tristezas, angústias e em suas complicadas relações pessoais, dentro e fora do departamento policial. É completamente fabuloso quando um autor torna seu personagem principal divertido e enfadonho, bom e mau, mocinho e bandido. 

No começo vi Harry como um investigador chato, bêbado e fracassado, e não é o caso do personagem dar a volta por cima, porque até o final vemos o mesmo Harry Hole, é que Nesbo conduz a narrativa de uma forma tão peculiar que passamos a enxergar o outro lado do personagem: um lado forte, determinado, capaz e surpreendente. Muito recomendado!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Assassinatos, investigação e muitos detalhes nesse thriller policial (Aline Basilio)


Nossa avaliação - 8.5
No livro “O Tribunal das Almas”, Donato Carrisi desenvolve uma história com muitas reviravoltas e diversos personagens. Tudo começa com o desaparecimento de Lara, uma jovem estudante de arquitetura que mora sozinha. Porém, um detalhe é primordial: a porta do seu apartamento estava trancada por dentro. Como Lara saiu do apartamento? Como alguém entrou e a levou embora?

Marcus fica instigado com o fato e começa a investigar e, embora não seja policial, ele possui um talento surpreendente para desvendar cenas de crimes, um talento desenvolvido ao longo dos anos. Ele investiga as cenas para avaliar a presença do Mal nas pessoas, mas há pouco tempo Marcus perdeu a memória em um acidente e precisa recobrá-la antes de mais nada.

De outro lado, Sandra Veja, fotógrafa criminal tenta lidar com a morte mal explicada de seu marido David há cinco meses. Certo dia, Sandra recebe um telefone que a deixa intrigada e ela decide investigar, mas o que essas duas histórias têm em comum?

"- Às vezes, gostaríamos que a realidade fosse diferente. E se não podemos mudar as coisas, então pomo-nos a explicá-las à nossa maneira. Mas nem sempre conseguimos."

Durante a leitura do livro as histórias vão se aproximando uma da outra de forma bem interessante, nos deixando curiosos e vidrados na leitura. Embora o desenvolvimento da história seja, para mim, um pouco confuso, às vezes no passado e outras no presente, e ainda com muitas personagens envolvidas, ainda sim a leitura valeu a pena.

Acho que eu me perdi, algumas partes não fizeram sentido... Mas, nada que desmereça a leitura. E, fica um mistério no ar, será que esse livro terá continuação?

"Crer em Deus não significa necessariamente amá-lo. (...) A nossa relação com ele baseia-se na esperança de que haja alguma coisa depois da morte. Mas, se não houvesse vida eterna, amaríamos de igual forma o Deus que nos criou? (...) Eu acredito que existe um Criador, mas não alguma coisa depois desta vida. Por isso, sinto-me autorizado a odiá-lo."

Vamos conhecer um pouco sobre o autor:

Donato Carrisi nasceu em 1973 em Martina Franca (Itália). Licenciado em Direito, especializou-se depois em Criminologia e Ciências do Comportamento com uma tese sobre um dos mais terríveis serial killers italianos, o "Monstro de Foligno".

Dedica-se, desde 1999, à carreira de argumentista de cinema e televisão, tendo sido co-autor de algumas séries e filmes premiados. "O Aliciador", seu primeiro livro, publicado em 2009, ganhou diversos prêmios internacionais de Literatura e foi publicado em mais de 30 países. Aqui no Brasil, Donato Carrisi (ou D. Carrisi) teve seus dois livros publicados pela Editora Record. 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dobradinha Trilogia Grau 26 (Kelly Santos)

Nossa nota 7.5
No primeiro livro dessa série que já fiz resenha aqui  no blog, Steve Dark conseguiu matar Squeegel, um maníaco assassino que fez muitas vítimas. Mas ele não conseguiu chegar a tempo de salvar sua esposa, que estava nas mãos do bandido. No entanto, sua filha, que nasceu no cativeiro, sobreviveu e foi deixada por ele com os avós para que ele pudesse superar o trauma da morte da esposa.

Depois desse golpe do destino, Steve resolveu sair definitivamente do FBI. Deixou pra trás seus companheiros de equipe e tentou retomar a vida como pôde. Mas ele não conseguiu se desvincilhar dos velhos hábitos: no porão de sua nova casa, em Los Angeles, ele acompanha as estatísticas macabras dos crimes e mortes que acontecem na cidade.

