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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Será o fim do começo ou o começo do fim? (Renata Lima)


Antes de começar a resenha, vou logo dizendo que sou fã do autor e por mais que ele me decepcione, não sei meter o malho nele, então vamos adiante! 

Nossa Avaliação: 90
"A Fúria" é parte integrante da duologia com o mesmo nome que tem como segundo livro "A Tempestade", que resenharei para vocês daqui a 15 dias. O livro do excepcional autor da série A Fuga de Furnace, Alexander Gordon Smith, foi publicado aqui no Brasil em livro físico e e-book também pela Editora Benvirá!

No primeiro livro da duologia, conhecemos os personagens principais Daisy, Cal e Brick. Nossos três mocinhos, que não se conhecem e moram em lugares diferentes, notam que as pessoas ao seu redor do nada começam a ter atitudes violentas para com eles. Daisy, uma menina de 13 anos, toma uma cusparada na cara de um parceiro de teatro, Cal, o astro de futebol do colégio, é hostilizado, e perseguido por colegas e funcionários da escola, Brick é ferozmente atacado pela própria namorada.

Sendo assim, os jovens, e outras pessoas ao redor do mundo, são obrigados a se esconder e Brick abre um fórum para buscar entender o que está acontecendo e verificar se há outras pessoas na mesma situação que ele. Alvo de chacota online, Brick resolve se exilar em uma parque de diversões desativado até que recebe uma mensagem de Cal, afirmando que a mesma coisa está acontecendo com ele. Mas o que é isso? Um ataque terrorista? Uma doença? Os dois combinam um encontro na área próxima ao parque onde Brick está escondido.

Ao mesmo tempo, um inspetor da Scotland Yard, Alan Murdoch, é chamado ao necrotério para verificar algo bastante incomum: um corpo foi encontrado, mas apesar de clinicamente morto o cadáver ainda respira sem ajuda de qualquer aparelho. O problema é que o ar que esse cadáver inspira não vai para os pulmões, simplesmente desaparece sem qualquer explicação e os legistas estão apavorados.

Voltando para nossos heróis, Cal está a caminho do local que Brick indicou no fórum quando algo faz com que ele saia da estrada e acabe parando na cidade de Daisy e consiga resgatá-la de ser morta por vizinhos e policiais. Mesmo traumatizada, Daisy aceita a ajuda de Cal e em pouco tempo descobre que além de Cal ela consegue "sentir" e se "comunicar" com Brick. Ela sabe que pode confiar nos dois rapazes e, quando os três finalmente se encontram, apesar de um problema inicial, eles precisam descobrir porque o mundo inteiro parece estar contra eles!

Como eu disse no início, sou suspeita. A capa do livro é tudo de bom e o livro ótimo, muito bem escrito, cheio de aventuras e momentos "ai, meu Deus!". Só que uma coisa me tirou um pouco a atenção: eu ficava o tempo todo me perguntando onde o autor iria parar com tudo aquilo. Se ele conseguiria amarrar as histórias direitinho, se haveria uma explicação plausível para a Fúria. Por um lado, adorei de verdade, por outro fiquei bem preocupada com o desfecho de tantos personagens e da história como um todo.

A dica por enquanto é: leiam esse livro, sofram com os personagem, preocupem-se com o fim, como eu. Vale a pena!



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Decepção no Espaço (Renata Lima)


Pensa em um livro que tem um enredo interessante e tem tudo para ser bom, mas falha miseravelmente. Esse é o livro "172 horas na Lua" do norueguês Johan Harstad.

Nossa Avaliação - 4.0
É 2018 e a NASA precisa de apoio popular e financeiro para mais uma incursão à Lua. Eles resolvem então revelar que robôs montaram uma base lá, conhecida como DARLAH2 e para obter o apoio popular e financeiro que tanto necessitam, decidem fazer um sorteio mundial que escolherá três adolescentes para passar 172h ou três semanas nessa base juntamente com astronautas altamente qualificados. 

Os escolhidos são Mia, uma jovem rebelde que só quer saber de ser famosa e catapultar sua banda ao estrelato e é inscrita pelos pais, Antoine, um jovem francês que só se inscreve porque teve o coração partido pela ex-namorada e Midori, uma oriental que não se encaixa nos padrões e adora se vestir como personagens.

Passa-se 50% do livro e nada de chegarem à lua, mas algumas coisas estranhas acontecem. Desde o início o leitor é informado de que a missão é uma forma de investigarem melhor alguns fenômenos acontecidos no passado e de que por mais segura que a missão possa parecer existe um mistério rondando os participantes e os astronautas.

O livro tinha tudo para ser bem legal, mas acho que o autor se perdeu dando pistas que não fazem a menor diferença e focando em uma carta que nem aparece no final das contas. Ele ainda incluiu um personagem que está em uma casa de repouso que vem e vai sem trazer nada de novo, nada de útil. Achei uma pena.

A parte mais empolgante do livro é, sem dúvida, os 15% finais, mas aí o autor nos quebra naquele desfecho clichê que deixa você super desapontado.

Confesso que, para mim, já foi a decepção do ano que mal começou!




sexta-feira, 13 de março de 2015

Humanos reinicializados viram Reboots (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 8.0
Em um futuro distante, um vírus conhecido como KDH matou grande parte da população. Algumas pessoas, porém, em sua maioria os jovens, tiveram uma reação diferente ao vírus e, em vez de simplesmente morrerem, elas morreram e ressuscitaram (ou foram reinicializadas, como o livro chama). 

A reinicialização torna a pessoa mais forte, mais rápida, quase indestrutível, mas também as torna mais insensíveis, sem emoções. A teoria é de que quanto mais tempo a pessoa demora para se reinicializar, menos humana e mais Reboot ela fica.

Se inicialmente os Reboots foram considerados milagres, depois que os humanos descobriram que os Reboots tinham características especiais e não eram tão humanos assim decidiram bani-los ou matá-los, iniciando assim uma guerra, até que um belo dia a CRAH, Corporação de Repovoamento e Avanço Humano, iniciou o Projeto Reboot percebendo que era mais útil colocar os Reboots para trabalhar em missões especiais do que simplesmente matar uma população já quase sem nenhum recurso para sobreviver.

Quando o Projeto Reboot começou, os Reboots faziam todo tipo de serviço dentro da CRAH, mas os humanos reclamaram da falta de empregos e a corporação criou cargos que permitiam que Reboots e humanos interagissem, apesar dessa interação não ser pacífica, muito menos amistosa. E apesar de quase serem prisioneiros e viverem trancados e vigiados na maior parte do tempo, os Reboots tinham privilégios que os humanos invejavam; banhos e roupas limpas e acima de tudo uma alimentação saudável.

Aos 12 anos, Wren Connolly, conhecida como Wren 178 porque demorou todo esse tempo para reinicializar depois de levar três tiros no peito, foi entregue à CRAH. Ela foi treinada e logo se destacou como uma das melhores Reboots que se tem notícia, virando um mito tanto dentro da CRAH como nas favelas onde ela atua cumprindo mandados de prisão. Agora, cinco anos depois, Wren é uma treinadora de Reboots e como é a mais forte e a que demorou mais tempo para se reinicializar, escolhe seus recrutas pelo número mais alto (ou os que têm menos características humanas). 

Em um dia de seleção de novatos, um número baixo chama a atenção de Wren. O número 22 tem 17 anos e é um jovem risonho e divertido que se opõe a todas as convenções pré-estabelecidas na sede. Ele se mistura com os +120 (Reboots que reinicializaram depois de 120 minutos mortos) e faz com que Wren se questione sobre as convenções, as regras, as missões, sobre o que acontece com os Reboots que desaparecem depois que fazerem 20 anos etc. É por causa de tantos questionamentos que Wren 178 escolhe um simples 22 para ser seu novato e quanto mais tempo passa com ele, mais se encanta com seu espírito jovial e humano.

