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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Um menino sob as asas do nazista (Renata Lima)


Se você ainda não leu "O Menino do Pijama Listrado" do John Boyne, corre que ainda dá tempo! É um dos meus favoritos da vida! Por esse motivo e alguns outros, John Boyne se tornou um dos meus autores preferidos dos últimos tempos e nesse livro que vou resenhar hoje "O Menino no Alto da Montanha" só fez deixar ainda mais claro para mim porque adoro o autor.

Nossa avaliação - 90
Publicado no Brasil pela Editora Seguinte, "O Menino no Alto da Montanha" conta a história de Pierrot, que ainda muito novo perdeu os pais (a mãe francesa e o pai alemão) e foi enviado para um orfanato, perdendo contato com seu amigo judeu Anrshel. A amizade dos dois é tão bonita que eles criaram uma linguagem de sinais cheia de símbolos para se comunicarem (já que Anrshel é surdo).

Depois de passar algumas dificuldades no orfanato, Pierrot descobre que tem uma tia ainda viva e essa tia decide levá-lo do orfanato para a mansão onde trabalha como governanta, no alto de uma montanha na Alemanha e, como eu não tinha lido a sinopse, não fazia a menor ideia de que a casa em questão era a casa de campo do próprio Adolf Hitler!

No começo, Pierrot não entende muito o que está acontecendo na Alemanha e em outros locais, afinal de contas ele é apenas uma criança de 7 anos, mas ele nota comportamentos estranhos e conversas sussurradas. Ao ter seu nome francês mudado para um nome mais neutro, Pieter, e conhecendo pela primeira vez o ditador, o menino acaba caindo nas graças do homem mais temido do mundo na época. Ao se encantar com Hitler, notamos que, aos poucos, a personalidade de Pierrot realmente vai se tornando cada vez mais agressiva e ditatorial a ponto de não querer mais receber as cartas de seu grande amigo por ele ser judeu.

Ao receber seu uniforme da Juventude Hitlerista das mãos do próprio Hitler, Pierrot se torna um mini-monstro, dedurando pessoas, tratando os empregados da casa como lixo e se achando de tal forma superior que chega a ver outros amigos de Hitler como ameaça.

Ficamos divididos entre amar e odiar o pequeno Pierrot, porque, se por um lado ele chegou ali ainda uma criança e portanto foi manipulado e influenciado pelas ideias e atitudes de Hitler, por outro ele, que já havia sido humilhado pelo exército nazista, se torna uma pessoa genuinamente cruel, ainda que não tenha muita noção das consequências de suas ações.

O livro é bem curtinho (272 páginas) e traz uma mensagem bem interessante no final (que não vou contar para não dar spoiler), mas que nos faz crer que ainda que a Humanidade tenha passado por esses momentos tão sombrios, há uma luz no fim do túnel!

Vocês já leram? Deixem suas opiniões nos comentários!

Abraços!
 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Um passado recheado de mistérios... (Lucyclenia)


Ai! Ai! Suspirando com este livro. E desde já aviso nada que eu possa dizer aqui pode fazer jus a este magnífico livro que acabei de ler.

Este é o primeiro livro que leio da autora Lucinda Riley e fico me perguntando por que que eu não li nada dela antes! Nunca fui muito chegada à romance histórico, mas este livro me surpreendeu! Estou fascinada com a construção da história, os personagens, a ambientação etc.

Então, vamos a resenha...

O livro "A Rosa da Meia-Noite" atravessa quatro gerações, do antigo ano de 1911 ao passado recente de 2011. No primeiro capitulo, conhecemos Anahita Chavan, que está para completar o seu 100º aniversário. Filha, netos e bisnetos chegam de diversos pontos da Índia para comemorar a data. 

Nossa Avaliação - 100
Mesmo feliz com a presença de todos, ela está mais interessada em seu bisneto Ari Malik, e é à ele que ela confia uma extensa carta de 300 páginas relatando a história da sua vida e todos os acontecimentos que vivenciou com o seu filho perdido, o qual foi considerado morto aos três anos de idade, mas que ela sabe e sente que não morreu como a fizeram acreditar, principalmente porque desde criança, Anahita ouve os espíritos que a guiam ao longo da sua vida. Como toda mãe que sente que algo está errado com o filho, ela nunca sentiu que o filho estivesse realmente morto.
Qualquer "beleza" que possa ser considerada valiosa em mim se esconde profundamente em minha essência. É a sabedoria de cem anos vividos nesse mundo, e um coração que tem batido em cadenciado acompanhamento para todos os imagináveis comportamentos e emoções humanos. (Pag. 11)
Ao se encontrar com Ari, ela lhe faz um ultimo pedido: que investigue a verdade sobre o paradeiro do seu filho. Porém, Ari é um grande empresário e pouco se importa com o passado da sua bisavó. Até que um dia ele se dá conta de que tem vivido apenas para o trabalho. Cansado e angustiado, ele resolve viajar para a Inglaterra, junto com a carta, onde se depara com uma história magnifica e triste que, querendo ou não, também faz parte de seu passado.
- Nani, por que eu? (...)
- Porque, Ari, o que você segura nas mãos é a história do meu passado, mas também é o seu futuro. (Pag. 24)
Em contrapartida, a atriz americana Rebecca Bradlley irá gravar um filme de época, justo em uma linda e fascinante mansão de Astbury Hall, um lugar que praticamente está caindo aos pedaços, mas recheado de mistérios e segredos que fazem parte do passado de Anahita. Rebecca acabou indo pra lá fugindo do seu namorado, astro do cinema, que a havia pedido em casamento e antes mesmo que ela tivesse aceitado a notícia já estava em todos os jornais. Lá ela conhece o Lorde Anthony Astbury, dono do lugar que gentilmente deixa que ela fique hospedada na mansão.

Confesso, dá vontade de contar tudo pra vocês, mas vocês terão que ler para descobrir. Gosto de muitos autores de diversos estilos, mas aqui a Lucinda passa a ser a número 1. Ela conseguiu me manter curiosa até o ultimo ponto final. Quem gosta de uma excelente história e muito bem contada não pode deixar de ler os livros da Lucinda.

A capa belíssima tem tudo a ver com a história, e, para mim, o único ponto negativo do livro é que tem muitos erros de ortografia, que denotam uma revisão malcuidada, mas não comprometem a leitura como um todo. 
Minha doce Anni, você tem um coração bom (...) Mas tenha cuidado pois os humanos são complicados e suas almas geralmente têm muitas camadas. Onde você acredita que vai encontrar bondade, talvez encontre o mal também. E onde você enxerga apenas o mal, talvez haja algo bom. (Pag. 101)
 Muito recomendado! Espero que gostem!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A Rainha Santa (Carla Cristina Ferreira)


Nossa avaliação - 7.5
Em julho trouxe o primeiro livro da série A Guerra dos Primos, “A Rainha Branca” de Philippa Gregory; hoje trago o segundo volume “A Rainha Vermelha”, publicado também pela editora Record.