Quando um serial killer começa a fazer vítimas, Steve Dark é contatado por uma mulher da CIA, sugerindo que pode oferecer a ele tudo o que ele precisar para acabar com esse novo criminoso e, se não tivesse tão perdido em sua própria dor, talvez Steve tivesse aceitado na hora, mas ele reluta muito, pois não quer mais viver o mesmo horror de cinco anos atrás. Só quando ele visita uma cartomante, levado pela curiosidade de entender  porque esse assassino remonta cenas de cartas de tarô, ele percebe que não adianta fugir de seu destino.

Em "A Profecia Dark", segundo livro da Trilogia Grau 26, publicado no Brasil pela Editora Record, o ex-agente do FBI lutará contra o desejo e a ética. Seu instinto, que sempre o ajudou em todos os casos que resolveu, mostrará que o melhor caminho é ir em busca de justiça por todas as pessoas indefesas que são mortas a cada minuto, mas seu dever para com seus antigos parceiros o fará pensar até que ponto ele pode ir a favor da lei, mesmo não fazendo mais parte da equipe.  

O que eu não gostei nesse livro foi o Assassino do Tarô, que na minha opinião foi muito clichê, e ao meu ver esse é o mais fraco dos três livros.

*****
PODE CONTER SPOILERS DO LIVRO ANTERIOR

Nossa nota 7.0
Este é o terceiro volume da primeira, e mais brutal, série literária interativa escrita por Anthony E. Zuiker. Para quem não está reconhecendo o nome, ele é um dos criadores de CSI, a série de TV policial de enorme sucesso. Sua série de livros, composta por "Grau 26", "Profecia Dark" e, agora, "As Revelações de Dark" mostram a luta de um agente de um grupo especial que caça psicopatas cuja maldade nunca havia sido mensurada antes. São livros com teor forte e muito violentos. O diferencial dessa série literária é que você pode acessar vídeos e outras informações no site da obra. Isso torna a obra inovadora e é muito bom, pois ajuda a visualizar situações, personagens e locações. Em todos os três livros você encontra esses códigos.
Nesse livro, o agente Steve ainda guarda as feridas físicas e emocionais das últimas investigações. No primeiro livro sua esposa é morta e no segundo sua saúde mental, ou o que restava dela, é quase totalmente destruída. Mas um mal terrível, e de proporções mundiais, surge. Um grupamento especial, a Global Alliance, precisa da ajuda de Dark. O nome da ameça: Labirinto. Seus métodos: os mais cruéis. Seu alcance: global.

Desta vez Steve Dark tem de enfrentar o perigosíssimo Labirinto. Esse novo assassino de grau 26 tomou de assalto a imprensa e o planeta, e a cada nova vítima um surto de pânico emerge. Apenas Dark poderá deter esse psicopata e para isso precisará resolver uma série de charadas e encontrar Labirinto antes que seja tarde demais.

Eu baseei minha nota, no fato de que o grau de audácia e inteligência desse assassino é altíssimo, em comparação ao assassino do segundo livro, que, pra mim, não se encaixaria no tal grau 26. Mas como desfecho de uma historia e fim de uma trilogia, que na minha opinião é incrível, acho que o livro deixou muito a desejar, ficou meio inacabado, e isso é péssimo, principalmente por ter deixado algumas pontas soltas. 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Desafio Skoob Março: Suspense policial à la Espinosa (Carla Cristina Ferreira)


Na onda do desafio Skoob de março (o tema foi mistério, suspense ou policial) decidi mudar um pouco e me aventurar em águas nacionais. No Vlog #010, no qual falamos de nossas metas de leituras para março e abril, eu citei que leria um livro de Luiz Alfredo Garcia-Roza, chamado “Uma Janela em Copacabana”, mas depois descobrir que este é o quarto livro que traz o policial Espinosa como protagonista.

Nossa avaliação - 7.5
Assim, a Rê foi muito legal (como sempre) e conseguiu o e-book dos livros anteriores e como houve uma pequena e temporária mudança na minha rotina, tive que deixar os livros físicos de lado por um tempo e só estou lendo em formato digital.  Então hoje eu trago na verdade uma dobradinha do autor.

Primeiro vou falar de “O Silêncio da Chuva”, primeiro romance de Garcia-Roza e que ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura de 1997.