Em paralelo aos treinamentos, Wren descobre através de Ever, sua colega de quarto, que a CRAH está fazendo experimentos científicos com os -60 (ou os que reinicializaram com menos de 60 minutos após a morte). Sua colega de quarto passa a ter noites conturbadas, a ficar agressiva e tenta atacar Wren mais de uma vez. Ela precisa descobrir o que está acontecendo para poder ajudar Ever e parte dessa resposta ela encontra em uma missão com Callum 22, onde descobre que Reboots rebeldes existem e estão tentando se unir para agir contra a CRAH.

Wren agora precisa decidir se vai tomar parte nesse conflito ou não como outros humanos já tomaram.

No geral, achei o livro muito bom! A narrativa é interessante, a história prende, há poucos problemas de revisão, mas o final me deixou muito decepcionada porque foi um final muito fácil, sem muita ação e poderia ter sido bem melhor desenvolvido, mesmo que houvesse (e há) uma continuação. A sensação que eu tive era que não deveria temer a CRAH porque não há necessariamente uma organização em seus domínios e portanto ela é uma instituição fácil de ser derrotada. Pelo menos essa foi a minha impressão!

Nos agradecimentos, a autora fala sobre a venda dos direitos para o cinema, mas ainda não há qualquer informação oficial sobre o assunto. Creio que seja um livro que tem realmente uma linguagem mais visual e merece uma adaptação sim, mas espero que mudem o final, porque ficou bem difícil de digerir.

Quem já leu, deixa aí a opinião, tomando cuidado com os spoilers, tá?

Até mais!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Perseverança, ciência e bom-humor para sobreviver em Marte (Renata Lima)



Antes de falar sobre esse livro, é mais do que necessário eu dizer que não sabia do que se tratava, não tinha lido a sinopse e comecei a ler única e exclusivamente porque é ficção científica - e eu estava lendo muito romance - e porque gostei da capa e da opinião da Martha (que leu o livro para o Desafio das Estrelas do Facebook).

Apesar de não saber exatamente o que esperar, o livro me surpreendeu - e muito! - ao tratar de um tema que normalmente associávamos aos ETs, associação essa que vem mudando ao longo dos anos, principalmente através de filmes como Gravidade e Interestelar! 


Nossa Avaliação - 9.0
"Perdido em Marte" de Andy Weir, lançado aqui no Brasil pela Arqueiro, conta a história de Mark Watney. Mark é botânico e astronauta e integra a terceira missão Ares em Marte com o objetivo de estudar o planeta como um todo, principalmente seu solo. 

Junto a Mark estão outros astronautas: Alex, Chris, Lewis, Martinez e Johanssen, cada um especialista em áreas diferentes. Como treinaram juntos durante muitos anos, Mark considera os astronautas sua família e é considerado o mais bem-humorado de todos, algo que vamos notar bastante durante o livro.

Logo no início, somos surpreendidos, assim como os astronautas, que estavam em Marte por apenas poucos dias (ou sóis, como eles contam), por uma tempestade de areia de maior magnitude do que estavam acostumados. Ao tentar sair do planeta acessando o VAM (Veículo de Ascensão de Marte), Mark é atingido por uma das antenas de comunicação e arrastado pela tempestade para longe do resto da equipe. Incapazes de encontrá-lo no meio da tempestade e com o aviso de que a roupa espacial de Mark foi severamente danificada, os outros astronautas precisam tomar uma decisão indigesta: deixar Mark, ou o corpo dele, como eles acreditavam, para trás!

O problema está aí: Mark está bem vivo. Ferido, com um buraco enorme na roupa especial, mas vivo! E ao acordar no planeta estranho e descobrir-se sozinho, ferido, e, pior ainda, sem comunicação com a Terra, com o VAM ou a nave espacial que conduzirá os astronautas de volta à Terra, Mark, em vez de se desesperar, começa uma espécie de diário que posteriormente será intercalado com os acontecimentos na Terra e na nave espacial. 

Mark agora tem ciência de que precisa enfrentar o problema de frente e, depois de remediar seus ferimentos e remendar seus trajes, ele começa a racionalizar toda a situação. Caso consiga comunicar-se e fazer com que descubram que ainda está vivo, Mark teria quatro longos anos de espera pela frente, já que uma missão da grandeza que é enviar uma nave espacial à Marte não acontece assim tão rápido. 

Decidido a se manter otimista, Mark começa sua jornada para se manter mentalmente e fisicamente saudável durante o tempo que precisar naquele ambiente inóspito. Ele agora conta apenas com suas habilidades botânicas e técnicas e com os objetos deixados em Marte pela própria Ares 3 ou pelas missões anteriores. Mas se seu primeiro pensamento, como naturalmente seria o de qualquer um, é permanecer vivo, o segundo é restabelecer contato com a Terra e para isso ele precisará se deslocar longas distâncias no planeta esburacado para resgatar peças de outras missões, um risco enorme a se correr em sua situação precária.

Aos poucos vamos acompanhando essa odisseia de Mark que, cheio de termos técnicos misturados com bom-humor e tiradas sarcásticas, consegue prender o leitor da primeira à última página. Enquanto muitos - eu inclusive - se desesperariam antes do fim da primeira semana - Mark passa os meses em uma maquinação sem fim assegurando sua sobrevivência e desenvolvendo planos engenhosos para, inclusive, providenciar comida quando não houver mais das refeições prontas - sim, porque nesses quatro anos, um dia elas irão acabar, assim como a água! 


Quando Mark começa a escrever no diário de bordo, um dos seus objetivos é tirar a culpa dos ombros de seus amigos astronautas e, portanto, ele às vezes dialoga - e implica - com cada um deles, principalmente sobre os gostos musicais, sobre as leituras e os filmes e séries abandonados pelos mesmos. Há partes hilárias! O outro objetivo, caso sobreviva, é explicar, nos mínimos detalhes, como sobreviveu, o que fez, com que objetos ele contou, por isso muitos reclamaram que há muitos termos técnicos que confundem em vez de explicar. Particularmente, acredito que foi todo o linguajar técnico que deu credibilidade ao livro e às habilidades de Mark, porque se nada estivesse explicado nos mínimos detalhes todos ficariam descrentes e teríamos então a sensação de estar assistindo a um episódio de MaGayver (Quem viveu nos anos 80 vai entender! O cara fazia uma bomba com um pelo de cachorro, cuspe e raspas de tinta de parede!)

Eu poderia contar mais sobre o livro, mas não vou porque grande parte da graça dele está na surpresa do que acontece quando a NASA finalmente descobre, depois de algum tempo, através de satélites, que Mark está vivo e seus companheiros astronautas já estão longe, fazendo o caminho de volta para o nosso lindo planeta azul. Homenagens foram feitas, um enterro simbólico transmitido ao vivo para o mundo todo. O que fazer agora? Resgatar Mark é um risco - e um gasto - muito grande, mas não resgatá-lo é ter toda uma nação, todo um planeta, contra a NASA e o governo americano e eles não podem se expor dessa forma.


Como será que Mark conseguirá sobreviver no planeta vermelho pelo tempo necessário para que seu resgate chegue? O que pode acontecer se houver outra tempestade de areia igual ou pior que a primeira? Como Mark vai conseguir viver quando a comida, o oxigênio, o local sobre sua cabeça, começarem a acabar e a ruir?

Só a título de informação, o nome do livro em inglês é The Martian, ou seja, O Marciano, e o personagem faz várias referências a como ele é na verdade o primeiro habitante de Marte e, portanto, o primeiro verdadeiro marciano! Não sei porque a editora optou pelo "Perdido em Marte", mas não acho um título ruim.

