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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Quando você espera uma coisa e lê outra (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 7.0
"O Céu é de Verdade" é narrado em primeira pessoa pelo pai de Colton Burpo, Todd Burpo, pastor protestante, depois de Colton passar por uma cirurgia de emergência.

Todd, que já passou por muitos problemas de saúde, como uma perna fraturada em um jogo e um câncer de mama - sim, homens também podem ter câncer de mama -, entra em desespero e passa a questionar o Divino, tendo inclusive uma discussão com Deus enquanto seu filho está na mesa de operações.

Colton sobrevive, é claro, e nos próximos dias e meses, como qualquer criança, vai deixando escapar frases que não são comuns, como por exemplo dizer que o pai estava chorando em uma sala do hospital e a mãe estava no corredor falando ao telefone, o que realmente aconteceu enquanto ele estava na sala de cirurgia.

Ao ser indagado pelos pais como ele sabe de coisas que não deveria saber, Todd conta que deixou o corpo acompanhado por anjos e que visitou o céu, interagiu com pessoas já falecidas, caminhou nos jardins e sentou no colo de Jesus Cristo, dando detalhes sobre que aparência teria, em descrições muito vívidas.

O problema é que quando comecei a ler "O Céu é de Verdade", acreditei na frase que ilustra a capa do livro, achando que seria um "impressionante relato do menino que foi ao céu e voltou para contar", mas me decepcionei, e muito, ao ler uma história sob o ponto de vista do pai do menino, um pastor protestante, como eu já disse, que não deixou qualquer margem para interpretação dos relatos do filho e já foi logo lançando um monte de versículo bíblico para dar tom de pregação às histórias simples de um garoto de quatro anos. 

Achei forçado e tendencioso. 

Por outro lado, o livro tem seus méritos e nos coloca a todos nessa condição humana que nos torna céticos e cínicos na hora da dificuldade. Quantos momentos não barganhamos com Deus acreditando que Ele fará o que é melhor para nós e não o que deve ser feito para que se cumpra a missão daquela pessoa pela qual sofremos de forma tão pungente, nesse caso, um menino de quatro para cinco anos. 

Até mesmo um homem de Deus tem seus momentos de incerteza e suas crises de fé quando o inimaginável acontece dentro de casa.

Instigada pela história, procurei no You Tube sobre Colton e Todd Burpo e tem muita coisa por lá, inclusive legendada, que remetem também à uma menina prodígio chamada Akiane Kramarik que pinta o céu que vê em visões e sonhos desde os quatro anos de idade e aos oito (PASMEM!) pintou o quadro Prince of Peace (Príncipe da Paz) que é considerado o mais próximo da imagem de Jesus Cristo sendo comparado com as impressões deixadas no Santo Sudário.

Entendam, eu não estou dizendo que eu acredito piamente em tudo que leio e vejo, mas sempre deixo a mente aberta para novos conhecimentos e não duvido que as crianças tenham um contato maior com o mundo invisível, com o que chamamos de pós-morte.

Quer você leia como ficção ou como biografia, o relato de Colton deixa uma mensagem a todos nós: a morte não é o fim. É apenas um novo começo. 

Em 3 de julho de 2014, estreou o filme baseado no livro e obviamente muitas coisas foram mudadas, omitidas e outras dramatizadas ao extremo para a adaptação.

No elenco Greg Kinnear (de "Melhor é Impossível") como o pai e Thomas Haden (de "Homem Aranha 3") em um papel sem expressão.

É um filme bem Sessão da Tarde que, como o livro, acaba destacando mais as experiências do pai e da família do que o relato do filho, mas é interessante e como entretenimento vale a pena!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Quebrando o silêncio sobre o Holocausto (Renata Lima)


O mês de junho começou e com ele vieram os novos Desafios. O do Skoob é ler um livro de um autor brasileiro (englobando contemporâneos), o desafio principal do Desafio das Estrelas é ler um livro sobre guerra como tema. Hoje venho falar com vocês sobre dois livros que eu li nessa primeira semana de junho: "Estrela Amarela" de Jennifer Roy e "Depois de Auschwitz" de Eva Schloss que vem a ser a meia-irmã da famosa e corajosa Anne Frank do livro "O Diário de Anne Frank", que sobreviveu ao Holocausto e, assim como Sylvia Perlmutter, a narradora do primeiro livro, resolveu, já na velhice, finalmente falar sobre as experiências traumáticas vividas pouco antes, durante e depois da Segunda Guerra Mundial.