Ambientado na cidade do Rio de Janeiro e levando o leitor a percorrer as ruas do centro da Cidade - da Praça Mauá, passando pelo Flamengo, pelo Jardim Botânico e por Copacabana – nos deparamos com Ricardo Carvalho, um executivo que é encontrado morto com um tiro dentro de seu carro no edifício-garagem Menezes Cortes, mas a arma do crime não é encontrada, assim como alguns pertences da vítima. O encarregado de solucionar este crime é o inspetor Espinosa da 1ª DP.

Mil conjecturas passam pela cabeça de Espinosa, mas como ele próprio salienta em algumas passagens, a polícia do Brasil não possui recursos tão avançados como mostram as séries de televisão e os filmes americanos. Aqui não é possível através de um fio de cabelo ou de um pequenino pedaço de papel descobrir o assassino; assim como é impossível identificar um corpo queimado e com as mãos decepadas pela arcada dentária (já que grande parte da população não tem acesso à dentista) ou por DNA (o exame é muito caro e a polícia não vai jogar dinheiro fora).

O número de envolvidos com o morto também contribui para alimentar mais elucubrações à mente fantasiosa do nosso inspetor, mas a coisa complica mesmo quando a secretária do falecido desaparece misteriosamente após entrar em contato com a viúva da vítima.

Espinosa não é um típico policial: ele gosta de ler, é bem-educado, trata bem as pessoas, independente da classe social e, além disso, gosta de “filosofar”, como condiz o seu nome sobre sua vida, em especial sobre sua vida amorosa.

Obviamente o livro é bem-escrito, afinal ganhou o Jabuti, mas em termos de história achei um pouco previsível: logo na metade do livro já tinha descoberto o vilão. Mas o que me surpreendeu mesmo foi o final. Nunca imaginei que uma mulher teria uma determinação tão grande e que poderia usar seu sexo como uma arma tão poderosa!

Em contrapartida, o destino de Rose (a secretária desaparecida) foi insatisfatório para mim; acho que ela merecia algo mais definido, mas palpável, principalmente depois de uma atitude tão forte quanto à dela; provavelmente a personagem mais forte do livro.

O título está intrinsecamente relacionado com a ambientação da história, pois a chuva não deixa de ser uma personagem secundária a quem Espinosa parece direcionar suas perguntas, mas sem nunca obter uma resposta.

Aproveitando o embalo, e que os livros são finos, emendei logo no segundo livro, “Achados e Perdidos”, no qual Espinosa é agora delegado, atuando em Copacabana.

Nossa avaliação - 7.5
Desta vez nosso protagonista precisa solucionar o assassinato de uma prostituta que foi asfixiada na própria cama. O problema é que o principal suspeito é o ex-delegado Vieira, amigo de Espinosa, que na noite do crime saiu com a vítima, mas não se lembra de nada, graças a uma bebedeira; bebedeira esta que o fez perder sua carteira.

Vieira é o oposto de Espinosa: beberrão, obeso, vulgar... Mas apesar de tudo tem bom coração e fica aflito ao perceber que talvez ele tenha cometido o crime, já que seu cinto foi utilizado para prender a vítima à cama. Para complicar a posição de Vieira, Flor, amiga da vítima e também prostituta, resolve "herdar" Vieira, cuidando dele exatamente da mesma forma que a falecida amiga cuidava dele; aumentando as suspeitas de Espinosa.

Durante a investigação, outros acontecimentos vão se mesclando ao crime principal, levando nosso delegado a mil conjecturas: pode o desaparecimento da carteira ter algum envolvimento com a morte de Magali, a prostituta? O que meninos de rua, policiais corruptos, um educador de rua e uma mulher mortalmente sexy têm em comum? Há alguma relação com a carteira ou com assassinato inicial? Pode algo tão simples trazer ramificações tão perigosas à Espinosa e às pessoas que o cercam?

Assim como o primeiro livro, neste segundo o título é apropriado à trama, apesar de se perder mais do que achar - carteira, confiança, esperança, medos, pessoas... Enquanto “O Silêncio da Chuva” nos apresenta nosso protagonista e suas peregrinações pelos bairros do Rio de Janeiro, no segundo ficamos restritos às ruas de Copacabana e à sua vida noturna às vésperas do natal.

O livro peca apenas pela repetição de algumas informações e por, mais uma vez, ter sido fácil descobrir o vilão da história. Assim, como também teve um final inesperado e um tanto abrupto como seu antecessor, mas sem desmerecer a obra ou impactar o resultado final.