Os direitos do filme foram adquiridos assim que o livro foi lançado pelo nada bobo Ridley Scott (que também será o diretor). A previsão de lançamento é 25 de novembro de 2015 nos cinemas americanos, mas ainda não há data de lançamento no Brasil. O papel principal será de Matt Damon!


Quem está ansiosa, eu? Muito!

Leiam o livro. Vale muito a pena!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O começo do fim (Renata Lima)

Oi, gente,

Segue a resenha do primeiro livro para o Desafio do Skoob desse mês (Tema: Séries). O segundo é "Apocalipse Z" do Manel Loureiro cuja resenha fechará o mês de setembro!
"A maioria das pessoas pensa que o mais assustador é saber que vai morrer. Não é. É saber que você pode ter que assistir a todo mundo que você já amou ou mesmo apenas gostou definhar e não poder fazer nada."
Nossa Avaliação - 8.0
Kaelyn é uma jovem normal enfrentando um ano letivo complicado. Ela saiu da ilha em que morava, foi para Toronto com a família por cinco anos e teve que voltar para a mesma ilha para terminar o Ensino Médio, mas com uma diferença: ela não tem mais seu melhor amigo, o coreano Leo, que se mudou da ilha para estudar dança em Nova York.

Enfrentando um certo preconceito por não ser tão branca quanto os moradores da ilha e preocupada em se ajustar, buscando ser mais extrovertida, Kaelyn faz amizade com Rachel, com quem tem que fazer um trabalho, e tenta se aproximar de Tessa, a namorada de Leo que também ficou na ilha.

Os dias passam e uma gripe começa a se espalhar pela ilha, vitimando Rachel e obrigando Kae a ficar em casa, isolada com a família: o pai, um cientista que passa a ajudar no controle da doença, a mãe, que trabalha em plantões na loja de conveniência de um posto de gasolina e o irmão Drew, que tem uma relação conturbada com o pai desde que revelou que era homossexual.

Logo a doença vai evoluindo e fazendo as primeiras vítimas, os hospitais ficam lotados, a Organização Mundial da Saúde impõe uma quarentena, não há mais escapatória. E, claro, a partir dessa quarentena uma série de eventos é desencadeada e a sociedade como a conhecemos é colocada em risco quando grupos começam a saquear tudo que encontram pela frente na tentativa de sobreviver.

Kae conhece então Gav e junto com ele, Tessa e Meredith, sua prima de sete anos, eles precisam sobreviver à gripe, aos malfeitores, à quarentena e às limitações impostas (como a falta de informações de fora da ilha, a escassez de suprimentos, de luz e de água potável).

Narrando através de cartas, cartas essas que Kae escreve para Leo em seu caderno, sem nunca ter a certeza de que um dia ele virá a recebê-las, a autora canadense Megan Crewe nos conduz muito lentamente por um caminho sem volta e creio que essa tenha sido mesmo a intenção desse primeiro livro. Tudo estava normal, até não estar mais, e a cada dia piora.

A narrativa flui bem, o livro é interessante, a história prende. A Intrínseca optou por manter as aspas na hora dos diálogos, evitando os travessões, e nem senti estranheza nisso. Fiquei um pouco na dúvida na hora de caracterizá-lo, porque é um YA misturado com ficção científica e distopia, mas não faz muita diferença no fim das contas!

A Intrínseca ainda não se pronunciou sobre a publicação dos próximos dois livros, mas imagino que saiam no ano que vem ou assim espero!



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Relatos de arrepiar (Renata Lima)


Quatro acidentes de avião nos quatro continentes do mundo, três crianças que miraculosamente sobrevivem a eles, famílias devastadas pela dor da perda, três famílias vivendo com crianças que parecem não ter nenhuma sequela e ao mesmo tempo permanecem serenas e tranquilas como se não tivessem passado pelo trauma da queda e de perder seus entes queridos. Juntando tudo isso temos o enredo do livro "Os Três" de Sarah Lotz, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro. 

Nossa Avaliação: 8.5
Pamela May, uma dona de casa comum que foi visitar a filha e posteriormente será chamada de profeta de Deus, deixa uma mensagem antes de morrer. Essa mensagem leva seu pastor, Len, a formular uma teoria sobre as crianças sobreviventes, teoria essa que acaba ganhando adeptos do mundo todo, o que pode ser perigoso, principalmente depois que o pastor resolve oferecer uma recompensa pelo sobrevivente que ele insiste que não foi encontrado no acidente na África.

"Eles estão aqui. [...] O menino, O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. [...] pastor Len avise a eles que o menino, não é para ele..."
As crianças parecem diferentes, umas mais que as outras, e as que parecem normais causam mudanças à sua volta. Mas o que impressiona mesmo é a falta de sentimentos verdadeiros, a falta da empatia que é característica nos seres humanos e falta nos ditos psicopatas. (Abro parênteses para falar de um personagem em específico, Paul Craddock, tio de um dos sobreviventes, que, para mim, é o melhor personagem do livro e sua narrativa que me deixou de cabelo em pé!)

Em uma mistura de relatos de familiares dos sobreviventes, vizinhos deles, socorristas, responsáveis pelas investigações das quedas, caçadores de recompensa, notícias de jornal, chats pessoais e outros, a sacada da autora foi escrever um livro que seria a republicação de um livro de não-ficção chamado "Quinta-feira Negra: Da Queda à Conspiração. Por Dentro do Fenômeno dos Três" de Elspeth Martins. Falei "sacada" porque é realmente o que prende no livro: a forma como somos levados a montar um intricado quebra-cabeça com peças quer às vezes parecem caber, mas não cabem! Claro, não é o único livro a se basear em relatos de sobreviventes (vide os livros sobre o Holocausto ou até mesmo o livro de ficção distópica "Guerra Mundial Z").

Acho que todo mundo tem um problema com o final do livro, mas eu até gostei porque nos faz imaginar, nos faz sair um pouco da nossa zona de conforto e questionar "e se...". E eu curto livros assim. Alguns relatos é que pra mim poderia ser suprimidos sem grandes danos ao livro, mas acredito na proposta da autora, então, apesar do livro ser um pouco cansativo às vezes, recomendo para quem gosta dessa mistura de suspense, ficção e uma pitada de terror.

Ah, e eu gosto demais da capa!!!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Passividade e questionamento (Renata Lima)



Antes de começar a falar sobre esse livro, queria explicar que eu optei por uma resenha mais superficial porque praticamente tudo em "Silo" pode ser considerado spoiler, então omiti alguns personagens e informações que acho que devem ser descobertas durante a leitura. Gostaria também de indicar a vocês uma resenha mais profunda e passional: a do Henrique do Pílulas Literárias. A minha indicação é por um motivo muito simples: eu gostei demais do livro, mas o Henrique adorou e fez uma resenha interessante e bem profunda que me fez refletir sobre algumas coisas que eu não tinha "pescado" no livro.

Nossa Avaliação - 9.0
"Silo" começou como um conto auto-publicado pelo autor Hugh Howey que cresceu em popularidade e fez com que o autor escrevesse outros quatro contos que acabam se juntando para formar o primeiro livro publicado aqui no Brasil pela Intrínseca. 

A história do livro é simples: em um mundo distópico e pós-apocalíptico, a Humanidade sobrevive em um silo com centenas de andares subterrâneos (144), onde tudo é metodicamente racionado, havendo inclusive controle populacional e controle de natalidade. 

Qualquer um que entre em contato com o ar tóxico da superfície terrestre tem morte instantânea e isso serve como uma forma de controle. Se uma pessoa for condenada por algum crime ou se começar a questionar demais a vida dentro do silo, ela é logo mandada para a limpeza das câmeras e sensores externos, ou seja é condenada à morte do lado de fora.