O que me impressionou nos dois livros, assim como nos outros livros sobre o Holocausto que eu tenho lido ultimamente, é o fato de que as pessoas ficaram anos e anos em silêncio sobre um assunto tão pertinente, mas os motivos são óbvios. Como se supera o trauma de ser desconectado de tudo que você conhece, de todos que ama, da vida que você tem, de uma hora para outra por causa da sua religião, da sua nacionalidade, da cor da sua pele, de alguma característica marcante do seu rosto? Há de se digerir tudo que se passou antes de colocar para fora e no caso dos livros abaixo, foi necessário quase meio século para que tudo fosse digerido para ser, finalmente, colocado para fora. 

Nossa Avaliação: 8.5
Em "Estrela Amarela", a tia idosa da autora do livro, Jennifer Roy, se chama Sylvia Perlmutter e durante muito tempo, Sylvia permaneceu em silêncio e nunca falou para ninguém o que ela e sua família passaram nos seis anos que as tropas de Hitler ocuparam a cidade em que viviam e os isolaram em um gueto chamado Lodz.

Tantos anos de silêncio, porém, se rompem quando a tia finalmente decide contar sua história e foi através das gravações das conversas que a autora decidiu, depois de muito lutar com o estilo da narrativa, escrever o livro em primeira pessoa, utilizando a voz da própria tia quando criança para narrar como era a vida antes e como ficou depois da invasão alemã à Polônia.

Aos quatro anos de idade, notamos que a inocência de Sylvia não permite que ela compreenda o que está acontecendo no mundo. Ela só sabe que há uma tensão quase palpável no ar, embora não veja motivos para isso.

Depois de tentar em vão uma mudança para Varsóvia, a família de Sylvia precisa retornar a Lodz e uma vez lá são obrigados a deixar aquilo que chamam de lar para trás e se amontoarem com outras famílias no gueto da cidade, em um apartamento mínimo e com banheiro compartilhado. A partir desse momento, vamos notando que os acontecimentos históricos vão dando ritmo à narrativa e cada vitória ou derrota do exército de Hitler tem novos desdobramentos dentro do gueto, sendo os mais impactantes a separação dos pais e dos filhos e os trens que deixam o gueto com trabalhadores que ao chegarem ao seu destino descobrirão que não estão indo para os campos de trabalho, mas para os campos de concentração e extermínio.

Com inúmeras escapadas fenomenais da morte, a família de Sylvia sobrevive, mas não sem sequelas desse que foi um momento tão feio que vai manchar a história da Humanidade para todo o sempre.

O livro é bem curtinho, com apenas 144 páginas, e, apesar da narrativa ser muito boa e interessante, não gostei muito do fato de ela ser quase dividida em tópicos curtos. Acho que ficaria melhor se a narração fosse contínua e fechada em capítulos, mas essa é só uma impressão minha e isso não dificulta ou prejudica a leitura de forma alguma. Acredito até que quem lê pouco vai gostar da narrativa mais fragmentada.

A capa do livro é interessante, o título tem tudo a ver com o livro porque os judeus eram obrigados a exibir a estrela amarela do judaísmo nos casacos. Para uns andar com a estrela era quase ostentar "a marca de Caim" ou o símbolo da vergonha, enquanto para outros foi uma benção e um orgulho e, para muitos, foi uma salvação.

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Se o relato do livro anterior é mais fragmentado e rápido, o relato desse livro, feito também em primeira pessoa por Eva Schloss, é mais completo e eu diria que até mais cruel. O interessante é que a autora diz logo no início que um dia foi convidada a falar sobre a meia-irmã Anne Frank em um palco e quando começou a falar, não conseguiu mais parar e até hoje ela não se lembra exatamente tudo que disse naquela ocasião, mas acredita ter sido algo muito relevante porque foi a partir daí que ela começou a ser convidada para falar sobre os horrores do Holocausto em vários locais, mas principalmente nas escolas.

Em "Depois de Auschwitz", a autora narra a história de sua família e amigos e impressiona ao mostrar como de uma hora para outra a propaganda nazista fez com que colegas de escola se virassem contra as colegas judias, como os judeus foram humilhados, maltratados e agredidos nas ruas de Viena, como tiveram que fugir em massa, como um êxodo, procurando refúgio em países vizinhos e até em países distantes, como a Austrália.