O diferencial neste segundo livro é que a história não começa de onde o livro anterior terminou; na verdade ele começa alguns anos antes e aos poucos sua trama vai se intercalando com os acontecimentos de “A Rainha Branca”, mas por outro ponto de vista... Agora nossa protagonista é Margareth Beaufort, uma menina que sonha em se tornar santa, que almeja se juntar ao convento e passar seus dias jejuando e orando, mas que ao mesmo tempo acredita que possui um destino tão especial quanto o da jovem Joana D’Arc.

Como prima do rei, seus sonhos são interrompidos quando chega a hora de se casar e dar um herdeiro a Casa de Lancaster, já que até o momento o rei Henrique VI e a rainha Margarida de Anjou ainda não possuem filhos.

Em seu primeiro casamento Margareth tanto concebe um filho, Henrique Tudor, que acredita possuir um grande destino, quanto perde seu marido. Determinada a colocar seu filho no trono da Inglaterra, Margareth dedicará sua vida e suas orações sem se preocupar com as consequências.

Ela presencia a dissolução do frágil reino dos Lancaster e se vê diante de uma nova casa governante, os York, que após muitas batalhas depõem o rei louco que é controlado pela rainha. Sendo seu filho o próximo na linha de sucesso dos Lancaster, este é enviado para o exílio e lá aguardará a sua hora de retorna à Inglaterra e reclamar o que é seu por direito.

Mesmo com a consolidação do poder dos York, o país vive em meio à guerra civil. Procurando tirar vantagem de cada movimento em falso dos seus inimigos, Margareth casa-se com Lord Stanley, seu terceiro marido, que possui a fama de sempre mudar de lado, ficando sempre do lado vencedor. Implacável, juntos se aliam para colocar o verdadeiro herdeiro no trono, chegando a prometer seu filho em casamento ao inimigo: a filha da rainha Elizabeth Woodvile, que acredita ser uma bruxa de pacto com o diabo.
Vale tudo para alcançar seu sagrado destino de se tornar mãe do rei: conspirar, trair, assassinar... Afinal, apesar de santa e próxima a Deus, ela é um mulher que ‘sozinha’, com seu orgulho e sua ambição pelo poder acredita que mudará o curso da história, assim como Joana D’Arc.

Neste segundo volume, encontramos outra mulher determinada a atingir seu objetivo, nos narrando as acontecimentos a medida que os fatos vão ocorrendo, mas assim como em “A Rainha Branca”, há momentos que ações são narradas longe do ponto de vista de Margareth.  O que é um pouco chato, já que o leitor se acostuma com um narrador que é testemunha ocular dos acontecimentos.

Em comparação com o primeiro livro, este tem um desenrolar um pouco devagar, talvez pela natureza santa da protagonista que faz questão de frisar a todo o momento que jejua, ora e está próxima a Deus. Apesar de se considerar santa e sem pecado, fica claro a sua cobiça por poder e sua inveja pela rainha Elizabeth.


Agora é encarrar o livro três, “A Senhora das Águas”. Aguardem!


quinta-feira, 3 de julho de 2014

A determinação de uma rainha (Carla Cristina Ferreira)


Oi gente! Olha eu de volta!

Bem para aqueles que ainda não sabem, ando meio sumida porque estou esperando um futuro maníaco por leitura. Isso, mesmo vem aí o André Ricardo, vulgo Minduim. Por isso meus posts serão bem esporádicos daqui para frente. Desculpem-me, mas é por uma ótima razão.

Nossa Avaliação - 8.0
Mas vamos ao que interessa... como vocês sabem estamos participando do Desafio das Estrelas e nos mês passado consegui ler um dos livros propostos para o desafio do mês de junho. O escolhido foi “A Rainha Branca” da Philippa Greogry, publicado pela editora Record.

Tanto a Renata quanto eu, sempre tivemos curiosidade de ler algo da autora e finalmente pintou uma oportunidade, pois tínhamos muita dificuldade de conseguir o e-book.

“A Rainha Branca”, primeiro livro da série Guerra dos Primos, é um romance histórico ambientando na Inglaterra durante a “Guerra das Rosas”, uma guerra que levou irmãos e primos a lutarem pelo trono da Inglaterra: de um lado a Casa de Lancaster, do outro a Casa de York e no meio deste conflito surge a bela Elizabeth Woodville, viúva e mãe de dois meninos que perdeu sua herança quando o marido, lutando a favor da Casa Lancaster foi morto pelo então rei Eduardo VI, da Casa de York.

Planejando obter seus direitos de viúva, Elizabeth parte com os dois filhos pequenos para a beira da estrada a espera do rei Eduardo, que está nas redondezas. Imediatamente o rei se encanta com sua beleza e está determinado a possuir esta bela mulher, mas é aí que o destino ou quem sabe é a magia das descendentes da deusa das águas, Melusina, assume as rédeas.

Eis que inesperadamente Elizabeth, a plebeia, se vê casada e coroada rainha, mas rainha de um reino instável. É aí que a própria Elizabeth passa a travar suas próprias batalhas contra inimigos poderosos, dentre eles os irmãos do rei.

Como fã de romance histórico, gostei muito da maneira como a autora desenrola os eventos de um período tão conturbado, dando um pequeno toque de ficção a cada reviravolta inesperada, além de ter construído uma protagonista forte e determinada a lutar pela sua família e principalmente pelos seus direitos e dos seus filhos.

A única coisa que me incomodou um pouco foi que a história é narrada em primeira pessoa por Elizabeth, apenas pelo seu ponto de vista, mas há momentos (no meio e no final do livro) que este narra batalhas das quais ela não esteve presente, nem mesmo próxima. Não fazendo muito sentido para mim... Como ela pode narrar algo estando longe da ação? Mesmo assim, isso não desmerece o trabalho da autora e não nos faz desistir de dar continuação à história que conta a ascensão da dinastia Tudor.

Louca para ler o segundo volume “A Rainha Vermelha”... Em breve, espero. J


E para quem tem interesse de saber mais sobre está história há duas opções: a série de TV homônima e a série de romances históricos de Jean Plaidy - A Saga dos Plantagenetas (são 14 volumes, mas vale a pena).

Segue abaixo trailer da série em inglês:






sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Um Tirano bem fraquinho (Carla Cristina Ferreira)


Adoro conhecer autores novos, mas muitas vezes não vale a pena pagar caro em um livro em que não se sabe se é bom ou não. Aproveitando que no meu aniversário ganhei um vale-presente da Saraiva dos amigos Leo e Carol, apostei em um livro que chamou a minha atenção, apesar de ser de um autor desconhecido; falo de “Tirano” de Christian Cameron, publicado pela Record.

Para quem é rato de livraria, como eu, já percebeu que os livros da Record sempre são mais caros (assim como os da Cia. das Letras e da Bertrand), e nesse caso não dava pra arriscar R$ 60 em um tijolinho de 560 páginas. E olha a sorte que eu dei, apesar de uma história interessante o livro acabou sendo uma grande decepção. Mil vezes os romances históricos de Bernard Cornwell (esse é O cara).