Os moradores do silo se dividem em facções de acordo com seus empregos. Eles podem ser da mecânica, dos suprimentos, da TI e podem desempenhar funções como agentes da lei, portadores etc. A prefeita e o xerife são os responsáveis por manter a lei e a ordem e até então eles não tiveram muitos problemas: os moradores do silo parecem conformados em viver ali, quase todos nasceram no silo e não sabem como era a vida fora das escadas que dão para as profundezas.

O problema é que nem todos nós temos o gene da conformidade e alguns nascem com aquele bicho carpinteiro que nos cutuca até que um dia questionemos o por quê das coisas serem como são e é assim que conhecemos Holston, o xerife do silo, que há três anos perdeu a esposa para a limpeza. Por algum motivo, Holston acha que tudo que aprendeu no silo é mentira e ele precisa sair do silo para provar que é possível viver do lado de fora, muitos anos já se passaram! 

Quando Holston sai do silo, o foco da história muda para o pessoal da mecânica: Juliette, Jahns e Marnes. A prefeita precisa de um novo xerife e Holston tinha indicado Juliette antes de deixar o silo. Acontece que o chefe da TI, Bernard, tinha certeza de que o nomeado seria Billings, seu braço direito, e não vai aceitar a nomeação de Jules assim tão fácil. A verdade é que Bernard vai fazer de tudo, inclusive jogar sujo para que Jules cometa algum deslize.

O que me incomodou no livro foi justamente o fato de ele ter sido um conto antes de ter virado um livro. As histórias obviamente se entrelaçam e fazem sentido, mas confesso que lutei muito nas primeiras páginas, criei empatia com os personagens e sentia que sempre que me simpatizava com alguém, ele era tirado de mim de maneira brusca e não muito bem fundamentada. Chegar à metade do livro foi custoso, até me apegar às personagens de Jules e Lukas demorou.

Mas da mesma forma que foi complicado chegar na metade, do meio pro final o livro me arrebatou completamente e eu não queria mais largar até entender exatamente o que estava se passando e começar a questionar todas as informações previamente passadas e o que afinal aconteceu com o mundo que fez com que o silo fosse construído e algumas pessoas escolhidas para sobreviver.


Falando um pouquinho da capa, e não é que eu não goste da capa escolhida pela Intrínseca, que por sinal é a mesma capa americana, eu gostei bastante da capa portuguesa por mostrar a Terra devastada e arenosa.

O segundo livro "Shift" que é uma compilação dos contos 6, 7 e 8 é um prólogo de "Silo", mostrando o que houve antes da criação daquela sociedade enclausurada. Li em um blog que a Intrínseca prometia o livro para outubro desse ano, mas não vi nenhuma informação oficial da editora. Já o terceiro volume "Dust" retoma a história do primeiro livro, traçando um paralelo com o segundo livro.

Posso dizer que estou super ansiosa para terminar mais uma trilogia muito bem escrita, interessante e instigante!

PS: Em 2012 a 20th Century Fox adquiriu os direitos de filmagem de "Wool" e no final do ano de 2013 Ridley Scott, o diretor de "Alien" e "Blade Runner" anunciou que começaria a escolher o elenco no começo de 2014. O filme tem previsão inicial de estrear em Outubro de 2015.

PS2: O Hugh Howey é liiiiindo de morrer!


BOOK TRAILER




sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Desafio Skoob de Janeiro: Diferenças e Semelhanças (Renata Lima)


No meu Desafio Skoob, decidi que leria tudo da minha lista de leitura que conseguisse encaixar no tema do mês. No caso de Janeiro (Livro que virou filme), separei para ler:

1) 100 Escovadas antes de Ir para a Cama da Melissa Panarello (filme "Melissa P." ou "100 Escovadas Antes de Ir para a Cama")
2) A Menina que Roubava Livros do Markus Zusak (Filme homônimo que a Carla já resenhou aqui pro Desafio também).
3) O Doador de Lois Lowry (Filme homônimo ainda sem data de lançamento no Brasil)
4) Dever de Capitão de Richard Phillips (Filme Capitão Phillips que a Aline já resenhou aqui pro Desafio também).
5) Ender's Game - O Jogo do Exterminador (Filme homônimo)

Nossa Avaliação - 8.0
Como o livro "100 escovadas antes de ir para a cama" foi o primeiro que eu li esse ano, resolvi utilizá-lo para resenha do Desafio junto com "O Doador".

Nesse livro, Melissa Panarello conta sua própria história: a história de uma adolescente obcecada pelo amor. Em sua busca incessante por amar e ser amada, Melissa, como quase toda adolescente, se apaixona pelo rapaz errado e tem relações sexuais banais que não resultam nem mesmo em prazer.

Ela conhece homens que querem apenas explorar seu corpo, sem acessar seus verdadeiros sentimentos, e cai em uma espiral de sexo por sexo, entrando em um mundo de sexo grupal, sexo virtual e outras experiências que não são naturais para uma menina tão jovem.

Ele me encontrou deitada na cama concentrada em observar uma mosca varejeira que batia contra a lâmpada do teto, produzindo um barulho chato. Pensei que as pessoas se jogam convulsamente contra o mundo igual àquele animal estúpido: fazem barulho, confusão, dão voltas ao redor das coisas sem agarrar nada completamente...
O livro não se presta a dar lições de moral (ao contrário do filme) e é narrado em forma de diário. Para mim foi impossível não me apaixonar por Melissa, por sua ingenuidade, por sua necessidade de amor, por sua sinceridade ao narrar a vida em família, suas amizades, seus medos e anseios. Em sua incapacidade de se adaptar ao mundo, vendo apenas mediocridade e mesmice ao seu redor, Melissa passa de um amante a outro procurando nada além de si mesma e acho que essa é uma busca eterna, uma busca por identificação, uma busca por amor.
Mas já chega eu me culpando, não quero saber dos sermões dos outros, só quero alguém que me abrace e que faça com que eu me sinta bem.
O cartaz e algumas cenas do filme
























O filme é bem diferente do livro e algumas coisas acontecem tão rápido que acabam não fazendo muito sentido. Inclusive mandaram o pai da Melissa para longe e inventaram personagens e eventos que não aparecem no livro para moralizar a história de um jeito que não gostei.

Também não gostei da direção a la "Laguna Beach". Ficou um reality show que não é reality show, sabe? Achei meio esquisito.

Na verdade, acredito que o mérito no filme está na espanhola Maria Valverde, com 18 anos na época das gravações, interpretando a personagem principal com maestria, mas de resto achei que os atores fizeram interpretações caricatas, principalmente a mãe de Melissa.

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Nossa Avaliação - 8.0
Já "O Doador", apesar da capa e do título de livro de autoajuda, é uma distopia muito bem escrita por Lois Lowry, autora americana de 76 anos, e publicada aqui no Brasil pela Sextante. O livro é o primeiro do chamado "Quarteto Doador" e foi publicado pela primeira vez em 1993 como um livro infantil - o que me causa certa estranheza por conta da temática.

Conhecemos a história de uma sociedade distópica onde tudo é mesmice e ninguém escolhe seu futuro não é completamente estranha, eu sei, mas o livro é narrado de uma forma tão interessante que fiquei realmente deslumbrada.

Jonas vive em uma comunidade organizada por regras rígidas. O clima é artificial, a reprodução é assistida (apenas as mulheres designadas são parideiras e dão seus filhos para serem criados até certa idade em um hospital e depois são "batizados" e dados para os pais definitivos em uma cerimônia), tudo é regido e esquematizado por um conselho de anciãos. Ninguém ali conhece a necessidade, a guerra, a pobreza, o medo, a dor, mas consequentemente eles também não entendem o conceito de amor, de sexo, de aventura, de desejo, exceto O Doador, que é quem detém todo o conhecimento do mundo, mas ele está velho e precisa de um sucessor.