Eva Schloss, ainda criança, quando sua mãe ainda não tinha se casado com o pai de Anne Frank, se vê com seu pai, sua mãe e seu irmão vivendo uma vida normal quando é confrontada com uma dura realidade e tirada de sua situação de conforto para viver em constante estado de tensão.

Renegados por vizinhos e com medo da iminente invasão de suas casas, Eva e seus familiares fogem, passam por situações difíceis e precisam se separar: o pai de Eva consegue um visto de trabalho na Holanda enquanto ela e o restante da família ficam na Bélgica, onde alguns se aproveitam da situação de que eles são judeus, e portanto marginalizados pela sociedade, para assediá-los.

Quando o pai de Eva finalmente consegue levar a família para junto de si, em Amsterdã, a vida parece que vai voltar ao que era antes e é então que Eva conhece Anne Frank, descrita por ela como uma menina vaidosa e bonita, enquanto Eva é uma moleca. Mas a calmaria não dura para sempre e meses depois eclode a Segunda Guerra e os judeus passam a ser caçados e trancados em campos de concentração como o temido Auschwitz que ilustra a capa do livro.

Apesar de saber que não há como dar spoiler de tanto que já foi dito, lido e visto quanto a esse assunto, não quero entrar muito nos detalhes do livro, só dizer que ele é emocionante, bem escrito, detalhado e dá aquela sensação de "como a Humanidade pôde deixar algo assim acontecer?" ao mesmo tempo em que notamos uma certa "inocência" dos países invadidos, aceitando a palavras de um ditador psicopata como era Hitler.

Recomendo para quem gosta do tema e acho que é outro livro que deveria ser lido na escola porque o relato de quem viveu essa barbaridade é muito mais completo e mais preciso do que os livros de História nos mostraram ao longo dos anos.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Desafios: De livros adaptados a biografias (Renata Lima)


Como sempre, o último post de maio é para falar dos desafios do mês.

O Desafio do Skoob era ler uma biografia. Eu li "Os Caminhos de Mandela" de Richard Stengel, "Sua Voz Dentro de Mim" de Emma Forrest, "3096 Dias" de Natascha Kampusch e "Meu Amigo Michael" de Frank Cascio.

O Desafio das Estrelas era ler um livro que foi adaptado para a TV ou para o cinema. Eu li "Odd Thomas" de Dean Koontz, "O Cirurgião" de Tess Gerritsen, "A Mulher do Viajante no Tempo" de Audrey Niffenegger, "Sua Voz Dentro de Mim" de Emma Forrest, "The 100 - Os Escolhidos" de Kass Morgan, "Saco de Ossos" de Stephen King, "Dias Perfeitos" de Raphael Montes e "3096 Dias" de Natascha Kampusch. (O que não tem resenha ainda, entra no mês que vem!)

O Desafio Extra do Desafio das Estrelas foi ler um livro que tivesse a ver com casamento. Eu li "Noiva de Ocasião" de Liz Fielding, "Para sempre" de Ana Maria Machado, "Noiva por Encomenda" de Michele Ann Young, Billie Warren Chai e Kimberly Ivey e por fim "Belo Casamento" de Jamie Mcguire. (Nenhum me deu vontade de escrever uma resenha, talvez  faça uma de "Noiva por Encomenda" que foi o melhor de todos eles, mas se tiver algo específico que vocês queiram, deixem nos comentários. Como já tem um monte de gente falando sobre "Belo Casamento", achei que ia ficar muito repetitivo.)

Hoje escolhi falar para vocês sobre os livros "3096 Dias" Natascha Kampusch e "Meu Amigo Michael" de Frank Cascio, duas biografias muito diferentes entre si, mas com o ponto em comum de tratarem de duas pessoas confrontadas com duas situações de desespero e trauma: uma foi sequestrada aos 10 anos de idade por um engenheiro de telecomunicações e mantida em cativeiro por 3.096 dias e a outra foi acusada de abuso de menores aos 35 anos no auge de sua carreira.