Nossa avaliação - 4.0
Em “Tirano”, encontramos o ateniense Kineas que após ser dispensado do exército de Alexandre, o Grande, encontra-se exilado de sua amada Atenas e vê-se obrigado a trabalhar como mercenário de um tirano que tenta controlar os cidadãos de Olbia com rédeas curtas. Kineas e seus amigos acreditam terem sido forjados para guerrear e nada mais, não vendo outra opção a não ser aceitar a oferta de treinar um grupo de homens despreparados em troca de teto, alimento e poucas moedas.

Mas aos poucos Kineas e seus amigos começam a perceber que caíram em uma armadilha do destino e que estão sendo manipulados, não passando de peões em um jogo de intriga e poder. O objetivo do tirano não é apenas proteger a cidade contra um ataque bárbaro, mas sim se opor as forças de Alexandre que pretendem tomar a cidade. O verdadeiro inimigo pode estar mais próximo do que se imagina.

Infelizmente a história se arrasta com detalhes e diálogos insignificantes para o desenrolar da trama, mudando inclusive de direção, focando mais nos sonhos premonitórios de Kineas e na sua obsessão por uma amazona bárbara. O final é decepcionante, não agrada e são 560 páginas para se contar uma historinha chinfrim que poderia ser contada em 350. Pior foi descobrir depois que “Tirano” é o primeiro livro de uma trilogia cujos demais volumes ainda não foram traduzidos para o português, sendo eles Storm of Arrows e Funeral Games.

Já adianto que não tenho o menor interesse em ler os demais livros, deixando para quem quiser a “sugestão” de mais um romance histórico (na verdade não sei dizer se qualquer batalha mencionada no livro realmente ocorreu, acredito que não) que deve ser evitado.


Ainda bem que não desembolsei uma grana preta em um livro tão ruim. Viva a vale-presente e a troca até 30 dias!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Purificando Les Innocents (Carla Cristina Ferreira)



Nossa avaliação - 7.5
Há alguns meses me deparei com um livro que chamou minha atenção, primeiro pela capa e depois pelo conteúdo. Eu, que já adoro um romance histórico, fiquei super curiosa para ler “Puro” de Andrew Miller e publicado pela Bertrand Brasil. Aproveitei que ganhei um super vale-presente dos amigos Leo e Carol de aniversário e fiz a festa na Saraiva, levando pra casa esse livrinho singelo que fala nada mais, nada menos do que da remoção dos milhares de corpos e ossadas que ocupavam o cemitério Les Innocents.

O encarregado desta tarefa é Jean-Baptiste Baratte, um jovem engenheiro que vê a sua grande chance ao ser incumbido de expurgar a cidade de Paris da fedentina que o cemitério impõe aos cidadãos. Para Baratte será como transformar o velho em novo, preparar a cidade e seus habitantes para um glorioso futuro. Mal sabe ele que é verdade, pois apesar de não ser o foco do livro, este retrata as vésperas da Revolução Francesa e seu clima de tensão entre a sociedade.

Em uma cidade onde tudo fede graças à decomposição dos corpos (tudo possui o odor nauseabundo da morte, inclusive a comida e o hálito das pessoas), Baratte purifica esse mal adotando o pensamento racional e científico, as bases do Iluminismo, e acaba se transformando em um símbolo do movimento, mesmo sem desejá-lo.

Um tema macabro, que em alguns momentos me transporta para as mesmas catacumbas que são descritas em “O Vampiro Lestat”, de Anne Rice, e que mexe com as convicções do ser humano, deturpando e poluindo a alma, decompondo não apenas os mortos, mas também os vivos pouco a pouco, atingindo inclusive o poderio do próprio rei e de seus ministros.

Uma atmosfera que leva à loucura, ao estupro, ao suicídio, ao amor... Apesar de tudo o livro serve apenas pelo prazer da leitura e compre o seu propósito, pois não espere reviravoltas ou um grande final, pois somos presenteados apenas com um pequeno pedaço da História e das almas de seus personagens. 


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Azincourt, mais um livro de arqueiro (Carla Cristina Ferreira)



Bernard Cornwell é um dos autores cativos aqui do blog; de tempos em tempos sempre vai pintar uma resenha sobre algum de seus livros (que são muitos e nem todos foram traduzidos ainda para o português). Hoje é a vez de “Azincourt”, publicado pela Record, um romance histórico que fala sobre uma das muitas batalhas que foram travadas na famosa Guerra dos Cem Anos, a Batalha de Azincourt.

Nossa avaliação - 5.0
O foco do livro é mostrar mais uma vez a importância dos arqueiros ingleses nas batalhas entre França e Inglaterra, que marcaram um período tempestuoso na história dos dois países. Assim como na Batalha de Crécy narrada em “O Arqueiro”, também de Cornwell, temos um excepcional arqueiro que acaba, graças à interseção dos santos São Crispim e São Crispiniano, se juntando ao exército inglês e marcando anonimamente a História.

Aqui nosso protagonista é Nicholas Hook um jovem que após atacar um padre é considerado fora da lei em seu país e que acaba fugindo para Borgonha aonde acaba se metendo em mais confusão ao defender uma francesa que está preste a ser estuprada e que obviamente se tornará sua amante, fórmula mais que conhecida do autor. O diferencial desse livro é que quase todas as decisões de Nick são tomadas pelo intermédio dos santos gêmeos que o avisa dos perigos que estão por vir. Provavelmente um dos livros com mais influência religiosa do autor.

O livro não é ruim, pelo contrário, mas após ler vários livros de Cornwell, principalmente para quem já leu a trilogia “A Busca do Graal”, vai encontrar muitas similaridades. Uma delas, por exemplo é o sobrenome dos protagonistas: será que existe alguma relação entre Nick e Thomas de Hookton (protagonista de “O Arqueiro”)? A semelhança entre ambos é tão grande que Thomas é até mencionado no livro por ter se tornado um famoso arqueiro na Batalha de Crécy.

Este é o problema de “Azincourt”: parecido demais com outro livro do autor com a mesma temática, com o mesmo pano de fundo histórico, inclusive as mesmas desvantagens são enfrentadas pelo exército inglês em ambas as batalhas. Se eu tivesse lido este livro primeiro provavelmente ele ganharia nota 7.5, mas como ele não me surpreendeu em nada, acabei dando nota 5.0 e apenas por esta razão, pois o todo o embasamento histórico e a pesquisa necessária para detalhar uma batalha de tamanha importância está presente em cada linha escrita pelo autor.

Espero apenas que o último lançamento, “1356”, tenha algum diferencial, pois o autor traz de volta Thomas Hookton em mais uma batalha contra o exército francês. O jeito é conferir o resultado...


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A caminho da Terra Santa (Carla Cristina Ferreira)



No ano passado a Aline me emprestou um livro que ela achou a minha cara, por ser apaixonada por História e ser fã de romances históricos e fiquei muito empolgada para ler. Fiquei mais interessada ainda quando soube que nada verdade trata-se de uma saga composta por quatro livros e que até foi feito um filme baseado na obra.