Aos 12 anos, na cerimônia de escolha de profissão, Jonas é escolhido para ser o Portador dessas lembranças e através de sessões diárias com O Doador ele deve receber tudo de bom e de ruim que a Humanidade já fez e/ou presenciou. O conceito de frio e calor, o conceito de guerra, o conceito de desejo, de luxúria, coisas boas e ruins que há muito tempo foram banidas.

É a partir daí que Jonas começa a questionar o conceito de "felicidade" e "liberdade", "certo" e "errado" e, assombrado por um mundo até então desconhecido, Jonas precisa decidir o que fazer com todas as memórias recém adquiridas. 

Eu gostei muito do livro, a leitura fluiu muito bem e achei os personagens bem construídos e interessante. Meu único problema com o livro, e por isso eu dei nota 8.0 e não o 9.0 que ele merece, é que o final parece ter sido escrito às pressas. Há uma queda brusca no desenvolvimento das últimas 50 páginas e é alto tão perceptível que também foi a reclamação de três pessoas cujas resenhas eu li antes de começar o livro.

Como eu disse anteriormente são quatro livros e me chama muita atenção o hiato entre a publicação deles. "O Doador" foi publicado em 1993, "Gathering Blue" em 2000, "Messenger" em 2004 e "Son" somente em 2012. A Sextante não respondeu se tem a intenção de publicar os outros livros da autora, e como "O Doador" foi publicado em 2009 e até agora nada, duvido que o façam, mas quem sabe, se o filme fizer sucesso...

Por falar em filme: o filme "O Doador" estreia nos cinemas americanos no dia 15 de agosto com um super elenco: Meryl Streep, Alexander Skarsgård, Katie Holmes, Jeff Bridges, a cantora Taylor Swift entre outros. Quero muito assistir! Abaixo, uma foto do elenco postada por Katie Holmes e fotos das gravações do filme, já que ainda não saiu o pôster oficial.



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"O Jogo do Exterminador" de Orson Scott Card, publicado aqui no Brasil em 1991 pela Aleph e depois de 2006 pela Devir Editora com essa capa MEDONHA, já está em sua 4a edição. Esse ano a Devir republicou o livro com a capa do filme, dando uma roupagem mais moderna ao livro de ficção científica originalmente lançado nos EUA em 1985.

Nossa Avaliação - 9.0
A Terra foi duas vezes invadida pelos Insecta, uma raça alienígena que como o nome já diz parecem insetos. Na iminência de uma terceira invasão o governo militar procura por crianças intelectualmente superdotadas para formar uma nova esquadra ofensiva contra os Insecta, e é aí que entra nosso querido  herói e protagonista Andrew Wiggin ou Ender, ou Terceiro.

Na nova sociedade, cada casal pode ter apenas dois filhos e os dois irmãos de Andrew estudaram na mesma escola de superdotados que ele e no final falharam por motivos diferentes: Peter Wiggin, o mais velho, é cruel e sádico, principalmente com o irmão mais novo, a irmã do meio Valentine, é compassiva e amorosa demais. 

Concedida a permissão para o Terceiro filho, os Wiggins dão à luz a Andrew, um jovem brilhante que passa por todas as etapas da escola dos superdotados e por fim têm sua prova de fogo ao lidar com a decisão da escola de enviá-lo para casa sem qualquer satisfação aos seis anos de idade.

Depois de se meter em uma briga e ter um comportamento racionalmente explicável, Andrew recebe a visita do Coronel Hyrum Graff, que propõe que Andrew volte para a escola, mas que seja enviado para um treinamento mais avançado em uma Estação Espacial de gravidade zero onde ele não terá mais contato com a família, principalmente com a irmã, que através da narração em off dos diálogos entre o Coronel e o Major Anderson sabemos ser seu ponto fraco.

Uma vez na Estação, Andrew integra uma equipe e eles precisam desenvolver estratégias de guerra contra outras equipes em um ambiente militar com outras crianças de seis a doze anos de idade. São treinamentos, jogos psicológicos, estudos de biologia Insecta, o dia parece nunca acabar e aos poucos Andrew vai conquistando cada vez mais a admiração de seus colegas de "pelotão" - e a inveja de outros - e se destacando como o mais promissor dos Comandantes através de jogos manipuladores controlados pelo próprio Coronel.

Chega a hora de sair da Escola de Combate e ir para a Escola de Comando, onde as equipes já formadas deverão efetivamente combater os Insecta através, mais uma vez, de jogos estratégicos simulados. É importante ressaltar que normalmente as crianças só iam para a Escola de Comando depois dos 16 anos, mas a equipe de Ender é alçada à Escola de Combate depois de muitas complicações e revezes.

Muitos têm dito que "O Jogo do Exterminador" é uma distopia, e eu até concordo em partes, mas acho que essa história de aliens e naves espaciais militares está mais pra ficção mesmo.

Uma dica que eu vi no vlog BEmpoeirada e que eu NÃO sabia, é que "O Jogo do Exterminador" não é uma série, (cara de choque :o), mas que depois do sucesso do primeiro livro, o autor resolveu escrever mais ou menos o que aconteceu depois do livro em uma série de histórias complementares. Eu vi inclusive que tem livros de contos feitos por outros escritores inspirados no livro.

O filme é bem parecido com o livro? Sim! É uma boa adaptação? Sim! Mas há diferenças gritantes? Claro.

O livro é mais detalhista em vários aspectos, o que de um lado é bom, mas de outro é ruim. Descrições de áreas de combate ou de naves espaciais podem ser um tanto chatas. 

A perspectiva do filme é basicamente o que acontece com o Ender e o que o Ender vai se tornando sob a perspectiva do Coronel e sob a perspectiva dos comandados por ele, mas há pontos de virada na escalada do Ender ao posto de Comandante que fazem falta. O livro também traz uma visão mais ampla dos acontecimentos tanto no Espaço quanto na Terra.

O Major Anderson no livro é homem, no filme é interpretado pela atriz Viola Davis, portanto, uma mulher. Não sei se faz diferença, mas em 1985, quando o livro foi escrito, realmente havia poucas chances de uma mulher chegar a Major na carreira militar na área de combate.

Muita gente reclamou sobre a falta de emoção do ator principal - o Asa Butterfield de "O Menino do Pijama Listrado" - mas no livro existe essa ideia de que externalizar emoções é algo mal visto, tanto que os dois opostos estão nos irmãos dele: o ódio de Peter e a compaixão de Valentine. Ender é sempre obrigado a achar um meio-termo e eu achei isso muito bem feito pelo Asa. Acho que ele mostra emoção nas partes certas. E é claro que falando em Asa, ele tem 16 anos na vida real e nunca passaria por um menino de seis, então obviamente os meninos do filme são mais velhos do que os meninos do livro, mas ainda assim não chegam a quinze anos.

O final do filme destoa um pouco do final do livro, mas como não quero dar spoiler, fica a dica para quem for ler o livro depois de ter assistido ao filme.


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Um livro que veio de um filme (Renata Lima)


De uns tempos para cá virou moda livros saírem de filmes "famosos". Foi o caso dos nada surpreendentes "Branca de Neve e o Caçador", "A Garota da Capa Vermelha" e "A Última Casa da Rua", que nem achei interessante resenhar no blog, e do maravilhoso "Os Goonies" escrito por James Khan que eu preciso reler para resenhar, mas que já digo que é fantástico.

Nossa Avaliação - 5.5
"Depois da Terra" foi escrito por Peter David, praticamente um veterano em adaptações, principalmente dos livros para as HQs da série "A Torre Negra" do mestre King (que o Flavio está nos devendo uma resenha, mas tudo bem!). O livro conta exatamente a história do filme: o relacionamento difícil e de muita exigência e pouco carinho de Cypher Raige, um famoso general e Fantasma Original e Kitai Raige, seu filho fracassado que não consegue virar um Guardião devido à impulsividade pré-adolescente dos seus 13 anos.