Nossa Avaliação - 9.0
Em 2011, a Verus Editora trouxe para o Brasil a história de Natascha Kampusch e seus 3.096 dias (ou 8 anos) em cativeiro. Os fatos de sua fuga são conhecidos por todos nós, mas antes de mergulhar de vez no universo de maldade em que viveu nesses oito anos, Natascha narra uma vida em família fria, com pais impacientes e um tanto distantes, que, mesmo com o alerta que envolvia pedófilos à solta, deixavam que a menina fosse para a escola caminhando sozinha. Provavelmente valendo-se da mentalidade de que "isso nunca vai acontecer com a gente". Mas aconteceu. E aos 10 anos de idade, Natascha foi sequestrada por um engenheiro de telecomunicações e mantida em um porão em Viena, na Áustria.

Apesar do final feliz, mesmo após os oito anos presa, a narração de Natascha é tensa porque sabemos que a partir do momento em que o psicopata coloca Natascha no carro aquela menina assustada de dez anos vai passar por um verdadeiro inferno em um porão mínimo desenvolvendo uma relação de afeto com seu sequestrador nos primeiros anos, apesar da tortura psicológica que Wolfgang Priklopil fazia, dizendo que seus pais a haviam abandonado, não procuravam mais por ela e estavam aliviados por ela ter desaparecido.

Infelizmente essa relação tem fim quando Natascha tem sua primeira menstruação e passa a ser considerada suja na mente psicopata e distorcida de Wolfgang. Então é por volta dos treze anos que a menina Natascha começa a enfrentar os piores maus tratos, torturas e privações inimagináveis, ao mesmo tempo e que somos informados do que acontecia do lado de fora, das pistas erradas que davam em nada, dos erros na investigação, da Polícia que deveria ser de primeiro mundo agindo de uma forma quase amadora.

Anos depois, maltratada ao extremo, Natascha finalmente foge e precisa enfrentar uma nova violência: a invasão de sua privacidade pela imprensa austríaca. Apesar de livre fisicamente, a mente de Natascha continuou refém de toda violência e, como ela mesma fala, é somente ao escrever sobre tudo o que passou é que Natascha pode "finalmente dizer: Sou livre!"

O filme alemão (mas falado em inglês) "3096 Dias" obviamente não mostra nem a metade do sofrimento de Natascha, mas também é de cortar o coração. Sem um elenco estelar, talvez o mais famoso seja o alemão que faz o psicopata Wolfgast, Thure Lindhardt, e com diálogos crus e simples, somos levados de uma forma muito breve e superficial aos oito anos de cativeiro com duas atrizes que fazem Natascha. Dou destaque para a interpretação da moça do cartaz, a irlandesa Antonia Campbell-Hughes e do próprio Thure Lindhardt.

Vale muito a pena conferir e quem leu o livro vai notar que tudo passa muito rápido, mas nesse caso não havia muito o que fazer! Recomento demais o livro, com um trabalho editorial muito bom e tradução e revisão impecáveis!


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Para começar essa resenha, acho melhor dizer que sou fã de Michael Jackson. Não dessas fãs que choram, berram, quase morreram junto com ele, mas dessas que admiram, respeitam, sabem as músicas, têm shows gravados e sentem falta da genialidade desse homem que ao longo de sua vida foi tão incompreendido e tão prejulgado pelo tamanho da nariz, pela cor da pele, pela identificação com as crianças.

Nossa Avaliação - 8,5
Já li várias biografias sobre Michael Jackson e confesso que nenhuma delas me pareceu tão real quanto essa, obviamente porque Frank Cascio conviveu com Michael da infância à idade adulta. Junto com seus pais e irmãos, Frank e a família Cascio são considerados até hoje a segunda família (quase secreta) de Michael Jackson, com livre acesso à casa do cantor (o rancho Neverland, ou Terra do Nunca), aos shows internacionais, aos programas de TV da mesma forma que Michael tinha livre acesso à casa e à família Cascio.

Frank não apenas conviveu pessoalmente com Michael, mas depois de se formar no Ensino Médio foi convidado para ser assessor particular do astro e passou a conviver também profissionalmente com aquele que nas décadas de 60, 70, 80 e 90 foi considerado muitas vezes como o melhor artista do mundo e acho que por isso o relato de Frank parece tão verdadeiro e sincero.