Nossa avaliação - 6.0
Falo da saga “As Cruzadas”, começando pelo livro 1: “A Caminho de Jerusalém”. O diferencial desse livro é que se passa na hoje conhecida Suécia e nos transposta para o mundo medieval dos fiordes gelados da costa da península escandinava.

O livro narra a história de Arn, o segundo filho de um senhor de terras poderoso e respeitado que após a queda de uma torre é prometido à igreja caso sobreviva ao acidente. Mas os monges que receberam o menino não são a favor de aceitar no seu meio um menino que não conhece nada da vida e que lhe foi imposto à vida monástica por causa de uma promessa feita pelos pais e não por escolha própria.

Assim, Arn é criado, segundo os mandamentos de Deus, recebendo não apenas a mais refinada educação como também sendo instruído nas artes das armas como a espada, o arco e flecha e até na cavalaria. O único problema é que Arn não conhece nada sobre o mundo fora da proteção dos muros do mosteiro, tornando imperial que o garoto vivencie um pouco da maldade do mundo para perder a ingenuidade que ainda carrega da infância.

A trama tinha tudo para ser empolgante e envolvente, mas, depois de ler mais de 100 páginas, percebi que se tratava de uma narração muito descritiva, com pouquíssimos diálogos e passagens desinteressantes. A história ficou cansativa, repetitiva e sem graça.

O título “A Caminho de Jerusalém” é uma enganação, pois ficamos a espera das peripécias de Arn durante a viagem para a Terra Santa (o que não acontece), pois todo o livro se passa na Suécia. Apenas nos final, isso nas duas últimas páginas é que se menciona uma viagem para eliminar os sarracenos.

O que foi contato em mais de 400 páginas poderia ser resumido em 150. Isso me faz imaginar como será os olhos livro e se realmente há necessidade de quatro volumes. Será que dois livros não daria conta de desenrolar toda a trama?

Fica aí a pergunta que só poderei responder depois de encarar os outros três volumes: “O Cavaleiro Templário”, “O Novo Reino” e “O Legado de Arn”.

Mas confesso que fiquei curiosa em ver o filme sueco Arn – O Cavaleiro Templário (lançado em 2007) que engloba os dois primeiros livros, e Arn – O Novo Reino (2008) sobre o terceiro livro.

Para quem não sabe os livros foram escritos pelo sueco Jan Guillou e são o maior sucesso no seu país de origem. Aqui no Brasil foram publicados Bertrand Brasil.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A mesmice que cansa (Carla Cristina Ferreira)



Nossa avaliação - 6.0
Continuando no tema histórico/grego/mitológico, trago hoje o romance de Valerio Manssimo Manfredi, “O Exército Perdido”, publicado em 2009 pela editora Rocco. Já falei sobre Manfredi em outro post , e como gostei do livro anterior fiquei interessada em conhecer mais sobre o trabalho do autor, e como o tema também me fascina...

Só que neste romance Manfredi não consegue envolver da mesma forma que seu antecessor. Aqui encontramos uma história realista e por isso muito presa na mesmice, sem muitas elaborações. O livro narra a história de como o exército de dez mil mercenários gregos, mas especificamente espartanos descendentes de Leônidas e dos 300 de Esparta, que foram contratados, sem saber, por Ciro para destronar seu irmão, o Grande Rei do império persa.

Basicamente o livro narra as desventuras deste exército que por mais invencível e temido que fosse, acabou sendo derrotado pelos persas ao ter o seu líder assassinado. O problema é que os gregos, em especial os espartanos, haviam no passado feito uma aliança com o Grande Rei e agora se tornaram um estorvo tanto para os persas quanto para a própria Esparta. Assim, às 313 páginas focam em todos os percalços que enfrentaram para voltarem para casa.

O único fato interessante é que a história é narrada por uma mulher, Abira, que após a passagem deste magnífico exército pela sua aldeia, conheceu Xenofonte e com ele partiu para conhecer o amor e também os horrores da guerra.

Em alguns momentos Xenofonte nos brinda com pequenos trechos dos mitos gregos para esclarecer um fato à Abira, mas fora isso toda a história não passa de uma batalha aqui, uma dificuldade ali, uma superação e o ciclo recomeça.

Mesmo o livro sendo baseado em um dos relatos históricos mais importantes da época, escrito pelo próprio Xenofonte, eu espera mais, espera um pouquinho mais de ficção par deixar a história um pouco mais interessante. A ficção fica por conta do envolvimento de Abira com Xenofonte e de suas suspeitas quanto a tantas infelizes coincidências estarem atrapalhando o avanço do exército.

No geral, um livro para aqueles que realmente são apaixonados por História e querem que as lacunas sejam preenchidas por um pouquinho de ficção.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Gregos X Troianos e um pouco mais (Carla Cristina Ferreira)



Já falei em outro post sobre “A Ilíada” de Homero, mas hoje vim falar sobre uma versão romanceada do famoso poema épico. Há várias versões para a guerra entre gregos e troianos que durou mais de 10 anos, mas a melhor de todas em minha opinião é a de Colleen McCullough, “A Canção de Tróia”, publicada em 1998 pela Bertrand Brasil.

Nossa avaliação - 9.5
Para quem não sabe McCullough é também autora de “Pássaros Feridos”, uma de suas obras mais aclamada.

Neste livro a autora recria a saga da Guerra de Tróia de uma forma mais histórica do que mitológica, trazendo os personagens para um plano humano, deixando de lado todas as interferências dos deuses narradas por Homero, nas quais todos os fatos “inexplicáveis” passam a ter uma explicação lógica.

O interessante deste livro é que conhecemos os fatores que levaram a guerra muito antes de os seus protagonistas nascerem. Conhecemos a história de Peleu e Tétis, pais de Aquiles; conhecemos os erros de Príamo e Hécuba, pais de Páris; conhecemos detalhes que apenas os mitos contam e que Homero não narrou por já serem fatos conhecidos para os seus ouvintes.

Um livro que a cada capítulo é narrado por um personagem diferente, alguns até secundários, mas não menos importantes, no qual o seu ponto de vista será fundamental para ligar os pontos entre os personagens gregos e troianos que narram a história. Temos Peleu, Príamo, Helena, Aquiles, Agamêmnon, Heitor, Ulisses... uma variedade.

Conhecemos facetas desconhecidas e inimagináveis como de Helena como uma puta que vai para cama com qualquer um, e Páris como um homem fútil e mesquinho. Aquele amor todo que levou à guerra não passou de um capricho momentâneo de ambas as partes que levou a atos catastróficos.

Assim como a autora nos mostra o antes, também nos dá um vislumbre do que vem depois, bem diferente de Homero. Conhecemos por exemplo o destino de Enéas, Ulisses e de Agamêmnon.

Apesar de abdicar do fator divino da história, McCullough não deixa de lado a faceta heroica e semidivina dos personagens, levando o autor a ficar em dúvida quanto ao seu favoritismo ora para os gregos ora para os troianos.

