quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Purificando Les Innocents (Carla Cristina Ferreira)



Nossa avaliação - 7.5
Há alguns meses me deparei com um livro que chamou minha atenção, primeiro pela capa e depois pelo conteúdo. Eu, que já adoro um romance histórico, fiquei super curiosa para ler “Puro” de Andrew Miller e publicado pela Bertrand Brasil. Aproveitei que ganhei um super vale-presente dos amigos Leo e Carol de aniversário e fiz a festa na Saraiva, levando pra casa esse livrinho singelo que fala nada mais, nada menos do que da remoção dos milhares de corpos e ossadas que ocupavam o cemitério Les Innocents.

O encarregado desta tarefa é Jean-Baptiste Baratte, um jovem engenheiro que vê a sua grande chance ao ser incumbido de expurgar a cidade de Paris da fedentina que o cemitério impõe aos cidadãos. Para Baratte será como transformar o velho em novo, preparar a cidade e seus habitantes para um glorioso futuro. Mal sabe ele que é verdade, pois apesar de não ser o foco do livro, este retrata as vésperas da Revolução Francesa e seu clima de tensão entre a sociedade.

Em uma cidade onde tudo fede graças à decomposição dos corpos (tudo possui o odor nauseabundo da morte, inclusive a comida e o hálito das pessoas), Baratte purifica esse mal adotando o pensamento racional e científico, as bases do Iluminismo, e acaba se transformando em um símbolo do movimento, mesmo sem desejá-lo.

Um tema macabro, que em alguns momentos me transporta para as mesmas catacumbas que são descritas em “O Vampiro Lestat”, de Anne Rice, e que mexe com as convicções do ser humano, deturpando e poluindo a alma, decompondo não apenas os mortos, mas também os vivos pouco a pouco, atingindo inclusive o poderio do próprio rei e de seus ministros.

Uma atmosfera que leva à loucura, ao estupro, ao suicídio, ao amor... Apesar de tudo o livro serve apenas pelo prazer da leitura e compre o seu propósito, pois não espere reviravoltas ou um grande final, pois somos presenteados apenas com um pequeno pedaço da História e das almas de seus personagens. 


Um comentário:

  1. Nossa... meio mórbido, hein?! Realmente a capa é bem interessante.

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