Através de sua narrativa conhecemos o Michael que a imprensa nunca mostrou, talvez porque ele nunca tivesse permitido ser visto como era de verdade: o Michael culto, responsável, irmão mais velho, pai, amigo. O Michael que era antes que as acusações de abuso sexual tirassem sua paz de espírito e o levasse em uma espiral de autoflagelação, paranoia e desespero que culminaram em sua morte por abuso de propofol quase 16 anos depois do primeiro processo. Impressiona saber como as acusações quebraram Michael Jackson de tal forma que o cantor já não sabia mais em quem confiar, em como ele se cercou de pessoas de confiança para depois, já consumido pelo desespero, acusá-las de traição.

Antes disso porém, somos levados a Neverland, dormimos no chão do quarto de Michael, passeamos por sua propriedade, descobrimos seus recantos preferidos. Vamos comprar brinquedos, vamos a orfanatos e participamos de shows beneficentes. Descobrimos juntos o poder dos advogados, o investimento milionário de um sheik que faz com que Michael se case pela primeira vez - com a filha do Rei do Rock Lisa Marie Presley -, notamos a vontade de Michael em ser pai e como ele se preparou para isso, como se preparava para quase tudo na vida: através dos livros e dos filmes. E logo depois nos deparamos com os primeiros indícios de problemas: a tristeza, o cansaço, um acidente que lesiona sua coluna, as paranoias.

Apesar de achar algumas passagens um pouco repetitivas, no geral achei o livro muito bom, com destaque para o fato de reconhecer na amizade de Frank e Michael as minhas próprias amizades. Acho que qualquer pessoa que tem um amigo verdadeiro vai se reconhecer nos pequenos desentendimento, nos pedidos de desculpas, nos toques quando alguém faz alguma coisa errada, nas risadas nos momentos bons e no apoio nos momentos difíceis. No mais, as pessoas podem dizer o que quiser sobre Frank Cascio, mas não podem tirar dele essas lembranças de uma pessoa que para o mundo era um artista fantástico, porém um tanto excêntrico, mas para ele era apenas o Michael, seu melhor amigo.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Todo mundo tem um pouco de Emma Forrest (Renata Lima)

Antes de falar sobre esse livro, é necessário dizer que eu não sabia quem era Emma Forrest. Sou tão alheia ao mundo das celebridades internacionais quanto ao das nacionais e nunca sei quem casou com quem, quem traiu quem, quem teve filho com quem, e confesso que mal acompanho a vida pessoal dos meus ídolos de sempre, imagine daqueles que muito pouco me interessam.

Nossa Avaliação - 9.0
O que tenho a dizer sobre Emma Forrest e seu livro "Sua Voz Dentro de Mim", publicado aqui no Brasil pela editora Rocco, é que todos somos um pouco como ela: inseguros, inconstantes, desejosos não só de amor, mas de alguém que nos aceite com nossos defeitos e qualidades e que não apenas nos ouça, mas também fale conosco. Ninguém é tão autossuficiente que não precise de alguém, principalmente alguém que diga as coisas que não queremos, mas precisamos, ouvir. Por isso o livro é dedicado ao psiquiatra Dr. R.

A vida um tanto desregrada de escritora e roteirista, a falta de uma rotina de trabalho e de uma certa estabilidade emocional levam Emma ao limite várias vezes, principalmente por ela já ter uma predisposição à doença, mas também a levam a procurar uma ajuda que, ao longo dos anos, torna fundamental a sua melhora, o seu sucesso e o seu equilíbrio emocional.

Em meio ao relato de vida da própria Emma, com suas depressões, tentativas de suicídios, temos também cartas de outros pacientes do Dr. R que agradecem por sua dedicação e sua ajuda nos momentos mais difíceis de suas vidas. São cartas de homenagem póstuma, já que o Dr. R faleceu por conta de um câncer que quase ninguém além da família sabia que ele tinha.

Passando por partes significativas de sua infância, sua fixação por um quadro específico (que acaba quase ilustrado na capa de uma forma bem poética), sua mudança da Inglaterra para os EUA, suas amizades e seus relacionamentos, a maioria fracassados, Emma nos revela uma personalidade quase bipolar com o olhar que desenvolveu após o tratamento com Dr. R, ao mesmo tempo sensível e analítico, se é que isso é possível. Conhecemos então seu Marido Cigano, ou MC, pseudônimo que ela usa para falar do ator famoso Colin Farrell, um de seus namorados famosos. Mas não espere uma lavação de roupa suja, o relato do romance é breve, interessante, mostrando que MC era tão problemático quanto a própria Emma, mas os dois mantiveram durante anos os laços de amizade.