Eu sou suspeita, porque se Ulisses fosse troiano com certeza torceria para eles, então não já ficou claro que torço para os gregos só por causa dele, e por ele ser “tocado” por Atena, a deusa da sabedoria, e a minha predileta! Kkk

Se você curte mitologia grega como eu, saiba que também há a versão de Marion Zimmer Bradley, autora de “As Brumas de Avalon”, para essa guerra. O livro se chama “O Incêndio de Tróia” e conta a história pelo ponto de vista de Cassandra, filha de Príamo e irmã de Páris, com um foco maior na parte troiana e na participação das amazonas como aliadas para derrotar os invasores gregos. Muito bom livro, mas a McCullough ainda dá de dez à zero. hehehehe


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Fazendo o próprio destino (Renata Lima)



Nossa Avaliação - 8.5
Hoje resolvi voltar com um dos clássicos que reli há pouco tempo e que tem todos os ingredientes de um bom romance dramático. 

Jane Eyre é uma órfã que está sob a guarda de uma tia rancorosa e vingativa. Depois de alguns acontecimentos que demonstram a índole tanto da tia quanto de Jane, a tia decide enviá-la para um internato, onde Jane cresce e descobre o que é a amizade e devoção. 

Após seis anos como aluna e dois anos como professora, Jane vai embora para ter preceptora de uma menina em na sombria e misteriosa Thornfield Hall, uma mansão cheia de barulhos e gemidos noturnos. Lá, Jane Eyre se apaixona pelo patrão, que parece nutrir o mesmo sentimento por ela.

Pela primeira vez na vida, Jane tem a mais pura sensação de felicidade, que só aumenta quando o Sr. Rochester, depois de muito galanteios, finalmente a pede em casamento.

Mas como nem tudo é lindo e, no dia do casamento, durante a cerimônia para ser mais precisa, o segredo escuso que rodeava a casa: o Sr. Rochester ainda é casado e sua esposa, que desenvolveu uma doença mental, é mantida trancada em um quarto no terceiro andar da casa. 

Edição Bilíngue da Landmark
Deprimida, sentindo-se traída e devastada pela dor, Jane ainda ouve o Sr. Rochester pedir que ela fique como sua amante. Mas Jane não aceita porque não foi criada assim e imagina o falatório e a condenação por parte da sociedade. 

Jane vai embora com recursos limitados e depois de quase morrer, é acolhida na casa John Rivers e suas irmãs.  Ali Jane faz algumas descobertas quanto á sua própria família e passa a viver com eles como uma irmã, mesmo quando descobre que herdou uma grande herança um tio. 

Em dado momento, quase um ano depois de Jane aparecer na casa, John Rivers resolve viajar como missionário e quer desposar Jane. .Mas será que Jane conseguirá ser feliz longe do Sr. Rochester e sua filha?

O que é mais interessante no livro, escrito em 1847, é que ele não consegue ser chato. É claro que existem partes mais paradas e algumas partes que dá vontade de pular, mas no geral o livro é muito interessantes e a história é muito bem narrada.

Há uma identificação com Jane Eyre, por toda a sua história de vida, e porque ela não é só uma mocinha romântica, que escolhe "sobrar de vítima das circunstâncias", como diria Lulu Santos. 

Ela é uma mulher que não quer ascender socialmente através do casamento e uma das poucos mocinhas que efetivamente tem um emprego e que toma o próprio futuro nas mãos e decide o que vai fazer com a própria vida.

A última edição que li foi essa edição bilíngue da Landmark e confesso que vira e mexe eu me pegava lendo a versão em inglês!

Há várias adaptações de Jane Eyre, umas muito elogiadas, outras criticadas da pior forma possível. A última que eu vi foi essa aqui do lado, de 2011, que estreou há pouco tempo no Telecine e será exibido novamente no dia 06/11 no Telecine Pipoca. 


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A busca pelo Graal (Carla Cristina Ferreira)



Outra figura conhecida aqui no nosso blog é Bernard Cornwell. Já falei aqui de “As Crônicas de Artur” e de “Stonehenge”. Agora é a vez da trilogia “A Busca do Graal”. 

Nossa avaliação - 8.0
Esta saga conta a busca de homens gananciosos que buscam o poder do Santo Graal, um dos mitos mais antigos e fascinantes do mundo. Normalmente associamos o mito às lendas do rei Artur, mas quem leu as “Crônicas de Artur” sabe que o autor não menciona este objeto sagrado. 

O diferencial dessa “busca” é que ela se passa bem depois do tempo de Artur, mas precisamente em torno de 1346, durante a Guerra dos Cem Anos, travada entra França e Inglaterra. 

Aqui nosso protagonista é Thomas de Hookton, um mero camponês, filho bastardo de um padre louco que sonha em se tornar arqueiro. A busca pelo Graal na verdade começa como uma busca por vingança: após o seu vilarejo ser atacado e uma relíquia sagrada ser roubada, Thomas descobre que seu pai foi assassinado por um misterioso homem conhecido como Arlequim. A relíquia nada mais é do que a lança de São Jorge, o santo padroeiro de todos os ingleses. 

Se você é apaixonado por história vai amar “O Arqueiro”, primeiro livro da saga. As 444 páginas descrevem com muitos detalhes uma das batalhas mais importantes da Guerra dos Cem Anos, a Batalha de Crécy, na qual o Rei Eduardo III e seu filho o Príncipe Negro vencem os franceses, graças à força dos arcos ingleses. E é aí que entra Thomas. 

Nossa avaliação - 7.5
Com a morte de seu pai, Thomas consegue finalmente realizar seu sonho de se integrar ao exército inglês e consegue se destacar por suas habilidades não apenas com o arco, mas também por saber ler e escrever em inglês, francês e latim. Tudo aprendido na base da palmatória, mas que no final serviu para muita coisa, inclusive se infiltrar nas fileiras inimigas sem levantar suspeitas. 

Além das lutas sangrentas, característica das obras de Cornwell, é claro que não poderia faltar a atração carnal que sempre atraí os protagonistas. Thomas não é diferente e em cada livro ele se vê nos braços de uma mulher diferente até ela trocá-lo por um partido melhor. 

Após a Batalha de Crécy, Thomas parte em busca do paradeiro do Graal, em uma missão designada pelo próprio rei, em “O Andarilho”. Ele volta ao seu antigo povoado em busca de pistas sobre o seu passado e sobre o cálice sagrado, e descobre que outros estão interessados no objeto, assim como o Arlequim. 

Nossa avaliação - 7.0
Desbravando a Europa entre mercenários, monges, lindas mulheres e muitas batalhas, Thomas descobre que sua família, os Vexille, era guardiã do Graal e que o Arlequim é seu primo. 

Querendo atrair a atenção de seu inimigo, Thomas viaja para Astarac, terra natal dos Vexille no interior da França, em “O Herege”. Ali, será conhecido como herege por se envolver com uma mulher acusada de feitiçaria e por não queimá-la na fogueira dos inquisidores. 

Jogos políticos e a traição de amigos pode colocar tudo a perder, mas a chegada da peste negra é o fator decisivo para Thomas levar a cabo sua vingança e descobrir o verdadeiro mistério do Graal. 