Para tentar unir mais pai e filho, depois do fracasso de Kitai na prova dos Guardiões, a mãe de Kitai, Faia, sugere que o marido leve o menino em uma viagem que está prestes a fazer. Quem sabe assim os laços entre eles não se estreitam, apesar de Cypher ter alguma mágoa em relação à Kitai por causa da morte da filha mais velha, a Guardiã Senshi, que morrreu protegendo o irmãozinho há muitos anos.

Kitai embarca com Cypher em uma viagem de rotina com outros Guardiões e Fantasmas e descobre que na nave há um Ursa (um mesmo, Ursa no livro é um substantivo masculino), seres criados para dizimar os humanos e que reagem aos cheiro do medo. Fantasmas seriam aqueles que não sentem medo e portanto não podem ser detectados pelos Ursas. O pai de Kitai é considerado o Fantasma Original porque foi o primeiro a domar o medo e a matar um Ursa quando a batalha já parecia perdida.

Depois de uma chuva de meteoros, a nave avariada abre uma espécie de túnel no universo e acaba fazendo um pouso forçado na Terra, onde, reza a lenda,  "tudo evoluiu para matar os seres humanos" e é portanto um planeta considerado hostil. A nave se quebra, a cauda cai distante do corpo da nave e todos morrem, exceto pai e filho, mas o pai agora está ferido, muito ferido, e Kitai precisa atravessar uma floresta fechada e montanhas habitadas por seres que ele nunca viu em busca do comunicador que enviará o sinal de resgate, enfrentando perigos inimagináveis e o Ursa que se soltou e pode estar vagando pelos arredores.

O livro seria muito bom se fosse só visto sob a perspectiva de Kitai e do pai, mas mescla cenas ainda na Terra, antes que pai e filho sequer tivessem nascido, seguindo a linhagem dos Raige de tempos em tempos, o que realmente confundiu um pouco minha cabeça. Tataravós, avós e pais de Cypher Raige aparecem para narrar como era a Terra, como foi a evacuação para Nova Prime, como foi a chegada, como foi a adaptação e eu achei isso meio cansativo e me desviou o foco. Como se não bastasse, há capítulos sob a perspectiva de Bo (um outro cadete aspirante a guardião), a mãe e até a irmã de Kitai e eu realmente espero que todas essas informações sejam aproveitadas nos próximos livros, caso contrário foi só para encher linguiça!

A situação de Kitai parece com a situação de outros adolescentes de distopias que são obrigados a amadurecer em pouco tempo, a tomar decisões que significam vida ou morte, a ser mais do que realmente são, a passarem do status de crianças a símbolos, como foi o caso de Katniss e dos tributos de "Jogos Vorazes", de Tris de "Divergente", de Gregor nos Subterrâneos, Callie de "Starters", Cassia de "Matched"ou June e Day de "Legend". Apesar disso, o livro não chega a ser ótimo e por causa da confusão com os pontos de vista, eu prefiro o poder de síntese do filme. 

Ontem eu fiquei sabendo que a Suma de Letras já publicou o segundo livro lançado, chamado "A Fera Perfeita", que seria um prelúdio ao livro "Depois da Terra". Ele tem 280 páginas e pelo visto as avaliações são mais positivas do que as do primeiro livro.

A franquia "Depois da Terra" está rendendo muitos frutos. Há rumores de novos filmes com Will Smith e o filho Jaden Smith voltando aos papeis principais. Nesse ponto, é importante frisar que o conceito de "Depois da Terra" foi criado por Will Smith e desenvolvido para o filme pelos roteiristas Gary Whitta e M. Night Shyamalan.

Há também uma série de contos somente publicados em e-book (tipo os "Arquivos Perdidos" do Pittacus Lore) que custam em média R$5,00. A ordem dos e-books é a seguinte:

O segundo livro e os contos ficam para a meta de leitura do ano que vem, se eu tiver paciência para encarar.

E você, já leu os livros, os contos, já viu o filme? O que você achou? Deixe sua opinião nos comentários abaixo e vamos trocar ideias!







segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A Hora e a Vez dos Mogs! (Renata Lima e Carla Cristina Ferreira)


Já fizemos um post sobre os primeiros livros dos Arquivos Perdidos, livros complementares da série "Os Legados de Lorien" de Pittacus Lore (que antes era um pseudônimo de dois escritores - James Frey e Jobie Hughes - e agora é pseudônimo apenas de James Frey e dos autores anônimos por contrato que o ajudam a desenvolver a história dos lorienos). 

Nós gostamos tanto da série que resenhamos o mesmo livro duas vezes, o terceiro livro da série "A Ascensão dos Nove" sob óticas diferentes. Mas como eu disse no início, o post de hoje é para falar de mais um livro complementar da série, o terceiro publicado no Brasil, chamado "Os Arquivos Perdidos: Os Legados dos Mortos".

Nossa Avaliação - 8.5
Nos livros anteriores, nos "oficiais" da série e até mesmo nos complementares, nós sabemos que os Números Um, Dois e Três foram assassinados respectivamente na Malásia, na Inglaterra e no Quênia, mas o que exatamente aconteceu com cada um deles? Como morreram, quem eram? É isso que um jovem mogadoriano se predispõe a narrar em "Os Legados dos Mortos".

Sob a perspectiva mogadoriana de Adamus Sutekh (Adam), filho do grande general Andrakkus Sutekh, um mog admirado e temido, descobrimos como aconteceu a vinda dos mogadorianos para a Terra visando destruir os Legados que sobreviveram e para cá foram enviados.

Adam explica como os mogadorianos vivem aqui, se passando por terráqueos normais, infiltrados em diversas camadas sociais buscando sinais dos membros da Garde e acima de tudo da ordem deles (já que por uma espécie de "feitiço" os legados só podem ser mortos de acordo com a ordem estabelecida antes que entrassem na nave que os traria para a Terra).

Adam também nos conta que as mulheres mogadorianas têm problemas de fertilidade e por isso foram criados mogadorianos híbridos em laboratório com qualidades acentuadas, como força, obediência incondicional aos mogs ditos "sangue-puro" e poder destrutivo de uma máquina de guerra. Adam explica embora os mogadorianos nascidos naturalmente possam passar tranquilamente como terráqueos normais, os mogs híbridos não conseguem; a pele deles é extremamente pálida pelos anos passados no subterrâneo e seus dentes são pequenos e afiados, adaptados para o combate corpo-a-corpo.

Um belo dia, Adam está fazendo os deveres de Ivan - Ivanick Shu-Ra, seu irmão adotivo,  que passou a viver com Adam e sua família depois que o pai foi morto na destruição de Lorien - quando ambos são chamados de volta à casa pelo general em caráter de urgência. Pela primeira vez Adam e Ivan são enviados em uma missão juntamente com mogadorianos híbridos, para a Malásia inicialmente com o intuito de capturar uma Garde e sua proterora. Mas o que acontece é que Adam é obrigado a observar "duas dúzias de mogadorianos irem contra uma adolescente e uma idosa" como ele mesmo narra.

Ao descobrirem que a Garde em questão é a Número Um, os mogadorianos mudam de estratégia e decidem matá-la, assim como sua Cepân (protetora) e comemoram efusivamente, principalmente Ivan. Se por um lado Ivan fica extasiado e orgulhoso, esse é pode ser considerado um momento de virada para Adam e tudo que ele acredita.

Nesse ponto, queremos frisar que o conto sob o ponto de vista de um mogadoriano é extremamente interessante. Podemos ver como a sociedade mogadoriana se estrutura e como é o relacionamento em família desses seres: é possível haver amor entre seres que prezam a soberania sobre os mais fracos e a destruição de planetas cheios de vida como a Terra e Lorien? E mais... até que ponto são eles influenciados/doutrinados a seguir o que diz no "Grande Livro" escrito por Setrákus-Ra? Se não houvesse esta influência seriam os mogadorianos seres pacíficos? Estas e muitas outras questões são levantadas por Adam, o que torna a história ainda mais envolvente. Recomendamos demais!