O livro de Emma é na verdade um livro de agradecimento ao Dr. R e à família do psiquiatra e a lição que fica é nunca subestimar os benefícios de alguém que faz o que ama, porque se hoje Emma Forrest tem 37 anos, tem filmes e livros de sucesso e é casada com o ator Ben Mendelsohn, ela deve tudo isso ao fato de que um dia o Dr. R a diagnosticou e a tratou com o carinho que ela precisava.

Ah, e esqueci de falar que o livro vai virar filme, com Emma Watson, a eterna Hermione do Harry Potter, no papel principal!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Mandela: Medo, coragem e superação (Renata Lima)

“Os Caminhos de Mandela” de Richard Stengel é um livro que desde a capa diz a que veio: proporcionar “lições de vida, amor e coragem” através de um relato da convivência que o jornalista Richard Stengel teve com Nelson Mandela enquanto colhia material para escrever a autobiografia do líder sul-africano intitulada “Longa Caminhada Até a Liberdade - a Autobiografia” e nos anos seguintes em que Stengel visitou Mandela em diversas ocasiões.

Li em uma resenha no Skoob que alguns trechos incomodam porque “o jornalista esquece a imparcialidade e mais parece um fã de boyband que acompanha seu ídolo em uma turnê”, mas temos que partir do princípio que o autor já nos diz no começo do livro que desenvolveu uma relação de carinho com Mandela, que acabou virando padrinho de seus filhos, então não podemos contar com imparcialidade quando há uma relação tão grande de amor e admiração.

Apesar disso, Stengel nos apresenta um Mandela diferente daquele que passamos a admirar ao longo dos anos por sua luta contra o apartheid na África do Sul, luta essa que o levou à prisão por 27 anos. Conhecemos o Mandela por trás das câmeras, o Mandela que não gosta de dar gorjetas, que, apesar de ser um pai para a nação, tem uma relação um tanto fria e distante com os próprios filhos. O Mandela que, ao mesmo tempo, sabe utilizar os talheres de prata quando em jantares finos e come com as mãos quando está em casa.

Baseado em relatos de situações específicas, como sua circuncisão aos 16 anos, ainda vivendo sob a tutela do rei de uma tribo, uma viagem de risco em um avião danificado, a morte do filho, o primeiro emprego,  a época da prisão, a soltura, etc, Stengel mostra a reação de Mandela a cada uma delas, com reflexões interessantes sobre o medo, a contradição, a mentira, os inimigos, a sabedoria e acima de tudo a coragem.

Através dos relatos, nos sentimos mais próximos de Mandela e de seus ideais, entendemos como a prisão modifica um homem, o endurece de certa forma, mas por outro lado em como Mandela saiu dela mais fortalecido em sua missão e em seus ideais e disposto a continuar a lutar pelo seu povo.

Algumas pessoas vão notar que essa não é uma biografia típica que vai seguir Mandela do nascimento até a morte, outras vão classificar esse livro como um livro de autoajuda. Eu não me preocupei muito em categorizar o gênero literário ao qual esse livro faz parte, principalmente porque como grande admiradora de Nelson Mandela, não há muito sentido nisso, mas também porque o livro é muito bom, cheio de frases impactantes e me trouxe muitos momentos de reflexão. Recomento bastante!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Desafio Skoob Janeiro: Somos mais forte do que imaginamos (Aline Basilio)


Comecei bem o ano de 2014 com uma leitura maravilhosa. 

Escolhi “Dever de Capitão” por estar participando do Desafio Literário Skoob 2014 em que cada mês foi escolhido um tema e o de Janeiro foi “Um livro que virou filme”. Como já havia comprado esse livro em um sebo, decidi começar por ele. E não me arrependo nem um pouco. 

O livro possui uma leitura fácil e rápida com acontecimentos importantes a cada capítulo que nos deixam com gostinho de quero mais, curiosos para saber o que virá depois. Foi nesse clima que li o livro em pouquíssimos dias e até chorei em algumas partes. Por ser uma história verídica acabei me identificando muito com o personagem. Emocionante!