Às vezes o que mais se deseja está na frente de nossos olhos, mas não conseguimos ver. 

Fica a dica! hehehehe






segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Desvendado o mistério de Stonehenge (Carla Cristina Ferreira)


Já falamos aqui de Bernard Cornwell e “As Crônicas de Artur”, agora não vamos falar de nenhuma série, mas sim de um livro específico: “Stonehenge”, publicado em 2008 pela Editora Record. 

Nossa Avaliação - 7.5
Apesar de ter sido lançado originalmente em 1999, levou mais de dez anos para o livro chegar em terras tupiniquins. Um romance que contém as já conhecidas características de Cornwell: batalhas, sangue, emboscadas e traições. A trama se passa na idade do bronze, em torno de 2000 a.C. e tem como tema central a construção de um grande templo que honre o deus sol (Slaol) e a deusa lua (Lahanna) em um só lugar. 

A chegada de um estranho (carregando peças de ouro) ao antigo templo causa alvoroço na vila governada por Hengall e desperta desejos distintos em seus filhos - Saban, Camaban (o aleijado) e Lengar. Por ser o mais velho, Lengar cobiça o posto de chefe da tribo e quer usar o ouro para comprar guerreiros que o ajudem a conquistar a aldeia vizinha. Enquanto que Camaban acredita que o ouro foi enviado à aldeia pelos deuses, que desejam a construção de um novo templo. Para isso, influenciará o irmão mais novo Saban a ajudá-lo. 

A confusão começa quando Lengar decide tomar à força a chefia da aldeia e vende Saban como escravo. Daí vai surgir a sede de vingança, muitas batalhas sangrentas além de uma explicação para a construção do famoso monumento. 

Se você sempre teve curiosidade para descobrir porque e como esse grande círculo de pedra foi erigido, vale a pena dar uma olhadinha nesse romance histórico. Lembrando que a explicação de Cornwell é fictícia e que não há conhecimento de nenhum registro que comprove o objetivo dessa construção. Sua explicação, no entanto, é completamente plausível e é isso que faz com que seus livros despertem cada vez mais o interesse dos leitores, pois ele consegue transformar uma lenda, embasando-a em fatos históricos concretos e torná-la ‘real’ aos nossos olhos. 


sexta-feira, 27 de julho de 2012

O mistério da 9ª Legião (Carla Cristina Ferreira)



Hoje farei o caminho inverso: primeiro o filme, depois o livro, porque foi nessa ordem que as coisas
aconteceram. Zapeando pela TV outro dia, me deparei com um filme que falava sobre o colapso do império romano do ocidente, no século V a.C., e sobre seu último imperador, Romulus Augustus.

O filme “A Última Legião” (lançado em 2007) captou minha atenção não apenas pela história de Roma, que sempre me fascina, mas também pelo elenco: Colin Firth e Sir Ben Kingsley nos papéis principais.

A história fala do jovem imperador de 12 anos que, após ter sua família dizimada pelo exército de godos bárbaros, é feito prisioneiro e mantido refém na ilha isolada de Capri, juntamente com seu tutor Ambrosinus (vivido por Kingsley). Sendo conhecedor do mundo e de sua História, Ambrosinus releva-se portador de um grande conhecimento e reconhece que o local de seu cativeiro é uma villa construída pelo imperador Tiberius.

Juntos descobrem uma câmara secreta com a estátua do antigo imperador com sua espada lendária, utilizada em suas campanhas militares e que contém a inscrição “aquele que está destinado a regra”, que mais tarde será interpretado como profecia.

Com a intervenção de Aurelius (Colin Firth), Romulus e Ambrosinus são resgatados e, como não veem mais esperança de viver na Itália, decidem fugir para a Bretanha. Lá, fugindo de antigos inimigos e encontrado novos, conhecerão o segredo da 9º Legião, enviada para Bretanha para proteger os romanos durante a expansão do império, e desaparecida sem deixar rastros.

Nossa Avaliação - 8.0
Ao final do filme é que fiquei sabendo que o mesmo é baseado no livro italiano de mesmo nome de Valerio Manssimo Manfredi, publicado em 2003 pela editora Rocco. Como gostei muito do filme, fui a caça do livro e que surra eu levei para achar o bichinho, mas consegui!

O livro narra com detalhes as construções da época, os perigos e as batalhas, além de uma espetacular fuga durante a erupção do Vesúvio. Faz também uma ponte interessante entre Roma e Bretanha e a tentativa/fracasso em expandir o império, e a transição da História em lenda ou vice-versa.

Apesar de algumas diferenças entre o roteiro e o livro, a história é basicamente a mesma, e o mais legal de tudo é o super gancho do autor para o maior de todos os mitos europeus! Sem dúvida, uma cartada de mestre!


segunda-feira, 9 de julho de 2012

"Spartacus" do livro à TV (Carla Cristina Ferreira)



Muita gente acompanha ou acompanhou o sucesso da série Spartacus – Blood and Sand, Gods of the Arena e Vengence – e a essa altura todo mundo sabe que Spartacus foi um personagem verídico e o responsável por tirar o sono de muitos romanos no ano de 73 a.C. Mas será que alguém aí sabe que em 1951 foi lançado o livro sobre o líder da “Terceira Guerra Servil”, escrito por Howard Fast?

“Spartacus” foi publicado no Brasil pela primeira vez em 1959 pela BestSeller e republicado em 2007 em formato pocket pela BestBolso. Tive a sorte de ganhar uma coleção de livros super antiga da minha madrinha (que sabe que eu amo ler) e esse era um dos muitos exemplares. Resolvi arriscar.

Nossa Avaliação - 8.0
A história todo mundo já conhece, mas o diferencial do livro é que ele é contado após a rebelião, através das lembranças de pessoas que conheceram o herói pessoalmente ou que só ficaram sabendo dos relatos a partir de terceiros. Apesar do final infeliz, o mito perdura até hoje: o escravo que se torna gladiador e que cansado dos maus tratos, das futilidades e das maquinações políticas resolve dar um fim a desumanização dos escravos.

Um homem nascido da escravidão para a escravidão, mas que, cheio de vida, consegue mexer na estrutura do império ao questionar o domínio de Roma sobre o seu povo; este é Spartacus.

Mas já vou logo avisando, não vá ler o livro com série na cabeça, pois é provável que você irá se decepcionar, pois toda a violência, rivalidade e erotismo não fazem parte do universo do livro. Se você quer ter uma ideia mais visual da história experimente assistir ao filme homônimo de Stanley Kubick, estrelado por Kirk Douglas (pai de Michael Douglas) de 1960, pois o livro deu origem a este clássico.

Uma boa notícia para quem acompanha a série pela teletinha é que dia 15.07 estreia no FX Spartacus: Deuses da Arena (Gods of the Arena), às 23h!

A triste notícia é que foi confirmado o cancelamento da série na quarta e última temporada. Intítulada Spartacus: War of the Damned tem previsão de estréia em janeiro de 2013. O jeito é aguardar!