Recomendo o autor como uma leitura sem compromissos, pois não é um suspense intricado de tirar o sono, apesar de em alguns momentos Espinosa “filosofar” e refletir muito sobre sua vida e suas ações, o que pode talvez cansar o leitor.

Em 2007, o livro foi adaptado para o cinema, mas sem a participação de Espinosa, tendo como protagonista Antônio Fagundes no papel de Vieira. Não vi o filme, mas para quem tiver interesse, segue o trailer abaixo:





segunda-feira, 24 de março de 2014

Desafio Skoob Março – Mais um livro de Harlan Coben (Aline Basilio)


Por estar participando do Desafio Literário do Skoob, no mês de março com o tema suspense, mistério, assassinato ou policial, resolvi ler o mais recente lançamento do autor Harlan Coben intitulado “O Inocente”.

Como Harlan Coben é uma figura bastante citada aqui (já resenhamos diversos livros independentes do autor aqui no Blog além das séries de Myron e Mickey Bolitar) resolvi então ler esse thriller eletrizante na certeza de que não iria me arrepender.

Nossa avaliação - 8.0
A receita de Harlan está toda aqui: diversos personagens, histórias paralelas que se cruzam e nos levam a desvendar o mistério e muita ação.

Nesse livro, Matt Hunter mata um rapaz ao tentar apartar uma briga em uma festa e é condenado a cumprir pena de quatro anos. Agora, nove anos depois, tenta refazer sua vida tranquilamente com sua esposa Olivia, que está grávida. 

Porém, Matt recebe um vídeo inesperado em seu celular que o deixa intrigado e a partir desse momento sua vida começa a desmoronar. Quem seria o homem que aparece no vídeo? Porque Matt está sendo perseguido por um homem que não conhece e, logo depois, aparece morto? 

Paralelamente, uma freira é encontrada morta em seu quarto no convento. Mas aí você se pergunta: o que essas histórias têm em comum? Como elas vão se encontrar para criar o suspense necessário para manter o leitor grudado no livro? Isso, meus amigos, é o que Harlan faz melhor, criando um clima de tensão crescente que deixa o leitor eletrificado com um desencadear de fatos que nos levam a penetrar profundamente na história e não parar mais. Esse aspecto é diferencial dos livros do Coben. 

Outra coisa que devo destacar é que os personagens dos livros de Harlan são muito parecidos com pessoas da vida real. Creio que isso nos envolve, pois são histórias fictícias que poderiam tranquilamente acontecer na vida cotidiana. Os personagens são bem construídos e suas histórias relatadas claramente.

Mais uma curiosidade, é que que Coben nos faz chegar a conclusões que nem sempre estão corretas, por isso as meninas fizeram um ótimo trabalho na resenha intitulada "O Rei da Reviravolta" porque é isso mesmo que Coben é: quando pensamos que estamos chegando perto de desvendar o mistério, o autor nos mostra que estamos errados. Isso é maravilhoso e envolvente.

A capa é linda. Traduz muito o mistério e o enigma do livro. Recomendo para quem nunca leu nada do autor ou para quem ama mistério, policial ou suspense.


segunda-feira, 10 de março de 2014

Desafio Skoob Março - Três mistérios em apenas um livro (Aline Basilio)


No mesmo estilo de Harlan Coben, James Patterson nos apresenta um livro que mistura muito bem três gêneros: mistério, suspense e policial. No primeiro livro da série, Private, "Private - Agência Internacional de Investigação", somos apresentados a Jack Morgan e sua equipe.

Nossa Avaliação - 7.5
Jack é o dono da agência Private, herdada de seu pai. Em parceria com a polícia, por ser uma agência com uma tecnologia muito avançada, Jack investiga diversos crimes, além de também ter vários clientes particulares também. 

Nesse livro, Jack e seus companheiros precisam desvendar três casos. O primeiro, Shelby, amiga pessoal e esposa de seu melhor amigo, Andy Cushman, é assassinada. Seu segundo caso é da liga profissional de futebol americano, que busca a Agência para solucionar uma crise financeira e possível fraude nos jogos. O terceiro caso, bem mais complexo, trata-se da busca por um ou mais assassinos de treze adolescentes. Além dos casos a solucionar Jack ainda precisa ajudar o irmão gêmeo Tommy que está encrencado com apostas de jogo.