Nossa avaliação - 9.0
"Dever de Capitão", além de um livro que virou filme, é também a biografia do capitão Richard Phillips, que em 2009 teve seu navio, o Maersk Alabama, sequestrado por piratas somalis durante uma viagem a trabalho.

Com sua experiência e sabendo que a costa africana possui perigos, Richard havia treinado sua tripulação contra inimigos em uma simulação que acabou sendo de grande importância para a sobrevivência de todos após a invasão pirata.

Sozinhos, no meio do oceano, sem armas e sem ajuda, a tripulação precisa usar todos os recursos possíveis para vencer os quatro piratas armados, mas os maiores recursos que eles têm a seu favor são a união e perspicácia de seu Capitão.

O Capitão Phillips manda que todos se escondam no navio e, pelo rádio, dá dicas aos tripulantes enquanto é mantido refém na cabine de comando ou caminha pelo navio com os piratas em sua cola.

Por fim, para salvar sua tripulação, o Capitão passa cinco longos dias como refém dos somalianos em um pequeno bote navegando no mar. 

A tensão move o relato detalhado de cada momento vivido junto aos piratas intercalando os momentos em que sua família busca por notícias, sem saber o que pensar ou como agir.

O filme “Capitão Phillips” foi lançado no Brasil em 2013 e é estrelado por Tom Hanks em uma interpretação de tirar o fôlego, principalmente no final!

O filme consegue retratar com maestria toda a emoção descrita no livro, remetendo cada imagem na tela à leitura, me trazendo com detalhes vívidos a agonia de esperar o que viria a acontecer depois em cada detalhe, cada momento...

Absolutamente imperdível, tanto o filme quanto o livro!

P.S. da Renata: O filme foi indicado ao Golden Globe por Melhor Filme Dramático, Melhor Ator (Tom Hanks), Melhor Ator Coadjuvante (Barkhad Abdi) e Melhor Direção (Paul Greengrass), além de indicação em prêmios técnicos, mas infelizmente não levou nenhum dos prêmios.


Cenas do filme "Capitão Phillips"

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Filmografia em livro (Aline Basílio)



Minhas maiores paixões hoje em dia são os livros e os filmes. Foi por isso que decidi comprar e ler “O Clube do Filme”, um livro que une as duas artes. Isso mesmo, vários filmes são citados nesse livro e essa foi a parte que mais gostei da leitura.
Nossa Avaliação - 7.0

O livro relata a história de David Gilmour, o autor. Em se tratando de um relato autobiográfico, Gilmour nos conta como tentou educar seu filho através dos filmes.

David foi crítico de cinema e apresentador de um programa de entrevistas sobre entretenimento, pai de Jesse, divorciado e responsável pela criação do filho. Em determinado momento de sua vida ficou desempregado e vendo o desinteresse de seu filho, de 15 anos, pela escola, propõe a ele algo inusitado: que abandone a escola seguindo algumas regras (não se envolver com drogas e ter que assistir a três filmes por semana, escolhidos por seu pai).

Durante os três anos seguintes, acompanhamos as sessões de filmes de pai e filho, além de vivenciarmos o amadurecimento de Jesse e o fortalecimento da relação pai-filho. A cumplicidade deles é algo lindo de vermos, mesmo sendo Jesse um adolescente, vivendo seus desamores e tendo uma vida típica da idade.

Com os filmes surgem conversas sobre mulheres, drogas, trabalho, música, aproximando cada vez mais os dois, que passam a trocar experiências a partir do que assistem. Uma escrita fácil e rápida descrevendo como o amor de um pai por seu filho pode ser enorme e como a paixão por cinema os une a cada dia.

Confesso que a leitura não me cativou, muito embora seja uma boa história. O que me interessou mesmo foram as descrições dos filmes, cenas marcantes, atores e diretores, sempre nos contando alguma curiosidade sobre o filme em questão. E, para facilitar, ainda há no final do livro uma relação com os nomes, anos de lançamento e diretores dos filmes citados. Amei, é claro!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Cartas para Julieta um livro diferente do filme (Renata Lima)


Ontem eu finalmente assisti ao filme "Cartas para Julieta" e quase caí para trás! O filme não tem NADA a ver com o livro, a não ser o fato de mostrar que existem mulheres em Verona que respondem as cartas que deixam para Julieta no muro da Casa de Julieta.