Confiram o cartaz da última temporada!



quarta-feira, 16 de maio de 2012

Christian Jacq e a série "Ramsés" (Carla Cristina Ferreira)


Sou fascinada por história antiga, isto é, idade média, mitologia grega e cultura egípcia. Tanto que sou louca para conhecer a Grécia e o Egito (minhas paixões) e como já falamos um pouquinho de mitologia grega, chegou a hora de viajarmos pelo continente africano e desvendarmos os mistérios do antigo Egito.

Nossa Avaliação - 8.5
Quem nos leva para conhecer esse mundo é o egiptólogo francês Christian Jacq, que nos descreve de forma detalhada a vida do faraó Ramsés II e os hábitos e costumes da XIX dinastia egípcia. Jacq começou a escrever aos 21 anos, misturando uma linguagem moderna com fatos históricos, especializando-se em obras de ficção (romance histórico), tendo escrito cinco séries e mais de dez livros avulsos sobre o tema.

A série de maior sucesso na França e no mundo é “Ramsés”, divida em cinco volumes: “O Filho da Luz”, “O Templo de Milhões de Anos”, “A Batalha de Kadesh” e “Sob a Acácia do Ocidente”. Na França foi lançada entre 1995 e 1997, mas no Brasil a série completa foi lançada em 2000 pela Bertrand Brasil (que faz parte do Grupo Editorial Record) e relançada em 2007 no formato pocket pela Best Bolso, também do Grupo Record.

Nossa Avaliação - 8.5
Em “Ramsés”, Jacq nos transporta aproximadamente para o ano de 1278 a. C. narrando os momentos mais delicados e de maior sucesso do faraó. Deparamo-nos com a sua infância, suas amizades e sua secreta insatisfação por não ser o herdeiro de seu pai. Seu reinado foi o mais próspero de toda a dinastia egípcia em todos os aspectos do militar ao cultural e administrativo, e o mais farto também. Os livros são repletos de intrigas, conspirações e assassinatos; algumas cenas chegam a ser previsíveis, mas no geral o livro é ótimo.

A série começa com o faraó Sethi iniciando Ramsés nos mistérios de como ser um faraó através de ensinamentos e provas nas quais o filho terá que se mostrar merecedor de ser o futuro regente do Egito, apesar de não ser o primogênito. Para isso, Ramsés terá que provar sua coragem e lealdade, além de enfrentar os inimigos menos esperados. O pior virá após a morte de Sethi, quando Ramsés sucederá o pai atraindo mais ainda a fúria dos seus inimigos.

Nossa Avaliação - 8.5
No segundo livro, os personagens começam a evoluir dando forma à trama, principalmente os secundários, fazendo com que história não seja maçante, sempre centrada no protagonista. Aqui encontramos o jovem faraó as voltas com a desconfiança da corte pela sua inaptidão para bajular e ser bajulado ou pela sua inexperiência com a política; e a marca registrada do reinado de Ramsés II: a realização das imensas obras faraônicas. O mais interessante, contudo, é a forma como o autor justifica como o faraó é uma representação na terra dos deuses, legitimando-o com a descoberta de poderes divinos que o ajuda a melhor administrar seu reino e ajudar o seu povo.

Nossa Avaliação - 8.0
Na hora de mostrar sua competência no campo de batalha, Ramsés parte para enfrentar um inimigo externo no terceiro livro: os hititas; mas uma luta ainda mais mortal o espera ao enfrentar um poderoso feiticeiro que ameaça a vida da rainha. Daí em diante o governo do faraó passa a trabalhar mais na base da diplomacia, na tentativa de estabelecer um tratado de paz com os hititas, no penúltimo livro; enquanto o último é marcado por um tom saudosista: apesar da derrota dos últimos (ou primeiros) inimigos, Ramsés se encontra vencido e derrotado... pelo tempo.

O mais legal da série na minha opinião é encontrar outras figuras históricas além do próprio faraó, como a visita da frota grega ao país, chegando vitoriosa após ter derrotado os troianos. Além do arrogante Agamenon, Menelau e Helena, encontramos o “contador de histórias” Homero (afinal quem melhor para relatar a história da “Ilíada” do que o próprio “autor”).

Nossa Avaliação - 8.0
Também nos deparamos com Moisés, isto mesmo, o mesmo Moisés dos dez mandamentos. Aqui temos uma visão diferente das contadas pelos filmes hollywoodianos: Moisés é um dos melhores amigos de Ramsés na infância e mesmo sendo hebreu consegue um cargo muito cobiçado junto ao faraó, mas acaba percebendo como o seu povo poderia prosperar mais. Não que eles sejam escravos, eles são mais como serviçais que precisam daquele “emprego”, pois de outra forma não conseguiriam sobreviver. É legal observar o desenrolar da história bíblica dentro da História, apesar de cronologicamente falando o faraó que oprimiu os hebreus seja outro do que é citado no livro Êxodo, este pereceu no mar e jamais foi encontrado, enquanto a múmia de Ramsés II foi encontrada em 1881 no Vale dos Reis.

Se você gosta de romance histórico, quer conhecer um pouquinho do Egito antigo, vale a pena dar uma conferida nesta série. Boa leitura!

Outras obras de Christian Jacq:
  • Série Mozart composta por 4 volumes - Mozart: O Supremo Mago; Mozart: O Filho da Luz; Mozart: O Irmão do Fogo; Mozart: O Amado de Ísis
  • Série Ramsés composta por 5 volumes - Ramsés: O Filho da Luz; Ramsés: O Templo de Milhões de Anos
  • Ramsés: A Batalha de Kadesh; Ramsés: A Dama de Abu-Simbel; Ramsés: Sob a Acácia do Ocidente
  • Série Pedra da Luz composta por 4 volumes -A Pedra da Luz: Nefer, o Silencioso; A Pedra da Luz: A Mulher Sábia; A Pedra da Luz: Paneb, o Ardoroso; A Pedra da Luz: O Lugar da Verdade
  • Série A Rainha Liberdade composta por 3 volumes - A Rainha Liberdade: O Império das Trevas; A Rainha Liberdade: A Guerra das Coroas; A Rainha Liberdade: A Espada Flamejante
  • Série O Juiz do Egito composta por 3 volumes - O Juiz do Egito: A Pirâmide Assassinada; O Juiz do Egito: A Lei do Deserto; O Juiz do Egito: A Justiça do Vizir
  • A Sabedoria Viva do Antigo Egito
  • As Egípcias: Retratos de Mulheres do Egito
  • O Mundo Mágico do Antigo Egito
  • A Rainha Sol
  • Nefertiti e Akhenaton: o Casal Solar
  • Contos e Lendas do Tempo das Pirâmides
  • Barragem sobre o Nilo
  • O Caso Tutankhamon
  • O Pequeno Champollion Ilustrado
  • O Egito dos Grandes Faraós
  • Por Amor de Philae
  • Champollion O Egípcio
  • O Vale dos Reis
  • Viagem ao Egito dos Faraós
  • A Viagem Iniciática

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Bernard Cornwell, livros para macho (Carla Cristina Ferreira)


Para os amantes de romance histórico, apresento-lhes Bernard Cornwell. Especialista no assunto, principalmente quando se trata de História Britânica, e apaixonado por História em geral, Cornwell já refletiu sua paixão nas páginas de mais de 40 livros publicados. Ele é conhecido pelo sucesso de “As Crônicas de Artur”, e pelas sagas “A Busca do Graal”, “As Crônicas Saxônicas” e “As Aventuras de Sharpe”. Sua marca registrada? Todos os seus livros retratam com realismo e detalhes cenas de guerras medievais e sangrentas, atraindo particularmente o público masculino, que não está nem um pouco interessado em livros água-com-açúcar, mas sim em testosterona, libido e vingança.