Jack divide seus agentes em grupos, agentes esses profissionais altamente capacitados que trabalham dia e noite para resolver os casos da Agência. Sob seu comando estão Justine Smith, psiquiatra, Rick Del Rio, ex-fuzileiro naval, Emilio Cruz, detetive, Dr. Sci e Mo-bot, ambos especialistas em informática, telefonia, tecnologia em geral e laboratório. 

Escrevendo em parceria com Maxine Paetro, que também é co-autora de outros livros com James Patterson, inclusive alguns da série Clube das Mulheres Contra o Crime e os mais recentes The Confessions, de 2012, uma aposta mais juvenil (assim como Harlan Coben fez com a série Mickey Bolitar), os autores optaram por capítulos curtos e sem título, apenas numerados e sequenciais. 

A escrita dos dois é fácil e de leitura rápida. Como são publicados pela Editora Arqueiro, assim como os do Harlan, editorialmente falando, os livros são iguais: o papel, a fonte, a capitulação, até mais ou menos o mesmo número de páginas. A capa também é linda e instigante.

A narrativa é alternada entre alguns personagens, tendo como ponto de vista principal o de Jack Morgan. Os capítulos são intercalados entre os três casos a serem solucionados. Porém isso não dificulta nem um pouco o desenvolvimento e entendimento da história e, embora eu tenha demorado muito tempo para ler o livro, pois já o havia comprado a mais de um ano, gostei muito e recomendo. 

Além da série Private, Patterson é também autor da série Alex Cross, um detetive-psicólogo, e da série Clube das Mulheres Contra o Crime. Como adoro os livros de suspense e policial, pretendo ler os outros dessa série e talvez das outras.

Pelo que percebi os livros da série Private podem ser lidos separadamente e sem ordem. E dentro da série há subséries, se posso assim dizer. Existem livros da Private Berlim, Private Londres e Private Austrália, descrevendo o crescimento da agência em outros lugares do mundo. Porém, nem todos os livros foram publicados no Brasil, ainda.

Esses são os livros já publicados em nosso país: 
"Private - Suspeito Nº 1", o segundo livro da série, também escrito em parceria com Maxine Paetro e "Private - Missão Jogos Olímpicos", o terceiro livro da série, em parceria com Mark Sullivan, outro autor com quem Patterson tem uma parceria de sucesso.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Um tenebroso mês de Agosto (Aline Basilio)


"O Menino da Mala" é o primeiro livro da série Nina Borg escrito pelas autoras dinamarquesas Lene Kaaberbol e Agnete Friis. O segundo e terceiro livros não foram publicados no Brasil, ainda. Espero que sejam publicados em breve.

Nossa avaliação - 9.0
Nina Borg é uma enfermeira, casada e mãe de dois filhos, que durante seu plantão recebe a ligação da amiga Karin pedindo que a encontrasse. No encontro, Karin entrega a chave de um armário na estação ferroviária de Copenhague à Nina e pede que ela recolha a mala guardada lá e só a abra em algum lugar que não seja movimentado e não haja câmeras de filmagem. 

Após a conversa rápida, Karin foge desesperada e Nina decide ir buscar a tal mala. Ao abrir a mala, ela descobre que dentro dela há um menino de aproximadamente três anos completamente nu, dopado, porém vivo.

De outro lado, Sigita é mãe de Mikas e não consegue se lembrar do que aconteceu no dia do desaparecimento de seu filho e como foi parar em um hospital. Ao sair do hospital, onde ficou por 24 horas, ela descobre que seu filho foi sequestrado e acreditando ter sido o ex-marido que o levou, Sigita tenta contato com ele. Quando consegue, descobre que Mikas não está com o pai e começa o desespero e a busca pessoal de Sigita pelo filho, já que a polícia não dá muita importância ao caso.

A história é contada sob vários pontos de vista: o de Nina, de Sigita, de Jan e de Jucas. Os capítulos são bem curtinhos e a narrativa é intercalada. Fiquei fissurada na leitura. O sofrimento de Nina e Sigita é comovente: qual mãe não ficaria desesperada caso seu filho desaparecesse? E, quem não ficaria também se encontrasse um menino sozinho naquelas condições? Os relatos são emocionantes. Chorei em alguns momentos da leitura e queria saber logo o que aconteceria a seguir.

As autoras desenvolveram muito bem os personagens, revelando seus passados e presentes de forma bem clara e objetiva. Como os capítulos não são numerados, nem possuem título, apenas conseguimos identificar quem está narrando cada capítulo pela forma de falar particular de determinado personagem. E o interessante é que o leitor descobre coisas de um personagem antes mesmo que os outros personagens descubram.