Nossa Avaliação - 8.5
A abordagem do livro é mais histórica, contando como esse mito do amor romântico de Romeu e Julieta começou, qual foi a real inspiração de Shakespeare. Há dados históricos, lendas e uma viagem linda por Verona, que lembra um pouquinho Roma, mas que tem cantinhos especiais que aparecem na história de um dos casais mais famosos da literatura mundial. 

O livro nos apresenta ao Clube de Julieta e às secretárias de Julieta. São elas que respondem bilhetes e cartas deixados por pessoas de todo o mundo. O Clube virou uma atração turística e quem for a Verona precisa conferir o trabalho lindo dessas senhoras.

O mágico do livro está no cuidado com o qual ele foi elaborado. Desde a capa à diagramação. As fotos são lindas, os fatos narrados são foférrimos, as cartas endereçadas à Julieta são emocionantes. Há até a receita "Baci di Giulietta" (Beijos de Julieta), um doce famoso em Verona!

Já o filme, é um romance. No filme, Sophie (Amanda Seyfried) vai se casar com Victor (Gael Garcia Bernal), mas antes de casar, eles partem em uma viagem para a Itália. Lá Victor fica entretido com a culinária local (ele é um chef e está abrindo seu próprio restaurante) e acaba deixando Sophie sozinha. Em meio às caminhadas pelo local, Sophie descobre a Casa de Julieta e depois o Clube. 

Uma vez no Clube, as secretárias de Julieta incentivam Sophie a responder uma carta de 50 anos atrás. Eis que alguns dias depois a autora da carta Claire (Vanessa Redgrave) aparece com seu neto Charlie (Christopher Egan) para conhecer Sophie. Logo os três começam uma viagem para encontrar Lorenzo Bartolini, o grande amor da vida de Claire. Não preciso nem dizer que rola um clima entre Sophie e Charlie, né? Um filme bonitinho, bem Sessão da Tarde! 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Biografia de um casal pós-amnésia (Renata Lima)


Se você perdesse parcialmente a sua memória e retomasse sua vida do último ponto que se lembra, será que faria as mesmas escolhas? Se apaixonaria pelo mesmo homem?

Nossa Avaliação - 6.5
Foi assim com Krickitt Carpenter quando ela e o marido sofreram um acidente de carro que deixou Krickitt em coma por quase um mês. Infelizmente, quando Krickitt acorda, ela não sem lembra do marido, mas do ex-noivo e dos pais, com quem já não tinha uma relação próxima devido a mentiras e manipulações. Mas ela não se lembra de nada disso e, na tentativa desesperada de saber quem ela é, Krickitt deixa o marido e volta para a casa dos pais.

A narrativa é feita por Kim, o marido, o que torna o livro um pouco cansativo, porque não sabemos exatamente o que se passa na cabeça de Krickitt e temos a informação de uma forma mais jornalística do que narrativa. A sensação que se tem é de que Kim é um narrador um tanto parcial: ela ama a esposa, ele quer tê-la de volta, mas, depois de muito quebrar a cara, ele decide dar a ela um tempo e os dois passam períodos longos separados.

Uma coisa meio idiota: a pessoa perdeu a memória, não reconhece ninguém, sai do hospital e você vai dar uma festa surpresa pra ela? Alowww!!! Nessa parte eu fiquei em dúvida se foi uma forçação de barra ou burrice por parte do Kim, mas como eles juram que aconteceu de verdade, fiquei com a opção da burrice mesmo!

O livro em si não é um livro ruim e a história, por ser verídica, é realmente muito bonita e comovente. O que me incomodar é um livro altamente biográfico ser vendido como romance. Não é um romance! E o final do livro não poderia ser mais chato. A gente entende que a história é realmente incrível e que eles mereciam sim estar em programas de TV, mas narrá-los? Para que, meu Deus? E mais uma vez: a capa do filme é a capa do livro no Brasil, que previsível! Tudo bem que a capa original do livro é horrível (essa branca à esquerda e à direita a nova capa americana, também com a foto do filme), mas podíamos ter criado uma capa diferente, não?

A minha dica é: assistam ao  filme. Apesar de ter muita coisa faltando, o filme sim é um romance! E ainda tem alguns colírios para os olhos: que tal o Channing Tatum para as meninas e Rachel McAdams para os meninos?