O autor possui uma obra tão extensa que, como leitora aficionada e fã, li quase todos os livros e isso significa que tenho muita coisa para falar. Mas como já dizia Jack, vamos por partes. Comecemos então com “As Crônicas de Artur” que obviamente fala do famoso rei Artur, Camelot, Merlin e Excalibur, mas sob um ponto de vista diferente... Digamos, mais pé no chão. Dividido em três partes, narra em primeira pessoa a história que todos conhecemos sob o olhar de Derfel, um velho monge que no auge de sua juventude acompanhou de perto o desenrolar dessa história.

O Rei do Inverno
Nossa avaliação - 8.5
No primeiro livro, “O Rei do Inverno”, encontramos uma terra abandonada pelos romanos e agora ameaçada por um novo inimigo, os saxões, e divida por senhores feudais ambiciosos. O Grande Rei da ilha da Britânia, Uther Pandragon, está muito doente e conta com o apoio de seus filhos bastardos Morgana e Artur para assegurar o direito do seu neto Mordred, ainda um bebê, de reinar em seu lugar. O que não será fácil.

Estamos em momento da História onde os deuses antigos e o deus cristão guerreiam paralelamente pela fé de um povo sofredor. É nesse contexto em que vive Merlin, um druida que acredita no poder dos antigos deuses e não é visto há vários anos; alguns acreditam que esteja morto.

As descrições feitas por Cornwell dos locais, das condições de vida e dos costumes da época são bem realistas e conseguem transportar o leitor para dentro das páginas. Alguns podem achar que a história se arrasta no primeiro livro, mas é só impressão; é preciso dar um pouco de tempo para a história engrenar.

A melhor cena, na minha opinião, é quando Nimue, amiga de Derfel e aprendiz de Merlin, afugenta seus inimigos coberta de sangue e com um morcego vivo emaranhado em seus cabelos. Bizarro, mas eficaz!

O Inimigo de Deus
Nossa avaliação - 9.0
Na segunda parte, “O Inimigo de Deus”, Artur consegue unificar os reinos da Britânia sob o juramento de servirem a Mordred quando este estiver em idade de assumir o trono. Entretanto, a paz está ameaçada mais uma vez pela invasão da horda saxã e pelo conflito entre pagãos e cristãos que se intensifica. Mas Artur só pensa em expulsar os saxões não importa com a ajuda de qual deus. Assim, Merlin, sai à caça de um caldeirão mágico que, juntamente com a espada sagrada Excalibur, fará parte de um feitiço que irá trazer os antigos deuses de volta, expulsar os saxões para além-mar e apagar o cristianismo da face da terra. Será?

Cornwell fascina pelo fato de narrar as lendas que conhecemos sem o faz-de-conta e o romantismo já embutido nelas, focando no lado realista da história. E é dessa forma que ele nos mostra um Lancelot arrogante, egoísta e acima de tudo covarde; o oposto do herói romântico e íntegro que imaginamos. Possivelmente a verdade é que este modelo de cavaleiro não existiu. Da mesma forma é Guinevere: esqueça aquela mulher atormentada pela ideia de trair o marido por um amor maior. Aqui além de trair Artur com seu melhor amigo, ela é uma vaca interesseira e manipuladora.

Excalibur
Nossa avaliação - 9.5
Em “Excalibur”, conhecemos a razão para Derfel, um guerreiro notável e pagão, ter se tornado um monge obediente, servindo ao seu “inimigo”. Conhecemos também um lado sagaz de Guinevere e os motivos para o desaparecimento de Merlin e Artur. O final é simplesmente espetacular. A forma como Cornwell consegue transformar o mito arturiano em uma realidade possivelmente plausível é de deixar qualquer um de boca aberta. Chocante!

Após o sucesso das “Crônicas de Artur”, onde muitos devem ter se perguntado “cadê o Santo Graal?”, foi dado início a uma nova trilogia chamada “A Busca do Graal”. Nesta nova saga dividida em “O Arqueiro”, “O Andarilho” e “O Herege”, estamos no meio da Guerra dos Cem Anos e conhecemos Thomas de Hookton, camponês, filho bastardo de um padre, que tem o sonho de se juntar ao exército inglês e se tornar um arqueiro.

Inesperadamente uma figura vestida de preto chamada Arlequim invade a aldeia de Thomas, matando seu pai e roubando uma relíquia inestimável: a famosa lança de São Jorge (santo protetor dos soldados ingleses; seu grito de guerra é “São Jorge”). Daí em diante Thomas procura realizar seu sonho e vingar a morte do pai, custe o que custar. Tentando alcançar seu objetivo, descobre que o pai era o guardião de um grande segredo: o graal, e que outras pessoas estão de olho nessa relíquia.

Os títulos dos livros deixam bem claro o andamento de cada um deles, e mais uma vez Cornwell retrata os costumes da época, as batalhas, o derramamento de sangue, as prostitutas e o clero com brilhantismo. Acho que o mais interessante é como o cristianismo é retratado em seus livros, em alguns como algo tão banal e sem sentido e em outros como algo realmente sagrado e cheio de poder e mistério.

   
“A Busca do Graal” não é a minha saga favorita, mas ainda assim vale a pena ler. Mas se você está interessado em algo mais brutal e com a mesma carnificina das “Crônicas de Artur” vale a pena ler “As Crônicas Saxônicas” (dividido em 6 livros, o último ainda não foi lançado no Brasil) que fala sobre Alfredo, o Grande.

Já se você gosta de batalhas históricas com baionetas, carabinas, fuzis e patentes, vale a pena conferir “As Aventuras de Sharpe”. Inicialmente, no Brasil foram publicados 8 dos 24 livros lançados na Inglaterra e que fizeram muito sucesso ao serem transportados para a telinha em uma série estrelada por nada mais, nada menos do que Sean “Boromir” Bean no papel de Richard Sharpe. Infelizmente esta série não chegou para nós tupiniquins, mas para quem tem o inglês na ponta de língua, é possível baixar e aproveitar cada uma dessas aventuras.

Como ainda não terminei de ler “As Crônicas Saxônicas” nem “As Aventuras de Sharpe” vou deixar estes livros para um próximo post, juntamente com as obras avulsas “Stonehenge”, “Azincourt”, “O Condenado” e “O Forte”.

Eu não sei vocês, mas eu ADORO as capas de todos os livros. O que vocês acham?

No Brasil os livros de Bernard Cornwell são publicados pela Record.