O desfecho me surpreendeu muito e favoreceu a história. O ritmo de leitura é bem acelerado justamente pelo tipo de narrativa de diferentes personagens e a dinâmica dos acontecimentos. Quanto à capa, amei! Traduz a mala em que o garoto é encontrado, além de ser linda. A Editora Arqueiro acertou na mosca!

Fico aguardando os outros livros da série intitulados "Invisible Murder" e "Death of a Nightingale", disponíveis apenas em inglês.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Não é um conto de fadas (Kelly Santos)


A primeira coisa que tenho que ressaltar nesse livro é a capa: achei um trabalho incrível, aquele corvo, a maça meio apodrecida com esse fundo escuro, essa lua cheia e  essa árvore  morta...  o resultado é impactante.

Nossa avaliação -  9.5
A história se inicia quando Tobias Sartorius sai da cadeia após cumprir uma pena de dez anos por ter sido considerado culpado pelo assassinato de duas moças com as quais ele já havia se relacionado, apesar de sempre alegar inocência e de nenhum dos dois corpos terem sido encontrados.

Assim que sai da cadeia, ele volta direto para a casa dos pais em uma cidadezinha do interior da Alemanha, apesar de Nadja, sua amiga de infância, ter oferecido o seu apartamento para ele ficar.

Ao chegar em casa, o sentimento que o domina é de desolação. O que antes havia sido um sítio bem cuidado e limpo, onde seus pais tinham um restaurante, o Galo de Ouro, que estava sempre cheio de vizinhos e amigos, hoje está abandonado, sujo e com pilhas de lixo acumulados nos cantos.

Imediatamente Tobias associa a decadência do sitio com a sua prisão e com a rejeição que seus pais devem ter sofrido após o ocorrido. Ele sente como o ódio da cidade por ele continua vivo, e não era para menos, já que uma das moças mortas, Laura, era de uma família conhecida na cidade e ex-namorada de Tobias, e a outra moça Stephani, apesar de nova na cidade, era conhecida e amada pela comunidade, tanto que recebeu o papel de Branca de Neve na escola e pela semelhança com a princesa de conto de fadas acabou recebendo esse apelido. (Sacou como o nome do livro se explica?)

Mas como em um thriller policial nada é o que realmente parece ser, essa historia esta repleta de histórias mal contadas e segredos obscuros, segredos esses que estão ameaçados pela volta de Tobias e pela bela e diferente Amelie, que se muda para a cidadezinha após sua mãe já não ter mais condições de cuidar da filha rebelde e decide mandá-la para morar com o pai.

Amelie logo de cara fica muito interessada em saber tudo sobre a historia de Tobias, em parte pra poder espantar o tédio que sente, em parte pelo fato de se sentir imensamente atraída por Tobias, que apesar de ser mais velho e ter fama de assassino de garotas, é um homem lindo e atraente. Logo de cara Amelie encontra discrepâncias no caso contra tobias e ai é que ela fica mais interessada ainda em descobrir a verdade.

Enquanto isso Tobias e seu pai são intimidados para que saiam da cidade e a mãe de Tobias é atacada covardemente dando abertura para a entrada da dupla de detetives Bodenstein e Pia Kirchhoff. Além do ataque à mãe de Tobias, um corpo feminino é encontrado em um terreno abandonado nos arredores da cidade, no mesmo local onde ocorreram os outros assassinatos.

O livro é ótimo, a maneira que Nele Neuhaus escreve é bem fluida e apesar da quantidade de personagens, dos nomes de pessoas e lugares todos em alemão, a leitura não é cansativa e nem demorada! Também é bom ressaltar que esse livro é o QUARTO da série Bodenstein & Kirchhoff e portanto tem muita coisa sobre eles no livro, o que pode deixar o leitor meio perdido por não ter lido nada deles ainda, mas mesmo assim não atrapalha a leitura.

Infelizmente esse é o único livro da serie ( que já conta com sete livros) que foi lançado aqui no Brasil pela editora Jangada, que está de parabéns! Como eu disse antes, o livro é bonito por fora, a capa é ótima, e um toque a mais é que em todas as páginas há uma manchinha de sangue no lugar do número da pagina.

Super recomendo a leitura para quem gosta de um bom thriller policial, com reviravoltas e mistérios.