É importante lembrar que Os Arquivos Perdidos não são encontrados em formato impresso, somente em e-book (clique para acessar a Amazon para mobi ou a Saraiva para epub), e custam em média R$4,50 com uma média de 80 páginas cada. A ordem dos livros é:

1) Os Legados da Número Seis (publicado no Brasil em Novembro de 2012)
2) Os Legados do Número Nove (publicado no Brasil em Novembro de 2012)
3) Os Legados dos Mortos (publicado no Brasil em Setembro de 2013)
4) The Search for Sam (prometido para o mês que vem "À busca de Sam")
5) The Last Days of Lorien (ainda sem data de publicação no Brasil "Os Últimos Dias de Lorien")
6) The Forgotten Ones (ainda sem data de publicação no Brasil "Os Esquecidos")

O sétimo Arquivo Perdido será lançado nos EUA em 23/12/2013 e o oitavo em 15/04/2014!

Para confundir a gente, há outros arquivos disponíveis para venda na Amazon.com que são pacotes que vem com três Arquivos Perdidos juntos, por exemplo:

"I Am Number Four: The Lost Files: The Legacies" vem com os três primeiros contos "Six's Legacy", "Nine's Legacy" e "The Fallen Legacies" e sai pelo preço de um conto só, uma pechincha. "I Am Number Four: The Lost Files: Secret Histories" vem com três contos acima citados "The Search for Sam","The Last Days of Lorien" e "The Forgotten Ones". Comprar o pacote vale mais a pena. Financeiramente é o preço de dois arquivos. Lembrando que esses pacotes estão em inglês apenas!

A Origem do Número Oito foi colocado para download gratuitamente no site da Intrínseca, é só entrar e pegar!

E para confundir ainda mais há livros que eu ainda não entendi se são oficiais ou fanfics (escrito por fãs), mas que estão cadastrados no Skoob como se fossem do mesmo autor e figuram no site oficial como EXTRAS. São eles:

Sam's Journal (Diário de Sam)
Sarah's Journal (Diário de Sarah)

Se você tem alguma luz sobre essa questão, deixe aqui nos comentários!!!


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Aluga-se corpos jovens e sadios em "Starters" (Renata Lima)



Em fevereiro desse ano, um dos meus amigos do Skoob (Lucas Lima) fez uma resenha do livro "Starters" e publicou quando eu estava online. No melhor estilo Jair Rodrigues ("eu não tô fazendo nada, você também..."), fui conferir e achei tão interessante que no mesmo dia fui conferir se tinha o livro disponível em e-book.

Por ser mais uma distopia, confesso que fui com o pé atrás, principalmente porque abandonei o livro "Gone" do Michael Grant que tinha uma temática parecida. (Em "Gone", os adultos desaparecem, deixando crianças e adolescentes ao Deus dará; em "Starters", depois da Guerra dos Esporos, as pessoas entre 20 e 60 anos são mortas por causa dos esporos misteriosos).

Mas acho que estou me antecipando! Vamos à história do livro:

Nossa Avaliação - 8.0
A Guerra dos Esporos matou as pessoas entre 20 e 60 anos. Os menores de 20 anos e os idosos foram vacinados antes por serem considerados "grupos de risco" e portanto, foram inoculados contra os esporos. Agora, anos depois da Guerra, os idosos são os "Enders", em sua maioria ricos e influentes, e os jovens são os "Starters". Se fossem traduzir, seria algo como Veteranos e Iniciantes (ainda bem que não traduziram!).

Callie é a personagem principal do livro. Ela é uma Starter que vive se escondendo em prédios abandonados e sobrevive de pequenos delitos juntamente com seu amigo Michael e seu irmão mais novo, de saúde debilitada, chamado Tyler. 

E é por causa das constantes doenças de Tyler que Callie resolve procurar a Prime Destinations, uma empresa que funciona na ainda chique Beverly Hills e que 'aluga' corpos de Starters para Enders ricos utilizando-se de equipamentos altamente sofisticados que mantém os Enders em um estado de semicoma e os Starters acordados através de um micro chip implantado na nuca. Desta forma, os Enders têm controle dos corpos e das mentes dos Starters.

Mas no meio do contrato de aluguel, algo dá errado e o chip de Callie apresenta problemas. Ela consegue se manter lúcida como ela mesma alguns momentos do dia e em outros momentos simplesmente apaga, dando lugar à Helena, a Ender que alugou seu corpo disposta a cometer um crime que pode levar Callie para a prisão e até mesmo condená-la à morte.

Disposta a descobrir tudo que pode sobre a Prime Destinations e o por quê do ódio de Helena contra a pessoa que ela quer matar, Callie se envolve em uma trama de conspirações, mentiras e, é claro, romance com o jovem Blake.

O livro é bom, não posso negar, mas nos deixa com muitas perguntas sem resposta! Outra coisa que me incomodou um pouco foi o fato de Callie ter prontamente abandonado o irmão e o amigo para ficar um mês vivendo na mansão da Ender Helena. Claro que ela se preocupa e envia uma pessoa para ajudar os dois, mas sei lá, não engoli.

Quanto a temática, é extremamente interessante. Quem não quer viver para sempre em um corpo jovem, bonito, sadio? É claro que essa "conveniência" tem um preço, mas e se você pudesse pagar para ser eternamente jovem. (Forever young, I want to be forever young, do you really want to live forever? Forever, forever...)

A não-conclusão do mistério em torno da Prime Destinations e seu idealizador deixa um gancho extremamente perturbador para o próximo livro, "Enders", com previsão de lançamento em 07/01/2014 nos Estados Unidos, ainda sem data de lançamento no Brasil.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Seis + Nove + Oito = a Garde em ação (Carla Cristina Ferreira)



Este post é especialmente dedicado aos livros que complementam a série “Eu Sou o Número Quatro” de Pittacus Lore, já resenhados aqui. São eles: “Os Arquivos Perdidos: Legados do Número Seis”, “Os Arquivos Perdidos: Legados do Número Nove” e “A Origem do Número Oito”.

Nossa avaliação - 8.0
Os dois primeiros livretos estão disponíveis apenas em formato digital enquanto que o último foi disponibilizado pela Intrínseca na época do lançamento do “A Ascensão dos Nove” e pode ser baixado aqui.

Basicamente “Os Arquivos Perdidos” focam na vida de Seis e Nove antes de encontrarem com o número Quatro, em como seu treinamento como Garde teve início e em como era o relacionamento com seu Cêpan (guardião). A história de Seis e Nove não é muito diferente de Quatro, para quem leu os demais livros, tendo como única diferença o fato de terem sido capturados pelos mogadorianos e terem conseguido escapar. A história de Nove é mais emocionante até pelo seu jeito inconsequente dele ser, mas principalmente pela forma como foi capturado.

Nossa avaliação - 8.5
Graças a esses spin-offs conseguimos compreender melhor o comportamento e atitudes dos personagens quando passam a interagir com Quatro. Achei bem esclarecedor como ambos passam a ter um enorme desejo de vingança e se veem como aqueles que irão derrotar Setrákus Rá, o líder mogadoriano.

Já  “A Origem do Número Oito” (quem leu o livro “A Ascensão dos Nove” irá lembrar-se dele pelos seus poderes singulares), é quase um conto no qual Oito nos relata como se sentia logo após perder seu Cêpan e em como achou a orientação que precisava para conseguir desenvolver e controlar seus podres. O texto é tão curtinho que só tem nove páginas, mas mesmo sendo curto esclarece muita coisa.

Nossa avaliação - 7.0
E para quem ainda não sabe, o próximo livro da série “The Fall of Five” será lançado em 27 de agosto nos EUA. Alguns spin-offs já foram disponibilizados lá fora mais ainda não chegaram aqui, assim como há mais dois programados para sair ainda este ano. Mal posso esperar!




sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pittacus Lore detonando (Carla Crisitna)



Hoje é um dia muito especial, na verdade foi ontem Por quê? Porque foi o dia do lançamento de “A Ascensão dos Nove” de Pittacus Lore, publicado pela Editora Intrínseca. 

Para quem não sabe, Pittacus Lore é o pseudônimo de James Frey e Jobie Huhges, autores da série “Os Legados de Lorien”. O primeiro livro “Eu Sou Número Quatro” fez tanto sucesso que no ano passado foi lançado o filme homônimo com Alex Pettyfer no papel principal. 

Nossa avaliação - 8.0
O primeiro volume conta por alto a história do planeta Lorien que foi atacado e dizimado pelos mogadorianos (seres implacáveis de outro planeta) com o objetivo de sugar todos os recursos do planeta e em como, felizmente, nove crianças conseguiram escapar desse destino fatal, juntamente com seus Cêpans (uma espécie de guardião/treinador), fugindo para a Terra. 

O problema é que os mogadorianos vieram para Terra com dois objetivos: caçar os lorienos sobreviventes e consumir nosso planeta. Espalhados ao redor do mundo as nove crianças possuem a missão de desenvolver seus legados (poderes sobre-humanos) e juntos derrotar os ‘mogs’. Felizmente ou infelizmente, os lorienos só podem ser mortos em ordem o que dificulta um pouco a tarefa do inimigo, mas três já foram eliminados e o próximo da lista é John Smith, o Número Quatro. 

Mesmo mudando constantemente é quase impossível ficar fora do radar dos ‘mogs’, como John percebe ao chegar em Paradise, Ohio, e se apaixonar por Sarah e ficar amigo de geek Sam. Resumindo, isso é o primeiro livro. 

Nossa avaliação - 8.5
O segundo livro “O Poder dos Seis” chega a ser mais envolvente do que “Eu Sou o Número Quatro”. Particularmente eu ri e chorei com esse livro, porque eu realmente me vi envolvida com a história. 

Aqui John, Seis e Sam focam no treino árduo para derrotar os mogadorianos e tentam ao mesmo tempo descobrir o paradeiro dos demais membros da Garde. Paralelamente, nos é apresentada mais uma personagem: Marina, a Número Sete, que está escondida em um convento na Espanha e despreparada para enfrentar qualquer perigo, pois sua Cêpan aceitou a Deus de forma a renegar com todas as forças sua origem, negligenciando sua função de treinar Marina. 

Este livro especialmente é cheio de reviravoltas e muitas emoções do início ao fim. Em minha opinião é o melhor de todos, melhor até que do o “A Ascensão dos Nove” (sem desmerecê-lo, é claro). 

E por falar em “A Ascensão dos Nove”... Depois das surpresas emocionantes do final do penúltimo livro, neste encontramos Quatro e Nove de um lado; Seis, Sete e Dez (???) do outro. O objetivo agora é se reunirem o mais rápido possível e encontrar os membros remanescentes: por onde andam Cinco e Oito? 
Nossa avaliação - 8.0

O inimigo supremo vem para Terra, Setrákus Rá, e passa a atormentar os lorienos em seus sonhos, tentando convencê-los a se entregarem a fim de salvar seus amigos queridos. Mais do que nunca, eles precisam se unir para derrotar de uma vez por todas os ‘mogs’, salvar a Terra e quem sabe voltar à Lorien. Se separar agora está completamente fora de questão.

Algumas pontas continuam soltas, mas acredito que não demorará muito para tudo se fechar. O que houve com Sam e seu pai? Afinal com quem John ficará? São tão poucos para repopular todo um planeta... 

Este livro particularmente pode se tornar um pouco confuso porque os capítulos são narrados ora por John, ora por Seis e algumas vezes por Marina. No final é preciso muita atenção, pois os três narram o mesmo capítulo e não há indicação de quem é a vez. Então fiquem atentos. 

O final é um pouco abrupto para mim; eu ainda fiquei rolando as páginas do meu kindle, esperando encontrar mais alguma coisa escondida, mas fiquei mesmo foi com a boca cheia d’água e com a pulga atrás da orelha. Não sei porque eu tenho a impressão de que nem tudo é o que parece. Não consigo imaginar um inimigo tão poderoso recuando tão facilmente. Espero estar enganada, mas tenho a impressão de que tem uma pegadinha aí. Hummmm.... 

Gostou? Ficou interessado? Tá esperando o que para comprar o seu?



sexta-feira, 8 de junho de 2012

Julio Verne e suas viagens extraordinárias (Carla Cristina Ferreira)



Julio Verne é um dos autores clássicos mais traduzidos e é considerado um dos precursores da ficção científica. Suas obras fantásticas falam de viagens exóticas e de grandes avanços tecnológicos. Quem nunca viu “Viagem ao Centro da Terra”, “A Volta ao Mundo em 80 Dias” e “Vinte Mil Léguas Submarinas”?

Autor de mais de 40 livros, Verne teve sua carreira literária alavancada em 1862 ao publicar o romance “Cinco Semanas em um Balão” e daí em diante não parou mais até sua morte.

Nossa Avaliação - 7.5
O primeiro livro que li de Verne foi “Viagem ao Centro da Terra” e confesso que fiquei um pouco decepcionada com a narrativa: esperava mais aventura e ação, mas acabei entediada com algumas passagens muito longas e com os vários nomes complicadíssimos em islandês.

A trama gira em torno de Axel e seu tio, o geólogo e professor Dr. Lidenbrock, que descobrem um antigo manuscrito escrito em código por um alquimista islandês que indica o caminho para o centro da Terra. Após decifrar o complexo texto, sobrinho e tio partem para a Islândia em busca da cratera do vulcão Sneffels. Após enfrentarem falta de água e se perderem entre os vários túneis subterrâneos, descobrem a entrada para um mundo desconhecido. Mas não vou contar mais, mesmo a história sendo bastante conhecida depois da adaptação para os cinemas em 2008 com Branden Fraser e Josh Hutcherson.

Outra obra famosa de Verne é “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, cujo protagonista é Phileas Fogg, um excêntrico inglês cuja vida é regrada pela disciplina e pela pontualidade e que aposta com os amigos que é capaz de dar a volta ao mundo em 80 dias. Com a ajuda de seu fiel empregado Passepartout, Fogg saiu de sua zona de conforto para embarcar em uma viagem passando por Suez, Calcutá, Bumbai, Hong Kong, Yokohama, São Francisco e Nova York.

Nossa avaliação - 6.0
Apesar de a maioria dos livros sobre a ”Volta ao Mundo” retratar um balão na capa, em nenhum momento os personagens utilizam este meio de transporte, atendo-se apenas as estradas de ferro e aos navios para se locomoverem. O legal é acompanhar a leitura junto com um mapa para poder ir acompanhando o progresso dos viajantes.

Essa é uma história mais interessante, de leitura mais fácil e com mais aventura e ação até porque, além da viagem em si, os personagens são acusados de terem roubado um banco em Londres e acabam perseguidos pelo mundo pelo agente da Scotland Yard, Sr. Fix.

A mais recente adaptação do livro para as telinhas foi em 2004, A Volta ao Mundo em 80 Dias – Uma aposta muito louca, com Jackie Chan e Steven Coogan. Claro que como se trata de um filme com Chan, algumas grandes adaptações foram feitas na história.

Inclusive houve um desenho animado da Hanna-Barbera, “A volta ao mundo em 79 dias” que estreou em 1971 e teve 17 episódios. Eu vi e você?